Olhem! Lá no céu! É um pássaro! É um avião! Não, é o Super Deus Ex-Machina sendo fisgado pelo todo-poderoso novamente. Super Deus Ex-Machina esse visitante de outro mundo que veio à Terra quando bebê para aprender a enfrentar as dificuldades inexistentes no seu planeta e compreender os humanos. Quando cresceu e aprendeu que com grandes poderes vêm grandes responsabilidades viu que ao falar a palavra mágica “Mazahs” poderia se livrar de qualquer situação embaraçosa. Quando pequeno, mal tinha deixado de mamar no peito e dado os primeiros passos, nosso herói percebeu que teria de dividir a atenção de sua mãe com o pai. Gritou a palavra mágica em forma de manha e foi fisgado pelo anzol cósmico que o elevava aos céus por um barbante carregando até uma mãe solteira que pudesse lhe dar toda atenção. Enquanto isso, a mãe adotiva original ganhava um novo bebê e para sempre se esqueceria de seu rebento superpoderoso.
Na escola, no dia daquela prova que não estudou: Mazahs! Quando o valentão disse que o pegaria na saída: Mazahs! Quando bebeu todas e fez escândalo: Mazahs! Ele era carregado a uma situação totalmente nova. Descobriu que com grandes poderes como aqueles vem grandes irresponsabilidades. Passou a testar seu poder. De benfeitor fantástico tornara-se um bandido trágico. Roubou bancos, matou pessoas, enganou velhinhas no asilo. Entretanto, não encarar as conseqüências de suas ações deixou nosso paladino fraco. Sua maior dádiva também era uma imensa maldição. No fim e ao cabo, ninguém se lembrava dele, nem se importava com sua existência, ou ao menos lhe confessava um pecado mórbido.
A posse daquele dom se tornou outra daquelas situações em que hesitava, não sabia como reagir e queria fugir para o outro canto do universo. Seu maior desejo era gritar a palavra mágica e se livrar do deus ex-machina e sentir o frio na barriga que todos os mortais menos poderosos sentem quando se metem numa roubada, ficam encurralados ou querem enfiar a cabeça num buraco.
E ele gritou, mais desesperado que nunca, como nenhum grande herói ou um perigoso vilão ousara.
- Masahs!
Então o anzol divino não o fisgou. Não ouviu o barulho da correia que o suspendia no ar. Mas sentiu o frio na barriga que lhe corroia por dentro feito kryptonita. Os sucos gástricos faziam tsunamis e subiam até seu esôfago. Pela primeira vez sentiu medo do futuro. E passou a procurar as pessoas do seu passado.
Ninguém abria os braços para ele, ou mesmo os lábios. Todos batiam a porta na sua cara. Ele, que nunca havia enfrentado o mundo pra valer, caiu em depressão. Sentou-se numa esquina e deixou os dias passarem, seu cabelo, barba e unhas crescerem, suas roupas gastarem e ficarem rotas. E, um dia desejou poder falar novamente a palavra do poder. Mas não tinha ânimo nem voz para gritá-la com a empáfia de outrora. Somente algo inesperado o poderia tirar daquela situação. Então uma mão se estendeu à ele e o suspendeu como o anzol mágico fazia. Seus companheiros de outro planeta chegaram para levá-lo de volta. Tomou a mão de Deus e caminhou pelo extenso túnel branco. Havia então compreendido a humanidade e sua eterna insatisfação.
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Muito bom!, onde encontrou este texto??
abração
Mosca.
é como as provações q passamos na vida.
Mosca, esse texto é de cunho próprio, ou seja, meu. Esqueci de creditar-me.
Dídi: história da minha vida.
Passeando pela internet sobre o assunto li seu texto. Parabéns! De verdade mesmo, gostei muito!
: )
Intemais
Dex.