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As coisas que deixamos para trás (03 de 50)

1 fev

DC Especial #1

DC Especial #1

O que é?

Run de Brad Meltzer no titulo do Arqueiro Verde, o arco chamado Arqueiro Verde: A Busca. Ao lado do ex-parceiro Arsenal, Oliver Queen, o Arqueiro Verde, percorre o país em busca de objetos importantes da sua vida.

Por que eu gosto desse quadrinho?

Um dos meus tipos favoritos de filmes são os road movies. E Arqueiro Verde tem uma certa tradição com histórias de estrada. Essa é uma daquelas histórias em que o herói deve atingir um objetivo. A diferença é que, num primeiro momento, não sabemos que objetivo é esse e quando nos damos conta da natureza do mesmo, percebemos que esta não é uma história de super-heróis tradicional.

Há o carisma de Oliver Queen, um dos super-heróis mais únicos que já apareceram nos quadrinhos de super-heróis. Engajado, canalha, figura paternal. Dennis O’Neil transformou Queen de imitação do Batman num personagem esférico, e em A Busca, Meltzer aumenta o estofo do herói, criando e desenvolvendo algumas nuances que precisavam ser trazidas à tona depois de sua ressurreição pelas mãos de Kevin Smith.

Phil Hester e Ande Parks garantem o estilo animated para o arco, remetendo aos desenhos animados da DC Comics e dando continuidade ao estilo que consagrou a retomada do Arqueiro e continuou com ele algumas edições depois, já sob os roteiros de Judd Winick.

E, por último, a HQ tem sentimento. Nada piegas, ou excessivamente romântico. Mas revela uma camada nem sempre mostrada nas aventuras de super-heróis. Que emoções levariam um homem a empreender uma busca ao seu passado atrás de objetos que marcaram sua carreira? A resposta surpreende o leitor.

Por que você deveria ler este quadrinho?

Arqueiro Verde: A Busca faz parte de uma nova maneira de fazer quadrinhos. Um jeito que começou a se consolidar no final dos anos 90 e tomou corpo nesta década. É uma volta às origens, um road movie em direção à essência dos super-heróis sem deixar o suspense, os bons diálogos e a aventura de lado. É uma preocupação com o lado humano do justiceiro mascarado sem ter que se preocupar em quebrar a sua coluna, matá-lo ou causar uma tragédia em sua família.

O que se vê hoje em dia é uma tentativa de resgatar determinados elementos perdidos após as Eras de Ouro e de Prata: o otimismo constante e a esperança dos heróis e, claro, nessa onda nostálgica, aparecem aqui e ali alguns elementos mais estrambóticos, porém de valor sentimental, como a flecha com ponta de diamante, na história em questão, que marca a adesão de Oliver Queen à Liga da Justiça da América.

Você deveria ler esse quadrinho se você gosta de suspense, personagens bem construídos, diálogos precisos, nostalgia, a Jornada do Herói, pingos nos i’s, road movies e da sua família.

Diálogo de Queen e Connor Hawke

Diálogo de Queen e Connor Hawke

O que dizem sobre esse quadrinho?

“Os quadrinhos evoluíram. O gênero de super-heróis, principalmente, se tornou muito mais sombrio, amargurado e violento e, por que não, mais realista (tanto quanto é possível ser realista em uma história onde o personagem principal é o único sobrevivente de um planeta moribundo que pode saltar sobre prédios em um simples pulo).

E nostalgia virou um palavrão.

Este é um dos motivos pelo qual a Busca é tão marcante. Em uma época em que os super-he´rois sofrem todas as mazelas possíveis – desde problemas conjugais ate arroubos de auto-recriminação –, Meltzer, Hester e Parks criaram juntos uma história que explorou magistralmente o conceito de pureza dos super-heróis do passado sem cair nas exigências do mercado de hoje”.

Greg Rucka, escritor de várias séries DC, entre elas, Gotham City Contra o Crime, 52 e Xeque Mate, em seu pósfácio do arco A Busca.

Onde você encontra essa história:

DC Especial#1 – Arqueiro Verde: A Busca (março de 2004)

Frase:

“Você é um canalha Ollie Queen. Você sabia. Sempre soube. E o pior de tudo é que… Esse ainda é o seu segredo”.

