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Identidade Secreta

28 mar
Os Melhores do Mundo

Os Melhores do Mundo

Através do viés da história que é contada numa história em quadrinhos podemos dizer que os super-heróis assumem identidades secretas para proteger sua família e entes queridos. Como no exemplo da origem do Homem-Aranha que deixa um bandido escapar e depois descobre que o mesmo foi responsável pelo assassinato de seu tio. Peter Parker, o alter-ego do Homem-Aranha jura, então, usar seus poderes com responsabilidade e isso envolve não revelar sua identidade para o mundo. Por outro lado, se analisamos de um ponto de vista externo às histórias concluiremos que as identidade secretas como Peter Parker e Clark Kent existem com o intuito de trazer o leitor para realidade da HQ. Tanto Peter como Clark são dois desajustados na sociedade, eles não se encaixam nos padrões pré-estabelecidos pela mídia e por isso permitem a identificação com o que Umberto Eco chamou de leitor-médio deste tipo de entretenimento. É possível para o leitor se identificar com as histórias de Peter e Clark e ainda aspirar a ser também ele um super-herói, mostrando que por trás de uma aparente mediocridade pode existir algo que faça esse leitor ser “super”. É ainda mais interessante o caso do Capitão Marvel, no qual o menino Billy Batson, ao pronunciar a palavra SHAZAM!,  transforma-se no mortal mais poderoso da Terra. Essa identificação com as crianças (internas ou não) foi responsável pela maior venda de exemplares de comic books durante a Segunda Guerra Mundial.

Além de ter sido o primeiro super-herói, o Superman também foi o primeiro herói a apresentar uma identidade secreta não-aristocrática. Enquanto Zorro, Fantasma e Tarzan eram lordes e herdeiros de sangue azul, Clark Kent era um jornalista filho de fazendeiros do interior dos EUA. Por sua vez, Batman segue a linha dos heróis sem poderes com uma origem mais endinheirada, com a qual ele pode comprar seu treinamento e equipamentos usados em sua outra vida como super-herói. No caso de Batman, há uma personalidade dominante, a do Batman, enquanto seu status como Bruce Wayne serve apenas para que mantenha sua empresa e seus compromissos sociais. No caso do Superman, há ambigüidades porque a verdadeira identidade do herói é o kriptoniano e, portanto, alienígena Kal-El. Quentin Tarantino questiona essa identidade de Kent em seu filme Kill Bill Vol. 2, dizendo que Kal-El se disfarça de Clark Kent para zombar da raça humana, portando-se como um homem frágil, míope e desajeitado. Por outro lado, temos o caso do super-herói Sentinela, criado em 2000, que possui três identidades: a do super-herói Sentinela, do humano Robert Reynolds e a do vilão Vácuo. Somente desabilitando a personalidade de Sentinela, os heróis poderiam derrotar Vácuo, transformando o super-herói novamente em uma pessoa comum.

A revelação da identidade secreta vêm gerando diversos arcos de histórias nos personagens das duas maiores editoras de quadrinhos de super-heróis do mundo, a DC e a Marvel Comics, principalmente depois da segunda metade da década passada. Entre os exemplos estão a minissérie Crise de Identidade onde os entes queridos dos super-heróis da DC eram caçados e mortos. A série regular do herói cego Demolidor também lidou por anos com a revelação  e o desmentido de sua identidade secreta. E o Homem-Aranha revelou sua identidade na frente das câmeras da TV durante a minissérie Guerra Civil, mas os editores tiveram que voltar atrás dessa decisão e criaram uma nova série de histórias onde Peter Parker nunca havia tomado aquela atitude. Talvez o exemplo mais evidente de super-herói que revelou sua identidade secreta seja o do Homem de Ferro, tanto no universo dos filmes como dos quadrinhos o mundo sabe que Tony Stark é o vingador dourado.

