Batmen morrem, Robins vivem para sempre

O que aconteceu com o Cavaleiro das Trevas?
O que aconteceu com o Cavaleiro das Trevas?
O que aconteceu com o Cavaleiro das Trevas?

É, o Batman morreu. Mas todo mundo sabe que ele vai voltar. Pra quem não sabe, ele morreu disparando uma arma contra Darkseid, que também morre no processo. Tudo isso em Final Crisis #6. Grant Morrison tentou justificar a morte dele remontando à origem do cruzado embuçado, que começou quando uma arma derrubou os pais de Bruce Wayne, e que nada seria mais justo que, ao fim, Batman empunhasse uma arma (do tipo que jurou nunca usar) e erradicasse a face do mal no Universo DC. Só que Batman nunca foi um herói cósmico, longe disso, era o herói mais humano da DC. Era como uma espécie de deus grego no meio de divindades monoteístas. Como já nos mostrou Kurt Busiek em LJA/Vingadores, os heróis da DC são vistos como deuses no seu universo. Todos menos o Batman. Ele tem essa diferença. Ele não é o herói puro. Ele usa meios escusos para atingir fins incontestáveis. Ele é psicótico, tão psicótico quanto seus vilões, como foi contado pelo mesmo Morrison no ótimo Asilo Arkham. Não seria mais justo que o Coringa matasse o Batman? Ou um ladrão de rua qualquer?

Só sei que, de longe, o Batman foi um dos heróis que menos me atraiu. Até hoje nunca comprei revistas regulares do homem-morcego, apesar de ter vários especiais na minha estante. Talvez por mostrar essa natureza mais realista, eu rejeitei o Morcego, assim como tento rejeitar a realidade. O que o cavaleiro das trevas mostra que sim, somos falhos, e da maneira mais doente possível. Não somos Peter Parker com um sorriso na boca, apesar de estar sempre se dando mal na vida. Ou um Clark Kent sempre disposto a ver o lado bom da humanidade e perdoá-la tantas e tantas vezes. Às vezes somos Bruce Wayne obcecados por coisas que nos tornam estranhos. E será que por essa obsessão, teria repercutido uma morte mais apropriada para o Batman?

Asa Noturna, mate o Batman Arco-Íris!
Asa Noturna, mate o Batman Arco-Íris!

Por que o Batman não tem um surto psicótico e sai matando seus vilões até que, bem, o Robin teria que matá-lo. Não, muito anos 90. Greg Capullo adoraria desenhar. Bem, então, um ataque do coração causado pelo stress. Não, indie demais. Coisa de Harvey Pekar. Ou o Batman poderia assumir seu amor pelo Robin, mas, então o Asa Noturna enciumado matava Bruce Wayne. Não, muito Young Love escrito pelo Chuck Austen e desenhado pelo Phil Jimenez.

Sabemos que o Morrison é um saudosista dos quadrinhos dos anos 50, que traziam o Batbebê, o Batman Zebra, o Batman Arco-Íris e o Batman Alienígina Cabeçudo. E sabemos também que ele sabe escrever histórias sensacionais com esses elementos. All-Star Superman está aí para provar. Nesse sim, ele conseguiu fazer uma morte digna para o Superman. Por outro lado, história do Luva Negra foi muito bem orquestrada, começando com a intrigante história da nova reunião do Clube dos Heróis. Por que não deixar o Batman apenas no R.I.P.?

Heróis Morrem. Lendas Vivem Para Sempre
Heróis Morrem. Lendas Vivem Para Sempre

Um ciclo se fechou. Batman sempre representou o arquétipo do Guerreiro: quando a realidade se torna um ambiente inóspito e instável, quando a dignidade é usurpada e o respeito inexiste, o Guerreiro se vê obrigado a lutar e vencer a hostilidade através da força para conquistar o respeito e a segurança. Morrison acerta quando faz Batman empunhar uma arma pois para o arquétipo do Guerreiro “o espírito de luta é o que toda pessoa precisa para vencer os obstáculos, o medo, um inimigo, suas próprias fraquezas, enfrentar problemas pessoais, físicos ou psíquicos, superá-los e atingir um patamar mais elevado de dignidade pessoal”, segundo Martins, no livro A natureza emocional da marca.

A superação do obstáculo, da psicose individual de Batman, acabaria com o propósito do herói. Bruce Wayne nunca deve superar o trauma da morte dos pais como um ser humano comum, ele deve sofrer até a morte com essa obsessão para dar o ritmo às suas revistas. Sem um evento catalizador, não há um Batman, como foi explorado em tantas tramas Elseworlds. Robin, por outro lado, parece lidar de forma menos penosa sobre essa história. O grande inimigo de Batman não é o Coringa ou o Duas-Caras, mas ele próprio e as suas limitações. No momento em que ele as vencer, acaba sua história. Os Robins, contudo, se perpetuam. Já tivemos quatro. E é por isso que Batmen morrem e Robins vivem para sempre.

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