1986

Baixinh, golducha e dentuça!
Baixinha, golducha e dentuça!

1986. Eu já havia começado a andar e falar com as pessoas ao meu redor e, provavelmente, tomava muita sopa de beteraba enquanto minha mãe lia histórias da Turma da Mônica. Chernobyl explodia deixando o mundo inteiro apavorado com as conseqüências da energia nuclear durante uma Guerra Fria que esfriava. O Cometa Haley passava pela Terra, me deixando fascinado, repetindo a palavra Haley e contando do cometa pra todos que vistavam nossa casa. Ia ao ar pela primeira vez o Xou da Xuxa, que me faria estragar uma televisão porque as meninas haviam ganhado naquele dia. E começava o plano Cruzado, um dos vários planos que mudavam a cara da nossa moeda e mudaria também o orçamento familiar dos brasileiros. Paramos de assinar as revistas da Disney.

Eu me envolvia no mundo da Turma da Mônica, dizia que eu era o Cebolinha (não por acaso, era deste personagem que eu estava vestido na minha festa de um aninho – camiseta verde e short preto) e arranjava papéis na Turma do Maurício para todos na minha família. Dois anos depois, essa criança cosplayer iria a uma festa de carnaval vestido de Super-Homem. Enquanto isso, uma revolução era feita, um hemisfério acima, nos meus idolatrados quadrinhos.

Um ano antes, a DC Comics havia passado por uma crise. A Crise nas Infinitas Terras, que redefiniu todo seu universo de heróis. Em 1986, John Byrne, Frank Miller e Gerge Pérez recriavam as origens dos medalhões da editora, Superman, Batman e Mulher-Maravilha, respectivamente.

Também pela DC, era publicado Batman, o Cavaleiro das Trevas, por Frank Miller. A edição revolucionava não só na maneira de narrar uma história ou na retratação do personagem, mas também pelo formato luxuoso, diferente dos baratos comic books.

Antes da crise, a DC havia comprado a Charlton Comics, a terceira maior editora estadunidense da década de 80. Alan Moore, o mago-bardo de Northampton veio com a idéia de utilizar esses personagens em uma maxissérie. Entretanto, problemas com o editor Dick Giordano iriam impedir o uso destes personagens. Solução? Em 1986 estreava Watchmen, com heróis da Charlton genéricos. Isso não impediu que a obra se tornasse uma das mais influentes histórias em quadrinhos do século, senão A mais. Leitura obrigatória para qualquer fâ de quadrinhos.

Enquanto isso, a rival Marvel Comics colocava nas bancas de 1986 quadrinhos mais sombrios, envolvendo mortes e desgraças pessoais, como foram o Massacre de Mutantes nas revistas dos X-Men e a Queda de Murdock na revista do Demolidor.

E quando sobra uma lacuna no mercado, logo ela é preenchida. Em 1986, surgia a Dark Horse Comics, a casa do quadrinho “de autor” e “independente”.

Por último, mas não menos importante, o artista underground Art Spiegelman começava a publicar Maus, série de história que mostra o terror do Holocausto retratando seus personagens como simpáticos animaizinhos. Uma antropomorfização que, ironicamente, deixa os personagens mais humanos. Mais que uma história de sobreviventes, Maus é uma história de família.

Mônica #01, de dez. de 1986, pela Globo.
Mônica #01, de dez. de 1986, pela Globo.

Em dezembro de 1986, acabava o contrato de Maurício de Sousa com a Editora Abril, que então publicava as histórias da baixinha, golducha e dentuça. A nova editora era a Editora Globo, de Roberto Marinho. O dono da Rede Globo, no mesmo ano, havia comprado os direitos sobre o nome da editora, que era da tradicional Livraria do Globo daqui de Porto Alegre. Lá em casa, nós continuamos a ler a Mônica pela Globo.

E eu, do alto dos meus dois anos, mal sabia que o ano de 1986 reservaria muita diversão, reverência e assombramento muitos anos depois.

PS: Pra quem quer matar a saudade da Mônica, indico o site da Revista da Mônica, com pequenos reviews de quase todas as revistas do bairro do Limoeiro.

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Um comentário sobre “1986

  1. Nostálgico é????
    Em 1986 eu estava voltando a morar em Curitiba, depois de 2 anos em Goiânia. Depois nem lembro mais…. tinha apenas 4 anos
    huahuahuahauhauhau

    Mas turma da Monica é leitura boa de se ler até hj em dia, por mais infantil que seja (claro é voltada pro publico infantil) as historias são muito boas e educativas.
    Eu gosto de ler a Turma até hj, Em tb gosto mais do Cebolinha, apesar de qdo era pequeno… ser apelidado de Cascão
    huahuahauhaua
    Mas… a preferida mesmo é a Magrela Comilona do vestido amarelo!!!! A Magali

    Grande Abraço Amigo meu!!!!
    Guarda um pedaço da lasanha e manda pra mim via Sedex 10 pra eu comer amanha
    hahahaha

    Flw

    Curtir

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