Revelar a identidade secreta também pode ser associado ao fato de mostrar quem realmente é, por isso também está associada ao ato dos gays de “sair do armário”. Uma reportagem publicada na página online do The New York Times no ano passado afirma que há muito de homoerótico nas páginas de um quadrinho de super-herói. Não apenas a reportagem mas o psiquiatra Frederic Wetham via um romance homossexual entre Batman e Robin na década de 50. Em seu trabalho na minissérie Flex Mentallo, o escritor Grant Morrison colocava no diálogo de um de seus personagens que “Frederic Wetham estava certo pra caralho!”, dizendo que estas histórias proviam a hipersexualização dos leitores com seus corpos definidos e uniformes colantes. Será mesmo?  Não por acaso muitos gays se identificam com este tipo de histórias. Em entrevistas para o site muitos disseram que essa identificação se dá seja pelo fetiche dos uniformes colantes, seja pela mensagem de aceitação no subtexto de quadrinhos como X-Men, que “juraram proteger um mundo que os teme e odeia”. Um dos entrevistados, Dan Avery, editor de um guia gay, disse “Eu lembro de sentir que tinha dois segredos para manter: ser gay e fã de quadrinhos. Não tinha certeza de qual deles tinha mais medo que as pessoas descobrissem”. Existe ainda a fantasia de poder: “Eu acho que muitos homens e garotos gays são atraídos para isso do que o garoto comum porque eles tem uma luta a mais para lutar além de ser somente o desajustado da escola”, diz Bob Schreck, bissexual que já editou as histórias do Lanterna Verde que falavam deste tema. Para celebrar esse tipo de fãs, acontece em Nova York a festa Skin Tight, onde gays se vestem como super-heróis. Para celebrar qualquer tipo de fã de quadrinhos existem inúmeras convenções mundo afora.

O Bravo e o Audaz

O Bravo e o Audaz

Marvel Divas

18 abr

Marvel Divas. No sentido horário: Flama, Fóton, Felina e Gata Negra.

Marvel Divas. No sentido horário: Flama, Fóton, Felina e Gata Negra.

Semana passada Joe Quesada anunciou uma nova minissérie da casa das idéias: Marvel Divas. O editor-chefe anunciou a série como uma espécie de Sex and The City com super-heroínas. Foi divulgada a capa de J. Scott Campbell. Como roteirista foi escolhido o competente Roberto Aguirre-Sacasa e o croata Tonci Jonzic. Mas o que eu pergunto é: a Marvel vai publicar um história falando de sexo? Talvez esteja seguindo uma corrente, já que foi lançado ano passado um anual do Homem-Aranha Ultimate em que Peter Parker e Mary Jane discutiam sua primeira vez. E com certeza é uma evolução, já que não é a primeira vez que a Marvel tenta dar um enfoque maior para suas personagens femininas.

Patsy Walker: revistas de romance faziam sucesso nos anos 50 pela Marvel.

Patsy Walker: revistas de romance faziam sucesso nos anos 50 pela Marvel.

A primeira tentativa foi no final da década de 40 com revistas como Namora e Vênus, lançada no crepúsculo dos super-heróis. Claro que a editora já tinha um nicho formado para as leitoras com revistas de romance e de humor adolescente, entre as quais Patsy Walker, da qual falarei mais daqui a pouco. A segunda tentativa foi na década de 70, tentando se emparelhar com os movimentos feministas. A Marvel lançou três revistas: Shanna, a Mulher-Demônio, A Gata e Night Nurse, mas a empreitada não logrou sucesso (para saber mais sobre essas séries leia a matéria que fiz para o Fanboy sobre o feminismo e as super-heroínas aqui). Durante o final da década de 70 e início da década de 80, outras heroínas se destacaram: Miss Marvel, Mulher-Aranha e Mulher-Hulk. Nos anos 90, as mulheres dos X-Men foram bastante valorizadas, mas em conta do fator comic babe. Psylocke era a musa de muitos garotos. Nos anos 2000, com uma onda de revival dos anos 70 encabeçada por Brian M. Bendis, as heroínas dos anos 70 voltaram aos holofotes. Miss Marvel e Mulher-Hulk ganharam títulos próprios.

Mas em toda esta história como esquecer da maior diva da Marvel?

Ela é a Disco Queen!

Ela é a Disco Queen!

Ela tem o rosto pintado com glitters, ela usa uma roupa de vinil branco, usa um globo de luz pendurado no pescoço, é loira, canta e dança, dança de patins. É claro que estou falando da Cristal, a cantora mutante capaz de transformar som em luz. Você tem de concordar que ela é um show vivo. Britney Spears, morda-se de inveja!

Cristal foi criada na década de 70 por John Romita Jr. e Tom DeFalco. No início era para ser chamada de Disco Queen e era inspirada na cantora Donna Summer. Tudo fazia parte de um acordo prévio com a Casablanca Records. O acordo acabou não dando certo. Mas a Marvel não desistiu da personagem. Em 1980, era lançado Dazzler#1 apenas para comic shops. Dessa vez Cristal era inspirada em Bo Derek.

