Mês: dezembro 2008

De novo a identificação…

Dando continuidade às polêmicas da identificação e da mitologia dos personagens, destaco uma passagem de  “O Quarto Fechado”, último conto da Trilogia de Nova York, de Paul Auster. “Todos queremos ouvir histórias e as ouvimos do mesmo modo que fazíamos quando éramos pequenos. Imaginamos a história verdadeira por dentro das palavras e, para fazê-lo, tomamos o lugar do personagem da história, fingindo que podemos compreendê-lo porque compreendemos a nós mesmos. Isso é um embuste. Existimos para nós mesmos, talvez, e às vezes chegamos até a ter um vislumbre de quem somos realmente, mas no final nunca conseguimos ter certeza e, à medida que nossas vidas se desenrolam, tornamo-nos cada vez mais opacos para nós mesmos, cada vez mais conscientes de nossa própria incoerência. Ninguém pode cruzar a fronteira que separa uma pessoa da outra – pela simples razão de que ninguém pode ter acesso a si mesmo”. Anúncios

Melhores de 2008

Entram na lista só aqueles que eu li esse ano, não importando a data do lançamento. Sem classificação, ordenados em ordem alfabética. Válido apenas para graphic novels e álbuns. Balas Perdidas 1 Obra prima de David Laphan, que usa do pincel para fezer seus traços, resultando num estilo semelhante ao de Darwin Cooke. Além das histórias bem construídas, é marcante o grid de quadros, sempre oito a cada página. Black Hole: O Fim Última parte da saga adolescente/adulta de horror/realidade de Charles Burns. Ficam o apuro da técnica de desenho, a riqueza de detalhes, o clima de noite tempestuosa que a leitura da graphic novel traz. Epiléptico 1 e 2 Todos temos monstros internos, e David B. concretizou e exorcizou os seus nestes dois álbuns mostrando a luta da família contra a epilepsia do irmão. O estilo de desenho do autor se destaca por trazer influências de várias culturas e escolas de arte, as capas são um destaque à parte. Fell, Cidade Brutal Talvez por influência de Laphan, Warren Ellis e Ben Templesmith fizeram este …

Editora do Ano

Caros leitores, no início desta semana os sócios da Não Editora tiveram a honra de ganhar o Prêmio Açorianos de Editora do Ano 2008.  No mesmo dia coloquei um piercing na sobrancelha.  Não doeu. Nada. Não estou pagando promessa. ThingsMag #5 no ar, minha participação com uma resenha de Epiléptico 1 e 2 do David B.  Pra acessar clique aqui.

A mitologia dos super-heróis

Os quadrinhos de super-heróis, assim como outras obras de arte, provocam reações de identificação com o leitor: podem desvendar de forma vicariante, com seu efeito catártico, os dramas psicológicos e os mitos universais do homem. Por sua facilidade de leitura e de ingresso na trama, seus atributos se mostram como uma oferta à intimidade, proporcionando elaborações de fantasias acompanhadas de sensações de bem estar, ou mesmo de desconforto, provocando empatia no seu público-leitor. “Na plenitude de sua função expressiva e catártica, a obra criada se impõe como objeto bom, revalorizador do ego, para o agente da criação e para o espectador. Para o agente, porque vivencia a obra como um complemento do próprio ser, que o ajuda, através do artifício da projeção, a configura e a corrigir a representação que faz de sua auto-imagem e a ampliar a compreensão de sentido de sua existência. Para o espectador, mediante a função especular e as conseqüentes oportunidades de identificação projetiva inerentes a toda produção conceitual ou artística, e mais precisamente porque lhe proporciona uma experiência no intemporal. …

O inverso dos arquétipos na Santa Ceia Perpétua!

Projeção e Identificação

Os quadrinhos promovem um sistema de identificação e projeção nos leitores. Com a revista do Homem-Aranha nas mãos o nerd médio se identifica com Peter Parker e projeta em sua imaginação ter a coragem e os poderes do Homem-Aranha. Ou será que acontece um processo inverso? O nerd se identifica com a ausência de poderes e coragem e projeta a vida do comum Parker, buscando um dia ser fotógrafo como ele ou jornalista como Clark Kent?. São as semelhanças ou as diferenças que nos atraem? Essa questão vem norteando os relacionamentos humanos durante os tempos. Nunca chegou-se a uma conclusão. Mas os estudos mostram que uma das grandes razões de sucesso das narrativas heróicas é a utilização de arquétipos. Nos quadrinhos podemos encontrar vários deles. Já vimos aqui que em vários quadrinhos, o que faz a grande diferença, o grande big-bang no cérebro é o desconcerto que certas cenas nos oferecem. São as obras quebrando nossas projeções e identificações. Quando o leitor de quadrinhos cresce, ele não está mais preocupado em querer ser o Homem-Aranha, …

Projetos de HQs

Esse ano tenho feito vários roteiros de quadrinhos. Alguns se tornam em coisas mais concretas, outros continuam na espera de um dia serem ilustrados. O primeiro deles é o roteiro para Os Bons Morrem Jovens, super-heróis nacionais adolescentes a sairem pelo selo Eras, que você pode conferir mais aqui. Os desenhos são de Pedro Kapullo. O segundo é uma história de fantasia que se passa num ambiente árabe medieval e, ao mesmo tempo, no presente. Se chama “O Quarto Desejo”, tem desenhos de Jader Corrêa e, se tudo der certo, será publicado no Ficção de Polpa vol. 3. E o terceiro se chama “A Linguagem do Albatroz” e é uma história sobre como humanos e animais são diferentes e como não estamos atrelados apenas ao instinto de preservar a espécie. Os desenhos são do x-friend Marcio André de Oliveira Silva, ou maos. Ainda não tem um destino definido, mas estamos pensando em algumas soluções. Tem ainda um projeto que estou trabalhando com a Gisa, mais conhecida como Gisele Moura de Oliveira e capista dos dois …

As múltiplas personalidades do Homem-Múltiplo

X-Factor Citações

Peter David sempre nos brinda com histórias sensacionais na sua nova “temporada” com o grupo mutante X-Factor.  Seja na história de abertura da série ou naquela em que Madrox descobre que uma de suas cópias é um pastor com família. E sobram sempre boas reflexões. No último arco publicado no Brasil, “O Isolacionista”, temos uma série de pensamentos de Jamie Madrox no mínimo interessantes. Vou colocar alguns aqui: “Você pode pensar que é capaz de viver sozinho… e talvez até consiga por um tempo… mas no fim tem que sai da toca e entrar no mundo real. Claro que é arriscado. Nunca se sabe o que vai aocntecer. Mas é or sico que se corre. É… existe um mundo assustador lá fora. E, às vezes, é bom saber que não estamos sós. Talvez seja genético. Afinal, nosso maior instinto é o de sobrevivência. Quanto mais pessoas existirem, maiores as chances de perpetuar a vida. É fácil eliminar indivíduos isolados, mas a união faza força, mesmo que seja a união de só duas pessoas”. “Às vezes …