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Destino: Crônica de Mortes Anunciadas, de Kwitney, Williams, Zulli, Hampton e Guay

25 mai
Destino: Crônica de Mortes Anunciadas, de Kwitney, Williams, Zulli, Hampton e Guay

Destino: Crônica de Mortes Anunciadas, de Kwitney, Williams, Zulli, Hampton e Guay

O ano era 1999, descontente com a foto da fachada do colégio que ilustrava minha agenda do primeiro ano do segundo grau e querendo conferir a mim mesmo um certo ar místico, recortei o anúncio de uma minissérie que se chamava Destiny de uma revista Wizard comprada numa das idas a Florianópolis (minha primeira revista importada comprada por mim mesmo). Pronto: uma nova capa. Havia simplesmente gostado da ilustração, desconhecia por completo o universo de Sandman e seus irmãos, os perpétuos, entre os quais estava Destino. Já o subtítulo, Chronicle of Deaths Foretold, era um tanto atraente, levando em conta que devia ter sido inspirado em Crônica de Uma Morte Anunciada, de Gabriel García Marquez e por acaso na época eu lia Cem Anos de Solidão. A imagem rendeu até a minha primeira tentativa de fazer um conto, na sua estrutura subtextual, falando sobre aquilo que estávamos destinados a ser ou se éramos livres para escolher. Coisas de cabeça adolescente. Treze anos depois – um número mais do que místico – era relançada a minissérie, agora em capa dura e edição de luxo com a imagem que me cativou na adolescência. Dessa vez eu já sabia que Destino era o irmão mais velho dos Perpétuos, que era cego e sua incumbência era ler – e estar acorrentado – ao livro que conta a jornada da humanidade na Terra. Mas a história desta HQ não tem Destino como protagonista e sim, o seu filho, o suposto cavaleiro da Peste, dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse. Há outras duas protagonistas, Ruth, cujas passagens no ano de 2009 são retratadas por Kent Williams (ilustrador da graphic novel A Fonte, de Darren  Aronofsky) e a própria peste negra cuja epidemia se espalha em quatro períodos de tempo diferentes. Cabe a Zulli ilustrar a origem do cavaleiro durante o império de Justiniano, Hampton ilustra os dias de reinado de Eduardo III e Guay, os puritanos do final do século XIX. Tempos da peste, tempos em que o seu cavaleiro esteve rondando estas paragens. A edição é muito caprichada: a capa tenta emular o Livro do Destino com suas correntes e moduras. O texto de Kwitney é saboroso e infeccioso, se espalha através de notas do Livros de Destino, notas do diário de Ruth, anotações do clérigo que interpretou as passagens do Livro do Perpétuo e diálogos bem construídos. Se a um primeiro instante o texto mais denso e multifacetado pode parecer um empecilho, logo digo que essa impressão é desfeita porque a história é muito bem construída. Apenas a apresentação escrita pela autora não ajuda muito, entrega um ponto de vista entremeado na obra. Com ilustrações primorosas e narrativa envolvente, tratando de temas caros ao universo adulto como doenças, morte, sexo e as  complicadas relações humanas do ponto de vista de uma figura bíblica, Destino: Crônicas de Mortes Anunciadas, capta a essência do que a Vertigo foi em seu início. E eu? Bem, meu destino era ler essa história, mas juro que foi por livre-arbítrio.

Identidade Secreta

28 mar
Os Melhores do Mundo

Os Melhores do Mundo

Através do viés da história que é contada numa história em quadrinhos podemos dizer que os super-heróis assumem identidades secretas para proteger sua família e entes queridos. Como no exemplo da origem do Homem-Aranha que deixa um bandido escapar e depois descobre que o mesmo foi responsável pelo assassinato de seu tio. Peter Parker, o alter-ego do Homem-Aranha jura, então, usar seus poderes com responsabilidade e isso envolve não revelar sua identidade para o mundo. Por outro lado, se analisamos de um ponto de vista externo às histórias concluiremos que as identidade secretas como Peter Parker e Clark Kent existem com o intuito de trazer o leitor para realidade da HQ. Tanto Peter como Clark são dois desajustados na sociedade, eles não se encaixam nos padrões pré-estabelecidos pela mídia e por isso permitem a identificação com o que Umberto Eco chamou de leitor-médio deste tipo de entretenimento. É possível para o leitor se identificar com as histórias de Peter e Clark e ainda aspirar a ser também ele um super-herói, mostrando que por trás de uma aparente mediocridade pode existir algo que faça esse leitor ser “super”. É ainda mais interessante o caso do Capitão Marvel, no qual o menino Billy Batson, ao pronunciar a palavra SHAZAM!,  transforma-se no mortal mais poderoso da Terra. Essa identificação com as crianças (internas ou não) foi responsável pela maior venda de exemplares de comic books durante a Segunda Guerra Mundial.