Ponha seus patins e dance! Dance de patins!

Ponha seus patins e dance! Dance de patins!

Ok, não te convenci de que que Alison Blaire é a maior Diva da Marvel? Aqui vão alguns Dazzler’s Facts:

1. A primeira edição de sua revista vendeu 400 mil cópias apenas em lojas especializadas e convenceu a Marvel a entrar no mercado direto dos comic books;
2. Foi cogitado que Cristal seria a quinta integrante do X-Factor no lugar da Fênix;
3. Cristal foi escolhida como arauto do Galactus;
4. Ela já namorou o Beyonder;
5. Ela provou ser uma integrante de valor dos X-Men enferentando Wolverine, Colossus e Ciclope;
6. O Fanático tem um crush por ela;
7. Ela é a cantora mais famosa do universo Marvel. Vários personagens já apareceram usando a camisa de suas turnês.
8. É uma das personagens escolhidas para se jogar o arcade dos X-Men;
9. É a única personagem feminina dos X-Men a ter uma série solo com mais de 30 edições;
Mas o fact mais importante é que:
10. A Marvel pensou em fazer um filme com Cristal no final da década de 80 e para o elenco escalou Cher, Donna Summer, KISS e o Village People.

E então? Concordam? E como este está se tornando o queerest post neste blog, porque não se divertir com a música que a Cristal canta em Deadpool #68? “Se você tem seus problemas e seus dias são de dor, se te grila a inflação, as crianças, o calor, ponha seus patins e dance, dance de patins”. Dançar de patins é uma filosofia. Pratique!

Marvel Divas: Samanta (Felina), Carrie (Gata Negra), Miranda (Fóton) e Charlotte (Flama).

Marvel Divas: Samanta (Felina), Carrie (Gata Negra), Miranda (Fóton) e Charlotte (Flama).

Agora, voltando a falar das Marvel Divas oficiais. Não conheço muito de Sex and The City, só assisti à primeira temporada, mas não imagino que a Gata Negra seja a mais parecida com a Samantha. Provavelmente é a Gata (Felina) que mais preenche esse perfil, partindo da série adolescente da heroína, Patsy Walker, e levando em conta seus dias como a Gata do Inferno ao lado do Filho de Satã, Daimon Hellstrom. Claro, que a personagem Marvel perfeita para encarnar a personagem de Kim Cattrall seria a Tigresa, a personagem mais sexualmente ativa da casa das idéias. A Gata Negra ficaria num perfil mais Carrie. Mas não acho que Peter Parker seria assim um Mr. Big. Para Miranda, com certeza a Fóton/Pulsar/Mônica Rambeau se encaixaria melhor. Ela é a mais focada na carreira. Em Nova Onda, Warren Ellis não nos deixa esquecer como ela obcecada com o fato de já haver sido líder dos Vingadores. E para Charlotte, sobra Anjelica Jones, a Flama. Ela é mais inocente, mais conduzida por seus valores e também a mais nova.

Veremos se eu acerto quando a mini chegar nas bancas dos EUA. Sacasa diz que “Vamos falar do que realmente significa ser uma mulher em um mundo dominado por testosterona e armas (e falo tanto do mercado de super-heróis quanto do de quadrinhos)”. Será que a série será tão bem sucedida quanto Sex and The City?

Um chá com a Marvel UK (12 de 12)

16 nov
Homem-Aranha e seus Amigos. Versão brasileira do comic publicado pela Panini UK.

Homem-Aranha e seus Amigos. Versão brasileira do comic publicado pela Panini UK.

Por ocorrerem no mesmo universo dos heróis tradicionais da Marvel, a presença dos mesmos nas revistas da Marvel UK dos anos 90 era constante. Para se ter uma idéia, os X-Men aparecem em 10 das 16 edições de Hell’s Angel. Contudo, apesar da quase-onipresença dos heróis americanos, seus colegas britânicos poucas vezes apareceram ou foram referidos em revistas que não eram produzidas na Europa. Com o estouro da Bolha Especulativa, os gibis da Marvel UK, que por vezes tinham de ser reimpressos pela grande demanda, acabaram por encerrar sua circulação dos dois lados do Atlântico em 1994. A perda de interesse pela linha britânica da Casa das Idéias fez com que a Marvel UK entrasse em declínio.

