Ano: 2013

Os melhores Quadrinhos de Super-Heróis que Li em 2013

ANTES DE WATCHMEN: DR. MANHATTAN, J. MICHAEL STRACZYNSKI E ADAM HUGHES A série Antes de Watchmen teve seus altos e baixos. Os altos, até agora – falta sair a minissérie dos Minutemen – , foram os volumes do Dr. Manhattan e da Espectral, ambos resenhados neste blog. Os piores, do Roscharch e do Ozymandias. O que faz das minisséries do Dr. Manhattan e da Espectral tão boas é a ousadia. Através da iniciativa de ir um pouco além da história apresentada por Alan Moore e Dave Gibbons, os autores destes contos do passado, mostram porque – além dos milhares de dólares envolvidos – era possível fazer novas histórias no universo de Watchmen. Por outro lado, histórias como as de Roscharch, que mostra um caso do anti-herói e de Ozymandias, um vergonhoso conto que só faz um apanhado preguiçoso da história do “salvador do mundo” em ordem cronológica, dizem para o leitor que em certos cânones não se deve mexer. Apesar das grandes polêmicas que estes retcons provocaram no mundo dos quadrinhos, como a óbvia e …

Os Melhores Quadrinhos Brasileiros Que Li em 2013

ESTÓRIAS GERAIS, WELLINGTON SRBEK E FLÁVIO COLIN Esperava que essa fosse mais uma daquelas histórias em quadrinhos brasileiras que glorificam o país, mas acabei me deparando com uma história rica. A riqueza de Estórias Gerais fica por conta de seu traço cultural sem cair no exagero ou no ufanismo.  São “estórias” – assim grafada da maneira antiga que diferenciava a narrativa dos acontecimentos humanos – , porque elas têm aquele gostinho de cousas antigas, de causos que nossos avós contavam. Ela permite um paralelo com as novelas fantástico-maravilhosas da Globo, como Saramandaia e Roque Santeiro e tantas outras que seguem nessa tradição de Dias Gomes, mas cuja fonte mesmo é a inovadora literatura moderna de Guimarães Rosa. Estórias Gerais traz vários causos de um interior do Brasil situado numa fronteira entre o nordeste e o sudeste rural,ou  talvez no centro-oeste do país, que se entrelaçam formando um painel único dessa tradição. ENTREQUADROS – CIRANDA DA SOLIDÃO, MÁRIO CÉSAR Esta foi uma das HQs que eu incentivei a produção através do site Catarse, e acabei fazendo …

As Melhores Leituras de 2013

Neste ano, até o Natal, foram 277 leituras. Neste gráfico estão distribuídos os tipos de leitura, não estão contabilizadas as revistas mensais, minisséries e especiais, mas dá pra ter uma ideia. Esse ano, como foram muitas leituras, selecionarei os melhores do ano por categoria, a serem publicados toda terça e quinta-feira a parti da semana que vem. Como esse foi um ano em que aprendi que expectativa não é tudo, vou fazer minirresenhas diferentes, com as respostas às perguntas “O que eu esperava?” e “O que eu achei no final das contas?”, também pra dar uma dinâmica diferente para as resenhinhas. Também vou colocar links aqui para as resenhas feitas ao longo do ano e que tratam destas leituras. Conforme eu for colocando os posts, vou adicionando os links aqui embaixo, para facilitar: Melhores Graphic Novels Americanas Melhores Quadrinhos da Vertigo Melhores HQs de Super-Heróis Melhores Mangás Melhores Graphic Novels Estrangeiras Melhores Quadrinhos Brasileiros Melhores Romances Obrigado por terem acompanhado o blog este ano!