Além de ter sido o primeiro super-herói, o Superman também foi o primeiro herói a apresentar uma identidade secreta não-aristocrática. Enquanto Zorro, Fantasma e Tarzan eram lordes e herdeiros de sangue azul, Clark Kent era um jornalista filho de fazendeiros do interior dos EUA. Por sua vez, Batman segue a linha dos heróis sem poderes com uma origem mais endinheirada, com a qual ele pode comprar seu treinamento e equipamentos usados em sua outra vida como super-herói. No caso de Batman, há uma personalidade dominante, a do Batman, enquanto seu status como Bruce Wayne serve apenas para que mantenha sua empresa e seus compromissos sociais. No caso do Superman, há ambigüidades porque a verdadeira identidade do herói é o kriptoniano e, portanto, alienígena Kal-El. Quentin Tarantino questiona essa identidade de Kent em seu filme Kill Bill Vol. 2, dizendo que Kal-El se disfarça de Clark Kent para zombar da raça humana, portando-se como um homem frágil, míope e desajeitado. Por outro lado, temos o caso do super-herói Sentinela, criado em 2000, que possui três identidades: a do super-herói Sentinela, do humano Robert Reynolds e a do vilão Vácuo. Somente desabilitando a personalidade de Sentinela, os heróis poderiam derrotar Vácuo, transformando o super-herói novamente em uma pessoa comum.

A revelação da identidade secreta vêm gerando diversos arcos de histórias nos personagens das duas maiores editoras de quadrinhos de super-heróis do mundo, a DC e a Marvel Comics, principalmente depois da segunda metade da década passada. Entre os exemplos estão a minissérie Crise de Identidade onde os entes queridos dos super-heróis da DC eram caçados e mortos. A série regular do herói cego Demolidor também lidou por anos com a revelação  e o desmentido de sua identidade secreta. E o Homem-Aranha revelou sua identidade na frente das câmeras da TV durante a minissérie Guerra Civil, mas os editores tiveram que voltar atrás dessa decisão e criaram uma nova série de histórias onde Peter Parker nunca havia tomado aquela atitude. Talvez o exemplo mais evidente de super-herói que revelou sua identidade secreta seja o do Homem de Ferro, tanto no universo dos filmes como dos quadrinhos o mundo sabe que Tony Stark é o vingador dourado.

Revelar a identidade secreta também pode ser associado ao fato de mostrar quem realmente é, por isso também está associada ao ato dos gays de “sair do armário”. Uma reportagem publicada na página online do The New York Times no ano passado afirma que há muito de homoerótico nas páginas de um quadrinho de super-herói. Não apenas a reportagem mas o psiquiatra Frederic Wetham via um romance homossexual entre Batman e Robin na década de 50. Em seu trabalho na minissérie Flex Mentallo, o escritor Grant Morrison colocava no diálogo de um de seus personagens que “Frederic Wetham estava certo pra caralho!”, dizendo que estas histórias proviam a hipersexualização dos leitores com seus corpos definidos e uniformes colantes. Será mesmo?  Não por acaso muitos gays se identificam com este tipo de histórias. Em entrevistas para o site muitos disseram que essa identificação se dá seja pelo fetiche dos uniformes colantes, seja pela mensagem de aceitação no subtexto de quadrinhos como X-Men, que “juraram proteger um mundo que os teme e odeia”. Um dos entrevistados, Dan Avery, editor de um guia gay, disse “Eu lembro de sentir que tinha dois segredos para manter: ser gay e fã de quadrinhos. Não tinha certeza de qual deles tinha mais medo que as pessoas descobrissem”. Existe ainda a fantasia de poder: “Eu acho que muitos homens e garotos gays são atraídos para isso do que o garoto comum porque eles tem uma luta a mais para lutar além de ser somente o desajustado da escola”, diz Bob Schreck, bissexual que já editou as histórias do Lanterna Verde que falavam deste tema. Para celebrar esse tipo de fãs, acontece em Nova York a festa Skin Tight, onde gays se vestem como super-heróis. Para celebrar qualquer tipo de fã de quadrinhos existem inúmeras convenções mundo afora.