Seria o fim da representação dos heróis Marvel na Grã-Bretanha se, na metade dos anos 90, a Panini Comics não comprasse seus bens e passasse a reimprimir as histórias americanas. A Panini Comics vinha de um acordo bem-sucedido com a Marvel, pelo qual representava a editora na Itália e em outros países da Europa. O material original inglês, porém, parou de ser produzido.

Quando a Panini Comics UK resolveu desenvolver material próprio, visava a um público mais infantil, na onda do desenho animado do Homem-Aranha exibido pela Fox. Surgia, então, a revista The Spetacular Spider-Man. Foi depois de uma década, em março de 2005, que esta mesma revista apresentou uma nova história do Capitão Bretanha criada por Jim Alexander, Jon Haward e John Stokes. Além dos títulos originais americanos, a editora ainda publica a longeva Doctor Who Magazine, com histórias inglesas. Mas é nas crianças com menos de seis anos que está o foco dos materiais produzidos hoje na Panini Comics inglesa, com as revistas The Spetacular Spider-Man, Marvel Rampage e Spider-Man and Friends.

Um chá com a Marvel UK (11 de 12)

13 nov

AS GUERRAS MYS-TECH

O primeiro número das famigeradas Guerras Mys-Tech

O primeiro número das famigeradas Guerras Mys-Tech

Os grandes inimigos dos super-heróis britânicos eram os integrantes da corporação Mys-Tech, um grupo de sete magos oriundos do século X, que venderam sua alma a Mefisto em troca de imortalidade. Ao longo dos anos eles vem sacrificando almas para o demônio e acumulando riqueza e poder em seu império de negócios. Os atos derradeiros da organização resultaram nas Guerras Mys-Tech e envolveram grande parte dos heróis americanos da Marvel.

Era uma época de crossovers e a lógica era quanto mais melhor. Participaram desta história Homem-Aranha, Hulk, X-Men, Nick Fury, Vingadores, X-Factor e Excalibur pelo lado americano e todos os super-heróis dos anos 90 da Marvel UK. O roteiro dos hoje celebrados Andy Lanning e Dan Abnett, responsáveis pelas minisséries de Aniquilação, era muito fraco. Para dar um exemplo, na minissérie muitos dos heróis morrem em combate com os Mys-Tech, mas, ahá, se encontra uma maneira de reverter todo o acontecido, voltar 24 horas no tempo e restaurar a vida dos heróis combalidos. Guerras Mys-Tech é um bom exemplo de tudo de pior que a década de 90 gerou: mortes e ressurreições, transformações sem sentido, muita violência, heróis rangendo os dentes sem parar mostrando toda sua canalhice. Nem os desenhos se salvam. O responsável pelo lápis era Bryan Hitch, também cultuado pelo seus desenhos em Os Supremos, naquela época não passava de uma imitação barata de Alan Davis que passava longe dos atuais desenhos. A mini chegou a ser lançada no Brasil pela Mythos Editora em 1998.

Um chá com a Marvel UK (10 de 12)

8 nov

Deaths Head II com os X-Men

Death's Head II com os X-Men

Com a chegada dos anos 90, Paul Neary se tornou editor-chefe da Marvel UK e os títulos produzidos na Inglaterra passaram a ser comercializados nos EUA. Tudo isso acontecia em meio à ascensão da Bolha Especulativa que fazia com que os consumidores comprassem o maior número possível de revistas, já que tinham potencial de se valorizar muito em um futuro não muito distante, e os primeiros números poderiam valer milhões. Assim, a Marvel UK entrou na onda e lançou nos Estados Unidos, entre outros, uma segunda versão de Death’s Head (que ficou conhecido como Espectro no Brasil), um segundo volume de Cavaleiros de Pendragon, Motormouth (título que depois foi chamado de Motormouth e Killpower) e Hell’s Angel. Todos esses títulos tinham como plano de fundo as ações da organização subversiva Mys-Tech, o que acabou resultando no crossover Guerras Mys-Tech. Na terra da rainha, todos estes títulos eram publicados na antologia Overkill.

