Arquivo para Julho, 2008

2001

X-Men#75 - Nossa primeira revista de super-heróis

X-Men#75 - Nossa primeira revista de super-heróis

Com muita satisfação minha coleção (e do meu irmão) de quadrinhos atingiu hoje os 2001 exemplares. Isso, claro, sem contar nossos gibis importados, da Turma da Mônica e da Disney. Alguns dados da minha coleção.

Editora – A editora que temos mais revistas é a Abril, com 972, seguida de perto pela Panini com 833. A próxima vem longe, que é a Mythos, com 45 edições.

Licenciadora – É a Marvel que vem bem na frente com 1443 revistas, depois vem a DC com 346 e em terceiro, mais longe, a DC (Vertigo) com 52 edições.

Categoria – 1458 revistas periódicas, 308 minisséries, 151 edições especiais, 45 edições encadernadas, 29 álbuns de luxo e 10 graphic novels.

Gênero – Que dúvida! 1848 são super-heróis e em segundo lugar, alternativo com 50.

Como bom Zumbis X, temos completas as coleções de X-Men, Fabulosos X-Men, Wolverine e Fator X (da Abril) e de X-Men, X-Men Extra, Arma X e Wolverine (pela Panini).

Sandaman - Despertar, o número 2001

Sandman - Despertar, o número 2001

Também temos completas Força PSI, Shazam!, Melhores do Mundo, Gen13 e WildC.A.T.S., Marvel 1999, Marvel 2000, X-Men Premium, Homem-Arnha Premium, Grandes Heróis Marvel Premium e Superman Premium (Abril), Marvel Millennium: Homem-Aranha, Marvel 2002, Quarteto Fantástico & Capitão Marvel, Hulk & Demolidor, Marvel MAX, Avante, Vingadores, Marvel Action, Grandes Clássicos DC, 52 e Melhores do Mundo (Panini).

Toda essa catalogação não seria possível sem a existência do Guia dos Quadrinhos, um site brasileiro pra listar as coleções de quadrinhos. Embora inciante, fazem uns 3 ou 4 anos que existe, dá pra encontrar referências de inúmeras publicações brasileiras, capas, histórias, autores, personagens. É, sem dúvida, o site mais completo nesse sentido. Se você já for cadastrado dá pra ver todas as capas da nossa coleção. Estamos registrados como BeG. Mas só pra quem é registrado.

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Super Gemas: gratinar!

Zan, Zayna e Gleek. Novas versões de sidekicks para os SuperAmigos, diretamente de Space Ghost.

Zan, Jayna e Gleek. Novas versões de sidekicks para os SuperAmigos, diretamente de Space Ghost.

Os Super Gêmeos são dois heróis criados para o desenho dos SuperAmigos, em 1977. Com a junção de suas mãos e o grito: “Super Gêmeos, ativar!” eles usavam seus poderes. Jayna podia se transformar em qualquer animal (terrestre, aquático, aéreo, extraterrestre e mitológico) e Zan se transformava em água em qualquer uma de suas formas. na forma sólida ele podia ser objetos feitos de gelo também. Os dois irmãos tinham como animal de estimação o macaco alienígena Gleek, que ora estragava, ora salvava o dia. Todos eram oriundos do planeta Exxor.

Os heróis fugiram de um Circo Espacial ( ! ) e foram para em um planeta onde um inimigo do Superman planejava bombardear a Terra. Os gêmeos e o macaco vão, então, ao nosso planeta avisar a Liga da Justiça sobre os planos do vilão. Os heróis decidem ficar na Terra substituindo Marvin, Wendy e seu cão, Marvel (os sidekicks originais dos SuperAmigos) na equipe. Para viver uma vida normal, sua identidade civil era Johan e Johanna Fleming, vindos de Esko, na Suécia. Os dois usavam cabelos loiros, viviam com o Professor Carter Nichols e estudavam na Gotham City High School como alunos de intercâmbio.

Os predecessores dos Super Gêmeos são os parceiros do Space Ghost, Jan e Jace e seu macaco Bling (repararam na semelhança entre os nomes?). O desenho do herói espacial é de 1966, enquanto o dos justiceiros estreou em 1973.

