História dos Quadrinhos, Marvel UK, quadrinhos
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Um chá com a Marvel UK (1 de 12)

Watchmen. Os Supremos. Marcas da Violência. West End Girls. Preacher. Sete Soldados da Vitória. Liga da Justiça: O Prego. Todos sucessos inegáveis com uma origem comum: o Reino Unido. Mais precisamente a Marvel UK, a divisão da Marvel Comics voltada para o público britânico. Foi lá que quadrinistas como Alan Moore, Bryan Hitch, Dave Gibbons, Steve Dillon e Alan Davis deram seus primeiros passos na nona arte e foram revelados para o resto do mundo. Até Neil Tennant, do Pet Shop Boys, passou por lá. Mas a Marvel UK não vive só de nomes ilustres, foi a semente de diversas obras de suma importância para a história dos comics, como V de Vingança e Miracleman, e concebeu os personagens mais curiosos da Casa das Idéias adaptados ao estilo inglês. Vamos conhecer essa história, seus principais nomes e criações a partir de agora.

Fantastic, a primeira revista a trazer os heróis Marvel no Reino Unido

Fantastic, trazia os heróis Marvel no Reino Unido dos anos 60.

Na aurora da editora de Martin Goodman, nos anos 60, o material de Homem-Aranha e companhia era reimpresso no Reino Unido era publicado pela Odhams Press, sob o selo Power Comics. Foi durante esta época que o menino Neil Gaiman descobriu os quadrinhos, ficou fascinado com as edições de The Mighty Thor e começou a pesquisar mitologia cultivando o sonho de se tornar um dia escritor de quadrinhos. A editora publicava uma espécie de revista mix, semelhante ao que é publicado hoje no Brasil, com histórias americanas da Marvel e de outras editoras em títulos como Smash! e Fantastic, aportando nas bancas semanalmente, conforme a tradição do quadrinho britânico. Em 1969, o material da Marvel parou de ser publicado na Smash! e os ingleses ficaram órfãos da Casa das Idéias.

The Mighty World of Marvel, tão saudosa para os ingleses quanto Heróis da TV para nós.

The Mighty World of Marvel, tão saudosa para os ingleses quanto Heróis da TV é para nós.

Para preencher este vazio, a Marvel americana resolveu formar um braço no velho continente. A primeira revista resultante dessa empreitada é tão saudosa para os ingleses quanto uma Heróis da TV ou uma Superaventuras Marvel é para nós, brasileiros. Em 1972, saía Mighty World of Marvel, uma revista em preto e branco trazendo republicações de histórias americanas do Hulk, Quarteto Fantástico e Homem-Aranha. Como de costume, a edição de estréia trazia um brinde: um transfer para camisetas com o Hulk. O sucesso foi estrondoso e meses depois era lançada a segunda revista, Spiderman Comics Weekly.

Nos próximos anos, a editora se estabeleceu, empregando Neil Tennant como editor assistente. Era ele quem fazia a adaptação do texto do inglês americano para o utilizado na Inglaterra. Também era encarregado de fazer uma espécie de censura, adaptando as imagens que pudessem ser impróprias para a moral da terra da Rainha. Tennant trabalhou na editora por dois anos. Com exceções de algumas capas novas que eram feitas nos EUA para serem publicadas nas revistas britânicas, não fora produzido nenhum material novo.

Tudo mudaria em 1976, quando Chris Claremont e Herb Trimpe criavam exclusivamente para o mercado britânico o herói nacional, o Capitão Bretanha, na revista Capitain Britain Weekly, que além das histórias do personagem-título, trazia como complemento histórias novas e reimpressões em cores de Nick Fury e Quarteto Fantástico. O título foi bem recebido a princípio, mas após o número #39 foi descontinuado, mesclando-se à revista do Homem-Aranha.

Este é o primeiro de uma série de posts diários sobre a Marvel UK. Estes posts originalmente seriam uma matéria para o Fanboy, mas devido a não-oficialidade de algumas informações decidi publicá-las por aqui.

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Guilherme “Smee” Sfredo Miorando nasceu em Erechim em 1984. É mestrando em Memória Social e Bens Culturais, onde pesquisa quadrinhos. Já deu aula de quadrinhos, trabalhou com design e venda de livros e publicidade. Faz parte do conselho editorial da Não Editora. Co-roteirizou o premiado curta-metragem Todos os Balões vão Para o Céu. Seu livro de contos Vemos as Coisas como Somos foi selecionado pelo IEL-RS em 2012. Publicou em 2014 a HQ Fratura Exposta e sua primeira narrativa longa, Loja de Conveniências. Em 2015 lançou a antologia FUGA, de HQs com seu roteiro. Em 2016 lançou a HQ coletiva Lady Horror Show e a HQ "muda" Esperando o Mundo Mudar. Mantém o blog sobre quadrinhos splashpages.wordpress.com

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