As Eras dos Quadrinhos, História dos Quadrinhos, quadrinhos
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As Eras dos Quadrinhos – Parte 5

Período de Transição B – Santa relevância social, Batman!

Batman (1966), seriado com Adam West e Burt Ward. Responsável pela popularização do Homem-Morcego.

Batman (1966), seriado com Adam West e Burt Ward. Responsável pela popularização do Homem-Morcego.

As mudanças de paradigma geralmente se concretizam em decisões editoriais. Julius Schwartz definiu o início da Era de Prata e deu os primeiros passos para o fim deste período. As histórias do Batman, editadas por Sheldon Moldoff, traziam o herói sofrendo todo o tipo de mutação: havia o Batman bebê, o Batman alienígena e até o Batman zebra. Para defender-se das acusações que Wertham fez de uma relação homossexual entre Homem-Morcego e Menino Prodígio, a National havia providenciado a eles uma família com Batwoman, Batgirl, Ace – o Batcão e Bat-Mirim. Nada disso impediu que as vendas despencassem e o público perdesse o interesse no personagem.

Estas histórias traziam elementos muito comuns da Era de Prata na DC Comics, como as famílias de heróis (Superman também tinha a sua), animais de capa e mudanças temporárias de toda sorte que colocavam os personagens-título em situações absurdas. Schwartz foi chamado para reverter a situação em 1964. Removeu das histórias do morcego os elementos bizarros que vinham de uma exacerbação da ficção cientifica, desfez a bat-família, trouxe de volta vilões clássicos e uniu uma elipse amarela ao símbolo que o herói usava no peito. Tudo isso para fazer com que os enredos voltassem à sua origem: as histórias de detetive.

No entanto, foi necessária a ação de Neil Adams para que Batman se libertasse de seus elementos infantis, que foram acentuados pela série de TV de 1966. Adams desenhava a revista The Brave and the Bold no final dos anos 60 e recebia cartas de fãs afirmando que o verdadeiro Batman estava naquela revista e pedindo para vê-lo assim em outras publicações. Junto com Denny O’Neil, Adams conferiu ao morcego uma ambientação noturna e histórias com um grau de realismo não visto há décadas.

O ano que trouxe mais mudanças neste período de transição foi 1968. Neste ano, personagens novos e diferentes entravam no universo de Superman e Batman: Rastejante e Rapina & Columba. A Mulher-Marvilha entrava na fase I-Ching. A Patrulha do Destino morria em sua última edição. Clark Kent ia trabalhar na televisão. Enquanto a Marvel transformava suas revistas de antologias (Strange Tales, Tales to Astonish e Tales to Suspense) em séries focadas em apenas um herói como Homem de Ferro e Capitão América. O Surfista Prateado e o Capitão Marvel ganhavam suas séries. Não por acaso, no mundo “exterior”, também aconteciam mudanças. Em 1968, ocorreu a Primavera de Praga, quando a Tchecoslováquia tentava se separar do bloco comunista. As rebeliões estudantis eclodiam em Paris. O senador Robert Kennedy e Martin Luther King eram assassinados nos EUA. No Brasil, o AI-5, que limitava os direitos civis, era promulgado.

Green Lantern/Green Arrow #85, de Denny O'Neil e Neil Adams.

Green Lantern/Green Arrow #85, de Denny O’Neil e Neil Adams. “Você sempre tem todas as respostas, Arqueiro Verde! Bem, qual é sua resposta para aquilo?”, pergunta o Lanterna. Ao que o Arqueiro se espanta: “Meu filho é um viciado!”.

Também pelas mãos de O’Neil e Adams, em Green Lantern/Green Arrow #76 (1970), o Lanterna Verde e o Arqueiro Verde iniciavam uma viagem através do país, lidando com assuntos delicados que envolviam consciência social, como preconceito racial, superpopulação, questões indígenas e trabalho escravo. A revista dos heróis esmeralda também foi a primeira a tratar de drogas após a instituição do Comic Code e, junto com o arco de histórias publicado em Amazing Spider-Man #96-98, em que Harry Osborn abusa das drogas, forçaram uma mudança no código em 1971.

Uma das influências para a preocupação com esses problemas e para tratar de temas controversos foram os quadrinhos underground, que não tinham papas na língua para falar de experimentações de toda sorte, drogas, tabus sexuais e a ridicularização do status quo. Zap Comix#1 (1967), de Robert Crumb é considerada o primeiro quadrinho underground. A indústria aprendeu que fazia bem trazer histórias conscientizantes, que transmitissem a relevância de combater as mazelas da sociedade, mas também soube que isso pode acarretar no cancelamento de uma revista, como aconteceu com Arqueiro Verde/Lanterna Verde.

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