Foram feitas muitas tentativas de incluir os Super Gêmeos nas histórias em quadrinhos da DC Comics, mas todas elas não deram certo. A última tentativa foi colocá-los com um dos milhares de figurantes dos Novos Titãs durante a Crise Infinita. Eles também apareceram na Justiça Extrema, como garçons em O Reino do Amanhã e nos desenhos animados dos Jovens Titãs e Liga da Justiça Sem Limites.

Quem é mais camp? O seriado do Batman, da Mulher-Maravilha, Aquaman ou os Gêmeos?

O que é mais camp? O seriado do Batman, da Mulher-Maravilha, Aquaman ou os Gêmeos?

Talvez a história mais bizarra envolvendo os Super Gêmeos foi em uma brincadeira de dia dos bobos envolvendo a revista Wizard. Foi anunciado que Alex Ross ao lado de Paul Dini produziriam um álbum dedicado ao Super Gêmeos (sabendo-se do apego do artista à série de TV). Se chamaria “Super Gêmeos: Forma de Água”, dando continuidade à série de “Superman: Paz na Terra”, “Batman: Guerra ao Crime” e “Mulher-Marvilha: Espírito da Verdade”. No álbum os gêmeos cruzariam a terra para evitara a seca logo depois de seu macaco ter contraído raiva.

Mais que personagens irrelevantes nos quadrinhos, os supergêmeos se tornaram parte da cultura popular. Quem nunca falou pra um amigo “Super Gêmeos: ativar!”? E eles continuam a ser zoados, talvez perdendo apenas para o Aquaman, recebendo uma série de episodios que saiu no Adult Swim americano. Se até a Comida dos Astros, grupo de comédia que faz representações transformando tudo em comida, criou o “Super Gemas: gratinar!” e o “Enquanto isso, na fábrica de lingüiça…”, é sinal de que mesmo ausentes de uma publicação regular, Zan e Jayna estão na memória de muita gente como parte do imaginário camp dos quadrinhos. Fazer o quê?

Super Gemas: desgratinar!

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Batman – O Cavaleiro de Gotham

A animação une os dois filmes do Batman

A animação une os dois filmes do Batman

Depois de assistir ao fantástico Batman – O Cavaleiro das Trevas, assitimos ontem ao Batman – O Cavaleiro de Gotham. Explico. A Warner fez uma estratégia parecida com o que aconteceu com os filmes de Matrix e a animação Animatrix. As histórias do Batman ocorrem entre o primeiro e o segundo filme de Christopher Nolan. São seis episódios interligados, todos desenvolvidos por estúdios japoneses, por isso o estilo anime.

O primeiro deles, e que foi o que mais gostei, chamado “Eu tenho uma história para você”, mostra garotos skatistas e suas visões sobre o Morcego. Um deles acha que ele é uma sombra, outra que ele é um morcego humano voador e outro, um robô. Qual deles estará certo?

O segundo, “Fogo Cruzado” foca nos policiais Chrispus Allen (que agora é o Espectro no universo DC) e Anna Ramírez (uma Renèe Montoya genérica e que também está no filme com o Coringa). A história é escrita por Greg Rucka (Gotham City Contra o Crime). A hitória traz os agentes da lei no meio de uma briga entre as máfias de Gotham. É interessante que em certa parte da história Allen pede reforços para o cruzamento entre a O’Neill e a Morrison. Os dois nomes são de roteiristas do Homem-Morcego. O’Neill escreve histórias do Batman desde o final da década de 60 e esteve presente durante o famigerado arco A Queda do Morcego da década de 90. Já Morrison foi responsável pela insana graphic novel Asilo Arkham em 1988 e é responsável pelas atuais histórias do personagem.

O episódio seguinte, “Teste de Campo” traz uma nova invenção de Lucius Fox, um gerador de pulso eletromagnético e conta como Bruce Wayne vai usar o aparato para dar cabo da máfia russa e italiana da cidade. Além disso há um torneio de golfe em prol dos sem-teto de Gotham.

