As Eras dos Quadrinhos, História dos Quadrinhos, quadrinhos
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As Eras dos Quadrinhos – Parte 7

Período de Transição C – Avante, compradores!

Dazzler #1 (1981), a estreia do mercado direto. Vendeu mais de 400 mil cópias.

Dazzler #1 (1981), a estreia do mercado direto. Vendeu mais de 400 mil cópias.

No início dos anos 1980, um organizador de convenções de quadrinhos chamado Phil Seuling abordou as principais editoras de quadrinhos dos Estados Unidos para desenvolver um sistema de compra e distribuição de suas revistas diferente do que estavam costumados a utilizar. O mercado direto dos comic books se iniciava com a edição de estréia da mutante Cristal (Dazzler#1, de 1981) pela Marvel Comics. A edição vendeu mais de 400 mil cópias, praticamente o dobro da média de vendas dos gibis normais.

A principal característica do mercado direto era, no início, a compra de revistas pelas empresas diretamente da editora, sem a possibilidade de retornar as edições não vendidas em troca de créditos, como era feito no sistema de consignação, com bancas de revistas e outros pontos informais de venda. No lugar deste benefício perdido, ganhavam maiores descontos, facilidades na compra e, principalmente, exclusividade. Algumas edições eram lançadas apenas neste tipo de mercado: assim, o custo de oportunidade de novos títulos se tornou menor, e as editoras passaram a arriscar mais e diversificar a produção, uma vez que o risco de não vender era absorvido pelos revendedores.

Camelot 3000 (1982), quebrou alguns tabus da indústria dos quadrinhos.

Camelot 3000 (1982), quebrou alguns tabus da indústria dos quadrinhos.

Camelot 3000 foi um exemplo desse empreendimento com vendas menos seguras, mas garantidas pelo mercado direto. Publicada em 1982, era uma minissérie de 12 edições vendida exclusivamente nas comic shops, além de ser impressa em um papel melhor, com uma sofisticada (para a época) paleta de cores. A história, de Mike W. Barr e ilustrada por Brian Bolland, tratava da volta do Rei Arthur no ano 3000, lutando para livrar a Terra de uma invasão alienígena, e mostrava a reencarnação dos diversos cavaleiros da Távola Redonda em novos corpos. Um deles, Sir Tristão, havia reencarnado em um corpo feminino e, no momento que conhecia sua outrora amada, Isolda, sentiu-se tão atraído por ela como em sua vida passada. Teve, então, de repensar os papéis de gênero e sua própria sexualidade. Camelot 3000 foi uma das primeiras revistas a mostrar relação sexual entre pessoas do mesmo sexo. No Brasil, essa cena foi censurada na primeira publicação da série.

Frank Miller lançava, um ano depois, Ronin, no mesmo esquema. Em 1984, a DC trazia The Saga of Swamp Thing#29 às bancas. Ela vinha sem o selo de aprovação do CCA e trazia nudez, corpos em decomposição, incesto e necrofilia. Tudo pelas mãos de Alan Moore. As próximas edições viriam sugeridas para o público adulto. Um grande passo para o amadurecimento dos comic books, apesar dos protestos de Moore quanto a rotulação de seus títulos.

Em 1982, surgia o primeiro grande crossover da Marvel, o Torneio de Campeões, que levava heróis de diversas nacionalidades a lutarem entre si pelo destino da Terra. Dois anos depois, a Marvel lançava outro evento, as Guerras Secretas, que traria conseqüências para as principais revistas da editora, e teria uma grande divulgação. A minissérie teve direito a action figures baseadas em seu enredo. Uma das desvantagens mercadológicas de Guerras Secretas, comparada com os encontros de super-heróis que se seguiram, foi a ausência de tie-ins, ou seja, de revistas relacionadas à minissérie principal. Por exemplo, o Homem-Aranha embarcava para a dimensão de Beyonder na edição 251 de Amazing Spider-Man; na edição seguinte, de número 252, o amigão da vizinhança já estava de volta e com uniforme negro. Os leitores, contudo, teriam de esperar quase um ano inteiro para saber como o aracnídeo havia ganhado sua nova roupa.

O evento do ano seguinte, da editora rival, Crise nas Infinitas Terras, mostraria todo o potencial de vendas de um crossover. Não apenas envolveria todos os heróis da DC Comics (que completava 50 anos na época), e se espalharia por todas as revistas, mas também redefiniria o confuso universo da editora. O objetivo principal de Crise nas Infinitas Terras era unificar o universo DC, juntando os mundos que o compunham numa única e consistente história de fundo, que tornasse todos os seus heróis mais acessíveis aos novos leitores.

Crise nas Infinitas Terras é o melhor exemplo da crise citada na Teoria das Revoluções Científicas de Kuhn, um ponto que rompe com o que já está estabelecido e dá início à criação de novos paradigmas para os super-heróis. Claro que, em retrospectiva, ficam evidentes todos os aspectos que levaram a essa quebra. Com Crise, o Superman das gerações seguintes não possui poderes ilimitados, mas um número restrito deles. A Mulher-Maravilha tem sua origem mais arraigada à mitologia grega. Para os novos leitores, é Wally West quem melhor representa o Flash, e não Barry Allen.

Crise nas Infinitas Terras, o melhor exemplo de crise da teoria de Kuhn.

Crise nas Infinitas Terras, o melhor exemplo de crise da teoria de Kuhn.

A década de 80 também veria o surgimento e a expansão do mercado independente com títulos como Cerebus, ElfQuest, Tartarugas Ninja e a criação da Dark Horse. O mercado direto se expandiu a tal ponto que em 1987 já fazia parte de 70% das vendas brutas da Marvel. Os grandes crossovers e o avanço do mercado direto são os principais promotores da era que viria a seguir e cuja denominação ainda é incerta.

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