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5 HQs de Amor

28 mai
5 HQs de Amor

5 HQs de Amor

10 Pãezinhos – Mesa Para Dois, de Fábio Moon e Gabriel Bá

Uma história que mostra que o amor pode surgir do nada, mesmo que ele venha te espreitando há muito tempo e você nunca tenha reparado. O amor aqui só se manifesta quando o acaso dá um empurrão. Uma história singela, curtinha e gostosa de ler.

12 Razões para Amá-la, de Jamie S. Rich e Joëlle Jones

São doze capítulos em ordem aleatória, cada um intitulado com uma música. Cada um deles mostra os altos e baixos de um relacionamento narrados visualmente e textualmente de diferentes formas.

A Paixão do Arlequim, de Neil Gaiman e John Bolton

A versão de Gaiman para um dos personagens mais conhecidos da Comédia Dell’Arte. A história começa com um coração que é pregado na porta da amada e o caminho que ele toma até que o amor se renove.

Lucille, de Ludovic Debeurme

Lucille e Artur, dois jovens incomuns e problemáticos, acabam encontrando, em passos pequenos, o amor um no outro. Esse amor acaba transformando suas vidas e é levado às últimas consequências.

O Gosto do Cloro, Bastien Vivès

Uma HQ minimalista, que mostra o encontro entre dois jovens na piscina. Todo seu relacionamento é pontuado por cores, gestos, expressões e poucos diálogos. Acaba conquistando o leitor numa obra maior do que apenas palavras e imagens.

Discurso de Formatura, por Neil Gaiman

21 mai

Projeção e Identificação

10 dez

Quero ser o Homem-Aranha. Ou Peter Parker?

Quero ser o Homem-Aranha. Ou Peter Parker?

Os quadrinhos promovem um sistema de identificação e projeção nos leitores. Com a revista do Homem-Aranha nas mãos o nerd médio se identifica com Peter Parker e projeta em sua imaginação ter a coragem e os poderes do Homem-Aranha. Ou será que acontece um processo inverso? O nerd se identifica com a ausência de poderes e coragem e projeta a vida do comum Parker, buscando um dia ser fotógrafo como ele ou jornalista como Clark Kent?.

São as semelhanças ou as diferenças que nos atraem? Essa questão vem norteando os relacionamentos humanos durante os tempos. Nunca chegou-se a uma conclusão. Mas os estudos mostram que uma das grandes razões de sucesso das narrativas heróicas é a utilização de arquétipos. Nos quadrinhos podemos encontrar vários deles.

Já vimos aqui que em vários quadrinhos, o que faz a grande diferença, o grande big-bang no cérebro é o desconcerto que certas cenas nos oferecem. São as obras quebrando nossas projeções e identificações. Quando o leitor de quadrinhos cresce, ele não está mais preocupado em querer ser o Homem-Aranha, mas fica chocado ao descobrir em Do Inferno, que William Gull, médico da Rainha, é Jack, o Estripador. E não apenas isso. Ele está a mando da soberana para eliminar evidências de um caso extra-conjugal na família real. Claro, que ainda aqueles que se identificam com Gull ou outros personagens como o Justiceiro. A esses, falta um pouco de senso crítico. O que acontece em Do Inferno é a desconfirmação dos arquétipos, a desconstrução da identificação, ainda que um pouco dela deve existir para que o leitor continue acompanhando a história.

“O interesse que sentimos pelos personagens não vem, portanto, daquilo que reconhecemos em nós mesmos (somente os romances mais grosseiros fazem uso desse processo), mas daquilo que aprendemos sobre nós mesmos. A verdade que emana de nossa interação com as figuras fictícias é, com muita freqüência, uma verdade ignorada. É a diferença, e não a semelhança, que permite descobrir-se. Os personagens mais interessantes são aqueles que vão ao encontro das supostas inclinações do leitor”, diz Vincent Jouve no livro L’effet-personnage, citação copiada descaradamente do blog da Carol.

o inverso dos arquétipos

Os Perpétuos: o inverso dos arquétipos

Agora peguemos os Perpétuos de Neil Gaiman para explicar essa frase. Nem sempre reconhecemos em nós mesmos o Desespero, ou o Desejo, até mesmo a Destruição. Mas lendo as palavras dos personagens de Gaiman muitas vezes nos pegamos pensando; “é, realmente, acontece dessa forma, por que eu nunca tinha percebido?”. Os personagens de Gaiman tem essa qualidade de, como diz o próprio Sonho, “pronunciar verdades que não se falam”. Quando nos pegamos reconhecendo em nós mesmos nossas falhas, o Destino, a Morte, o Sonho, o Desejo, o Desespero, a Destruição e o Delírio dentro de nós é que conhecemos nossas diferenças. É quando compreendemos que não somos arquétipos, nem personagens. Não precisamos nos identificar exclusivamente. Mas aprendemos. Cada um na sua, com alguma coisa em comum, já dizia a marca de cigarros.

