Era a Guerra de Trincheiras, Jacques Tardi

Era a Guerra de Trincheiras, Jacques Tardi
Era a Guerra de Trincheiras, Jacques Tardi

Se você está procurando uma HQ com toda crueza, violência e inclemência de uma guerra, Era a Guerra de Trincheiras é indicada. Neste álbum Tardi mostra os terrores da Primeira Guerra Mundial (uma guerra que não é tão retratada assim nos quadrinhos como a sua sucessora, principalmente na visão de seus combatentes de solo) pelo ponto de vista – que não poderia deixar de ser cínico – dos franceses. Tardi, em sua introdução, diz que não pretende com o álbum contar histórias reais da guerra, nem explorar a História do combate, mas criar um panorama do sentimento humano de estar em meio a um jogo mundial de vida e morte. Ele faz isso muito bem. Na primeira história somos apresentados a Binet, um soldado que odeia as pessoas, sua pátria e principalmente a guerra. É uma das melhores partes do álbum. Pela visão de Binet: “Não havia diferenciação… todos eram enviados para a morte. A liberdade poderia ser voltar pra casa. Binet pensava em sua casa. (…) A calma… estava entre os mortos. No que dizia respeito ao terreno que deveria ser defendido, Binet tinha aprendido desde o recreio da escola, o que era a verdadeira maldade… A fraternidade era isso”. Nas histórias que seguem, uma atrás da outra, sem interrupções, dando, não por acaso, um sentimento de continuidade, de horror exposto atrás de horror, mesmo que nas palavras de soldados diferentes: fuzilamento por traição ou deserção, gritos de dor, frio cortante, ratos servindo de comida, corpos apodrecendo em meio aos arames farpados das trincheiras, a perda dos amigos, a destruição das cidades. Com exceção da primeira história, todas são contadas em três grandes quadros horizontais por página, em traços expressivos com nuances de preto e branco e o uso de retícula, entremeados por citações de historiadores, generais e outros envolvidos na guerra. Temos a história do soldado que fazia peças de cobre nas horas vagas e esperava comprar sua licença com elas, ou do outro combatente que se depara com um boche (a maneira como os franceses chamavam os alemães) em uma igreja e os dois fazem um pacto de sobrevivência até que venha um dos exércitos e extermine um ou o outro. Pelo que andei pesquisando, toda obra de Tardi tem alguma ligação coma guerra, não por acaso, o jovem autor ficou impressionado com os relatos de seu avô sobre esta avara luta. Um álbum de boas reflexões sobre a guerra e o efeito dela sobre as pessoas e que consegue levar esse impacto para suas mãos, cérebro e alma.

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