Ano: 2008

De novo a identificação…

Dando continuidade às polêmicas da identificação e da mitologia dos personagens, destaco uma passagem de  “O Quarto Fechado”, último conto da Trilogia de Nova York, de Paul Auster. “Todos queremos ouvir histórias e as ouvimos do mesmo modo que fazíamos quando éramos pequenos. Imaginamos a história verdadeira por dentro das palavras e, para fazê-lo, tomamos o lugar do personagem da história, fingindo que podemos compreendê-lo porque compreendemos a nós mesmos. Isso é um embuste. Existimos para nós mesmos, talvez, e às vezes chegamos até a ter um vislumbre de quem somos realmente, mas no final nunca conseguimos ter certeza e, à medida que nossas vidas se desenrolam, tornamo-nos cada vez mais opacos para nós mesmos, cada vez mais conscientes de nossa própria incoerência. Ninguém pode cruzar a fronteira que separa uma pessoa da outra – pela simples razão de que ninguém pode ter acesso a si mesmo”. Anúncios

Melhores de 2008

Entram na lista só aqueles que eu li esse ano, não importando a data do lançamento. Sem classificação, ordenados em ordem alfabética. Válido apenas para graphic novels e álbuns. Balas Perdidas 1 Obra prima de David Laphan, que usa do pincel para fezer seus traços, resultando num estilo semelhante ao de Darwin Cooke. Além das histórias bem construídas, é marcante o grid de quadros, sempre oito a cada página. Black Hole: O Fim Última parte da saga adolescente/adulta de horror/realidade de Charles Burns. Ficam o apuro da técnica de desenho, a riqueza de detalhes, o clima de noite tempestuosa que a leitura da graphic novel traz. Epiléptico 1 e 2 Todos temos monstros internos, e David B. concretizou e exorcizou os seus nestes dois álbuns mostrando a luta da família contra a epilepsia do irmão. O estilo de desenho do autor se destaca por trazer influências de várias culturas e escolas de arte, as capas são um destaque à parte. Fell, Cidade Brutal Talvez por influência de Laphan, Warren Ellis e Ben Templesmith fizeram este …

Editora do Ano

Caros leitores, no início desta semana os sócios da Não Editora tiveram a honra de ganhar o Prêmio Açorianos de Editora do Ano 2008.  No mesmo dia coloquei um piercing na sobrancelha.  Não doeu. Nada. Não estou pagando promessa. ThingsMag #5 no ar, minha participação com uma resenha de Epiléptico 1 e 2 do David B.  Pra acessar clique aqui.

A mitologia dos super-heróis

Os quadrinhos de super-heróis, assim como outras obras de arte, provocam reações de identificação com o leitor: podem desvendar de forma vicariante, com seu efeito catártico, os dramas psicológicos e os mitos universais do homem. Por sua facilidade de leitura e de ingresso na trama, seus atributos se mostram como uma oferta à intimidade, proporcionando elaborações de fantasias acompanhadas de sensações de bem estar, ou mesmo de desconforto, provocando empatia no seu público-leitor. “Na plenitude de sua função expressiva e catártica, a obra criada se impõe como objeto bom, revalorizador do ego, para o agente da criação e para o espectador. Para o agente, porque vivencia a obra como um complemento do próprio ser, que o ajuda, através do artifício da projeção, a configura e a corrigir a representação que faz de sua auto-imagem e a ampliar a compreensão de sentido de sua existência. Para o espectador, mediante a função especular e as conseqüentes oportunidades de identificação projetiva inerentes a toda produção conceitual ou artística, e mais precisamente porque lhe proporciona uma experiência no intemporal. …

O inverso dos arquétipos na Santa Ceia Perpétua!