Os próprios Perpétuos são construções e desconstruções destes aspectos da vida humana. Se por um lado a Morte é aquela que nos arranca deste plano de existência, ela também é a irmã ideal, alguém com quem você pode conversar por horas sem se cansar, que é alto-astral e carinhosa. Destruição, por outro lado, é um artista frustrado. Apesar de encarnar o caos, ele quer construir algo para si, ser reconhecido por algo que ele mesmo construiu.

É a diferença, não a semelhança que permite descobrir-se. E talvez seja por essa razão que para muitos sejam mais fácil se identificar com os X-Men. Eles representam a diferença, aquilo que não é comum, mas que permite descobrir que a diversidade é algo mais normal que a semelhança. Essa é a moral da nossa história.

Povos fantásticos sem memória: uni-vos!

17 nov

Não é de hoje que se usa o artifício da amnésia para se escrever histórias em quadrinhos de super-heróis. Só pra ficarmos em poucos exemplos, na década de 70 Carol Danvers combatia o crime como Miss Marvel sem saber da existência e das ações de seu alter-ego. Temos os X-Men emergindo do Portal do Destino na década de 80, todos desmemoriados e com uma vida nova, distantes de suas aventuras combatendo o preconceito. Outro exemplo é história de Mark Waid para a retomada da Liga da Justiça por Grant Morrison nos anos 90: todos os personagens estavam imersos em uma espécie de sonho.

Da metade dos anos 2000 para cá houve um surto de retomada dos povos fantásticos da mitologia dos super-heróis. Os povos de deuses e de seres superpoderosos voltaram à baila e a maneira como isso foi feito parece bastante semelhante em todos os casos. Vamos à eles:

Os Eternos, por Neil Gaiman e John Romita Jr.

Os Eternos, por Neil Gaiman e John Romita Jr.

1. Os Eternos

Perdidos durante a minissérie dos Eternos e encontrados na mesma.

Quando Neil Gaiman assumiu a série dos Eternos propôs que esse povo estaria disperso pelo mundo, sem saber de suas próprias identidades. Ao poucos, no entanto, os heróis iam relembrando de seu passado e da luta contra os Deviantes, para mais uma vez defender a Terra contra o despertar do Celestial Sonhador.

O Ataque das Amazonas, por Will Pfeifer e Pete Woods

O Ataque das Amazonas, por Will Pfeifer e Pete Woods

2. As Amazonas

Perdidas durante a Crise Infinita e retomadas durante a minissérie O Ataque das Amazonas.

Durante a Crise Infinita, as Amazonas de Themyscira partiram para outro plano de existência e deixaram de habitar a Ilha Paraíso. Com a ressurreição de Hipólita por Circe, entretanto, as mulheres guerreiras voltaram de seu exílio e atacaram os Estados Unidos.

Os Atlantes, por Paul jenkins e John Watson

Os Atlantes, por Paul Jenkins e John Watson

3. Os Atlantes

DC Comics (perdidos durante a Crise Infinita)

Marvel Comics (dispersados em Marvel Especial #7)

No universo DC, os atlantes foram erradicados com o final da oitava era da magia e o surgimento da nona. No universo Marvel, após os eventos da Guerra Civil, os atlantes resolvem se dispersar pelo mundo e conviver com os humanos, de maneira disfarçada, enquanto Namor e seu exército rumam para a Latvéria, pedindo asilo ao Dr. Destino.

Thor, por J. M. Straczinsky e Oliver Coipel

Thor, por J. M. Straczinsky e Oliver Coipel

4. Os Asgardianos

Perdidos durante a saga Ragnarok e retomados nas atuais histórias de Thor.

Após a batalha final, os deuses nórdicos sucumbem, mas eis que o deus do trovão retorna e empreende uma busca pelos asgardianos desmemoriados através do mundo.

Existem muitas semelhanças na maneira como Neil Gaiman trabalha o retorno dos Eternos e como J. Michael Straczinsky mostra a volta do povo da cidade dourada. A vida nova, a maneira como não se lembram de sua vida passada, uma cidade fantástica vazia à espera de seus habitantes. Por outro lado, na história de Gaiman há a “Recusa ao Chamado”, parte integrante da Jornada do Herói, de Campbell. Os Eternos recusam-se, a priori, a voltarem para seu papel de guardiões da humanidade. Os asgardianos, por outro lado, aceitam de bom grado a transformação proporcionada por Thor.

A nova Asgard, no meio de Oklahoma

A nova Asgard, no meio de Oklahoma

A renovação do panteão tem raízes na mitologia. Não apenas nas lendas de um só povo, mas em vários. Na cosmogonia grega, ou seja, a origem dos deuses e do mundo. Os deuses são substituídos de geração em geração, filho se sobrepõe ao pai para estabelecer uma nova ordem. Na mitologia egípcia, os faraós são os representantes de e Osíris no mundo dos vivos. No caso dos asgardianos, na própria mitologia nórdica, a lenda do Ragnarok serve para constituir uma nova ordem cósmica, fazendo com que o ciclo de criação-destruição se refaça infinitamente.