“Esconderijos na Escuridão” lembra um pouco a mini Batman – O Messias, de Jim Starlin, pelo visual subterrâneo e a presença de um religioso. O episódio é escrito por David Goyer, roteirista dos filmes do Batman e das primeiras histórias da nova Sociedade da Justiça ao lado de Geoff Johns. No desenho, Batman enfrenta o Espantalho e o Crocodilo para salvar um cardeal seqüestrado.

“Lidando com a Dor” também tem seus momentos O Messias. Batman deve lidar com a dor e chegar consciente até a cidade enquanto atravessa os esgotos. A série é escrita por Brian Azzarelo, mais conhecido por 100 Balas, mas também escritor do excelente arco Cidade Castigada da revista do guradião de Gotham. É meu segundo episódio preferido, porque não enfoca lutas do cruzado embuçado, mas sua peregrinação pelo mundo em busca do não-sofrimento. Traça um paralelo interessante com a origem e motivações do personagem.

O último episódio, “Pistoleiro“, mostra Bruce Wayne contra o persongem-título, que nos quadrinhos já foi intergrante do Esquadrão Suicida e do Sexteto Secreto. Mostra um aspecto nem sempre explorado do Homem-Morcego: sua aversão pelas armas de fogo. Este episódio é escrito por Alan Burnett, que além de responsável pela produção e roteiro das novas séries aniamdas de Superman e Batman, também escrevia os roteiros do saudoso desenho Ducktales.

Batman – O Cavaleiro de Gotham não é uma animação excepcional em termos de história, mas o visual e, principalmente os cenários, valem à pena. E ainda tem uma prévia da animação da Mulher-Maravilha, a ser lançada por volta de maio nos EUA com direito a contextualização histórica (!). Estou na espera também por Contrato de Judas.

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20 motivos para ler Watchmen

Watchmen, de Alan Moore e Dave Gibbons, obra seminal para qualquer fã de quadrinhos.

Watchmen, de Alan Moore e Dave Gibbons, obra seminal para qualquer fã de quadrinhos.

Hoje saiu o trailer de Watchmen. Muito bom, por sinal. Visualmente fiel. O que me surpreende é que fora do mundinho nerd a maioria das pessoas não conhece Watchmen. Eu faço meu trabalho de catequista e empresto minha série de 12 revistas, em caixa especialmente feita pela Júlia, para a maioria dos meus amigos mais próximos e que topam ler a série. Quem topou, com certeza gostou. Mas aí você que não lê quadrinhos vem e me pergunta: “Mas por que eu vou ler essa coisa?”. Agora eu lhe dou os motivos:

1. Em termos comparativos com outras mídias, Watchmen é para os quadrinhos o que Cidadão Kane é para o cinema, ou o que Sgt. Peppers Lonely Heart Club Band é para a música.

2. A capa de cada edição/capítulo é um close de uma imagem que tem continuidade na primeira página de história, funcionando sempre como o primeiro quadro desta.

3. Richard Kelly (Donnie Darko) e Darren Aronofsky (Réquiem para um Sonho, The Fountain) apontam o trabalho de Moore como uma das principais influências em seus trabalhos.

4. O título de cada capítulo é extraído de uma citação de cultura clássica ou popular. A citação completa é colocada completa no último quadro da história.

5. Os Incríveis: A base da história é diretamente inspirada em Watchmen, com super-heróis aposentados após perseguição do governo.

6. O final de cada edição/capítulo é acompanhado por quatro páginas em preto e branco trazendo documentos fictícios, como excertos de livros, revistas, relatórios de polícia, memorandos e material publicitário, que ajudam a compor a atmosfera e a ambientação da história.

7. Lost: a narrativa não-linear, focada em flashbakcs de personagens, com histórias paralelas sendo contadas através de detalhes é uma das influências que Damon Lindelof aponta como vindas de Watchmen.

8. A graphic novel traz à tona a questão: “O que aconteceria se os super-heróis existissem no mundo real?”, e mostra as conseqüências sociais, econômicas, política, morais e no cotidiano das pessoas. Richard Nixon, por exemplo, continua eleito em 1985 porque os Estados Unidos venceram a Guerra do Vietnã com a ajuda de seres superpoderosos.