Mirando a Relevância Social

22 nov
The Brave and The Bold #85

The Brave and The Bold #85

Como Oliver Queen tomou a postura de radical de esquerda que hoje apresenta nos quadrinhos? A resposta, a seguir:

No final dos anos 60, e depois, através dos anos 70, o Arqueiro Verde está longe de casa, sem uma publicação fixa, e tinha passado uma longa temporada agindo junto ao Batman na série The Brave and The Bold, onde apareceu mais de uma dúzia de vezes no decorrer da publicação. Em sua terceira aparição em Brave and The Bold # 85 (Setembro de 1969) o visual do personagem sofreu uma revisão geral para conectar aa sua nova caracterização pelo artista Neal Adams, com um uniforme impressionante, mais berrante para produzir um estilo “Robin Hood”, um sabor “herói do povo”, e um bigode e um esquisito cavanhaque para separar o novo Arqueiro Verde do visual anterior.

Enquanto o guarda-roupas de Oliver Queen estava ganhando melhorias, naquele mesmo mês, nas páginas de Justice League of America, o terreno estava sendo preparado para que Ollie recebesse algo que necessitava há um bom tempo: uma namorada. O escritor de JLA, Denny O’Neil estava procurando algo para definir melhor o personagem e decidiu fazer com que o Arqueiro tivesse um romance estável — mas com quem? A resposta veio em JLA#74, na qual a Liga da Justiça estava no meio de uma daqueles encontros anuais com sua contraparte interdimensional da Terra 2, a Sociedade da Justiça, juntando forças para combater a ameaça alienígena conhecida como Aquarius. Em um ponto da aventura, JSA estava sobre o controle de Aquarius e comabtendo a Liga, providenciando o primeiro encontro do Arqueiro Verde com a mulher que em breve conheceria melhor: a membro da Sociedade da Justiça, Dinah Drake Lance, a.k.a. Canário Negro.

Mas existia um problema: a Canário Negro era casada com seu interesse romântico de longa data Larry Lance. Contudo, desde que Larry estivesse acompanhando a Liga da Justiça pela primeira vez, era algo certo de que ele não duraria neste mundo por muito tempo…

A Morte de Larry Lance no encontro anual da Liga da Justiça e da Sociedade da Justiça

A Morte de Larry Lance no encontro anual da Liga da Justiça e da Sociedade da Justiça

O marido da Canário sacrificava sua vida salvando Dinah de Aquarius e a aventura encerra com Dinah perguntando ao Superman se ela poderia se juntar à Liga da Justiça da Terra 1, pois a Terra 2 estava “cheia de memórias”. O Superman gentilmente concorda refletindo que apesar da Terra 1 ser mais ou menos uma duplicata da Terra 2, não ofereceria muito para Canário se entristecer. Sucessivas edições de JLA construíram o relacionamento entre Ollie e Dinah, com Dinah muitas vezes confuse entre seu novo amor por Ollie e a lealdade à memória de seu falecido marido. (Também nunca foi mencionado que a Canário Negro enquanto membro da JSA, era 15 anos mais velha que Oliver. Imagino que ela deveria parecer realmente boa para sua idade…)

Depois de tudo isso, havia mais uma alteração que O’Neil precisava fazer na vida de Ollie, que veio em Justice League of América#75. Reconhecendo que poderia ser muito difícil incluir o Arqueiro Verde como uma figura da contracultura se ele ainda fosse um milionário vivendo em uma luxuosa mansão, o escritor Denny O’Neil veio com a história de que o financista John Deleon aplicava um golpe na companhia de Oliver Queen, levando-a para seu nome, deixando o Arqueiro praticamente sem nenhum centavo.

Com a perda da companhia e a fortuna de Queen acabram-se todas as similaridade superficiais com Batman: o Flechamóvel, a Flechacaverna, etc. Finalmente, o Arqueiro Verde era dono de seu próprio destino.

Com uma nova attitude, novas ameaças, novo relacionamento e um novo status quo todo firmemente estabelecidos, o Arqueiro verde estava pronto para sua aventura definitiva, que vieram nas páginas de Green Lantern, de 1970, que foi apropriadamente renomeada de Green Lantern/Green Arrow e teve a duração de 13 edições. O resto, é história dos quadrinhos.

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