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Marvel Divas ou Sex and The City encontra as Heroínas

Marvel Divas. No sentido horário: Flama, Fóton, Felina e Gata Negra.

Marvel Divas. No sentido horário: Flama, Fóton, Felina e Gata Negra.

Semana passada Joe Quesada anunciou uma nova minissérie da casa das idéias: Marvel Divas. O editor-chefe anunciou a série como uma espécie de Sex and The City com super-heroínas. Foi divulgada a capa de J. Scott Campbell. Como roteirista foi escolhido o competente Roberto Aguirre-Sacasa e o croata Tonci Jonzic. Mas o que eu pergunto é: a Marvel vai publicar um história falando de sexo? Talvez esteja seguindo uma corrente, já que foi lançado ano passado um anual do Homem-Aranha Ultimate em que Peter Parker e Mary Jane discutiam sua primeira vez. E com certeza é uma evolução, já que não é a primeira vez que a Marvel tenta dar um enfoque maior para suas personagens femininas.

Patsy Walker: revistas de romance faziam sucesso nos anos 50 pela Marvel.

Patsy Walker: revistas de romance faziam sucesso nos anos 50 pela Marvel.

UM POUCO DE HISTÓRIA

A primeira tentativa foi no final da década de 40 com revistas como Namora e Vênus, lançada no crepúsculo dos super-heróis. Claro que a editora já tinha um nicho formado para as leitoras com revistas de romance e de humor adolescente, entre as quais Patsy Walker, da qual falarei mais daqui a pouco. A segunda tentativa foi na década de 70, tentando se emparelhar com os movimentos feministas. A Marvel lançou três revistas: Shanna, a Mulher-Demônio, A Gata e Night Nurse, mas a empreitada não logrou sucesso (para saber mais sobre essas séries leia a matéria que fiz para o Fanboy sobre o feminismo e as super-heroínas aqui). Durante o final da década de 70 e início da década de 80, outras heroínas se destacaram: Miss Marvel, Mulher-Aranha e Mulher-Hulk. Nos anos 90, as mulheres dos X-Men foram bastante valorizadas, mas em conta do fator comic babe. Psylocke era a musa de muitos garotos. Nos anos 2000, com uma onda de revival dos anos 70 encabeçada por Brian M. Bendis, as heroínas dos anos 70 voltaram aos holofotes. Miss Marvel e Mulher-Hulk ganharam títulos próprios.

A MAIOR DE TODAS DIVAS MARVEL

Mas em toda esta história como esquecer da maior diva da Marvel?

Ela é a Disco Queen!

Ela é a Disco Queen!

Ela tem o rosto pintado com glitters, ela usa uma roupa de vinil branco, usa um globo de luz pendurado no pescoço, é loira, canta e dança, dança de patins. É claro que estou falando da Cristal, a cantora mutante capaz de transformar som em luz. Você tem de concordar que ela é um show vivo. Britney Spears, morda-se de inveja!

Cristal foi criada na década de 70 por John Romita Jr. e Tom DeFalco. No início era para ser chamada de Disco Queen e era inspirada na cantora Donna Summer. Tudo fazia parte de um acordo prévio com a Casablanca Records. O acordo acabou não dando certo. Mas a Marvel não desistiu da personagem. Em 1980, era lançado Dazzler#1 apenas para comic shops. Dessa vez Cristal era inspirada em Bo Derek.

DAZZLER’S FACTS (OU POR QUE A CRISTAL É FODONA)

Ponha seus patins e dance! Dance de patins!

Ponha seus patins e dance! Dance de patins!

Ok, não te convenci de que que Alison Blaire é a maior Diva da Marvel? Aqui vão alguns Dazzler’s Facts:

1. A primeira edição de sua revista vendeu 400 mil cópias apenas em lojas especializadas e convenceu a Marvel a entrar no mercado direto dos comic books;
2. Foi cogitado que Cristal seria a quinta integrante do X-Factor no lugar da Fênix;
3. Cristal foi escolhida como arauto do Galactus;
4. Ela já namorou o Beyonder;
5. Ela provou ser uma integrante de valor dos X-Men enferentando Wolverine, Colossus e Ciclope;
6. O Fanático tem um crush por ela;
7. Ela é a cantora mais famosa do universo Marvel. Vários personagens já apareceram usando a camisa de suas turnês.
8. É uma das personagens escolhidas para se jogar o arcade dos X-Men;
9. É a única personagem feminina dos X-Men a ter uma série solo com mais de 30 edições;
Mas o fact mais importante é que:
10. A Marvel pensou em fazer um filme com Cristal no final da década de 80 e para o elenco escalou Cher, Donna Summer, KISS e o Village People.

E então? Concordam? E como este está se tornando o queerest post neste blog, porque não se divertir com a música que a Cristal canta em Deadpool #68? “Se você tem seus problemas e seus dias são de dor, se te grila a inflação, as crianças, o calor, ponha seus patins e dance, dance de patins”. Dançar de patins é uma filosofia. Pratique!

QUE RAIOS SEX AND THE CITY TEM A VER COM ESSA JOÇA?

Marvel Divas: Samanta (Felina), Carrie (Gata Negra), Miranda (Fóton) e Charlotte (Flama).

Marvel Divas: Samanta (Felina), Carrie (Gata Negra), Miranda (Fóton) e Charlotte (Flama).

Agora, voltando a falar das Marvel Divas oficiais. Não conheço muito de Sex and The City, só assisti à primeira temporada, mas não imagino que a Gata Negra seja a mais parecida com a Samantha. Provavelmente é a Gata (Felina) que mais preenche esse perfil, partindo da série adolescente da heroína, Patsy Walker, e levando em conta seus dias como a Gata do Inferno ao lado do Filho de Satã, Daimon Hellstrom. Claro, que a personagem Marvel perfeita para encarnar a personagem de Kim Cattrall seria a Tigresa, a personagem mais sexualmente ativa da casa das idéias. A Gata Negra ficaria num perfil mais Carrie. Mas não acho que Peter Parker seria assim um Mr. Big. Para Miranda, com certeza a Fóton/Pulsar/Mônica Rambeau se encaixaria melhor. Ela é a mais focada na carreira. Em Nova Onda, Warren Ellis não nos deixa esquecer como ela obcecada com o fato de já haver sido líder dos Vingadores. E para Charlotte, sobra Anjelica Jones, a Flama. Ela é mais inocente, mais conduzida por seus valores e também a mais nova.

Veremos se eu acerto quando a mini chegar nas bancas dos EUA. Sacasa diz que “Vamos falar do que realmente significa ser uma mulher em um mundo dominado por testosterona e armas (e falo tanto do mercado de super-heróis quanto do de quadrinhos)”. Será que a série será tão bem sucedida quanto Sex and The City?

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