9. Foi a primeira (e única) graphic novel a vencer o Hugo Awards, prêmio máximo da literatura de ficção e fantasia.

O Superman existe e é americano!. O Dr, manhattan é o único super-heróis com poderes no mundo de Watchmen, mas sua simples existência pode provocar tsunamis do outro lado do mundo.

"O Superman existe e é americano!". O Dr. Manhattan é o único super-herói com poderes no mundo de Watchmen, mas sua simples existência pode provocar tsunamis do outro lado do mundo.

10. Muito de Watchmen é baseado na Teoria do Caos (que ficou famosa com filmes como Jurassic Park e Efeito Borboleta), onde causa e efeito estão intimamente interligadas.

11. Influenciou dezenas de quadrinistas, que passaram a imprimir um clima mais sombrio e decadente às suas histórias, gerando uma tendência que seria mais tarde denominada como “gim’n'gritty”.

12. O nome da série vem da frase “Quem vigia os vigilantes?” ou “Who watches the watchmen?” , que vem da frase “Quis custodiet ipsos custodes” das sátiras de Juvenal. O poeta romano apresentava os vícios da sociedade dos tempos dos Césares. Alan Moore faz o mesmo revelando as perturbações e manias dos super-heróis de um mundo possivelmente real.

13. Um dos capítulos, Temível Simetria (nome retirado de um poema de William Blake) tem as páginas espelhadas simetricamente. Ou seja, a primeira página tem a mesma composição de layout que a última e assim sucessivamente.

14. O balão de pensamento é dispensado por Moore. O leitor tem as histórias numa perspectiva em primeira pessoa.

15. Moore usa a metalingugem. Dentro de Watchmen há o gibi Contos do Cargueiro Negro, que serve de reflexo para o que vai acontecendo com os personagens da história.

16. Roscharch, um dos personagens da história, acredita que há uma grande conspiração envolvendo todos os antigos super-heróis. A Teoria da Conspiração ficou famosa depois de filmes como JFK e da série Arquivo X, posteriores à obra de Moore.

17. A série lida com temas como determinismo, megalomania, absolutismo e relatividade moral. Como subtrama estupro, câncer, racismo, casamentos frustrados, tortura, o descaso das autoridades, relações internacionais, linchamento, abuso de poder, prostituição e o alarde provocado pelo temor do fim do mundo, garantindo um tom real e pessimista à realidade dos super-heróis perseguidos.

18. Foi listado pela Entertainment Weekly como um dos melhores 50 romances (apesar de não ser literatura) escritos nos últimos 25 anos.

19. Está sendo transformado em filme por Zack Snyder (300, Madrugada dos Mortos) e com estréia prevista para março de 2009.

20. Listado pela revista TIME entre os 100 livros mais influentes publicados de 1923 até os dias de hoje, pela psicologia realista e cruel.

Leiam Watchmen e estejam preparados para o filme. Garanto que não se arrependerão!

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1986

Baixinh, golducha e dentuça!

Baixinha, golducha e dentuça!

1986. Eu já havia começado a andar e falar com as pessoas ao meu redor e, provavelmente, tomava muita sopa de beteraba enquanto minha mãe lia histórias da Turma da Mônica. Chernobyl explodia deixando o mundo inteiro apavorado com as conseqüências da energia nuclear durante uma Guerra Fria que esfriava. O Cometa Haley passava pela Terra, me deixando fascinado, repetindo a palavra Haley e contando do cometa pra todos que vistavam nossa casa. Ia ao ar pela primeira vez o Xou da Xuxa, que me faria estragar uma televisão porque as meninas haviam ganhado naquele dia. E começava o plano Cruzado, um dos vários planos que mudavam a cara da nossa moeda e mudaria também o orçamento familiar dos brasileiros. Paramos de assinar as revistas da Disney.