Projeção e Identificação

Os quadrinhos promovem um sistema de identificação e projeção nos leitores. Com a revista do Homem-Aranha nas mãos o nerd médio se identifica com Peter Parker e projeta em sua imaginação ter a coragem e os poderes do Homem-Aranha. Ou será que acontece um processo inverso? O nerd se identifica com a ausência de poderes e coragem e projeta a vida do comum Parker, buscando um dia ser fotógrafo como ele ou jornalista como Clark Kent?. São as semelhanças ou as diferenças que nos atraem? Essa questão vem norteando os relacionamentos humanos durante os tempos. Nunca chegou-se a uma conclusão. Mas os estudos mostram que uma das grandes razões de sucesso das narrativas heróicas é a utilização de arquétipos. Nos quadrinhos podemos encontrar vários deles. Já vimos aqui que em vários quadrinhos, o que faz a grande diferença, o grande big-bang no cérebro é o desconcerto que certas cenas nos oferecem. São as obras quebrando nossas projeções e identificações. Quando o leitor de quadrinhos cresce, ele não está mais preocupado em querer ser o Homem-Aranha, …

Projetos de HQs

Esse ano tenho feito vários roteiros de quadrinhos. Alguns se tornam em coisas mais concretas, outros continuam na espera de um dia serem ilustrados. O primeiro deles é o roteiro para Os Bons Morrem Jovens, super-heróis nacionais adolescentes a sairem pelo selo Eras, que você pode conferir mais aqui. Os desenhos são de Pedro Kapullo. O segundo é uma história de fantasia que se passa num ambiente árabe medieval e, ao mesmo tempo, no presente. Se chama “O Quarto Desejo”, tem desenhos de Jader Corrêa e, se tudo der certo, será publicado no Ficção de Polpa vol. 3. E o terceiro se chama “A Linguagem do Albatroz” e é uma história sobre como humanos e animais são diferentes e como não estamos atrelados apenas ao instinto de preservar a espécie. Os desenhos são do x-friend Marcio André de Oliveira Silva, ou maos. Ainda não tem um destino definido, mas estamos pensando em algumas soluções. Tem ainda um projeto que estou trabalhando com a Gisa, mais conhecida como Gisele Moura de Oliveira e capista dos dois …

As múltiplas personalidades do Homem-Múltiplo

X-Factor Citações

Peter David sempre nos brinda com histórias sensacionais na sua nova “temporada” com o grupo mutante X-Factor.  Seja na história de abertura da série ou naquela em que Madrox descobre que uma de suas cópias é um pastor com família. E sobram sempre boas reflexões. No último arco publicado no Brasil, “O Isolacionista”, temos uma série de pensamentos de Jamie Madrox no mínimo interessantes. Vou colocar alguns aqui: “Você pode pensar que é capaz de viver sozinho… e talvez até consiga por um tempo… mas no fim tem que sai da toca e entrar no mundo real. Claro que é arriscado. Nunca se sabe o que vai aocntecer. Mas é or sico que se corre. É… existe um mundo assustador lá fora. E, às vezes, é bom saber que não estamos sós. Talvez seja genético. Afinal, nosso maior instinto é o de sobrevivência. Quanto mais pessoas existirem, maiores as chances de perpetuar a vida. É fácil eliminar indivíduos isolados, mas a união faza força, mesmo que seja a união de só duas pessoas”. “Às vezes …

Mirando a Relevância Social

Como Oliver Queen tomou a postura de radical de esquerda que hoje apresenta nos quadrinhos? A resposta, a seguir: No final dos anos 60, e depois, através dos anos 70, o Arqueiro Verde está longe de casa, sem uma publicação fixa, e tinha passado uma longa temporada agindo junto ao Batman na série The Brave and The Bold, onde apareceu mais de uma dúzia de vezes no decorrer da publicação. Em sua terceira aparição em Brave and The Bold # 85 (Setembro de 1969) o visual do personagem sofreu uma revisão geral para conectar aa sua nova caracterização pelo artista Neal Adams, com um uniforme impressionante, mais berrante para produzir um estilo “Robin Hood”, um sabor “herói do povo”, e um bigode e um esquisito cavanhaque para separar o novo Arqueiro Verde do visual anterior. Enquanto o guarda-roupas de Oliver Queen estava ganhando melhorias, naquele mesmo mês, nas páginas de Justice League of America, o terreno estava sendo preparado para que Ollie recebesse algo que necessitava há um bom tempo: uma namorada. O escritor de …

Povos fantásticos sem memória: uni-vos!