Os super-heróis na ficção popular, por Neil Gaiman

“Na minha opinião há duas maneiras principais de utilizar os super-heróis na ficção popular. Na primeira, o significado deles é pura e simplesmente o que se vê na superfície. Na segunda eles são o que significam na superfície: verdade. E não só isso. Por um lado, significam a cultura pop e por outro, esperanças e sonhos. Ou melhor, a interação das esperanças e sonhos, uma perda da inocência. A linhagem dos super-heróis é bem antiga. Começa, obviamente, na década de 1930. Então, volta aos primórdios das tiras de jornais e também à literatura, assimilando Sherlock Holmes, Beowulf e vários deuses e heróis pelo caminho. Superfolks, o livro de Robert Mayer, usa os super-heróis como uma metáfora para tudo aquilo que os Estados Unidos se tornaram nos anos 70: a perda do sonho americano significava a perda dos sonhos americanos, e vice-versa. Joseph Torchia pegou a iconografia do Superman e escreveu The Kryptonite Kid, um poderoso e belo romance epistolar sobre um garoto que acredita, literalmente no herói e que, num livro construído como uma série …

Os Zeróis de Ziraldo, por Maria Gessy

“O ridículo existente por trás do mito americano da força, do podere da invencibilidade, evidenciado pela bem-humorada síntese visual do artista, permanece como uma leitura possível no momento presente, além, é claro, de demonstrar que a História e seu ator, o ser humano, se repetem indefinidamente. Mudam apenas os intérpretes e os cenários”. “”Sou filho dos comics americanos’ costuma dizer o artista, com razão. Sua estética original e inovadora segue os caminhos abertos pelos mestres da HQ, com o uso de cores primárias e da retícula, além do sentido narrativo presente em seus trabalhos, mesmo nos cartuns e nas charges”. Maria Gessy de Sales, em Os Zeróis de Ziraldo, São Paulo, Editora Globo, 2012.

A Grade Hierárquica, por Ivan Brunetti

“Podemos comparar o ato de desenhar uma história em quadrinhos ao de criar uma realidade em miniatura numa página, ou, como disse Chris Ware, ‘sonhar no papel’. O sonho, por exemplo, é autobiografia ou ficção? Por um lado, os sonhos são saltos da imaginação, sinais da plasticidade das informações armazenadas no cérebro, as quais se recombinam de formas às vezes fantásticas, às vezes assustadoras, formas eu jamais poderiam ser imaginadas no estado de vigília – formas de ficção, portanto. Ao mesmo tempo, essa ficção específica só pode ter sido produzida por determinado cérebro, pelos estímulos que ele processou e armazenou. Num sonho seu, todas as personagens são essencialmente… você. Ou uma extensão devocê, seu autor inconsciente. No fim, autobiografia e ficção não constituem uma dicotomia, mas uma polaridade, um perpétuo cabo de guerra que não pode jamais ser definido e medido com precisão. A página de quadrinhos reflete o modo pelo qual o autor se lembra da sua própria existência da realidade, do fluxo de tempo, da importância das pessoas, lugares e coisas. Nas HQs, …

Séries de TV x Séries de Quadrinhos

O que as séries de TV e de quadrinhos têm em comum? E o que as torna diferentes? Por que uma série de TV é capaz de fidelizar mais a audiência? É o que pretendo tratar aqui. Não pretendo discutir aspectos estrutura e de criação. O primeiro deles é a quantidade de roteiristas envolvidos em uma série de quadrinhos e em uma série de TV. As de quadrinhos geralmente contam com um roteirista, que é coordenado por um editor. As de TV são escritas por um time de roteiristas escalados conforme a necessidade e coordenados por um roteirista-chefe. Sendo assim, as passagens de um episódio para outro, nas séries de TV é atenuada com essa mistura de artífices. Enquanto os quadrinhos são divididos em “runs” ou em “arcos de histórias”, as séries de TV são divididas em temporadas. E é através do artifício das temporadas que as séries de TV angariam mais público para suas exibições e geram “buzz” para fidelizar seus espectadores. Tanto os quadrinhos quanto as séries de TV dependem dos ganchos, ou …

