Saudades: Shazam!

Heróis da TV. Superaventuras Marvel. Grandes Heróis Marvel. DC 2000. Heróis em Ação. Super Powers. Superamigos. Revistas que duraram um bocado de tempo, mas que sempre vão ficar na memória dos leitores brasileiros como marcos da sua época. Aqui na seção Saudades quero falar sobre revistas que tiveram uma sobrevida curta e que poderiam ter durado mais, devido a qualidade de seu mix de histórias. Hoje em dia temos casos de revistas que duram pouco pela Panini, como é o caso de Grandes Heróis Marvel, Deadpool, Flash e Edge, mas essas quatro estão longe de deixar qualquer saudade. O que as revistas aqui nesta sessão terão em comum? Séries que são favoritas dos leitores e que foram pedidas por anos e sempre foram relegadas ao segundo plano. Até que algum editor resolveu dar uma chance para elas, apenas para que caíssem no limbo novamente. Aqui começa a seção das revistas que deixaram saudades. Vamos começar com Shazam!, da Editora Abril.

Shazam! #0 (Abril, 1996). O restart depois da Zero Hora. (Não, não é nem a banda e muito menos o jornal)
Shazam! #0 (Abril, 1996). O restart depois da Zero Hora. (Não, não é nem a banda e muito menos o jornal)

Dados Gerais:

Shazam! (Editora Abril)

Duração:

13 números (0 + 12 edições) – Outubro de 1996 a Outubro de 1997

O Contexto:

A minissérie retroativa Zero-Hora reiniciava todo o Universo DC, assim como Crise nas Infinitas Terras fez anteriormente e Ponto de Ignição faria posteriormente, como mais uma das maneiras de “curar” as incongruências cronológicas da Editora das Lendas. O fato é que Zero Hora teve mais repercussão aqui no Brasil do que nos Estados Unidos, uma vez que em terras tupiniquins, a Editora Abril resolveu reiniciar as revistas. Saíram, então, os números 0 de Shazam!, Superman, Superboy, Batman e Batman e Os Vigiiantes de Gotham (os nº 0 também saíram nos EUA).

Shazam #3 com a magnífica arte de Brian Bolland
Shazam #3 com a magnífica arte de Brian Bolland

O Mix:

The Power of Shazam!

A série capitaneada por Jerry Ordway apresentava o Capitão Marvel e sua mitologia para uma nova geração de leitores. Depois do encadernado Shazam! – A Origem do Capitão Marvel, que contava exatamente essa história, a revista trazia as desventuras do garoto Billy Batson que ia, ao poucos, descobrindo mais sobre seu passado e os poderes do mago Shazam! Vale lembrar que a série teve outra tentativa de retomada em 1975, que não logrou muito sucesso. Já The Power of Shazam foi sucesso de público e crítica, durando mais de 70 edições nos EUA. Um dos charmes da série eram as histórias inocentes recheadas de coadjuvantes interessantes, como Sr. Malhado, um tigre de pelúcia que virava uma espécie de conselheiro antropomórfico de Billy Batson, criado muito antes de Calvin encontrar Haroldo.

Mulher-Maravilha

Esta série começa do ponto em que Mike Deodato Jr. começou a ilustrar a série. Suas ilustrações foram muito apreciadas nos EUA porque privilegiavam as “formas” femininas. A série da Mulher-Maravilha alavancou sua carreira, transformando-o num ícone das bad girls, mácula que iria ser desfeita anos depois com uma grande transformação no seu estilo. Quanto à história contada na revista, basicamente é uma recapitulação de uma trama pré-crise, na qual a Princesa Diana é desafiada para um novo torneio para coroar a Mulher-Maravilha… e perde. Ártemis, vinda de uma tribo renegada de amazonas, se transforma na nova Mulher-Maravilha e Diana vai ao seu encalço para evitar que ela faça alguma besteira, uma vez que o ímpeto de Ártemis era irascivo. Porém, o arco acaba com Ártemis sangrando nos braços de Diana, com direito a confrontos com o Coringa, Hera Venenosa, Lince e Mulher-Leopardo.

Arqueiro Verde

Para fechar a trinca de heróis, temos as aventuras de Oliver Queen, em grande parte escritas por Chuck Dixon e desenhadas por Jim Aparo. Nelas, o Arqueiro toma conhecimento da existência de seu filho, Connor Hawke, até então escondido num mosteiro. As histórias são um tanto rocambolescas e se encerram com a morte de Oliver Queen tentando evitar que uma bomba exploda em um avião que se dirige à Metrópolis. Durante a história há participações do Superman, de Hal Jordan e mostra Oliver dando apoio para que Connor siga, um dia, seu legado. E é o que o rapaz faz. Assim como Kyle Rayner era o Lanterna Verde de uma nova geração, Connor Hawke fazia esse papel como o novo Arqueiro Verde.

Shazam! #10, a morte do Arqueiro Verde.
Shazam! #10, a morte do Arqueiro Verde.

O que deu certo e o que deu errado:

Parece que a revista foi feita para preencher um espaço que havia entre Zero Hora e a criação da Liga da Justiça de Grant Morrison, que capitanearia a revista que substituiria Shazam!, Melhores do Mundo, pois todos os arcos se encerraram na edição 12. Aparentemente o Capitão Marvel não fez tanto sucesso entre os leitores brasileiros quanto fez no passado. Talvez ele pertença a uma geração de heróis que não se renovaram com o passar dos anos, como Fantasma, Flash Gordon e Mandrake e, por isso, perdera o público cativo. As histórias eram inocentes e divertidas, com um traço característico e sem exageros, bem diferente da onda grim’n’gritty que se alastrava por todas as revistas de heróis dos anos 90. Por não seguir a onda, Shazam se afogou. O fato é que a Editora Abril não quis arriscar e criou um título genérico “Melhores do Mundo”, que poderia comportar o mix que bem entendesse, sem depender de um herói-símbolo. Um dos pontos legais da revista Shazam! eram as matérias informativas sobre os personagens, vilões, na edição zero havia uma “carta de boas-vindas” para os novos leitores e no final uma chamada dizendo que esta era a revista que “você irá adorar colecionar”. Além da seção de cartas, batizada de Respostas-Relâmpago.

O que aconteceu com as séries que a compunham:

Parecia que os planos da editora eram de publicar as aventuras de Connor Hawke, visto que na revista havia uma matéria falando sobre a arte do brasileiro Sergio Carriello em histórias futuras na revista do novo Arqueiro. Contudo, isso não aconteceu, salvo algumas histórias interligadas a outras revistas. Já a Mulher-Maravilha teve em seguida sua fase escrita e desenhada por John Byrne. Algumas dessas edições foram publicadas em Melhores do Mundo. Muitos ficaram órfãos do Shazam! de Jerry Ordway. Ele teria uma nova chance em DC Millennium (que falaremos em seguida), e que não se concretizou. Para os adoradores do personagem, este mês sairá a edição 0 (opa, de novo!) de Liga da Justiça, com as histórias de um Shazam! redefinido para o mundo dos Novos 52 por Gary Frank e Geoff Johns.

No próximo Saudades falaremos do retorno ao formatinho no tempo das revistas Premium.

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