Não é de hoje que se usa o artifício da amnésia para se escrever histórias em quadrinhos de super-heróis. Só pra ficarmos em poucos exemplos, na década de 70 Carol Danvers combatia o crime como Miss Marvel sem saber da existência e das ações de seu alter-ego. Temos os X-Men emergindo do Portal do Destino na década de 80, todos desmemoriados e com uma vida nova, distantes de suas aventuras combatendo o preconceito. Outro exemplo é história de Mark Waid para a retomada da Liga da Justiça por Grant Morrison nos anos 90: todos os personagens estavam imersos em uma espécie de sonho. Da metade dos anos 2000 para cá houve um surto de retomada dos povos fantásticos da mitologia dos super-heróis. Os povos de deuses e de seres superpoderosos voltaram à baila e a maneira como isso foi feito parece bastante semelhante em todos os casos. Vamos à eles: 1. Os Eternos Perdidos durante a minissérie dos Eternos e encontrados na mesma. Quando Neil Gaiman assumiu a série dos Eternos propôs que esse povo …

Doctor Who Magazine: a revista mais longeva da Marvel UK

Um chá com a Marvel UK (12 de 12)

Por ocorrerem no mesmo universo dos heróis tradicionais da Marvel, a presença dos mesmos nas revistas da Marvel UK dos anos 90 era constante. Para se ter uma idéia, os X-Men aparecem em 10 das 16 edições de Hell’s Angel. Contudo, apesar da quase-onipresença dos heróis americanos, seus colegas britânicos poucas vezes apareceram ou foram referidos em revistas que não eram produzidas na Europa. Com o estouro da Bolha Especulativa, os gibis da Marvel UK, que por vezes tinham de ser reimpressos pela grande demanda, acabaram por encerrar sua circulação dos dois lados do Atlântico em 1994. A perda de interesse pela linha britânica da Casa das Idéias fez com que a Marvel UK entrasse em declínio. Seria o fim da representação dos heróis Marvel na Grã-Bretanha se, na metade dos anos 90, a Panini Comics não comprasse seus bens e passasse a reimprimir as histórias americanas. A Panini Comics vinha de um acordo bem-sucedido com a Marvel, pelo qual representava a editora na Itália e em outros países da Europa. O material original inglês, …

A Guerra vai ser pra decifrar todos esses personagens!

Um chá com a Marvel UK (11 de 12)

AS GUERRAS MYS-TECH Os grandes inimigos dos super-heróis britânicos eram os integrantes da corporação Mys-Tech, um grupo de sete magos oriundos do século X, que venderam sua alma a Mefisto em troca de imortalidade. Ao longo dos anos eles vem sacrificando almas para o demônio e acumulando riqueza e poder em seu império de negócios. Os atos derradeiros da organização resultaram nas Guerras Mys-Tech e envolveram grande parte dos heróis americanos da Marvel. Era uma época de crossovers e a lógica era quanto mais melhor. Participaram desta história Homem-Aranha, Hulk, X-Men, Nick Fury, Vingadores, X-Factor e Excalibur pelo lado americano e todos os super-heróis dos anos 90 da Marvel UK. O roteiro dos hoje celebrados Andy Lanning e Dan Abnett, responsáveis pelas minisséries de Aniquilação, era muito fraco. Para dar um exemplo, na minissérie muitos dos heróis morrem em combate com os Mys-Tech, mas, ahá, se encontra uma maneira de reverter todo o acontecido, voltar 24 horas no tempo e restaurar a vida dos heróis combalidos. Guerras Mys-Tech é um bom exemplo de tudo de …

A Guerra vai ser pra decifrar todos esses personagens!

