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Transmetropolitan – De Volta às Ruas, de Warren Ellis e Darick Robertson

Transmetropolitan – De Volta às Ruas, de Warren Ellis e Darick Robertson

Transmetropolitan – De Volta às Ruas, de Warren Ellis e Darick Robertson

Pra começar, não, até hoje eu nunca tinha lido Transmetropolitan. Nunca tive curiosidade e quando ela era publicada regularmente por aqui, eu não lia porque ainda não tinha completado 18 anos (olá, criação católica, olá, falso-bom-mocismo).

O fato é que acabei lendo o encadernado lançado em 2010 pela Panini essa semana, graças a um amigo que repassou a edição. Folheando as páginas me deparei com um gato de duas faces, que me lembrava um desenho que tinha feito a partir de um pesadelo meu (ver no final deste post). Imaginei que iria simpatizar com a história. Mas aconteceu o contrário.

O início da trama é muito bom, Spider Jerusalém, jornalista isolado do mundo tem de voltar às ruas para cumprir uma dívida e nesse caminho não poupa ninguém em suas colunas ácidas e verdadeiras. Tudo seria perfeito se não fosse por dois detalhes: a história se passar no século 23 e o excesso de impropérios destilados por Jerusalém. Claro, um palavrão aqui e ali não causa nenhum estertor, mas Transmetropolitan deve conter, ao menos um caralho, cu, merda por balão de fala. Parece que há uma grande necessidade de chocar por chocar sem dar sentido à trama. Muitas HQs usam desse artifício muito bem, como já postei aqui e aqui, mas em Transmetropolitan parece tudo muito forçado. Parece aqueles filmes feitos de susto que não constroem suspense.

Não sou daqueles que creem que a obra máxima de Ellis seja esta, pelo contrário, acredito que ele já fez coisas espetaculares com Planetary e Fell, e nenhuma das duas abusava do palavrório. Por outro lado, as coisas seriam muito diferentes se algum autor tivesse a ideia de bolar uma HQ que tratasse de somente expor a “verdade” nos dias de hoje e não no século 23. Atacar a religião, a moda, a televisão, é como chutar cachorro morto, pois sabemos que são sistemas falhos. Existem outras tantas verdades no mundo que poderiam ser desveladas e apontadas. Outras séries fazem isso de maneira mais sutil, como Poder Supremo, de J.M. Straczinsky e Gary Frank e até o Preacher, de Garth Ennis e Steve Dillon. As “verdades” estão sempre sendo apontadas nas HQs, seja mostrando o conflito de Darfur ou realizando uma união homossexual e elas não precisam do artifício do século 23 para serem mostradas.

Para serem adultas, as histórias em quadrinhos não precisam falar “Seu filho da puta chupador de caralho do cu da mãe Joana com uma piroca gigantesca enfiada até o talo rasgando tudo e trazendo junto as hemorroidas pingando de sangue(sic)”, elas precisam dizer alguma coisa. Por fim, o encadernado de Transmetropolitan termina com uma crítica a todas as religiões, que, por sinal, achei a melhor história das seis que o compõe. Contudo, acho que Ellis se deu muito melhor ao criticar a religião e ao ser humano quando, em uma edição de Excalibur (sim, X-Men) revelava que uma raça alienígena, após muito procurar, tinha encontrado Deus e, ao o fazerem, começaram a devorá-lo até ele deixar de existir. Essa foi a primeira vez que reparei que Warren Ellis era um grande escritor.

A criatura do meu pesadelo

A criatura do meu pesadelo

1 comentário

  1. Que medo de vc nessa frase super agressiva! rsrs Pois, é, tb concordo! às vezes exageram nisso e esquecem do mais importante… a história!
    Parabéns pelo blog! Já estou seguindo aqui por e-mail!
    Estou começando um agora e irei vender HQs… Quem tiver interesse é só me seguir lá e responder nossa enquete! http://QGcomics.blogspot.com.br
    Agradeço a quem puder divulgar! Valeu!
    Abraços,
    Ísis.

    Curtir

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