O Bravo e o Audaz

O Bravo e o Audaz

Quando a porta da geladeira está fechada (04 de 50)

2 jan

Asilo Arkham: Inferno na Terra

Asilo Arkham: Inferno na Terra

O que é?

Asilo Arkham: Inferno na Terra, no original, Arkham Asylum: Living Hell (2003) foi uma minissérie publicada pela DC Comics. Escrita por Dan Slott e desenhada por Ryan Sook. As capas eram desenhadas por Eric Powell, criador do The Goon. A história mostra como Warren White, um magnata das finanças que sempre se safa de seus trambiques acaba parando no Asilo Arkham, lar dos criminosos de Gotham, após alegar insanidade temporária. Lá ele aprende que essa alegação lhe custará a própria sanidade.

 

Por que eu gosto desse quadrinho?

Asilo Arkham: Inferno na Terra, à primeira vista pode parecer uma pretensa continuação para a graphic novel de 1988 de Grant Morrison e Dave McKean, mas não é. Pelos desenhos, uma outra daquelas histórias noir, mas não é. A autoria de Dan Slott, responsável por títulos como Mulher-Hulk e O Coisa, não aparenta que a série terá a carga dramática necessária para o universo de Batman, mas mais uma vez o pensamento óbvio está errado. A série possui um tom psicológico profundo e analisa as características doentias de alguns dos vilões de Batman, os motivos de suas patologias e o porquê de estarem no Arkham. Nesse caso a história se assemelha muito com a série Oz, que retratava o dia-a-dia de funcionários e detento de uma prisão estadual. Inferno na Terra lida não apenas com os vilões, mas com os dramas vividos pelos guardas, psicólogos e diretor do manicômio. Cada parte da história é mais ou menos focada em um drama e todos são levados ao grand finale. Desfilam entre os perigosos moradores do Arkham, Coringa, Hera Venenosa, Duas-Caras, Magpie, Crocodilo e o Chapeleiro Louco. Slott não deixa de lado o humor, e aí está mais uma razão para eu gostar da série. Ele se utiliza de um humor negro só seu, mais de acordo com um humor involuntário do que com o mesmo tipo de risadas provocadas por fatos mórbidos como em histórias de Warren Ellis ou Garth Ennis. Ah sim, por falar no Garth Ennis, Etrigan também tem a sua participação na trama.

Michael Jackson: Novo vilão do Batman?

Michael Jackson: Novo vilão do Batman?

Por que você deveria ler este quadrinho?

Explorar a galeria de vilões sempre foi um ponto alto das histórias do homem-morcego, particularidade que Bob Kane pegou emprestada de Chester Gould e os deformados vilões de Dick Tracy. A diferença é que os do Arkham trazem estampadas suas deformações psíquicas e as exibem também na maneira que compõem seus crimes. Em sua obra, Slott não explora apenas velhos vilões, mas cria seus próprios: Humpty Dumpty, trazido do universo de Alice, seria um vilão da Batgirl que tem obsessão por consertar as coisas que acha defeituosas, e, por causa disso, acaba provocando acidentes que o levam ao Arkham. A história da origem de Humpty é contada no melhor estilo Oz, só que da forma carismática de Slott: em versos rimados, como a história de sua versão original é mostrada na obra de Lewis Carrol. O ápice de sua história é engraçado, mas perturbador, levando a crer que Humpty é uma espécie de Norman Bates de Gotham. Outro motivo para ler o quadrinho é porque a minissérie mostra o que acontece no universo de Batman quando o Morcego não está por perto. Inferno na Terra é uma espécie de Gotham City Contra o Crime versão vilões. Imagine o que acontece em Gotham quando a porta da geladeira está fechada. E não estou falando do Sr. Frio.

 

O que dizem sobre este quadrinho?

“Esta é a grande história fechada do universo de Batman, possivelmente a melhor que eu já li. Se você é fã de Batman ou de Slot e ainda não leu esta história, talvez você mereça ser trancado no Arkham!” – Rob, do Pannel Patter.