No caso dos atlantes, das amazonas e a dispersão dos seus povos, encontramos raízes na Diáspora judia. Depois que o Templo de Salomão foi destruído pelos romanos em 70 d.C. o povo da Terra Prometida se espalhou pelo mundo e só veio se reunificar com a fundação do estado de Israel em 1948.

O engraçado é que grande parte dos povos fantásticos das editoras americanas encontraram destinos semelhantes. Seria crise criativa ou um “méme” que rondava a cabeça dos criadores? A explicação estaria no 11 de setembro? Um povo “desmemoriado” retomando seus valores originais e se unindo contra um mal comum? Talvez. O fato é que temos aí a Crise Final que está mexendo com o panteão de outro povo fantástico: os Novos Deuses. Veremos o que o futuro lhes guarda.

Um chá com a Marvel UK (1 de 12)

22 out

Watchmen. Os Supremos. Marcas da Violência. West End Girls. Preacher. Sete Soldados da Vitória. Liga da Justiça: O Prego. Todos sucessos inegáveis com uma origem comum: o Reino Unido. Mais precisamente a Marvel UK, a divisão da Marvel Comics voltada para o público britânico. Foi lá que quadrinistas como Alan Moore, Bryan Hitch, Dave Gibbons, Steve Dillon e Alan Davis deram seus primeiros passos na nona arte e foram revelados para o resto do mundo. Até Neil Tennant, do Pet Shop Boys, passou por lá. Mas a Marvel UK não vive só de nomes ilustres, foi a semente de diversas obras de suma importância para a história dos comics, como V de Vingança e Miracleman, e concebeu os personagens mais curiosos da Casa das Idéias adaptados ao estilo inglês. Vamos conhecer essa história, seus principais nomes e criações a partir de agora.

Fantastic, a primeira revista a trazer os heróis Marvel no Reino Unido

Fantastic, trazia os heróis Marvel no Reino Unido dos anos 60.

Na aurora da editora de Martin Goodman, nos anos 60, o material de Homem-Aranha e companhia era reimpresso no Reino Unido era publicado pela Odhams Press, sob o selo Power Comics. Foi durante esta época que o menino Neil Gaiman descobriu os quadrinhos, ficou fascinado com as edições de The Mighty Thor e começou a pesquisar mitologia cultivando o sonho de se tornar um dia escritor de quadrinhos. A editora publicava uma espécie de revista mix, semelhante ao que é publicado hoje no Brasil, com histórias americanas da Marvel e de outras editoras em títulos como Smash! e Fantastic, aportando nas bancas semanalmente, conforme a tradição do quadrinho britânico. Em 1969, o material da Marvel parou de ser publicado na Smash! e os ingleses ficaram órfãos da Casa das Idéias.

The Mighty World of Marvel, tão saudosa para os ingleses quanto Heróis da TV para nós.

The Mighty World of Marvel, tão saudosa para os ingleses quanto Heróis da TV é para nós.

Para preencher este vazio, a Marvel americana resolveu formar um braço no velho continente. A primeira revista resultante dessa empreitada é tão saudosa para os ingleses quanto uma Heróis da TV ou uma Superaventuras Marvel é para nós, brasileiros. Em 1972, saía Mighty World of Marvel, uma revista em preto e branco trazendo republicações de histórias americanas do Hulk, Quarteto Fantástico e Homem-Aranha. Como de costume, a edição de estréia trazia um brinde: um transfer para camisetas com o Hulk. O sucesso foi estrondoso e meses depois era lançada a segunda revista, Spiderman Comics Weekly.

Nos próximos anos, a editora se estabeleceu, empregando Neil Tennant como editor assistente. Era ele quem fazia a adaptação do texto do inglês americano para o utilizado na Inglaterra. Também era encarregado de fazer uma espécie de censura, adaptando as imagens que pudessem ser impróprias para a moral da terra da Rainha. Tennant trabalhou na editora por dois anos. Com exceções de algumas capas novas que eram feitas nos EUA para serem publicadas nas revistas britânicas, não fora produzido nenhum material novo.

Tudo mudaria em 1976, quando Chris Claremont e Herb Trimpe criavam exclusivamente para o mercado britânico o herói nacional, o Capitão Bretanha, na revista Capitain Britain Weekly, que além das histórias do personagem-título, trazia como complemento histórias novas e reimpressões em cores de Nick Fury e Quarteto Fantástico. O título foi bem recebido a princípio, mas após o número #39 foi descontinuado, mesclando-se à revista do Homem-Aranha.

Este é o primeiro de uma série de posts diários sobre a Marvel UK. Estes posts originalmente seriam uma matéria para o Fanboy, mas devido a não-oficialidade de algumas informações decidi publicá-las por aqui.

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