Mês: outubro 2008

Um chá com a Marvel UK (6 de 12)

Há boatos de que Dez Skinn se desligou da Marvel UK devido a conflitos sobre direitos autorais em 1981. Anos mais tarde, depois de trabalhar com cinema, Dez fundou a Quality Communications. Nessa empresa nova, de sua propriedade, o editor lançou a antológica revista Warrior que traria em suas páginas duas das maiores séries de quadrinhos inglesas: Miracleman e V de Vingança, ambas escritas e desenhadas por talentos que Dez conhecera na Marvel UK, Alan Moore, David Lloyd e Alan Davis. Um dos últimos atos de Dez na Marvel, entretanto, foi trazer o Capitão Bretanha para o mix da revitalizada Mighty World of Marvel, agora mensal, sob a batuta de Dave Thorpe e Alan Davis. Quando Thorpe deixou a série, foi sucedido por um certo barbudo de Northampton, que garantiu a Brian Braddock as aventuras mais estranhas e incríveis que já haviam sido concebidas. A popularidade das novas histórias do Capitão transferiu o personagem para outro título em 1982, The Daredevils, no qual compartilhava as páginas com outro sucesso da década de 80, o Demolidor …

Um chá com a Marvel UK (5 de 12)

NIGHT RAVEN Night Raven é um herói criado nos moldes dos pulps, mais precisamente do Sombra. Assim como The Spider e o Fantasma, Night Raven deixa uma marca em vítimas. Ele usa roupas modificadas e uma máscara de rosto intero com aspectos semelhantes a aves. É um justiceiro solitário e sua identidade é envolvida em mistério. Night Raven não tem poderes, mas é imortal e atua em Nova York e Chicago. Ele se vê como um curandeiro, “e um curandeiro deve lutar contra as doenças. E se ele não pode salvá-los seja com habilidade ou amor – então ele precisa levá-los gentilmente à morte”. Originalmente criado pelos editores Dez Skinn e Richard Burton, as primeira histórias de Night Raven eram escritas por Steve Parkhouse e desenhadas por David Lloyd. Stan Lee não gostava da arte “dura” de Lloyd e logo o artista foi substituído por John Bolton. As histórias do personagem duraram menos de um ano. A série era popular e os leitores pediam por mais, mas a Marvel tinha outras prioridades (a revista do …

Todos (?) os Doutores

Um chá com a Marvel UK (4 de 12)

WHO IS DOCTOR WHO? Doctor Who é uma série de sucesso inglesa, tão cultuada quanto Star Trek é para os americanos (os trekkers de Doctor Who são os whovians), produzida pela BBC. Trata das aventuras do “Doutor”, que explora o tempo e o espaço à bordo de sua nave em forma de cabine telefônica da polícia chamadaTARDIS. A série entrou para o Guinness Book of Records por ser o programa de ficção científica que mais tempo esteve no ar, de 1963 a 1969. O programa, que se tornou uma instituição nacional na Inglaterra, foi relançado em 2005 e é reconhecido por suas histórias imaginativas, pelo uso de efeitos especiais criativos apesar dos poucos recursos e pelo uso pioneiro de música eletrônica. A revista Doctor Who Weekly, por sua vez, foi sancionada pela BBC em 1979. Alguns quadrinistas notáveis como Alan Moore, Dave Giboons e John Wagner (Marcas da Violência) trabalharam em suas páginas. A revista traz, além de histórias em quadrinhos, artigos sobre a série, reviews de episódios, entrevistas com o elenco e produção. A …

Um chá com a Marvel UK (3 de 12)

Com o lançamento de Star Wars em 1978, a editora começou a publicar um título da série que obteve grande sucesso em misturar histórias de autores ingleses e americanos. Ao mesmo tempo, as vendas dos heróis não iam tão bem, e o próprio Stan Lee foi até a Inglaterra caçar talentos para revitalizar a companhia. Encontrou em Dez Skinn o homem certo. Dez vinha de uma carreira editorial bem sucedida com as revistas House of Hammer e Starburst. A primeira era uma antologia de artigos e HQs sobre horror e ficção científica, e a última se aproveitava da popularidade de Star Wars e do interesse crescente por temáticas semelhantes às do filme de George Lucas. Stan deu a Skinn liberdade para fazer o que achasse melhor e assim começou uma pequena revolução na maneira Marvel de fazer histórias para os britânicos, tanto é que batizou seus próprios atos como “Uma Revolução Maravilhosa” (A Marvel Revolution). A grande mudança que o novo editor fez na companhia incluiu aumentar o material produzido originalmente na ilha de Albion. …

Um chá com a Marvel UK (2 de 12)

