Mês: abril 2009

Persépolis – Estrangeira no próprio país

O ano era 1979, e a revolução iraniana caiu feito uma bomba na cabeça da pequena Marji. Engana-se quem pensa que a revolução foi obra dos fundamentalistas muçulmanos. Como é mostrado na autobiografia em quadrinhos Persépolis – Completo, de Marjane Satrapi, a revolução começou com ares socialistas, com manifestações populares nas ruas. Era uma revolução do proletariado, usando a religião apenas como mais um pretexto para derrubar o tirano Xá que os governava. Mais tarde, seria controlada e contida pelos “barbudos”, como são chamados pela autora os representantes do setor fundamentalista, que impedem que a antiga monarquia se transforme em uma república laica. Fortemente influenciado pela religiosidade islâmica, o Irã se vê despojado da liberdade que conquistara nas últimas décadas. Marjane, por sua vez, se viu separada dos meninos na escola e forçada a usar véu aos dez anos de idade. O uso do véu era obrigatório, já que as autoridades afirmavam que os cabelos das mulheres emanavam raios que atraiam os homens. Como é mostrado na história, quando pequena, Marjane queria ser profeta e …

Patsy Walker: revistas de romance faziam sucesso nos anos 50 pela Marvel.

Marvel Divas ou Sex and The City encontra as Heroínas

Semana passada Joe Quesada anunciou uma nova minissérie da casa das idéias: Marvel Divas. O editor-chefe anunciou a série como uma espécie de Sex and The City com super-heroínas. Foi divulgada a capa de J. Scott Campbell. Como roteirista foi escolhido o competente Roberto Aguirre-Sacasa e o croata Tonci Jonzic. Mas o que eu pergunto é: a Marvel vai publicar um história falando de sexo? Talvez esteja seguindo uma corrente, já que foi lançado ano passado um anual do Homem-Aranha Ultimate em que Peter Parker e Mary Jane discutiam sua primeira vez. E com certeza é uma evolução, já que não é a primeira vez que a Marvel tenta dar um enfoque maior para suas personagens femininas. UM POUCO DE HISTÓRIA A primeira tentativa foi no final da década de 40 com revistas como Namora e Vênus, lançada no crepúsculo dos super-heróis. Claro que a editora já tinha um nicho formado para as leitoras com revistas de romance e de humor adolescente, entre as quais Patsy Walker, da qual falarei mais daqui a pouco. A …

Retalhos (Blankets): Poesia Visual

Retalhos (Blankets), segunda graphic novel de Craig Thompson é uma história semi-autobiográfica que, segundo o autor, conta como é “dividir a cama com alguém pela primeira vez”. A obra tem 582 páginas, uma das mais extensas do seu gênero, mas a fluidez da narrativa de Thompson, seu texto emocional e seus traços livres retiram o peso que um livro tão extenso poderia colocar sobre o leitor. Muitos consideram Blankets, lançada em 2003, um marco na história das graphic novels, não apenas pelo seu número de páginas, mas por sua narrativa, apuro técnico e graça visual. Ganhou quatro prêmios Harvey, dois Eisner e dois Ignatz. Foi listada pela Time como uma das 10 melhores graphic novesl de todos os tempos. A Companhia das Letras promete publicá-la no Brasil em maio de 2009. O conto que Craig Thompson traz mistura uma narrativa linear com momentos de flashback e conta uma história sobre o primeiro amor e sobre crescimento. O autor começa na infância para mostrar a origem de seus medos, traumas e desilusões, depois, já na adolescência, …

Graphic Novels

“Uma graphic novel tem que estar estruturada como um romance, como um conjunto com princípio, meio e fim, com seus próprios temas e conceitos únicos para esta obra e não apenas como uma série de tiras recompiladas para criar um livro”. Bryan Talbot, criador de As Aventuras de Luther Arkwright, em Diseño de personajes par novela gráfica, de Steven Withrow e Alexander Danner Essa semana li Blankets, de Craig Thompson, minha melhor leitura em quadrinhos do ano até agora. Essa semana também concluí o rascunho (texto) da minha graphic novel. Assim que o Fabrício fizer uns esboços, falerei mais sobre ela.