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Estigmas, Lorenzo Mattotti e Claudio Piersanti

Estigmas, Lorenzo Mattotti e Claudio Piersanti

Estigmas, Lorenzo Mattotti e Claudio Piersanti

Já diz a célebre frase: tudo se transforma. Em Estigmas vemos que uma repentina transformação externa, as chagas nas mãos, é capaz de transformar o interior de uma pessoa. A história, singela, foge do lugar-comum de comparar o “estigmatizado” a um santo. Pelo contrário, ele refuta a imagem e a veneração divina e vaga como alguém marcado, mas como alguém comum apontado com suas tragédias e epifanias pessoais. A arte de Mattotti é pungente, influenciada pelo expressionismo e pós-impressionismo. Como uma conjunção de rabiscos desgovernados que num olhar mais detido tomam forma, assim também é a saga do protagonista deste álbum. O lirismo de certas partes do texto de Piersanti contrasta com a arte marcante, formando uma bela sequência quando o personagem se depara com um livro de orações. Dor e fascinação vão erigindo a transformação numa passagem que me lembrou a que descrevi anteriormente na resenha de A Chegada. Senão, copio aqui uma parte desta passagem de Estigmas: “Não eram as almas dos sacerdotes que me atraíam, mas as dos grandes pecadores, eu ardia de desejo, de arrancá-los das chamas eternas, com o olhar perdido na distância, contemplávamos a branca lua erguendo-se atrás das grandes árvores, os reflexos prateados que se espalhavam pela natureza adormecida, as estrelas brilhantes que cintilavam no azul profundo, o leve sopro da brisa que fazia as brancas nuvens flutuarem tudo elevava ao céu as nossas almas, o belo céu do qual só contemplávamos o límpido revés…”. O que lembra que nesse mundo tudo é capaz de se transformar, principalmente os estigmatizados.

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Este post foi publicado em: quadrinhos, Resenhas

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Guilherme “Smee” Sfredo Miorando nasceu em Erechim em 1984. É mestrando em Memória Social e Bens Culturais, onde pesquisa quadrinhos. Já deu aula de quadrinhos, trabalhou com design e venda de livros e publicidade. Faz parte do conselho editorial da Não Editora. Co-roteirizou o premiado curta-metragem Todos os Balões vão Para o Céu. Seu livro de contos Vemos as Coisas como Somos foi selecionado pelo IEL-RS em 2012. Publicou em 2014 a HQ Fratura Exposta e sua primeira narrativa longa, Loja de Conveniências. Em 2015 lançou a antologia FUGA, de HQs com seu roteiro. Em 2016 lançou a HQ coletiva Lady Horror Show e a HQ "muda" Esperando o Mundo Mudar. Mantém o blog sobre quadrinhos splashpages.wordpress.com

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