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A Maldição do Último Prato

Os Últimos Dias do Superman

Os Últimos Dias do Superman

Ir a um restaurante em grupo, é batata. Sou sempre servido por último. É a minha maldição. Meu carma. Chame como quiser. Assim como tenho uma tremenda sorte pra conseguir um ônibus sempre quando eu quero, tenho um baita azar quando se trata de vir a comida. Todo mundo já comendo, e eu babando. Se é pra dar errado com um prato: o meu! o meu! Claro, que sempre tem as minhas frescuras de ah, tira os champinhons, coloca mais queijo ralado, pode substituir o arroz por purê de batata? É, batata! Batata, vem errado. Outro dia fomos comer um bauru, sabe, aquele sanduíche com formato de bunda? Pedi com tomates secos. Veio com bacon. Eu odeio bacon. O pior é que eu comi na boa até metade do bauru pra me dar conta… É aquele negócio psicológico: se a gente não sabe o que é, nem sente o gosto. Ou era a renite pegando forte.

O fato é que hoje fui almoçar em bando no Paná Paná, dica da Dídi, que está, excruzive, na edição de número 2 da ThingsMag. E não é que fui o primeiro a ser servido? A excessão que confirma a regra. E passa tempo, o tempo passa e todo mundo está querendo e os outros pratos não chegavam. Aí finalmente chegaram. Talvez seja porque eu tinha pedido porção reduzida… Não sei. No final, estava muito bom. Nhoque com tomates secos ( ! ), anéis de cebola, rúcula e um bife. Muito melhor que a espinhosa primeira vez lá, hehehe. Recomendo! Também foi bom por reencontrar a Ju Lubisco, que fazia um mega tempo que não via.

Depois dei início à minha peregrinação pelos sebos. Fui fazer o Caminho de Santiago das páginas amareladas e mofadas na Riachuelo. Trocar livros, pegar bônus, catar livros. Engraçado que nenhum livro da prova do Mestrado tinha por por lá. Só um que eu encomendei pela internet na Ventura Livros. E o mais óbvio de tudo é que com certeza eu parei no caminho pra ficar enchendo meus dedos de pó preto procurando determinados gibis e encadernados. Resultado que meu bônus foi 80% em quadrinhos. Os 10% foram pro livro do Ariel Dorfman e do Manuel Jofré chamado… adivinhem? Super-Homem e seus Amigos do Peito. (Eta, nerd viciado e obcessivo!). Se trata de mais uma análise muito simpática e america-friendly do socialista que escreveu Para ler o Pato Donald, e deixou o Zezinho, o Huguinho e o Luisinho de penas de pé, mas não respondeu a pergunta principal: Por que o Tio Donald não usa calças? Quando ler comento aqui.

E graças ao café comprei um exemplar de The Originals, do Dave Gibbons (Watchmen) quase novo, pela metade do preço. (Sim, o cara da livraria derramou café em cima. Mas who cares? Eu não vou beber o encadernado mesmo…)

Comprei os dois primeiros volumes da Coleção DC 70 Anos. Não li tudo ainda, porque a pilha de quadrinhos a serem lidos é grande. Mas gostei bastante da proposta das edições e das histórias escolhidas. Uma das histórias do volume do Superman, chamada Os Últimos Dias do Superman é uma história tipicamente da Era de Prata, que depois foram tão bem reimaginadas pelo barbudão em Supremo. Estão lá as pseudo-explicações científicas, os aparatos dignos de 007 (se não, do Agente 86), a narração descrevendo o que os personagens estão fazendo e os personagens, em seus diálogos, descrevendo o que fazem, e o desfecho esdrúxulo, porem simples. As histórias são divertidas, claro. Talvez até mais que as de hoje, por trazerem toda aquela confusão de elementos fantásticos. E em certos momentos tu fica pensando: “será que o leitor daquele tempo era tão ignorante que tinha que ter tudo assim, explicadinho?”. Aí é só se dar conta que, apesar do toque naïve do cabresto do código, as histórias eram voltadas pra um público com uma média de idade bem inferior ao de hoje em dia. Ainda escrevo mais sobre isso. Aguardo ansioso pelos volumes da Mulher-Maravilha e da Liga da Justiça. Mais uma bola dentro da… Panini. Plim-plim!

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Guilherme “Smee” Sfredo Miorando nasceu em Erechim em 1984. Já deu aula de quadrinhos, trabalhou com design e venda de livros e publicidade. Faz parte do conselho editorial da Não Editora. Co-roteirizou o premiado curta-metragem Todos os Balões vão Para o Céu. Seu livro de contos Vemos as Coisas como Somos foi selecionado pelo IEL-RS em 2012. Publicou em 2014 a HQ Fratura Exposta e sua primeira narrativa longa, Loja de Conveniências. Em 2015 lançou a antologia FUGA, de HQs com seu roteiro. Possui o blog sobre quadrinhos splashpages.wordpress.com

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