Eu me envolvia no mundo da Turma da Mônica, dizia que eu era o Cebolinha (não por acaso, era deste personagem que eu estava vestido na minha festa de um aninho – camiseta verde e short preto) e arranjava papéis na Turma do Maurício para todos na minha família. Dois anos depois, essa criança cosplayer iria a uma festa de carnaval vestido de Super-Homem. Enquanto isso, uma revolução era feita, um hemisfério acima, nos meus idolatrados quadrinhos.

Um ano antes, a DC Comics havia passado por uma crise. A Crise nas Infinitas Terras, que redefiniu todo seu universo de heróis. Em 1986, John Byrne, Frank Miller e Gerge Pérez recriavam as origens dos medalhões da editora, Superman, Batman e Mulher-Maravilha, respectivamente.

Também pela DC, era publicado Batman, o Cavaleiro das Trevas, por Frank Miller. A edição revolucionava não só na maneira de narrar uma história ou na retratação do personagem, mas também pelo formato luxuoso, diferente dos baratos comic books.

Antes da crise, a DC havia comprado a Charlton Comics, a terceira maior editora estadunidense da década de 80. Alan Moore, o mago-bardo de Northampton veio com a idéia de utilizar esses personagens em uma maxissérie. Entretanto, problemas com o editor Dick Giordano iriam impedir o uso destes personagens. Solução? Em 1986 estreava Watchmen, com heróis da Charlton genéricos. Isso não impediu que a obra se tornasse uma das mais influentes histórias em quadrinhos do século, senão A mais. Leitura obrigatória para qualquer fâ de quadrinhos.

Enquanto isso, a rival Marvel Comics colocava nas bancas de 1986 quadrinhos mais sombrios, envolvendo mortes e desgraças pessoais, como foram o Massacre de Mutantes nas revistas dos X-Men e a Queda de Murdock na revista do Demolidor.

E quando sobra uma lacuna no mercado, logo ela é preenchida. Em 1986, surgia a Dark Horse Comics, a casa do quadrinho “de autor” e “independente”.

Por último, mas não menos importante, o artista underground Art Spiegelman começava a publicar Maus, série de história que mostra o terror do Holocausto retratando seus personagens como simpáticos animaizinhos. Uma antropomorfização que, ironicamente, deixa os personagens mais humanos. Mais que uma história de sobreviventes, Maus é uma história de família.

Mônica #01, de dez. de 1986, pela Globo.

Mônica #01, de dez. de 1986, pela Globo.

Em dezembro de 1986, acabava o contrato de Maurício de Sousa com a Editora Abril, que então publicava as histórias da baixinha, golducha e dentuça. A nova editora era a Editora Globo, de Roberto Marinho. O dono da Rede Globo, no mesmo ano, havia comprado os direitos sobre o nome da editora, que era da tradicional Livraria do Globo daqui de Porto Alegre. Lá em casa, nós continuamos a ler a Mônica pela Globo.

E eu, do alto dos meus dois anos, mal sabia que o ano de 1986 reservaria muita diversão, reverência e assombramento muitos anos depois.

PS: Pra quem quer matar a saudade da Mônica, indico o site da Revista da Mônica, com pequenos reviews de quase todas as revistas do bairro do Limoeiro.

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Poemas em balões

Novo lançamento da Não Editora

Novo lançamento da Não Editora

Tenho sido meio relapso quanto a colocar aqui os lançamentos da Não Editora. Tentando me desfazer deste mau hábito, gostaria de convidar os leitores deste blog a comparecerem no lançamento do Desencantado Carrossel, do Diego Grando, primeiro livro de poemas da Não Editora, que conta com a diagramação deste que vos fala.

No lançamento do livro vai haver um Pocket Show, com Alexandre Kumpinsky, da banda Apanhador Só cantando músicas cuja letra são também do Diego. Além disso haverá a distribuição de balões com um poema do Diego feito especialmente para essa intervenção. Vai ser dia 16/07, às 19hs, no Cult Bar (Comendador Caminha, 348 – ao lado do Parcão).

No site da Não, há a possibilidade de degustar quatro poemas do livro. Bom apetite!