CAPITÃO BRETANHA Após um acidente com sua moto, o jovem assistente de cientista Brian Braddock se viu à portas da morte, quando surgiu a visão de uma mulher que alegava ser a Deusa dos Céus do Norte e de Merlin, o mago das lendas do rei Arthur. Os dois lhe ofereceram uma chance de sobreviver, escolhendo entre o Amuleto do Certo e a Espada do Poder. Brian, que não se considerava um guerreiro, optou pelo amuleto, transformando-se instantaneamente no Capitão Bretanha, o defensor da Inglaterra. Originalmente, na revista Captain Britain Weekly, as páginas periféricas, em que eram publicadas as histórias do Capitão e de Nick Fury de Jim Steranko, eram coloridas, as demais no miolo da revista eram em preto e branco. Perto do final da revista, em julho de 1977, todas as páginas eram impressas apenas em tinta preta. A revista do herói britânico também ofereceu brindes memoráveis: a Máscara do Capitão Bretanha no número de estréia; no seguinte, seu bumerangue e no número 24, seu jato. Com a conclusão de sua revista, Brian …

Um chá com a Marvel UK (1 de 12)

Watchmen. Os Supremos. Marcas da Violência. West End Girls. Preacher. Sete Soldados da Vitória. Liga da Justiça: O Prego. Todos sucessos inegáveis com uma origem comum: o Reino Unido. Mais precisamente a Marvel UK, a divisão da Marvel Comics voltada para o público britânico. Foi lá que quadrinistas como Alan Moore, Bryan Hitch, Dave Gibbons, Steve Dillon e Alan Davis deram seus primeiros passos na nona arte e foram revelados para o resto do mundo. Até Neil Tennant, do Pet Shop Boys, passou por lá. Mas a Marvel UK não vive só de nomes ilustres, foi a semente de diversas obras de suma importância para a história dos comics, como V de Vingança e Miracleman, e concebeu os personagens mais curiosos da Casa das Idéias adaptados ao estilo inglês. Vamos conhecer essa história, seus principais nomes e criações a partir de agora. Na aurora da editora de Martin Goodman, nos anos 60, o material de Homem-Aranha e companhia era reimpresso no Reino Unido era publicado pela Odhams Press, sob o selo Power Comics. Foi durante …

Nas Revistas

Já está no ar a nova edição da ThingsMag. Tem três artigos relacionados com quadrinhos na revista. Um deles é minha costumeira resenha. Dessa vez é sobre a Menina Infinito, álbum do Fábio Lyra. Tem uma nota sobre o Gibi Bar e também uma sobre a exposição Cinza Choque, com quadrinhos do Rafael Sica. Pra ler a revista é só clicar aqui. Este mês também saiu a Aplauso#94. A matéria de capa fala sobre a nova geração de escritores do século XXI, batizada pela matéria como “não-geração”. O fato é que três dos autores ali mencionados publicaram livros pela Não Editora: Antônio Xerxenesky, Carol Bensimon e Diego Grando. Para ler o comecinho da matéria é só clicar aqui. Lembrando que na edição anterior da Aplauso teve matéria de capa falando sobre os Quadrinhos em Porto Alegre. Teve até eu falando sobre isso na matéria. E saiu na última Noize uma resenhazinha que escrevi sobre o musical Mamma Mia!

O Alan Moore da América do Sul

Chega às livrarias em novembro, pela Conrad Editora, a biografia de Che Guevara escrita por Héctor Gérman Oesterheld e desenhada por Alberto Breccia. O escritor argentino, que também era jornalista, pode ser considerado o maior roteirista de quadrinhos da América do Sul. A obra de Oesterheld, cheia de realismo e poesia, transformou a maneira de contar histórias em quadrinhos quase 30 anos antes da revolução que aconteceu nos quadrinhos mainstream americanos. Em 1957, Héctor e seu irmão Jorge criaram sua própria editora, a Ediciones Frontera. Lá criaram duas revistas clássicas da Argentina, Hora Cero e Frontera. Durante sua carreira Oesterheld trabalhou com grandes nomes do quadrinho como Franciso Solano Lopez, Alberto Breccia e Hugo Pratt, criador do Corto Maltese. Com a crise econômica na Argentina wem 1960, os irmãos se viram obrigados a fechar a editora. Mas isso não impediu que Oesterheld continuasse a trabalhar para editoras menores criando outras obras primas. As temáticas de Oesterheld estão arraigadas na literatura pulp e de aventura, bem como nos grandes clássicos da literatura juvenil. “Com uma escrita …

Quadrinhos e Recepção

A teoria da recepção é um pressuposto bastante novo. Começou a ser estudada há menos de 40 anos. Ela examina o papel do leitor na literatura. Como assim, o leitor? Trata da obra vista da perspectiva do leitor, não do autor ou do texto como outras teorias literárias já estudaram. A Teoria da Recepção vai buscar as deduções que o leitor vai fazer quando exposto a um determinado texto. Podemos usar essa mesma teoria nos quadrinhos. É o leitor quem completa a história fazendo a ligação entre um quadro e outro. Ele próprio, conforme o ritmo que ele mesmo estabelece para sua leitura, vai estabelecendo as conexões implícitas no texto e nas imagens em seqüências. Ao longo da narrativa o leitor vai fazendo deduções e comprovando suposições usando de seu conhecimento de mundo e do contexto em que está inserido. Diz Terry Eagleton: “Na Teoria da Recepção, o leitor ‘concretiza’ a obra literária, que em si mesma não passa de uma cadeia de marcas negras organizadas numa página” – ou de diversos quadros coloridos, balões …