 

Onde você encontra essa história:

Asilo Arkham: Inferno na Terra (maio de 2006, Mythos Editora)

As coisas que deixamos para trás (03 de 50)

1 fev

DC Especial #1

DC Especial #1

O que é?

Run de Brad Meltzer no titulo do Arqueiro Verde, o arco chamado Arqueiro Verde: A Busca. Ao lado do ex-parceiro Arsenal, Oliver Queen, o Arqueiro Verde, percorre o país em busca de objetos importantes da sua vida.

Por que eu gosto desse quadrinho?

Um dos meus tipos favoritos de filmes são os road movies. E Arqueiro Verde tem uma certa tradição com histórias de estrada. Essa é uma daquelas histórias em que o herói deve atingir um objetivo. A diferença é que, num primeiro momento, não sabemos que objetivo é esse e quando nos damos conta da natureza do mesmo, percebemos que esta não é uma história de super-heróis tradicional.

Há o carisma de Oliver Queen, um dos super-heróis mais únicos que já apareceram nos quadrinhos de super-heróis. Engajado, canalha, figura paternal. Dennis O’Neil transformou Queen de imitação do Batman num personagem esférico, e em A Busca, Meltzer aumenta o estofo do herói, criando e desenvolvendo algumas nuances que precisavam ser trazidas à tona depois de sua ressurreição pelas mãos de Kevin Smith.

Phil Hester e Ande Parks garantem o estilo animated para o arco, remetendo aos desenhos animados da DC Comics e dando continuidade ao estilo que consagrou a retomada do Arqueiro e continuou com ele algumas edições depois, já sob os roteiros de Judd Winick.

E, por último, a HQ tem sentimento. Nada piegas, ou excessivamente romântico. Mas revela uma camada nem sempre mostrada nas aventuras de super-heróis. Que emoções levariam um homem a empreender uma busca ao seu passado atrás de objetos que marcaram sua carreira? A resposta surpreende o leitor.

Por que você deveria ler este quadrinho?

Arqueiro Verde: A Busca faz parte de uma nova maneira de fazer quadrinhos. Um jeito que começou a se consolidar no final dos anos 90 e tomou corpo nesta década. É uma volta às origens, um road movie em direção à essência dos super-heróis sem deixar o suspense, os bons diálogos e a aventura de lado. É uma preocupação com o lado humano do justiceiro mascarado sem ter que se preocupar em quebrar a sua coluna, matá-lo ou causar uma tragédia em sua família.

O que se vê hoje em dia é uma tentativa de resgatar determinados elementos perdidos após as Eras de Ouro e de Prata: o otimismo constante e a esperança dos heróis e, claro, nessa onda nostálgica, aparecem aqui e ali alguns elementos mais estrambóticos, porém de valor sentimental, como a flecha com ponta de diamante, na história em questão, que marca a adesão de Oliver Queen à Liga da Justiça da América.

Você deveria ler esse quadrinho se você gosta de suspense, personagens bem construídos, diálogos precisos, nostalgia, a Jornada do Herói, pingos nos i’s, road movies e da sua família.

Diálogo de Queen e Connor Hawke

Diálogo de Queen e Connor Hawke

O que dizem sobre esse quadrinho?

“Os quadrinhos evoluíram. O gênero de super-heróis, principalmente, se tornou muito mais sombrio, amargurado e violento e, por que não, mais realista (tanto quanto é possível ser realista em uma história onde o personagem principal é o único sobrevivente de um planeta moribundo que pode saltar sobre prédios em um simples pulo).

E nostalgia virou um palavrão.

Este é um dos motivos pelo qual a Busca é tão marcante. Em uma época em que os super-he´rois sofrem todas as mazelas possíveis – desde problemas conjugais ate arroubos de auto-recriminação –, Meltzer, Hester e Parks criaram juntos uma história que explorou magistralmente o conceito de pureza dos super-heróis do passado sem cair nas exigências do mercado de hoje”.

Greg Rucka, escritor de várias séries DC, entre elas, Gotham City Contra o Crime, 52 e Xeque Mate, em seu pósfácio do arco A Busca.

Onde você encontra essa história:

DC Especial#1 – Arqueiro Verde: A Busca (março de 2004)

Frase:

“Você é um canalha Ollie Queen. Você sabia. Sempre soube. E o pior de tudo é que… Esse ainda é o seu segredo”.