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O Último Homem

Pixel Magazine#16

Pixel Magazine#16

Está no ar no Fanboy.com.br outra matéria minha. Dessa vez é sobre uma das minhas séries favoritas de todos os tempos, Y: O Último Homem. A série é escrita pelo Brian K. Vaughan, que deve ser conhecido de quem gosta de Lost, já que ele é supervisor de roteiro do seriado. A Pixel Media começa a publicar a partir deste mês na Pixel Magazine #16.

A ida semanal à Tutatis não foi muito válida. As revistas iam chegar no outro dia. Então, só semana que vem. Enquanto isso, dois projetos na manga vão ganhando corpo. Aguardem notícias.

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A Maldição do Último Prato

Os Últimos Dias do Superman

Os Últimos Dias do Superman

Ir a um restaurante em grupo, é batata. Sou sempre servido por último. É a minha maldição. Meu carma. Chame como quiser. Assim como tenho uma tremenda sorte pra conseguir um ônibus sempre quando eu quero, tenho um baita azar quando se trata de vir a comida. Todo mundo já comendo, e eu babando. Se é pra dar errado com um prato: o meu! o meu! Claro, que sempre tem as minhas frescuras de ah, tira os champinhons, coloca mais queijo ralado, pode substituir o arroz por purê de batata? É, batata! Batata, vem errado. Outro dia fomos comer um bauru, sabe, aquele sanduíche com formato de bunda? Pedi com tomates secos. Veio com bacon. Eu odeio bacon. O pior é que eu comi na boa até metade do bauru pra me dar conta… É aquele negócio psicológico: se a gente não sabe o que é, nem sente o gosto. Ou era a renite pegando forte.

O fato é que hoje fui almoçar em bando no Paná Paná, dica da Dídi, que está, excruzive, na edição de número 2 da ThingsMag. E não é que fui o primeiro a ser servido? A excessão que confirma a regra. E passa tempo, o tempo passa e todo mundo está querendo e os outros pratos não chegavam. Aí finalmente chegaram. Talvez seja porque eu tinha pedido porção reduzida… Não sei. No final, estava muito bom. Nhoque com tomates secos ( ! ), anéis de cebola, rúcula e um bife. Muito melhor que a espinhosa primeira vez lá, hehehe. Recomendo! Também foi bom por reencontrar a Ju Lubisco, que fazia um mega tempo que não via.

Depois dei início à minha peregrinação pelos sebos. Fui fazer o Caminho de Santiago das páginas amareladas e mofadas na Riachuelo. Trocar livros, pegar bônus, catar livros. Engraçado que nenhum livro da prova do Mestrado tinha por por lá. Só um que eu encomendei pela internet na Ventura Livros. E o mais óbvio de tudo é que com certeza eu parei no caminho pra ficar enchendo meus dedos de pó preto procurando determinados gibis e encadernados. Resultado que meu bônus foi 80% em quadrinhos. Os 10% foram pro livro do Ariel Dorfman e do Manuel Jofré chamado… adivinhem? Super-Homem e seus Amigos do Peito. (Eta, nerd viciado e obcessivo!). Se trata de mais uma análise muito simpática e america-friendly do socialista que escreveu Para ler o Pato Donald, e deixou o Zezinho, o Huguinho e o Luisinho de penas de pé, mas não respondeu a pergunta principal: Por que o Tio Donald não usa calças? Quando ler comento aqui.

E graças ao café comprei um exemplar de The Originals, do Dave Gibbons (Watchmen) quase novo, pela metade do preço. (Sim, o cara da livraria derramou café em cima. Mas who cares? Eu não vou beber o encadernado mesmo…)

