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Torso #01, de Andreyko e Bendis

Torso #01, de Andreyko e Bendis

O que é?

Torso, minissérie em seis edições, pela Image, de 1998. Escrita por Marc Andreyko (Justiceira) e Brian M. Bendis (Ultimate Spider-Man)e desenhada por Bendis. Conta a história das investigações a respeito do Assassino do Torso, em Cleveland, chefiadas por Eliot Ness, conhecido por derrubar Al Capone.

Por que eu gosto deste quadrinho?

Torso é um dos trabalhos de Bendis produzido antes do escritor assumir a linha Ultimate da Marvel. Na minissérie estão presentes todos os elementos que o consagraram: o diálogo realista, as repetições de quadros, o silêncio que repercute e o experimentalismo. A história é permeada de artigos da época do crime, trazendo uma retratação próxima ao que aconteceu realmente. Além disso, Bendis se utiliza de fotos para retratar com maior fidelidade a Cleveland do final dos anos 30. Mas é no experimentalismo que está o mérito de Bendis. Ele se utiliza de efeito de zoom em retícula, para a abertura e fechamento dos capítulos, esse efeito passa a sensação de quanto Ness está se aproximando ou se distanciando do assassino. Outro efeito transmitido pela narrativa são as espirais, os quadros vão girando na página e é necessário que você vire a revista para acompanhá-los, mostrando o quão perdido Ness se encontra no momento.

Os "novos intocáveis", Myrlo e Simon.

Os "novos intocáveis", Myrlo e Simon.

Por que você deveria ler este quadrinho?

Primeiro por causa do experimentalismo, mas Torso é uma história de crime daquelas que te prende até o fim. Não por acaso, David Fincher manifestou o desejo de transformar essa história em filme. A principal discussão que Torso traz para seus leitores é a estigmatização das pessoas, seja a idéia de que Eliot Ness é um ser humano infalível, capaz de acionar seus Intocáveis e resolver todos os problemas, seja na ponderação sobre a sexualidade de Simon, um dos detetives, ou no próprio modus-operandi do assassino: troncos separados da cabeça, mãos e pés, dificultando sua identificação. O ponto alto da história, e que mostra o quanto Andreyko e Bendis são competentes como escritores, como aponta o próprio Greg Rucka em sua apresentação, é o interrogatório do suspeito, onde a intenção da minissérie é mostrada.

O que falam sobre este quadrinho?

“Esta é uma compilação enganosa;  parte misteriosa, parte exercício de estilo, parte lição de história e civismo, parte tragédia grega. A escrita é puro artesanato, está habilmente estratificada e não resulta em grosseria”.

Greg Rucka, na apresentação.

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Guilherme “Smee” Sfredo Miorando nasceu em Erechim em 1984. Já deu aula de quadrinhos, trabalhou com design e venda de livros e publicidade. Faz parte do conselho editorial da Não Editora. Co-roteirizou o premiado curta-metragem Todos os Balões vão Para o Céu. Seu livro de contos Vemos as Coisas como Somos foi selecionado pelo IEL-RS em 2012. Publicou em 2014 a HQ Fratura Exposta e sua primeira narrativa longa, Loja de Conveniências. Em 2015 lançou a antologia FUGA, de HQs com seu roteiro. Possui o blog sobre quadrinhos splashpages.wordpress.com

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