Um chá com a Marvel UK (10 de 12)

Com a chegada dos anos 90, Paul Neary se tornou editor-chefe da Marvel UK e os títulos produzidos na Inglaterra passaram a ser comercializados nos EUA. Tudo isso acontecia em meio à ascensão da Bolha Especulativa que fazia com que os consumidores comprassem o maior número possível de revistas, já que tinham potencial de se valorizar muito em um futuro não muito distante, e os primeiros números poderiam valer milhões. Assim, a Marvel UK entrou na onda e lançou nos Estados Unidos, entre outros, uma segunda versão de Death’s Head (que ficou conhecido como Espectro e Caveira no Brasil), um segundo volume de Cavaleiros de Pendragon, Motormouth (título que depois foi chamado de Motormouth e Killpower) e Hell’s Angel. Todos esses títulos tinham como plano de fundo as ações da organização subversiva Mys-Tech, o que acabou resultando no crossover Guerras Mys-Tech. Na terra da rainha, todos estes títulos eram publicados na antologia Overkill. Assim como todo “bom” personagem do início dos anos 90, os novos protagonistas das revistas Marvel UK, andavam na onda do “grim and …

Os atuais Cavaleiros de Pendragon

Um chá com a Marvel UK (9 de 12)

OS CAVALEIROS DE PENDRAGON Os Cavaleiros de Pendragon tiveram duas fases, a primeira, escrita por Dan Abnett e John Tomlinson e desenhada por Gary Erkshine, elogiada pela crítica misturava aventura de super-heróis, horrores do mundo real e mitologia arturiana. A segunda, escrita pelos mesmos autores, mas desenhada por vários artistas, buscava sucesso comercial ao tentar imitar outras equipes de super-heróis como X-Men e WildC.A.T.S.. Participavam da primeira tentativa heróis como o Capitão Bretanha e Union Jack. A premissa da série era baseada na interpretação de um poema medieval inglês “Sir Gawain e o Cavaleiro Verde”. O Cavaleiro Verde é a encarnação das forças de vida da Terra que distribui a “força Pendragon” a campeões que combatem Bane, forças do “inverno e guerrilha” que usam corporações multinacionais e magia negra para atingir seus fins. Cada um destes campeões carrega consigo as memórias de cada ser escolhido pela força Pendrgon durantes os séculos, por isso os campeões modernos são invadidos pelas personalidades dos primeiros cavaleiros da Távola Redonda como Gawain e Lancelote, uma idéia não muito original, …

Detalhe de HQ de Morrison

Um chá com a Marvel UK (8 de 12)

Grant Morrison também deu as caras na Marvel UK. Antes mesmo do sucesso com Zenith, o super-herói pop-star da 2000 A.D., o escritor escocês escreveu para a Doctor Who Weekly (tendo colaborado com um Bryan Hitch imberbe) e com Spiderman and Zoids Weekly. Zoids? Tratavam-se brinquedos famosos da década de 80, produzindo por uma empresa japonesa, que eram construtos mecânicos na forma de mamíferos, dinossauros e insetos, que como muitos outros brinquedos daquela época geraram animes, mangas, videogames e, na Inglaterra, uma série de comics.   Não eram só os Zoids que receberam esse tratamento. Em 1984, a Marvel lançava um outro selo nos Estados Unidos, a Star Comics, cujo publico alvo eram crianças pequenas e geralmente trazia desenhos animados ou brinquedos adaptados para os comics. He-Man e os Mestres do Universo, Thundercats, G.I. Joe, Transformers, Smurfs, Os Caça-Fantasma eram algumas das muitas séries que hoje são nostálgicas. Não demorou muito para que esse selo aparecesse também na Grã-Bretanha. O maior fenômeno de vendas da Marvel UK foi Transformers, que vendia 200 mil cópias por …

Esta é A FÚRIA!!!

Um chá com a Marvel UK (7 de 12)

Quando Alan Moore assumiu o título do Capitão Bretanha passou a botar em prática a fórmula mooriana para personagens de séries contínuas: tudo que o protagonista sabia sobre si mesmo até então, era uma mentira. Nesse processo, o parceiro do capitão, o elfo Jackdaw morreu, e Braddock é apresentado à uma realidade alternativa governada pelo déspota Mad Jim Jaspers e passa a ser perseguido pela Fúria (que reapareceu recentemente durante a fase de Chris Claremont em Uncanny X-Men). Enquanto luta com o inimigo o Capitão acaba libertando Lady Saturnyne, guardiã do Ominiverso. Aqui Moore cria uma das pedras fundamentais do Universo Marvel: a relação dos heróis com realidades alternativas: não existe apenas uma versão da Terra, mas um universo recheado de ominirealidades, onde existem diversas versões de Capitães Bretanhas (o mesmo vale para outros super-heróis), que sob o comando de Saturnyne e Roma se chamariam de Tropa de Capitães Bretanhas (uma homenagem do barbudão à Tropa dos Lanternas Verdes).   A Terra que acompanhamos os heróis da Marvel não se chamaria Terra-1, demonstrando um certo …