Assim como todo “bom” personagem do início dos anos 90, os novos protagonistas das revistas Marvel UK, andavam na onda do “grim and gritty”, que consistia em dar uma abordagem cruel e sombria aos personagens e, se eles fossem mostrados rangendo os dentes, um tanto melhor. Por isso muitos dos seus títulos trazia nomes impactantes como Hell, Blood, Death, Kill… Listaremos, então, os principais heróis desta era. O primeiro deles foi

Killpower e Motormouth

Killpower e Motormouth

Death’s Head, um spin-off da revista dos Transformers, o personagem era originalmente um construto caçador de recompensas, chegando a aparecer nas revistas do Quarteto Fantástico e da Mulher-Hulk. Anos mais tarde foi repaginado e se tornou um amálgama do ciborgue original com seu inimigo Mínion. (100 personalidades) Ficou conhecido no Brasil pelo nome de Espectro. A série do personagem deu origem a duas outras: Death Wreck e Death Metal, estrelando outros ciborgues. Em 2005, a Marvel criou Death’s Head 3.0, que nada tinha a ver com os anteriores e que fez uma aparição na saga Planeta Hulk.

Motormouth, criada por Graham Marks e Gary Frank, era Harley Davis, uma garota de rua boca-suja que encontrou um par de sapatos criados pela corporação Mys-Tech que possuiu tecnologia de salto dimensional implantada. Para reaver seus pertences, a organização mandou o assassino Killpower atrás da garota. Contudo, o homem se afeiçoou da garota e tornou-se seu protetor. Depois de ser gravemente ferida por outros assassinos, Killpower reconstruiu o corpo da garota implantando a tecnologia de teleporte em seu corpo, bem como substituindo sua laringe por uma aparelho capaz de lhe conferir poder sônicos. Killpower, por sua vez era um ser moldado geneticamente da mistura de DNAs de humanos, rinocerontes, leões, morcegos e alienígenas, que se tornou capanga da organização Mys-Tech. Apesarde aparentar 20 anos, cronologicamente tem 4 anos. Foi através de Motormouth que viu a maldade por trás de seus empregadores. Os dois foram vistos em revistas Marvel regulares como O Incrível Hulk e Excalibur.

Hells Angel e X-Men

Hell's Angel e X-Men

Hell’s Angel, também conhecida como Shevaun Haldane, ganhou seus poderes do Anjo da Morte, que veio buscar seu pai e colocou um fragmento do próprio universo no corpo de Shevaun, bem como ofereceu a ela um traje que a permitia controlar seus poderes. Ela passou a combater a corporação Mys-Tech e Mefisto, responsável pelo assassinato de seu pai. Por causa de problemas com direitos autorais referentes ao grupo de motoqueiros, o personagem mudou seu nome para Dark Angel. Ficou conhecida como Anjo Negro no Brasil e fez aparições nas histórias do Excalibur.

Um chá com a Marvel UK (9 de 12)

5 nov

Os primeiros Cavaleiros de Pendragon

Os primeiros Cavaleiros de Pendragon

OS CAVALEIROS DE PENDRAGON

Os Cavaleiros de Pendragon tiveram duas fases, a primeira, escrita por Dan Abnett e John Tomlinson e desenhada por Gary Erkshine, elogiada pela crítica misturava aventura de super-heróis, horrores do mundo real e mitologia arturiana. A segunda, escrita pelos mesmos autores, mas desenhada por vários artistas, buscava sucesso comercial ao tentar imitar outras equipes de super-heróis como X-Men e WildC.A.T.S..

Participavam da primeira tentativa heróis como o Capitão Bretanha e Union Jack. A premissa da série era baseada na interpretação de um poema medieval inglês “Sir Gawain e o Cavaleiro Verde”. O Cavaleiro Verde é a encarnação das forças de vida da Terra que distribui a “força Pendragon” a campeões que combatem Bane, forças do “inverno e guerrilha” que usam corporações multinacionais e magia negra para atingir seus fins. Cada um destes campeões carrega consigo as memórias de cada ser escolhido pela força Pendrgon durantes os séculos, por isso os campeões modernos são invadidos pelas personalidades dos primeiros cavaleiros da Távola Redonda como Gawain e Lancelote, uma idéia não muito original, vista antes em Camelot 3000 da DC Comics. Em determinada parte da trama, os Cavaleiros são apresentadoa a Adam Crown, um idoso atendente de lava-rápidos que é possuído pelo espírito do Rei Artur e passa a liderar os Cavaleiros de Pendragon.