Comprei os dois primeiros volumes da Coleção DC 70 Anos. Não li tudo ainda, porque a pilha de quadrinhos a serem lidos é grande. Mas gostei bastante da proposta das edições e das histórias escolhidas. Uma das histórias do volume do Superman, chamada Os Últimos Dias do Superman é uma história tipicamente da Era de Prata, que depois foram tão bem reimaginadas pelo barbudão em Supremo. Estão lá as pseudo-explicações científicas, os aparatos dignos de 007 (se não, do Agente 86), a narração descrevendo o que os personagens estão fazendo e os personagens, em seus diálogos, descrevendo o que fazem, e o desfecho esdrúxulo, porem simples. As histórias são divertidas, claro. Talvez até mais que as de hoje, por trazerem toda aquela confusão de elementos fantásticos. E em certos momentos tu fica pensando: “será que o leitor daquele tempo era tão ignorante que tinha que ter tudo assim, explicadinho?”. Aí é só se dar conta que, apesar do toque naïve do cabresto do código, as histórias eram voltadas pra um público com uma média de idade bem inferior ao de hoje em dia. Ainda escrevo mais sobre isso. Aguardo ansioso pelos volumes da Mulher-Maravilha e da Liga da Justiça. Mais uma bola dentro da… Panini. Plim-plim!

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ThingsMag#2 no ar!

A ThingsMag #2 já está no ar! Nessa edição com uma matéria minha sobre Black Hole e o meu conto da Barbarella, que está aqui.

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Quadrinhos e literatura

Fun Home cita Joyce, Camus, Proust, Wilde, Henry James e Fitzgerald, mas não é literatura.

Fun Home cita Joyce, Camus, Proust, Wilde, Henry James e Fitzgerald, mas não é literatura.

A escolha de Fun Home – Uma tragicomédia em família, de Alison Bechdel como livro do ano pela revista Time, em 2006 e American Born Chinese, de Gene Luen Yang, ter concorrido ao National Book Award gerou a polêmica: quadrinhos são literatura?

O histórico de prêmios diria que sim. Afinal, Maus, de Art Spiegelman ganhou o Pulitzer em 1992. E a história Sonho de Uma Noite de Verão, de Neil Gaiman em Sandman ganhou o World Fantasy Award como melhor história curta em 1991. E Chris Ware, com seu Jimmy Corrigan ganhou em 2001 o Guardian First Book Award. Watchmen foi escolhido como um dos 100 melhores romances do século XX pela Time novamente.

Mas o fato é que quadrinhos NÃO são literatura. Assim como quadrinhos NÂO são cinema. Eles são as duas coisas e também não são. As histórias em quadrinhos CONTÉM literatura e cinema. Assim como contém a pintura, por exemplo. Os quadrinhos não são um subgênero literário, ou uma divisão artística. Eles são uma coisa à parte. Eles são a nona arte, mas eles também possuem uma forma narrativa própria. Não são um gênero, mas uma mídia.

Estou dizendo que os quadrinhos não são profundos o suficiente para gerarem os questionamentos que um romance traria? Que não oferecem a mesma fruição que uma obra de arte proporcionaria? Que não são capazes de arrebatar o público, determinar emoções e criar climas da mesma maneira que o cinema? CLARO QUE NÃO. Quero dizer que eles fazem TUDO ISSO ao mesmo tempo. E a maioria das pessoas nem percebe ou dá importância pra isso. Quadrinhos não são um complemento. São um meio que tem história própria e interações únicas.

Os quadrinhos não conseguem traduzir um romance, muito menos um filme. Um dos exemplos disso são as adaptações de filmes para quadrinhos, que nem sempre se saem bem no seu intento. Ou as adaptações de clássicos da literatura para os quadrinhos nos Classic Illustrated ou nas Edições Maravilhosas. Ou até mesmo quando um livro é adaptado para o cinema. Muita coisa é perdida no processo. Outras coisas são ganhas. Mas a maioria das pessoas concorda que a experiência de ler um livro é diferente da de assistir um filme. Cada meio possui uma linguagem própria e tem sua forma de capturar atenção do público e de envolvê-lo em sua história.

Infelizmente, por ser um meio marginalizado, os quadrinhos não possuem uma taxonomia própria. E por isso, têm de pegar muitos termos emprestado da literatura e do cinema. Samuel R. Delany cunhou o termo “paraliteratura”, onde os quadrinhos seriam abarcados como um TIPO de literatura. Mas não a literatura propriamente dita.

como as Graphic Novels funcionam e o que elas querem dizer

Lendo Quadrinhos: como as Graphic Novels funcionam e o que elas querem dizer

“Quadrinhos não são prosa. Quadrinhos não são filmes. Eles não são um meio movido pelo texto com figuras adicionadas; eles não são o equivalente visual da narrativa em prosa ou uma versão estática dos filmes. Eles são sua própria coisa: um meio com dispositivos próprios, com inovadores próprios, clichês próprios, seu próprios gêneros, fórmulas, armadilhas e liberdades” foi o que disse Douglas Wolk no seu Reading Comics – how graphic novels work and what they mean.