Um chá com a Marvel UK (6 de 12)

Há boatos de que Dez Skinn se desligou da Marvel UK devido a conflitos sobre direitos autorais em 1981. Anos mais tarde, depois de trabalhar com cinema, Dez fundou a Quality Communications. Nessa empresa nova, de sua propriedade, o editor lançou a antológica revista Warrior que traria em suas páginas duas das maiores séries de quadrinhos inglesas: Miracleman e V de Vingança, ambas escritas e desenhadas por talentos que Dez conhecera na Marvel UK, Alan Moore, David Lloyd e Alan Davis. Um dos últimos atos de Dez na Marvel, entretanto, foi trazer o Capitão Bretanha para o mix da revitalizada Mighty World of Marvel, agora mensal, sob a batuta de Dave Thorpe e Alan Davis. Quando Thorpe deixou a série, foi sucedido por um certo barbudo de Northampton, que garantiu a Brian Braddock as aventuras mais estranhas e incríveis que já haviam sido concebidas. A popularidade das novas histórias do Capitão transferiu o personagem para outro título em 1982, The Daredevils, no qual compartilhava as páginas com outro sucesso da década de 80, o Demolidor …

Um chá com a Marvel UK (5 de 12)

NIGHT RAVEN Night Raven é um herói criado nos moldes dos pulps, mais precisamente do Sombra. Assim como The Spider e o Fantasma, Night Raven deixa uma marca em vítimas. Ele usa roupas modificadas e uma máscara de rosto intero com aspectos semelhantes a aves. É um justiceiro solitário e sua identidade é envolvida em mistério. Night Raven não tem poderes, mas é imortal e atua em Nova York e Chicago. Ele se vê como um curandeiro, “e um curandeiro deve lutar contra as doenças. E se ele não pode salvá-los seja com habilidade ou amor – então ele precisa levá-los gentilmente à morte”. Originalmente criado pelos editores Dez Skinn e Richard Burton, as primeira histórias de Night Raven eram escritas por Steve Parkhouse e desenhadas por David Lloyd. Stan Lee não gostava da arte “dura” de Lloyd e logo o artista foi substituído por John Bolton. As histórias do personagem duraram menos de um ano. A série era popular e os leitores pediam por mais, mas a Marvel tinha outras prioridades (a revista do …

Todos (?) os Doutores

Um chá com a Marvel UK (4 de 12)

WHO IS DOCTOR WHO? Doctor Who é uma série de sucesso inglesa, tão cultuada quanto Star Trek é para os americanos (os trekkers de Doctor Who são os whovians), produzida pela BBC. Trata das aventuras do “Doutor”, que explora o tempo e o espaço à bordo de sua nave em forma de cabine telefônica da polícia chamadaTARDIS. A série entrou para o Guinness Book of Records por ser o programa de ficção científica que mais tempo esteve no ar, de 1963 a 1969. O programa, que se tornou uma instituição nacional na Inglaterra, foi relançado em 2005 e é reconhecido por suas histórias imaginativas, pelo uso de efeitos especiais criativos apesar dos poucos recursos e pelo uso pioneiro de música eletrônica. A revista Doctor Who Weekly, por sua vez, foi sancionada pela BBC em 1979. Alguns quadrinistas notáveis como Alan Moore, Dave Giboons e John Wagner (Marcas da Violência) trabalharam em suas páginas. A revista traz, além de histórias em quadrinhos, artigos sobre a série, reviews de episódios, entrevistas com o elenco e produção. A …

Um chá com a Marvel UK (3 de 12)