Um chá com a Marvel UK (8 de 12)

4 nov

inicio de carreira de Grant Morrison

Spiderman and Zoids Weekly: início de carreira de Grant Morrison

Grant Morrison também deu as caras na Marvel UK. Antes mesmo do sucesso com Zenith, o super-herói pop-star da 2000 A.D., o escritor escocês escreveu para a Doctor Who Weekly (tendo colaborado com um Bryan Hitch imberbe) e com Spiderman and Zoids Weekly. Zoids? Tratavam-se brinquedos famosos da década de 80, produzindo por uma empresa japonesa, que eram construtos mecânicos na forma de mamíferos, dinossauros e insetos, que como muitos outros brinquedos daquela época geraram animes, mangas, videogames e, na Inglaterra, uma série de comics.

Não eram só os Zoids que receberam esse tratamento. Em 1984, a Marvel lançava um outro selo nos Estados Unidos, a Star Comics, cujo publico alvo eram crianças pequenas e geralmente trazia desenhos animados ou brinquedos adaptados para os comics. He-Man e os Mestres do Universo, Thundercats, G.I. Joe, Transformers, Smurfs, Os Caça-Fantasma eram algumas das muitas séries que hoje são nostálgicas. Não demorou muito para que esse selo aparecesse também na Grã-Bretanha. O maior fenômeno de vendas da Marvel UK foi Transformers, que vendia 200 mil cópias por semana. Sob o comando da editora, a série durou 322 edições. Após deixar a editora, a série continua a ser publicada até hoje, mantendo-se como um dos títulos mais importantes da história do mercado inglês de quadrinhos.

o maior sucesso da Marvel UK

Transformers: o maior sucesso da Marvel UK - 200 mil cópias/semana

Seguindo o sucesso dos robôs gigantes e alienígenas veio Death’s Head, o primeiro título publicado no formato americano (revista simples, com uma série apenas). Em seguida, no mesmo formato, foi lançado Knights of Pendragon, que recebeu elogios da crítica especializada e era escrita por Dan Abnett e John Tomlinson com arte de Gary Erkshine.

Em 1984 começaria a chamada Invasão Britânica nos quadrinhos, comandada pelos editores Karen Berger e Dick Giordano, da DC Comics, uma caça de talentos ingleses que seriam trazidos para os Estados Unidos. Alan Moore foi um dos primeiros escolhidos pelos editores quando foi incumbido de escrever The Saga of the Swamp Thing (A Saga do Monstro do Pântano). Não demorou muito para que outros quadrinistas fossem recrutados, como Neil Gaiman, Grant Morrison, Brian Bolland, Dave Gibbons, Jamie Delano e Peter Milligan. O mercado norte-americano começava a absorver o talento britânico, restando à Marvel UK autores menos brilhantes para escreverem suas histórias na década seguinte.

Um chá com a Marvel UK (7 de 12)

2 nov
Capa do encadernado da série do Capitão Bretanha por Alan Moore e Alan Davis

Capa do encadernado da série do Capitão Bretanha por Alan Moore e Alan Davis

Quando Alan Moore assumiu o título do Capitão Bretanha passou a botar em prática a fórmula mooriana para personagens de séries contínuas: tudo que o protagonista sabia sobre si mesmo até então, era uma mentira. Nesse processo, o parceiro do capitão, o elfo Jackdaw morreu, e Braddock é apresentado à uma realidade alternativa governada pelo déspota Mad Jim Jaspers e passa a ser perseguido pela Fúria (que reapareceu recentemente durante a fase de Chris Claremont em Uncanny X-Men). Enquanto luta com o inimigo o Capitão acaba libertando Lady Saturnyne, guardiã do Ominiverso. Aqui Moore cria uma das pedras fundamentais do Universo Marvel: a relação dos heróis com realidades alternativas: não existe apenas uma versão da Terra, mas um universo recheado de ominirealidades, onde existem diversas versões de Capitães Bretanhas (o mesmo vale para outros super-heróis), que sob o comando de Saturnyne e Roma se chamariam de Tropa de Capitães Bretanhas (uma homenagem do barbudão à Tropa dos Lanternas Verdes).