Batmen morrem, Robins vivem para sempre

16 jan

O que aconteceu com o Cruzado Embuçado?

O que aconteceu com o Cruzado Embuçado?

É, o Batman morreu. Mas todo mundo sabe que ele vai voltar. Pra quem não sabe, ele morreu disparando uma arma contra Darkseid, que também morre no processo. Tudo isso em Final Crisis #6. Grant Morrison tentou justificar a morte dele remontando à origem do cruzado embuçado, que começou quando uma arma derrubou os pais de Bruce Wayne, e que nada seria mais justo que, ao fim, Batman empunhasse uma arma (do tipo que jurou nunca usar) e erradicasse a face do mal no Universo DC. Só que Batman nunca foi um herói cósmico, longe disso, era o herói mais humano da DC. Era como uma espécie de deus grego no meio de divindades monoteístas. Como já nos mostrou Kurt Busiek em LJA/Vingadores, os heróis da DC são vistos como deuses no seu universo. Todos menos o Batman. Ele tem essa diferença. Ele não é o herói puro. Ele usa meios escusos para atingir fins incontestáveis. Ele é psicótico, tão psicótico quanto seus vilões, como foi contado pelo mesmo Morrison no ótimo Asilo Arkham. Não seria mais justo que o Coringa matasse o Batman? Ou um ladrão de rua qualquer?

Só sei que, de longe, o Batman foi um dos heróis que menos me atraiu. Até hoje nunca comprei revistas regulares do homem-morcego, apesar de ter vários especiais na minha estante. Talvez por mostrar essa natureza mais realista, eu rejeitei o Morcego, assim como tento rejeitar a realidade. O que o cavaleiro das trevas mostra que sim, somos falhos, e da maneira mais doente possível. Não somos Peter Parker com um sorriso na boca, apesar de estar sempre se dando mal na vida. Ou um Clark Kent sempre disposto a ver o lado bom da humanidade e perdoá-la tantas e tantas vezes. Às vezes somos Bruce Wayne obcecados por coisas que nos tornam estranhos. E será que por essa obsessão, teria repercutido uma morte mais apropriada para o Batman?

Asa Noturna, mate o Batman Arco-Íris!

Asa Noturna, mate o Batman Arco-Íris!

Por que o Batman não tem um surto psicótico e sai matando seus vilões até que, bem, o Robin teria que matá-lo. Não, muito anos 90. Greg Capullo adoraria desenhar. Bem, então, um ataque do coração causado pelo stress. Não, indie demais. Coisa de Harvey Pekar. Ou o Batman poderia assumir seu amor pelo Robin, mas, então o Asa Noturna enciumado matava Bruce Wayne. Não, muito Young Love escrito pelo Chuck Austen e desenhado pelo Phil Jimenez.

Sabemos que o Morrison é um saudosista dos quadrinhos dos anos 50, que traziam o Batbebê, o Batman Zebra, o Batman Arco-Íris e o Batman Alienígina Cabeçudo. E sabemos também que ele sabe escrever histórias sensacionais com esses elementos. All-Star Superman está aí para provar. Nesse sim, ele conseguiu fazer uma morte digna para o Superman. Por outro lado, história do Luva Negra foi muito bem orquestrada, começando com a intrigante história da nova reunião do Clube dos Heróis. Por que não deixar o Batman apenas no R.I.P.?

Heróis morrem. Lendas vivem para sempre.

Heróis morrem. Lendas vivem para sempre.

Um ciclo se fechou. Batman sempre representou o arquétipo do Guerreiro: quando a realidade se torna um ambiente inóspito e instável, quando a dignidade é usurpada e o respeito inexiste, o Guerreiro se vê obrigado a lutar e vencer a hostilidade através da força para conquistar o respeito e a segurança. Morrison acerta quando faz Batman empunhar uma arma pois para o arquétipo do Guerreiro “o espírito de luta é o que toda pessoa precisa para vencer os obstáculos, o medo, um inimigo, suas próprias fraquezas, enfrentar problemas pessoais, físicos ou psíquicos, superá-los e atingir um patamar mais elevado de dignidade pessoal”, segundo Martins, no livro A natureza emocional da marca.