Com o lançamento de Star Wars em 1978, a editora começou a publicar um título da série que obteve grande sucesso em misturar histórias de autores ingleses e americanos. Ao mesmo tempo, as vendas dos heróis não iam tão bem, e o próprio Stan Lee foi até a Inglaterra caçar talentos para revitalizar a companhia. Encontrou em Dez Skinn o homem certo. Dez vinha de uma carreira editorial bem sucedida com as revistas House of Hammer e Starburst. A primeira era uma antologia de artigos e HQs sobre horror e ficção científica, e a última se aproveitava da popularidade de Star Wars e do interesse crescente por temáticas semelhantes às do filme de George Lucas. Stan deu a Skinn liberdade para fazer o que achasse melhor e assim começou uma pequena revolução na maneira Marvel de fazer histórias para os britânicos, tanto é que batizou seus próprios atos como “Uma Revolução Maravilhosa” (A Marvel Revolution). A grande mudança que o novo editor fez na companhia incluiu aumentar o material produzido originalmente na ilha de Albion. …

Um chá com a Marvel UK (2 de 12)

CAPITÃO BRETANHA Após um acidente com sua moto, o jovem assistente de cientista Brian Braddock se viu à portas da morte, quando surgiu a visão de uma mulher que alegava ser a Deusa dos Céus do Norte e de Merlin, o mago das lendas do rei Arthur. Os dois lhe ofereceram uma chance de sobreviver, escolhendo entre o Amuleto do Certo e a Espada do Poder. Brian, que não se considerava um guerreiro, optou pelo amuleto, transformando-se instantaneamente no Capitão Bretanha, o defensor da Inglaterra. Originalmente, na revista Captain Britain Weekly, as páginas periféricas, em que eram publicadas as histórias do Capitão e de Nick Fury de Jim Steranko, eram coloridas, as demais no miolo da revista eram em preto e branco. Perto do final da revista, em julho de 1977, todas as páginas eram impressas apenas em tinta preta. A revista do herói britânico também ofereceu brindes memoráveis: a Máscara do Capitão Bretanha no número de estréia; no seguinte, seu bumerangue e no número 24, seu jato. Com a conclusão de sua revista, Brian …

Um chá com a Marvel UK (1 de 12)

Watchmen. Os Supremos. Marcas da Violência. West End Girls. Preacher. Sete Soldados da Vitória. Liga da Justiça: O Prego. Todos sucessos inegáveis com uma origem comum: o Reino Unido. Mais precisamente a Marvel UK, a divisão da Marvel Comics voltada para o público britânico. Foi lá que quadrinistas como Alan Moore, Bryan Hitch, Dave Gibbons, Steve Dillon e Alan Davis deram seus primeiros passos na nona arte e foram revelados para o resto do mundo. Até Neil Tennant, do Pet Shop Boys, passou por lá. Mas a Marvel UK não vive só de nomes ilustres, foi a semente de diversas obras de suma importância para a história dos comics, como V de Vingança e Miracleman, e concebeu os personagens mais curiosos da Casa das Idéias adaptados ao estilo inglês. Vamos conhecer essa história, seus principais nomes e criações a partir de agora. Na aurora da editora de Martin Goodman, nos anos 60, o material de Homem-Aranha e companhia era reimpresso no Reino Unido era publicado pela Odhams Press, sob o selo Power Comics. Foi durante …

Nas Revistas

Já está no ar a nova edição da ThingsMag. Tem três artigos relacionados com quadrinhos na revista. Um deles é minha costumeira resenha. Dessa vez é sobre a Menina Infinito, álbum do Fábio Lyra. Tem uma nota sobre o Gibi Bar e também uma sobre a exposição Cinza Choque, com quadrinhos do Rafael Sica. Pra ler a revista é só clicar aqui. Este mês também saiu a Aplauso#94. A matéria de capa fala sobre a nova geração de escritores do século XXI, batizada pela matéria como “não-geração”. O fato é que três dos autores ali mencionados publicaram livros pela Não Editora: Antônio Xerxenesky, Carol Bensimon e Diego Grando. Para ler o comecinho da matéria é só clicar aqui. Lembrando que na edição anterior da Aplauso teve matéria de capa falando sobre os Quadrinhos em Porto Alegre. Teve até eu falando sobre isso na matéria. E saiu na última Noize uma resenhazinha que escrevi sobre o musical Mamma Mia!

