Quando os fãs ouviram pela primeira vez que a Disney havia comprado a Marvel por 4 bilhões de dólares devem ter se perguntado: quando o Super-Pato e o Super Pateta irão se encontrar com o Homem-Aranha e o Homem-de-Ferro? Uma possibilidade curiosa, mas, na junção destas duas grandes empresas de entretenimento, é um dos fatos menos prováveis de ocorrer. A interação entre as duas empresas deve ir muito além de crossovers entre seus personagens.
Do outro lado da trincheira, podemos ver como a compra de uma editora de quadrinhos por um conglomerado pode ajudar a popularizar seus personagens. Em 1968, a Warner uniu-se à DC Comics – casa de Superman, Batman e Mulher-Maravilha – e a fusão das duas companhias tornou mais fácil levar Superman para as telonas em 1975. Mais tarde, em 1989, Batman estreou nos cinemas. O sucesso do homem-morcego alavancou a produção de desenhos e seriados dos heróis DC pela Warner. Alguns exemplos recentes são o desenho-animado da Liga da Justiça e o seriado Smallville. Ambos têm um público fiel e uma grande audiência, fato amplamente respaldado pelos estúdios Warner.
Bem como o grupo Time/Warner, a Disney também é um conglomerado com outras empresas sob seu guarda-chuva, entre elas os estúdios de animação Pixar, o canal ABC (de Lost e Desperate Housewives), as produtoras de cinema Touchstone e Miramax e os canais a cabo Jetix e History Channel. O que isso significa para a Marvel? A possibilidade serem produzidas animações de seus personagens pela Pixar, ou mesmo de algumas revistas adultas – caso de Alias e Poder Supremo – serem transformadas em séries e transmitidas pela ABC. Seria o paraíso para os fãs se o History Channel produzisse especiais sobre os bastidores da criação de seus heróis favoritos.
O principal interesse da Disney, contudo, está no cinema, a mina de ouro da Marvel, cujas franquias hoje se dividem entre Fox (X-Men, Quarteto Fantástico e Demolidor), Sony (Homem-Aranha) e Universal (Hulk e Homem-de-Ferro). Vale lembrar que há pouco tempo a Marvel fechou um acordo com a Universal para a distribuição de seus novos filmes produzidos pelos Marvel Studios. É possível que, com a aquisição pela Disney, a Universal pressione os Marvel Studios a acelerar a produção dos próximos filmes como Thor, Capitão América e Vingadores. A Disney prometeu honrar todos os contratos até que expirem e, então, poderíamos ver X-Men e Homem-Aranha juntos na mesma película.
E quanto aos quadrinhos? A princípio, a Disney prometeu pouca interferência criativa na Marvel Publishing. Por outro lado, podemos imaginar gibis de Piratas do Caribe, Kill Bill, Os Incríveis e até Lost. Para os personagens originais da Disney seria uma boa saída contar com o expertise em publicação da Marvel, já que, nos Estados Unidos, as revistas de Pato Donald e Mickey Mouse amargam baixas vendas, passando de editora em editora sem melhorias.
Esta compra representa possibilidades promissoras de interação entre as empresas envolvidas, não apenas para os negócios, mas para os fãs. Agora que a DC/Warner terá uma oponente com poder de fogo equiparado ao seu, veremos se ela não anunciará novos filmes de super-heróis ou acelerará o processo daqueles em pré-produção, caso de Shazam!, Lanterna Verde e Arqueiro Verde.