Quando se afirma que os quadrinhos têm uma linguagem própria e uma forma única de lidar com o leitor, quer dizer que existe uma subjetividade intrínseca entre as páginas de uma HQ, que é impossível de ser traduzida em outras mídias. Para ilustrar melhor o que eu quero dizer, vou usar um termo que Wolk apresenta no capítulo 5: cada quadro em um gibi representa um MOMENTO GRÁVIDO. Ou seja, cada quadro contém um determinado espaço e tempo cristalizado. Eles estão grávidos de seu passado ou de seu futuro, que não acontece necessariamente no quadrinho anterior ou no posterior, mas no espaço entre eles.

É nesse espaço, que Scott McCloud batizou de SARJETA, que ocorre a grande sacada dos quadrinhos. É ali onde o cérebro do leitor trabalha, unindo o acontecimento do quadro 1 com o do quadro 2 e assim por diante. Esse espaço subjetivo vai ser preenchido com a visão de mundo do leitor. Visão de mundo, essa que já vem sendo trabalhada nas imagens, que nada mais são do que metáforas do artista para o mundo. O espaço não é visto como ele realmente é, como em um filme, mas como o artista o vê: é a sua interpretação, seja ela errada, adaptada ou inventada.

Alan Moore já falou uma vez que os quadrinhos são o único meio que trabalha os dois hemisférios cerebrais: O esquerdo, racional, que processa as palavras. O direito, emocional, as imagens. Numa leitura que acontece AO MESMO TEMPO AGORA, a que o leitor é exposto durante o tempo que achar necessário, na hora e local que bem lhe couber. A qualidade da atenção de um leitor de quadrinhos é diferente da de um leitor de romances ou de um espectador de cinema.

Quadrinhos podem promover uma aquisição de conteúdo mais efetiva do que os livros e despender de uma atenção maior dos detalhes do que um filme. Segundo Eisner: “Ler a imagem requer experiência e permite a aquisição no ritmo do observador. O leitor deve fornecer internamente o som e a ação das imagens”. Existe um grande ironia na forma que os quadrinhos comunicam. “Os quadrinhos sugerem movimento, mas eles são incapezes de realmente demonstrar movimentação. Eles indicam som, e até mesmo os soletram, mas são silenciosos. Eles deduzem a passagem de tempo, mas a experiência temporal deles é controlada mas pelo leitor do que pelo artista. Eles conduzem histórias contínuas, mas são feitos de uma série de momentos discretos. Eles estão preocupados com a condução das percepções do artista, mas uma dos componentes cruciais é o espaço em branco”, para Wolk.

O autor também apresenta uma analogia entre a poesia e a pintura para chegar até os quadrinhos. Simônides de Ceos possuía uma máxima que dizia: “poesia é uma figura verbal, pintura é uma poesia silenciosa”, Horácio, mais tarde reduziu para “assim como a pintura, a poesia também o é”.Então Gotthold Ephraim Lessing, num ensaio de 1766, reescrevia o princípio dizendo que o espaço era o domínio da pintura, enquanto o tempo era o domínio da poesia. O tempo é o domínio da poesia (ou da linguagem) porque toma tempo para a experimentação, e porque pode descrever o tempo ou a mudança sobre o tempo, de uma maneira mais fácil que as figuras o fazem. Os quadrinhos, por serem a cristalização de um momento no espaço, abarcam a poesia e a pintura comunicando através da MUDANÇA SOBRE O TEMPO.

Poesia, linguagem… Afinal, os quadrinhos são literatura? Não. Eles são MUITO MAIS que apenas isso. Espero que agora você veja os quadrinhos com outros olhos.

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