Liga da Justiça: A Nova Fronteira

Capa do DVD Liga da Justiça: A Nova Fronteira

Capa do DVD Liga da Justiça: A Nova Fronteira
Capa do DVD Liga da Justiça: A Nova Fronteira

Assisti ao DVD do filme Liga da Justiça: A Nova Fronteira, baseado na HQ escrita e desenhada por Darwyn Cooke, que mostra a transição da Era de Ouro para a Era de Prata dos quadrinhos de super-heróis. A história impressiona pela contextualização. Passa nos meados dos anos 50, época da Guerra Fria, da perseguição aos comunistas, das comissões do senado presididas pelo senador McCarthy e da corrida espacial. Esses momentos são bem pontuados tanto na história em quadrinhos quanto na animação. A desistência da Sociedade da Justiça frente à comissão que pretendia desmascará-los (referências aqui à uma história escrita por Paul Levitz e à minissérie A Era de Ouro, de James Robinson). O momento em que Hal Jordan, futuro Lanterna Verde, conta ao coreano que quer matá-lo que a Guerra da Coréia havia se encerrado, e seu ato subseqüente de matar seu inimigo em busca da própria sobrevivência. Depois, vemos o Superman se encontrando com a Mulher-Maravilha, na Indochina. Ela havia libertado as mulheres de uma aldeia assolada pelos rebeldes, e que haviam sido espancadas e violentadas por eles. Assim que a princesa amazona libertou-as, elas correram às armas para vingar-se de seus algozes. O Superman questiona essa postura de sua colega e ela responde que apenas agiu de acordo com o “american way”. Há o Flash, ao vivo na televisão, avisando que abandonaria a carreira heróica, se despedindo com “Boa noite e boa sorte”, da mesma maneira que Edgar R. Murrow fazia. Sem falar no pano de fundo da corrida espacial, aqui representada pela Ferris Aeronáutica e sei principal piloto, Hal Jordan.

O visual da história remete, sem dúvida, aos anos 50 e 60. Isso foi transmitido também na animação, que emula o estilo de Cooke. Além disso, a abertura é calcada nas capas da minissérie em estilo vintage.

A vida anterior ao super-heróis de Jordan é o pivô da história, mas outros super heróis como o Caçador de Marte também são essenciais. Todos os heróis se reúnem para lutar contra “O centro”, uma força primitiva da Terra que quer erradicar a raça humana. Só que se a história possui esse forte elemento contextualizador, que situa perfeitamente o leitor, o clímax se opõe a essa atmosfera. Enquanto o início da história tem um fundo revolucionário, de oposição ao governo, o final parece um tanto ingênuo e previsível. Talvez tenha sido proposital, já que a história é uma espécie de gênese da Liga da Justiça, um dos pontos altos da Era de Prata, um tempo em que as HQs de super-heróis foram obrigadas a regredir a ingenuidade e simplicidade. Lá pelas tantas um personagem diz: “De agora em diante, trabalharemos juntos, como americanos livres”. E aí se percebe o ufanismo americano na história, que até então vinha pintando o governo como força de controle e repressão. Outra alusão á Era de Prata, quando o governo pedia para as editoras elogiarem o futuro glorioso que esperava a nação, as inovações tecnológicas e cientificas. Não por acaso, o vídeo e a arte seqüencial acabam com um discurso do presidente Kennedy e que justifica o nome da obra. Ele diz que não há mais uma fronteira americana. Que agora existe uma nova fronteira: as áreas não mapeadas da ciência e do espaço. E com essa ingenuidade, esse ufanismo, esse assombro das maravilhas do futuro é que pisamos na Era de Prata e assim foram criados os representantes da geração pós-guerra, do baby boom, da qual Darwyn Cooke, o autor, faz parte.

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1 Comment

  1. Smee, tu tem q assistir TEAM AMERICA. Os personagens todos são marionetes e os cenários, em miniatura. O filme é dos caras q fazem South Park e é uma grande crítica a esse “american way”, esse ufanismo americano, essa idéia de que só eles podem salvar o mundo.
    Fora isso, ainda se consegue dar umas risadas.. mas já aviso: é trash!

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