A Terra que acompanhamos os heróis da Marvel não se chamaria Terra-1, demonstrando um certo pensamento medieval de que tudo gerava ao redor de nosso umbigo, mas Terra-616. Uma a mais dentre as outras. Dizem os boatos que Moore teria escolhido este número porque se referia à data de criação da Marvel, 61-6, junho de 1961, mês de lançamento de Fantastic Four #1. Através dessa manobra, Moore estabeleceu uma certa lógica para o universo da editora de Stan Lee, coisa que a DC Comics sempre buscou nas suas crises infinitas. Dessa maneira, no universo Marvel, basta admitir que existem múltiplas possibilidades de versões de Terras e de super-heróis, enquanto que a DC suprime e reintroduz seu multiverso. As realidades alternativas da Marvel seriam mais desenvolvidas com o passar dos anos em séries como Excalibur e Exilados.

Um chá com a Marvel UK (6 de 12)

31 out

trazia Capitão Bretanha e o Demolidor, de Miller

The Daredevils: trazia Capitão Bretanha e o Demolidor, de Miller

Há boatos de que Dez Skinn se desligou da Marvel UK devido a conflitos sobre direitos autorais em 1981. Anos mais tarde, depois de trabalhar com cinema, Dez fundou a Quality Communications. Nessa empresa nova, de sua propriedade, o editor lançou a antológica revista Warrior que traria em suas páginas duas das maiores séries de quadrinhos inglesas: Miracleman e V de Vingança, ambas escritas e desenhadas por talentos que Dez conhecera na Marvel UK, Alan Moore, David Lloyd e Alan Davis.

Um dos últimos atos de Dez na Marvel, entretanto, foi trazer o Capitão Bretanha para o mix da revitalizada Mighty World of Marvel, agora mensal, sob a batuta de Dave Thorpe e Alan Davis. Quando Thorpe deixou a série, foi sucedido por um certo barbudo de Northampton, que garantiu a Brian Braddock as aventuras mais estranhas e incríveis que já haviam sido concebidas. A popularidade das novas histórias do Capitão transferiu o personagem para outro título em 1982, The Daredevils, no qual compartilhava as páginas com outro sucesso da década de 80, o Demolidor de Frank Miller. Ainda compondo a revista estavam histórias do Homem-Aranha e textos em prosa narrando as peripécias de Night Raven, um trabalho pouco comentado de Alan Moore com ilustrações de Davis.

Um chá com a Marvel UK (5 de 12)

30 out

Night Raven, o herói pulp da Marvel UK

Night Raven, o herói pulp da Marvel UK

NIGHT RAVEN

Night Raven é um herói criado nos moldes dos pulps, mais precisamente do Sombra. Assim como The Spider e o Fantasma, Night Raven deixa uma marca em vítimas. Ele usa roupas modificadas e uma máscara de rosto intero com aspectos semelhantes a aves. É um justiceiro solitário e sua identidade é envolvida em mistério. Night Raven não tem poderes, mas é imortal e atua em Nova York e Chicago. Ele se vê como um curandeiro, “e um curandeiro deve lutar contra as doenças. E se ele não pode salvá-los seja com habilidade ou amor – então ele precisa levá-los gentilmente à morte”. Originalmente criado pelos editores Dez Skinn e Richard Burton, as primeira histórias de Night Raven eram escritas por Steve Parkhouse e desenhadas por David Lloyd. Stan Lee não gostava da arte “dura” de Lloyd e logo o artista foi substituído por John Bolton. As histórias do personagem duraram menos de um ano. A série era popular e os leitores pediam por mais, mas a Marvel tinha outras prioridades (a revista do Doctor Who, por exemplo) e por um tempo Nigh Raven foi interrompido.

Mais tarde, a Marvel reparou seu erro e trouxe o personagem de volta, mas com uma grande diferença: as histórias retornaram em formato de texto com pouquíssimas ilustrações. Agora, Night Raven era descrito como “uma figura espectral com um rosto ósseo”. Junto a isso vinha sua voz sinistra e “um som estranho sibilante e grasnante” que emanava de sua boca, um personagem bastante desconcertante. Coisas mais bizarras foram surgir quando Alan Moore pôs suas mãos no personagem. Seu corpo era descrito como “pouco mais que uma massa disforme de gânglios e terminações nervosas expostas”. Suas roupas eram então amarrotadas e rasgadas; suas mãos eram “paródias pervertidas de mãos, revestidas de luvas imundas”. Moore deixaria o personagem para cuidar de outros projetos, entre eles V de Vingança, desenhada por David Lloyd, que tempos depois viria admitir que Night Raven foi uma influência para desenvolver o personagem V.

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