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Os Arquétipos e os Super-Heróis da Marvel

A Grande Meta do Homem-Aranha: garantir que "grandes poderes" sejam utilizados com "grande responsabilidade".

A Grande Meta do Homem-Aranha: garantir que “grandes poderes” sejam utilizados com “grande responsabilidade”.

Os arquétipos funcionam de certa forma como instintos que guiam e moldam nosso comportamento. As mitologias, bem como os arquétipos, ajudam as pessoas a encontrarem suas identidades, ajudam-nas a em sua luta para entender o universo e o lugar que ocupam nele. Segundo Randazzo (1997, p. 32), os meios de comunicação têm o papel de transmissores da mitologia dos arquétipos, capitaneados pela publicidade geradora de modas e padrões que orientam as massas.

No âmbito racional, os super-heróis se identificam com o arquétipo das Cenas do Cotidiano, quando em sua identidade secreta, seu alter-ego mortal. Ao demonstrar, incertezas, pouco conhecimento de si, ao se projetarem em oura pessoa que admiram, como fazem os super-heróis humanizados da Marvel, se aproximam mais dos leitores por serem identificados em suas fraquezas. Esses personagens além de lutar contra seus inimigos têm de batalhar para sobreviver, portanto, têm uma forte consciência das suas responsabilidades e obrigações, conforme diz o lema do Homem-Aranha: “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”, tendo para si a crença de que tudo se realiza com esforço, mesmo possuindo superpoderes. “Os personagens nesse arquétipo buscam tornar-se queridos no ‘papel dentro da expectativa social’, sem se preocupar com grandes profundidades emocionais” (Martins, 1999, p.62).

O arquétipo racional da Grande Meta está associado ao arquétipo instintivo do Guerreiro: um lutador em busca de um grande objetivo. O estado de espírito da Grande Meta está relacionado à concentração de esforços numa finalidade definida e, para chegar a tal intento é necessário luta, disciplina e determinação. “Cada conquista é uma possibilidade de expressar sua individualidade e, simbolicamente, um passo no desenvolvimento social” (Martins, 1999, p.70). Os super-heróis levam esses três elementos em sua jornada, buscando a justiça e a paz e sendo recompensados pela gratidão e a admiração da sociedade, na maioria dos casos. A busca pela Grande Meta, que para muitos indivíduos é a busca pela felicidade, leva ao encontro com o amor próprio, o afeto e à capacidade empreendedora.

A origem do Demolidor, ao salvar um idoso do atropelamento, Matt Murdock ficou cego, mas seus outros sentido se ampliaram.

A origem do Demolidor, ao salvar um idoso do atropelamento, Matt Murdock ficou cego, mas seus outros sentido se ampliaram.

Os super-heróis não se ligam a nenhum arquétipo emocional sob o ponto de vista do ego, mas é no domínio do espírito que podemos encontrar a maior parte de arquétipos emocionais, principalmente se analisarmos pelo ângulo das equipes de super-heróis.

O Professor Xavier é um bom exemplo de Líder Visionário. Assim como Magneto poderia ser considerado.

O Professor Xavier é um bom exemplo de Líder Visionário. Assim como Magneto poderia ser considerado.

Toda a equipe de super-heróis possui um Líder Visionário, que motiva seus integrantes a seguir objetivos de mudança, que sensibiliza as pessoas para um ideal comum mais elevado. O Líder Visionário não aceita normas e atitudes irracionais limitadoras, sua convicção persuade os outros, que querem fazer parte do empreendimento até a vitória. “Cada pessoa motivada é um agente de transformação”. O Líder Visionário “transforma a equipe em um time – porque tem uma força maior do que cada um individualmente, contudo em uma interação em que todos brilhem”(Martins, 1999, p.96 e 98). O Professor Xavier, líder dos X-Men, convocou esses heróis para lutarem por um mundo mais justo, onde seja possível a coexistência pacífica entre duas raças, os humanos e os mutantes.

Os Totalmente Novos, Totalmente Diferentes X-Men, vindos de várias partes do mundo, representantes de diversas culturas.

Os Totalmente Novos, Totalmente Diferentes X-Men, vindos de várias partes do mundo, representantes de diversas culturas.

Nas década de 70 e 80 o mundo estava começando a se globalizar e, para tanto, a América precisava demonstrar a “política da boa-vizinhança” com os outros países, acolhendo, desta maneira, aliados na Guerra Fria contra a União Soviética. As revistas de super-heróis passaram a encarnar um sentimento de Tribo Global, mostrando heróis de outras nacionalidades e cenários internacionais. O arquétipo da Tribo Global expõe a aceitação da diversidade, a necessidade de símbolos de integração global, de um sentimento de interação. A equipe internacional dos X-Men, de 1975, é um sinal do funcionamento desse arquétipo de integração das diversidades pois além aliar duas raças em busca de um objetivo comum seus integrantes vinham de outros países como a Alemanha, o Quênia, o Japão e até mesmo da União Soviética.

O último arquétipo a que os super-heróis se relacionam é a Força de União da Humanidade, um estado de espírito em que os limites individuais são ultrapassados um busca de um objetivo compartilhado. A junção de esforços individuais para a garantia do bem geral esteve presente desde a primeira equipe de super-heróis, a Sociedade da Justiça, quando muitos heróis se uniam para enfrentar uma ameaça comum e em equipes familiares como o Quarteto Fantástico:

A dinâmica entre os personagens do Quarteto Fantástico, funciona como a de uma família.

A dinâmica entre os personagens do Quarteto Fantástico, funciona como a de uma família.

“A Força da União é um estado de espírito em que o indivíduo atinge compreensão e respeito ao todo, sem que os papéis individuais se choquem em conflitos de interesses. Ao contrário, eles se somam num objetivo comum. (…) As pessoas passam a ser um pouco como irmãos. A união provoca o sentimento de humildade: temos direitos iguais, respeitando missões individuais e talentos, ajudando no eterno conhecimento de nós mesmos, ajudando os imaturos a reconhecer seus limites, pois excessos são prejudiciais a todos” (Martins, 1999, p.110).

Através destes arquétipos os super-heróis conferem às marcas, bem como às suas revistas, uma identidade, vendendo ao consumidor uma emoção autêntica do produto que está comprando. A identificação e a projeção do leitor e do consumidor com os personagens geram diferenciação, fidelidade e uma personalidade para a marca. Conforme Martins (1999, p.197), como todos têm um sentimento a respeito das marcas, a estratégia emocional abrange todos os grupos sociais e acaba por romper as barreiras sócio-culturais e transnacionais.

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