A superação do obstáculo, da psicose individual de Batman, acabaria com o propósito do herói. Bruce Wayne nunca deve superar o trauma da morte dos pais como um ser humano comum, ele deve sofrer até a morte com essa obsessão para dar o ritmo às suas revistas. Sem um evento catalizador, não há um Batman, como foi explorado em tantas tramas Elseworlds. Robin, por outro lado, parece lidar de forma menos penosa sobre essa história. O grande inimigo de Batman não é o Coringa ou o Duas-Caras, mas ele próprio e as suas limitações. No momento em que ele as vencer, acaba sua história. Os Robins, contudo, se perpetuam. Já tivemos quatro. E é por isso que Batmen morrem e Robins vivem para sempre.

Mirando a Relevância Social

22 nov
The Brave and The Bold #85

The Brave and The Bold #85

Como Oliver Queen tomou a postura de radical de esquerda que hoje apresenta nos quadrinhos? A resposta, a seguir:

No final dos anos 60, e depois, através dos anos 70, o Arqueiro Verde está longe de casa, sem uma publicação fixa, e tinha passado uma longa temporada agindo junto ao Batman na série The Brave and The Bold, onde apareceu mais de uma dúzia de vezes no decorrer da publicação. Em sua terceira aparição em Brave and The Bold # 85 (Setembro de 1969) o visual do personagem sofreu uma revisão geral para conectar aa sua nova caracterização pelo artista Neal Adams, com um uniforme impressionante, mais berrante para produzir um estilo “Robin Hood”, um sabor “herói do povo”, e um bigode e um esquisito cavanhaque para separar o novo Arqueiro Verde do visual anterior.

Enquanto o guarda-roupas de Oliver Queen estava ganhando melhorias, naquele mesmo mês, nas páginas de Justice League of America, o terreno estava sendo preparado para que Ollie recebesse algo que necessitava há um bom tempo: uma namorada. O escritor de JLA, Denny O’Neil estava procurando algo para definir melhor o personagem e decidiu fazer com que o Arqueiro tivesse um romance estável — mas com quem? A resposta veio em JLA#74, na qual a Liga da Justiça estava no meio de uma daqueles encontros anuais com sua contraparte interdimensional da Terra 2, a Sociedade da Justiça, juntando forças para combater a ameaça alienígena conhecida como Aquarius. Em um ponto da aventura, JSA estava sobre o controle de Aquarius e comabtendo a Liga, providenciando o primeiro encontro do Arqueiro Verde com a mulher que em breve conheceria melhor: a membro da Sociedade da Justiça, Dinah Drake Lance, a.k.a. Canário Negro.

Mas existia um problema: a Canário Negro era casada com seu interesse romântico de longa data Larry Lance. Contudo, desde que Larry estivesse acompanhando a Liga da Justiça pela primeira vez, era algo certo de que ele não duraria neste mundo por muito tempo…

A Morte de Larry Lance no encontro anual da Liga da Justiça e da Sociedade da Justiça

A Morte de Larry Lance no encontro anual da Liga da Justiça e da Sociedade da Justiça

O marido da Canário sacrificava sua vida salvando Dinah de Aquarius e a aventura encerra com Dinah perguntando ao Superman se ela poderia se juntar à Liga da Justiça da Terra 1, pois a Terra 2 estava “cheia de memórias”. O Superman gentilmente concorda refletindo que apesar da Terra 1 ser mais ou menos uma duplicata da Terra 2, não ofereceria muito para Canário se entristecer. Sucessivas edições de JLA construíram o relacionamento entre Ollie e Dinah, com Dinah muitas vezes confuse entre seu novo amor por Ollie e a lealdade à memória de seu falecido marido. (Também nunca foi mencionado que a Canário Negro enquanto membro da JSA, era 15 anos mais velha que Oliver. Imagino que ela deveria parecer realmente boa para sua idade…)

Depois de tudo isso, havia mais uma alteração que O’Neil precisava fazer na vida de Ollie, que veio em Justice League of América#75. Reconhecendo que poderia ser muito difícil incluir o Arqueiro Verde como uma figura da contracultura se ele ainda fosse um milionário vivendo em uma luxuosa mansão, o escritor Denny O’Neil veio com a história de que o financista John Deleon aplicava um golpe na companhia de Oliver Queen, levando-a para seu nome, deixando o Arqueiro praticamente sem nenhum centavo.