O Alan Moore da América do Sul

Chega às livrarias em novembro, pela Conrad Editora, a biografia de Che Guevara escrita por Héctor Gérman Oesterheld e desenhada por Alberto Breccia. O escritor argentino, que também era jornalista, pode ser considerado o maior roteirista de quadrinhos da América do Sul. A obra de Oesterheld, cheia de realismo e poesia, transformou a maneira de contar histórias em quadrinhos quase 30 anos antes da revolução que aconteceu nos quadrinhos mainstream americanos. Em 1957, Héctor e seu irmão Jorge criaram sua própria editora, a Ediciones Frontera. Lá criaram duas revistas clássicas da Argentina, Hora Cero e Frontera. Durante sua carreira Oesterheld trabalhou com grandes nomes do quadrinho como Franciso Solano Lopez, Alberto Breccia e Hugo Pratt, criador do Corto Maltese. Com a crise econômica na Argentina wem 1960, os irmãos se viram obrigados a fechar a editora. Mas isso não impediu que Oesterheld continuasse a trabalhar para editoras menores criando outras obras primas. As temáticas de Oesterheld estão arraigadas na literatura pulp e de aventura, bem como nos grandes clássicos da literatura juvenil. “Com uma escrita …

Quadrinhos e Recepção

A teoria da recepção é um pressuposto bastante novo. Começou a ser estudada há menos de 40 anos. Ela examina o papel do leitor na literatura. Como assim, o leitor? Trata da obra vista da perspectiva do leitor, não do autor ou do texto como outras teorias literárias já estudaram. A Teoria da Recepção vai buscar as deduções que o leitor vai fazer quando exposto a um determinado texto. Podemos usar essa mesma teoria nos quadrinhos. É o leitor quem completa a história fazendo a ligação entre um quadro e outro. Ele próprio, conforme o ritmo que ele mesmo estabelece para sua leitura, vai estabelecendo as conexões implícitas no texto e nas imagens em seqüências. Ao longo da narrativa o leitor vai fazendo deduções e comprovando suposições usando de seu conhecimento de mundo e do contexto em que está inserido. Diz Terry Eagleton: “Na Teoria da Recepção, o leitor ‘concretiza’ a obra literária, que em si mesma não passa de uma cadeia de marcas negras organizadas numa página” – ou de diversos quadros coloridos, balões …

Quatro por Quatro

O que é? Na esteira do primeiro filme do Quarteto Fantástico, a Marvel lançou um segundo título da equipe, Marvel Knights: 4. Escrito por Roberto Aguirre-Sacasa e desenhado, à princípio por Steve McNiven. Por que eu gosto desse quadrinho? Diferente das grandiosas aventura cósmicas e entre realidades que o Quarteto Fantástico geralmente tem, em 4 vemos uma equipe mais pé no chão. E quando eu digo pé no chão quero dizer que esse pé está descalço e pisando no barro.Nas primeiras histórias de Aguirre-Sacasa,a equipe é despejada de seu lar, o Edifício Baxter, e tem de tentar levar uma vida normal. Sue Storm, por exemplo, vira professora colegial. O Tocha Humana tem uma crise existencial e é o Coisa, que durante anos sempre reclamou de sua vida por causa de sua aparência monstruosa, quem acode o herói. Os heróis acabam tendo de lidar com situações do dia-a-dia e percebem que ser uma pessoa comum pode ser até mais difícil que enfrentar o Doutor Destino. Outra coisa bem trabalhada em 4 é a paleta de cores, …

2001

Com muita satisfação minha coleção (e do meu irmão) de quadrinhos atingiu hoje os 2001 exemplares. Isso, claro, sem contar nossos gibis importados, da Turma da Mônica e da Disney. Alguns dados da minha coleção. Editora – A editora que temos mais revistas é a Abril, com 972, seguida de perto pela Panini com 833. A próxima vem longe, que é a Mythos, com 45 edições. Licenciadora – É a Marvel que vem bem na frente com 1443 revistas, depois vem a DC com 346 e em terceiro, mais longe, a DC (Vertigo) com 52 edições. Categoria – 1458 revistas periódicas, 308 minisséries, 151 edições especiais, 45 edições encadernadas, 29 álbuns de luxo e 10 graphic novels. Gênero – Que dúvida! 1848 são super-heróis e em segundo lugar, alternativo com 50. Como bom Zumbis X, temos completas as coleções de X-Men, Fabulosos X-Men, Wolverine e Fator X (da Abril) e de X-Men, X-Men Extra, Arma X e Wolverine (pela Panini). Também temos completas Força PSI, Shazam!, Melhores do Mundo, Gen13 e WildC.A.T.S., Marvel 1999, Marvel …

