Encruzilhada, Marcelo D’Salete

Encruzilhada, Marcelo D’Salete
Encruzilhada, Marcelo D’Salete
Encruzilhada, Marcelo D’Salete

Vamos começar pela capa: um menino sozinho, sentado no meio fio, enquanto atrás do muro podemos ver a lona de um parque de diversões. Há magia na capa, mas ela está escondida. E há a marginalização. Mas também não é magia que nos prometem as grandes marcas e seus comerciais maravilhosos e cheios de efeitos especiais? E aqueles que não as usam não ficam alheios aos outros, solitários num meio fio? O álbum de D’Salete traz cinco histórias, cada uma enfocando vidas que não seguem o padrão social estabelecido. Ladrões, prostitutas, drogados, camelôs. Todos cercados pelos logotipos de empresas como McDonald’s, Motorola, Nike, Adidas, Nescau, Omo, bem destacados e em primeiro plano. Os diálogos são poucos e ajudam, junto com a arte contrastante e a abundância do preto, a construir o clima de opressão em que os personagens vivem. Há ainda o grafite, talvez resgistrando algo de sujo, mas mostrando que os oprimidos também tem o direito de se expressar. No álbum isso fica registrado mais por atos do que por palavras. Sensações, vontade de viver, de perseverar e de se virar como é possível num mundo onde as marcas dominam. Assim como na capa, também há magia nas histórias marginais, mas é preciso procurá-las.

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