Com a perda da companhia e a fortuna de Queen acabram-se todas as similaridade superficiais com Batman: o Flechamóvel, a Flechacaverna, etc. Finalmente, o Arqueiro Verde era dono de seu próprio destino.

Com uma nova attitude, novas ameaças, novo relacionamento e um novo status quo todo firmemente estabelecidos, o Arqueiro verde estava pronto para sua aventura definitiva, que vieram nas páginas de Green Lantern, de 1970, que foi apropriadamente renomeada de Green Lantern/Green Arrow e teve a duração de 13 edições. O resto, é história dos quadrinhos.

Super Gemas: gratinar!

23 jul
Zan, Zayna e Gleek. Novas versões de sidekicks para os SuperAmigos, diretamente de Space Ghost.

Zan, Jayna e Gleek. Novas versões de sidekicks para os SuperAmigos, diretamente de Space Ghost.

Os Super Gêmeos são dois heróis criados para o desenho dos SuperAmigos, em 1977. Com a junção de suas mãos e o grito: “Super Gêmeos, ativar!” eles usavam seus poderes. Jayna podia se transformar em qualquer animal (terrestre, aquático, aéreo, extraterrestre e mitológico) e Zan se transformava em água em qualquer uma de suas formas. na forma sólida ele podia ser objetos feitos de gelo também. Os dois irmãos tinham como animal de estimação o macaco alienígena Gleek, que ora estragava, ora salvava o dia. Todos eram oriundos do planeta Exxor.

Os heróis fugiram de um Circo Espacial ( ! ) e foram para em um planeta onde um inimigo do Superman planejava bombardear a Terra. Os gêmeos e o macaco vão, então, ao nosso planeta avisar a Liga da Justiça sobre os planos do vilão. Os heróis decidem ficar na Terra substituindo Marvin, Wendy e seu cão, Marvel (os sidekicks originais dos SuperAmigos) na equipe. Para viver uma vida normal, sua identidade civil era Johan e Johanna Fleming, vindos de Esko, na Suécia. Os dois usavam cabelos loiros, viviam com o Professor Carter Nichols e estudavam na Gotham City High School como alunos de intercâmbio.

Os predecessores dos Super Gêmeos são os parceiros do Space Ghost, Jan e Jace e seu macaco Bling (repararam na semelhança entre os nomes?). O desenho do herói espacial é de 1966, enquanto o dos justiceiros estreou em 1973.

Foram feitas muitas tentativas de incluir os Super Gêmeos nas histórias em quadrinhos da DC Comics, mas todas elas não deram certo. A última tentativa foi colocá-los com um dos milhares de figurantes dos Novos Titãs durante a Crise Infinita. Eles também apareceram na Justiça Extrema, como garçons em O Reino do Amanhã e nos desenhos animados dos Jovens Titãs e Liga da Justiça Sem Limites.

Quem é mais camp? O seriado do Batman, da Mulher-Maravilha, Aquaman ou os Gêmeos?

O que é mais camp? O seriado do Batman, da Mulher-Maravilha, Aquaman ou os Gêmeos?

Talvez a história mais bizarra envolvendo os Super Gêmeos foi em uma brincadeira de dia dos bobos envolvendo a revista Wizard. Foi anunciado que Alex Ross ao lado de Paul Dini produziriam um álbum dedicado ao Super Gêmeos (sabendo-se do apego do artista à série de TV). Se chamaria “Super Gêmeos: Forma de Água”, dando continuidade à série de “Superman: Paz na Terra”, “Batman: Guerra ao Crime” e “Mulher-Marvilha: Espírito da Verdade”. No álbum os gêmeos cruzariam a terra para evitara a seca logo depois de seu macaco ter contraído raiva.

Mais que personagens irrelevantes nos quadrinhos, os supergêmeos se tornaram parte da cultura popular. Quem nunca falou pra um amigo “Super Gêmeos: ativar!”? E eles continuam a ser zoados, talvez perdendo apenas para o Aquaman, recebendo uma série de episodios que saiu no Adult Swim americano. Se até a Comida dos Astros, grupo de comédia que faz representações transformando tudo em comida, criou o “Super Gemas: gratinar!” e o “Enquanto isso, na fábrica de lingüiça…”, é sinal de que mesmo ausentes de uma publicação regular, Zan e Jayna estão na memória de muita gente como parte do imaginário camp dos quadrinhos. Fazer o quê?

Super Gemas: desgratinar!

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