Zan, Jayna e Gleek. Novas versões de sidekicks para os SuperAmigos, diretamente de Space Ghost.

Super Gemas: gratinar!

Os Super Gêmeos são dois heróis criados para o desenho dos SuperAmigos, em 1977. Com a junção de suas mãos e o grito: “Super Gêmeos, ativar!” eles usavam seus poderes. Jayna podia se transformar em qualquer animal (terrestre, aquático, aéreo, extraterrestre e mitológico) e Zan se transformava em água em qualquer uma de suas formas. na forma sólida ele podia ser objetos feitos de gelo também. Os dois irmãos tinham como animal de estimação o macaco alienígena Gleek, que ora estragava, ora salvava o dia. Todos eram oriundos do planeta Exxor. Os heróis fugiram de um Circo Espacial ( ! ) e foram para em um planeta onde um inimigo do Superman planejava bombardear a Terra. Os gêmeos e o macaco vão, então, ao nosso planeta avisar a Liga da Justiça sobre os planos do vilão. Os heróis decidem ficar na Terra substituindo Marvin, Wendy e seu cão, Marvel (os sidekicks originais dos SuperAmigos) na equipe. Para viver uma vida normal, sua identidade civil era Johan e Johanna Fleming, vindos de Esko, na Suécia. Os …

Batman – O Cavaleiro de Gotham

Depois de assistir ao fantástico Batman – O Cavaleiro das Trevas, assitimos ontem ao Batman – O Cavaleiro de Gotham. Explico. A Warner fez uma estratégia parecida com o que aconteceu com os filmes de Matrix e a animação Animatrix. As histórias do Batman ocorrem entre o primeiro e o segundo filme de Christopher Nolan. São seis episódios interligados, todos desenvolvidos por estúdios japoneses, por isso o estilo anime. O primeiro deles, e que foi o que mais gostei, chamado “Eu tenho uma história para você”, mostra garotos skatistas e suas visões sobre o Morcego. Um deles acha que ele é uma sombra, outra que ele é um morcego humano voador e outro, um robô. Qual deles estará certo? O segundo, “Fogo Cruzado” foca nos policiais Chrispus Allen (que agora é o Espectro no universo DC) e Anna Ramírez (uma Renèe Montoya genérica e que também está no filme com o Coringa). A história é escrita por Greg Rucka (Gotham City Contra o Crime). A hitória traz os agentes da lei no meio de uma …

Os MInutemen!

20 motivos para ler Watchmen

Hoje saiu o trailer de Watchmen. Muito bom, por sinal. Visualmente fiel. O que me surpreende é que fora do mundinho nerd a maioria das pessoas não conhece Watchmen. Eu faço meu trabalho de catequista e empresto minha série de 12 revistas, em caixa especialmente feita pela Júlia, para a maioria dos meus amigos mais próximos e que topam ler a série. Quem topou, com certeza gostou. Mas aí você que não lê quadrinhos vem e me pergunta: “Mas por que eu vou ler essa coisa?”. Agora eu lhe dou os motivos: 1.Em termos comparativos com outras mídias, Watchmen é para os quadrinhos o que Cidadão Kane é para o cinema, ou o que Sgt. Peppers Lonely Heart Club Band é para a música. 2.A capa de cada edição/capítulo é um close de uma imagem que tem cicontinuidade na primeira página de história, funcionando sempre como o primeiro quadro desta. 3.Richard Kelly (Donnie Darko) e Darren Aronofsky (Réquiem para um Sonho, The Fountain) apontam o trabalho de Moore como uma das principais influências em seus …