Thor 2 – O Mundo Sombrio, de Alan Taylor

Não fui com muitas esperanças de encontrar em Thor 2 – O Mundo Sombrio um grande filme de super-heróis. Tive que dar o braço a torcer e perceber que, diferente do primeiro filme, Thor 2 é um dos melhores filmes do Marvel Studios até agora.   DEIXEM O THOR DE LADO Ok, o primeiro filme já passou, então não precisa mais contar a origem do Thor (Chris Hemsworth), quem ele é, o que ele quer, porque ele não é feliz e blá, blá, blá. O fato é que sem a persona de Donald Blake, ou uma das suas múltiplas outras (Erick Masterson, Sigurd Olson, Jake Olsen), temos que dizer que o Thor fica meio sem graça (seria pior se ele falasse com o inglês arcaico). Aquela “voz de trovão”, impostada, querendo ser Batman já é o bastante. Então, os roteiristas – entre eles Chistopher Yost, de X-Men – Evolution, Robin Vermelho e X-Force –, numa sábia decisão, resolveram deixar um pouco Thor de lado e se concentrar em dois fronts: Midgard (a Terra) e Asgard …

O camundongo e o mestre dos magos. Três dedos: um escândalo animado, de Rich Koslowski

O que aconteceria se os desenhos animados vivessem lado a lado com pessoas reais? Você poderia dizer que isso já foi feito em Uma cilada para Roger Rabbit e em vários filmes da Disney bem antigos como Alô, Amigos e Mary Poppins. Pois é, mas é bem deste Walt Disney que trata Três Dedos e, também, de sua maior criação, Mickey Mouse. Porém, nesta HQ, o criador é Dizzy Walters e a criatura é Rickey Rat. A graphic novel, listada como uma das 500 essenciais pela Harper Collins,  começa com depoimentos de várias pessoas e de toons, relatando a vida de Dizzy e Rickey e o envolvimento dos dois. Cada um desses depoimentos tem lugar em uma página do livro e se repetem, conforme necessário. Paralelo a isso, temos uma linguagem documental, em letras de máquina, acompanhada de “fotos” que retratam a história do cinema e dos Estados Unidos. Dessa forma é contada a biografia dos dois, com muito mais to tell e pouquíssimo to show, conferindo a Três Dedos a exceção que confirma a …

Pinturas Inquietas. Moving Pictures, de Kathryn & Stuart Immonen

Moving Pictures, na minha humilde opinião, é uma das graphic novels que melhor trabalha o personagem multifacetado, com uma evolução semelhante à de um romance, mostrando, através de pequenas nuances, suas contradições e seu comprometimento com seus valores. Os personagens em questão são a curadora Ila Gardner e o oficial nazista Rolf Hauptmann, cada um empenhado com os esforços de seus países, respectivamente, a França e a Alemanha, em recuperar, catalogar e armazenar as obras de arte perdidas na França durante a Segunda Guerra Mundial. Em primeiro lugar é preciso dizer, que esta, assim como outras HQs, é uma obra dedicada ao amor à arte. Ela mostra como o amor pela arte pode ser maior que o amor por si mesmo. Mostra que mesmo entre as penúrias da Segunda Guerra, enquanto passam fome, as mesmas pessoas se esforçam para manter a arte viva, e preservar ícones da civilização ocidental para as futuras gerações. Enquanto composição, a história vem e vai no tempo, entremeada de passagem que poderiam ser elipses de um filme, ou de uma …

