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John Byrne e a folha em branco

Ronald Regan: exemplo de super-heroí byrneano

John Byrne é um dos grandes nomes dos quadrinhos mainstream de super-heróis. Reverenciado por seu trabalho ao lado de Chris Claremont na revista Uncanny X-Men, a partir da década de 80 e ao longo da década de 90, Byrne trabalhou com quase todos os principais super-heróis americanos. Enquanto durante a Era Reagan os super-heróis tinham uma grande tendência em se mostrar pessimistas com problemas psicológicos e culturais, os heróis de Byrne abriam um sorriso e lutavam levando consigo uma aura de que tudo daria certo. As histórias de Byrne apelavam pela nostalgia, patriotismo e cristianismo.

Em seu livro Comic Book Nation, Bradford W. Wright coloca uma entrevista de John Byrne realizada em 1990, onde o autor se mostra preocupado com a indústria dos comics. Ele criticava as tendências promovidas por alguns de seus colegas naquela época, insistindo que “tem havido uma distinta mudança de atitude entre as pessoas que estão fazendo quadrinhos. Os mantenedores estão menos em evidência e os destruidores estão mais em evidência”. Com destruidores, Byrne se referia à onda de reconstrução dos personagens promovida principalmente pelos invasores britânicos capitaneados por Alan Moore e também ao estilo cínico de Frank Miller.

Apesar de não usar a reconstrução de uma forma “britânica”, Byrne retrabalhou muitos super-heróis. Foi ele que, em 1986, reconstruiu o universo do Superman. Ele também retrabalhou Hulk, Namor, Mulher-Hulk, Mulher-Maravilha, entre outros. Além disso, Byrne usou muito experimentalismo em suas histórias, nem tanto na maneira como apresentava os personagens, mas como contava as histórias. Há vários exemplos, do Quarteto Fantástico aos Anos Perdidos dos X-Men.

A MUlher-Hulk contra o Apagador -Vivo!

A Mulher-Hulk contra o Apagador -Vivo!

Há uma história da Tropa Alfa em que Pássaro da Neve enfrenta Kolomaq, umas das três Bestas-Feras do Canadá. Em meio à luta, a heroína é fustigada por uma nevasca e tudo fica… terrivelmente branco. Seguem–se seis páginas de luta e quadros em branco, sendo mostrados apenas os requadros, balões e onomatopéias. Em uma história da Mulher-Hulk, o artista-roteirista anglo-canadense vai além: deixa quatro páginas da revista em branco, sem requadros, desenhos, balões ou qualquer coisa. Há uma explicação. As histórias de Byrne para a Mulher-Hulk sempre trabalharam a metalinguagem. Jennifer Walters sabia que era um personagem de quadrinhos e, além disso, que era escrita e desenhada por Byrne. Na história em quastão, Jen enfrentava o Apagador-Vivo, um inimigo bastante antigo de Hank Pym, o Homem-Formiga que simplesmente apagava a Mulher-Hulk e sua revista da existência. Claro que a heroína escapa desse destino “rasgando” as páginas do gibi e retorna tudo ao que era antes. Claro, até John Byrne morrer.

As HQs da Mulher-Hulk foram onde o criador teve a maior liberdade de experimentar, tanto é que para de despedir de sua fase no título, matou a si mesmo. Conservador ou experimentalista, John Byrne é um dos maiores criadores dos quadrinhos de super-heróis americanos e um dos poucos que podem se vangloriar de ter trabalhado com grande parte deles.

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4 comentários

  1. João Laurentino diz

    Jonh Byrne é o melhor desenhista que existe(no seu estilo)Por isto o admiro,mas é claro que quanto mais o cara sabe mais corre o risco de se achar insubistiuível,e este é um problema.

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  2. João Laurentino diz

    Jonh Byrne é o melhor desenhista que existe(no seu estilo)Por isto o admiro,mas é claro que quanto mais o cara sabe mais corre o risco de se achar insubistituível,e este é um problema.

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  3. Eu sou um fanzaço do trabalho do John Byrne. Talvez seja o artista que mais me influenciou a desenhar (não chego a 0,00001% do talento dele).
    Mas o trabalho dele ficou meio perdido no tempo já que ele tem uma abordagem bem anos 50 das HQs. Aquela coisa patriótica, saudosista e tudo mais.
    Mas o trabalho dele como o Quarteto, Superman, Tropa Alfa e X-men é não menos do que impressionante. Gênio.
    Pena ele não ter feito muita coisa legal nos últimos tempos.

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  4. Pingback: As Melhores Graphic Novels Americanas que li em 2013 | Splash Pages

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