
Uma das várias capas em que a Mulher-Maravilha é subjugada
Mulher-Marvilha, símbolo do feminismo. Amazona guerreira que inspirou tantas mulheres. Dotada da força de Hércules e da beleza de Afrodite. Deusa da verdade. Dominatrix.
A Mulher-Maravilha foi criada em dezembro de 1941 pelo psicólogo William Moulton Marston, sob o pseudônimo de Charles Moulton. Seu criador queria que a personagem servisse de exemplo para as meninas, que elas não se submetessem à vontade dos homens e mostrassem sua própria força e brilho. Suas inspirações para a personagem? As duas mulheres com quem vivia: Elizabeth Moulton e Olive Byrne. Não era a esposa e a amante, mas as participantes de uma relação polígama com quem Marston teve muitos filhos.
As idéias liberais de Marston não param por aí. Muita gente deve conhecero Laço da Verdade, a principal arma da Mulher-Maravilha. Quando amarradas por esse laço, as pessoas são forçadas a falar a verdade. Não por acaso, o psicólogo foi o criador do primeiro detector de mentiras. Até então tudo bem, mas o fato é que Charles Moulton tinha uma verdadeira obsessão com bondage. Durante sua estadia como escritor do título da princesa amazona foram verificadas diversas cenas em que a Mulher-Marvilha é amarrada ou amarra pessoas,seja com seu poderoso laço ou com de outras maneiras.
No especial DC 70 Anos – As Maiores Histórias da Mulher-Maravilha, lançado este mês pela Panini Comics isso pode ser perfeitamente verificado na história “A Corporação da Vilania”, publicada originalmente em Sensation Comics #28 (janeiro de 1942), o último número que trazia histórias da heroína. A história já começa com muitos vilões amarrados. Depois, apenas as garotas são amarradas,e como Diana tem pena delas, às envia para a Ilha da Transformação, uma ilha amazona onde os prisioneiros são obrigados a usar um cinturão que muda suas mentes. São obrigados a se tornares bondosos e gentis e a obedecerem TODAS as ordens das amazonas, SEM questionamento.Uma das vilãs escapa e se alia a diversas oponentes da princesa amazona também presas na ilha, como Giganta, a Dra. Veneno e a Mulher-Leopardo. Temos, então, uma sucessão de cenas em que a Mulher-Maravilha acaba subjugada pelas vilãs, tendo de realizar alguns trabalhos, como rebocar um navio, sob as ordens das inimigas. Em uma história de 25 páginas temos 63 quadros em que ao menos uma pessoa aparece amarrada. São laços, cordas, correntes, redes, gaiolas. Homens, mulheres, grupos de mulheres amarrados e subjugados. No final da história, as amazonas são salvas pelas prisioneira que realmente haviam se transformado, ou seja, seguiam suas ordens cegamente. Marston realmente dava seu recado.
Nas palavras do próprio criador: “A única esperança para a paz é ensinar às pessoas a gostarem de serem limitadas. Oferecer-se aos outros, ser controlado por eles, submeter-se à outra pessoa não pode realmente ser aproveitado sem um forte elemento erótico”. Quanto aos seus leitores masculinos ele dizia: “Dê a eles uma mulher forte e estonteante para que se submetam, e eles serão orgulhosos em tornarem-se seus escravos voluntários”.
Moulton parece ter bastante experiência no que diz, por isso vivia não apenas com uma, mas duas mulheres bastante liberais e avançadas em seu tempo, prontas para serem o homem da casa. No final da história da Corporação Vilania, Hipólita, mãe de Diana conclui ao ver duas das vilãs capturadas: “A única felicidade verdadeira para alguém é obedecer uma autoridade benigna”.
Steve Trevor deve lamber as botas da Mulher-Maravilha e, amarrado pelo Laço da Verdade, confessar todos os pensamentos sujos que teve com ela.