A Fé (Não) Costuma Falhar: A Matter of Life, de Jeffrey Brown

A Matter of Life, é outra graphic novel autobiográfica. Não poderia deixar de ser, dado o título. A diferença é que esta trata de dois temas que têm e não têm a ver um com o outro: a paternidade e a fé. Já se falou muito sobre assuntos de paternidade nos quadrinhos, desde o Batman até o Invencível, de Maus a Fun Home, no recente One Soul, de Ray Fawkes e nas tirinhas brasileiras de A Vida com Logan, de Flávio Soares. A HQ de Jeffrey Brown – autor dos megassucessos Darth Vader and Son e Vader Little Princess – traz um pouco de todas as anteriores, mas, com o diferencial de abordar a religião que vêm dos nossos pais e que somos encarregados de repassar para nossos filhos. Ela não discute qual religião vale mais, nem tenta criar uma tese sobre a cristandade. A Matter of Life cria um mosaico de momentos que envolvem temas cristãos atuais e o esforço para ser um bom pai. Tudo começa quando Jeff, filho de um dos ministros …

Um Road Comic pela Magia. Os Livros da Magia, de Neil Gaiman, Scott Hampton, Charles Vess, John Bolton e Paul Johnson

O que têm em comum os três maiores escritores britânicos de super-heróis? Alan Moore, Neil Gaiman e Grant Morrison: todos eles acreditam em magia. E as praticam. A magia é um tema muito comum em suas histórias em quadrinhos e eles dizem praticá-la não apenas em performances místicas, mas nas suas próprias histórias. Magia, segundo dizem suas histórias, é transformação. Mas não é tirar um coelho da cartola ou serrar uma mulher ao meio, embora compreenda isso também. Segundo os autores, magia é acreditar em você, é ser um veículo transformador para agir no mundo. É o pensamento positivo – (mode ironic on) ou você não leu O Segredo? (mode ironic off). Engraçado como a minissérie, agora graphic novel, Os Livros da Magia percorre todos os aspectos da magia sem dar uma definição precisa do que ela é. A trama é básica: Tim Hunter, um garoto destinado a se tornar o maior mago de nosso tempo é levado a conhecer a magia por quatro desconhecidos: o Vingador Fantasma, John Constantine, o Dr. Oculto e Mister …

O Planetary dos Vingadores. Vingadores: Guerra Sem Fim, de Warren Ellis, Mike McKone e Jason Keith

Vingadores: Guerra Sem fim é primeira Marvel Original Graphic Novel a sair simultaneamente em todo o mundo (com a ressalva de que no Brasil saiu um mês depois, sendo que na Argentina chegou no dia correto – eu estava lá). Escrita por Warren Ellis e desenhada por Mike McKone, a publicação aproveita o sucesso mundial do filme dos Vingadores e prepara terreno para as vindouras continuações dos filmes do Thor – agora já estreada – e do Capitão América, focando em acontecimento do passado destes personagens. Não pretendo entrar no mérito da trama da Graphic Novel, mas dar uma olhada em seus principais aspectos, sem revelar spoilers. Como é uma HQ de Warren Ellis e se trata de uma equipe, a sensação que tem é que está lendo uma história de Planetary. Existem vários elementos que levam a comparar com os arqueólogos do desconhecido da Wildstorm: as idas e voltas no tempo e espaço, seja por todo o mundo, seja durante o século XX e XXI e a presença de elementos de ficção científica e …

Um Bangue-Bangue de Palavras: Descaracterizando Bendis

Esta semana acabei de ler a fase de Brian Michael Bendis em Os Vingadores. Foram quase dez anos à frente dos Maiores Heróis da Terra, uma run que começou polêmica – a Queda dos Vingadores – e morte de alguns dos seus mais queridos personagens, como o Visão e o Gavião Arqueiro. A fase terminou com a megassaga Vingadores versus X-Men. A última equipe é a nova casa de Bendis na Marvel. À despeito de suas grandes maquinações para revolucionar a Casa das Ideias, suas sequências bombásticas, suas experimentações narrativas e seus diálogos velozes, Bendis, um dos grandes representantes dos roteiristas de super-heróis do início do século XXI não sabe escrever uma revista de grupo. Mas cooomooo? Você diz, afirmando que ele revolucionou os Vingadores e que eles só são um sucesso no cinema por causa do que o Sr. Careca de Cleveland fez com eles. Sim, realmente ele tem esse mérito de transformar os Vingadores numa Liga da Justiça da Marvel, unindo os seus heróis mais populares numa equipe onde deveriam estar os mais …

Entrevista com Mário César Oliveira, autor de EntreQuadros

“Para quem não conhece o meu trabalho, eu já fui colaborador e um dos editores da Front, uma antologia que revelou grandes nomes do quadrinho brasileiro e sou um dos desenhistas e coeditor de Pequenos Heróis, um projeto criado pelo Estevão Ribeiro que homenageia diversos super-heróis e que já foi publicado nos EUA. Eu também sou o criador de EntreQuadros, uma série de quadrinhos em que eu busco retratar, com a devida licença poética, essa coisa complicada chamada vida”. – Mário César se apresentando no site de apoio do Ciranda da Solidão no Catarse.me. Depois de ter resenhado os quatro álbuns que Mário lançou sob o título Entrequadros (aqui), agora é a vez de conversar um pouco com o autor para conhecermos mais o que ele pensa sobre seus trabalhos, suas influência e refênrecnias e também seu relacionamento com o mundo LGBT, tem de sua última HQ. Splash Pages: Lendo um volume do EntreQuadros atrás do outro podemos perceber uma evolução. Tanto no texto, quanto nos desenhos, na experimentação e na forma narrativa. Por que você decidiu fazer o EntreQuadros …

A Mágica Acontece Entre um Quadro e Outro – Entrequadros, de Mário César

Desde 2009, Mário César de Oliveira vêm publicando a série Entrequadros. Primeiro, ela surgiu como um fanzine, publicado pelo 4º Mundo. Os dois seguintes foram publicados pela Balão Editorial e o último, Entrequadros – Ciranda da Solidão, abordando histórias do universo LGBT, foi financiado através do apoio do público, por meio do site de crowdfunding catarse.me . O lançamento será hoje, às 19h, no Testar Hostels, em São Paulo. O lançamento acontecerá junto com uma festa de Halloween. O PRIMEIRO ENTREQUADROS Como o próprio Mário conta na entrevista (que será publicada aqui no sábado), este fanzine foi uma compilação de trabalhos que ele já tinha prontos e que não foram publicados em coletâneas, como a Front. Mas nesse volume, já nos encontramos com a Morte, um dos personagens recorrentes de Mário, algo como um amálgama entre a Dona Morte de Maurício de Souza e a Morte, irmã do Sandman de Neil Gaiman. Neste volume também há a adaptação de um conto, artifício que se repetiria no volume seguinte. Mas, para mim, o destaque deste volume …

De Super e de Louco Todo Mundo tem um Pouco (III)

O HERÓI DÁ DEPRESSÃO Robert Reynolds, o Sentinela, assim como o Hulk, compartilha as identidades tanto de herói, como o Sentinela, quanto a de vilão, como o Vácuo. Mas o mais interessante das patologias do herói talvez seja a depressão que o acometeu quando o mundo se esqueceu dele. Isso mesmo, o MUNDO INTEIRO se esqueceu de que ele era um herói, e o mundo inteiro se esqueceu de que Reynolds era o supervilão Vácuo. Para conter o vilão, Reed Richard, o Senhor Fantástico, do Quarteto Fantástico, resolveu construir um dispositivo para que todos na Terra, inclusive Reynolds e sua esposa, esquecessem de que o Vácuo e o Sentinela já existiram. Assim, Reynolds caiu em depressão e no alcoolismo. Numa história subsequente, ele é analisado por um psiquiatra do qual ninguém tem conhecimento e, que numa reviravolta rocambolesca revela ser o Vácuo. Aliás, psiquiatras são a especialidade médica em que temos mais supervilões. O Sentinela/Vácuo acabou morto, durante a saga O Cerco, estripado por uma descarga energética desferida por Thor. O FIM DO MUNDO ESTÁ …