Avaliação Geral: Vertigo Crime (1)

A coleção Vertigo Crime foi lançada no ano passado no Brasil pela New Pop. Contava com seis títulos, apesar de muitos mais terem sido lançados nos EUA. A Panini Comics também lançou um destes títulos, estrelado por John Constantine: Hellblazer. A diferença nos tratamentos de editora para editora é evidente: enquanto a Panini optou por utilizar o Papel Pisa Brite no miolo e diminuir o preço da publicação, a New Pop usou papel off-set e seus livros acabaram custando mais caro. Entretanto, o trabalho de edição da Panini é impecável, enquanto o da New Pop deixa a desejar. Tradução e adaptação esculhambadas, muitos erros de revisão. Para ter uma ideia “library”, biblioteca em inglês, foi traduzida como livraria, entre outros erros e palavras mal-escolhidas. Mas vamos analisar livro por livro. Primeiro, a sinopse da editora e, depois, de uma forma diferente, avaliando não só arte e roteiro, mas outros elementos comuns às histórias de crime: chocômetro, nudez e noirismo. Em seguida, os comentários gerais.

A Cidade da Neblina
A Cidade da Neblina

Sinopse da Editora: Frank Gissel é um detetive particular da grande São Francisco. Frank já viu de tudo e fez de tudo, é um homem durão, boca suja, beberrão e mulherengo. Mas, após um caso de desaparecimento, Frank acaba se envolvendo em uma grande e tortuosa rede de sexo, dinheiro, drogas e assassinatos. Para solucionar este caso Frank vai precisar questionar e encarar a si mesmo.

Comentário: A Cidade da Neblina é uma daquelas HQs que te prendem do começo ao fim, tal o número de reviravoltas na sua trama. A cada virada de páginas uma revelação. A ambientação noir também é interessante, já que a história se passa nos anos 50 em São Francisco. Há também toda a atmosfera cultural e pecaminosa de uma boa história noir. O roteiro é um dos mais bem amarrados da coleção, apesar de que todos o sejam, mas este funciona como um relógio. A arte, com traços grossos e a anatomia “achatada” dos personagens e as expressões simples e caricatas, mostra que a coleção foge do comum, buscando diferentes estilos narrativos e artísticos. O mérito de A Cidade da Neblina é que ela não choca o leitor com nudez, palavras sujas, corpos em decomposição, mas com o próprio decorrer da história.

Área 10
Área 10

 

 

 

 

 

 

 

 

Sinopse da Editora: Um assassino conhecido como “Henrique VIII” deixa uma trilha de corpos decapitados. Nenhuma pista é deixada nos locais do crime, tudo que se sabe é que ele leva as cabeças por algum motivo. Cabe ao detetive da polícia de Nova Iorque, Adam Kamen, que acabou de passar por uma tragédia e por um divórcio, resolver o caso “Henrique” e conseguir pôr sua vida de volta na linha – até sofrer um bizarro acidente que causa-lhe um ferimento no cérebro. Quando volta a si, a percepção de tempo de Adam está alterada. Ele logo se convence de que sua atual condição está ligada às mortes de “Henrique” e que a chave da solução está na antiga arte da “trepanação”, o macabro ritual de abrir buracos nos crânios para obter iluminação. Adam precisa aprender a usar seus estranhos sintomas a seu favor, antes que “Henrique” ataque novamente.

Comentário: Confesso que fiquei um pouco decepcionado com Área 10. Nem tanto pela arte de Chris Samnee, que é um dos pontos altos da edição, mas que poderia ter sido utilizada em outra HQ, que retratasse uma época específica, visto que ele abusa de referências à fotografia noir em seu chiaroscuro. É, de longe, a melhor arte da coleção. Já o roteiro de Christos N. Gage foi que me deixou aquém das minhas expectativas, uma vez que ele já roteirizou alguns episódios de Law & Order. E é isso que a história se parece: com um episódio desta série. Porém há o elemento de choque: a prática da trepanação, ou seja, furar a testa de uma pessoa a fim de curá-la da loucura ou para que ela tenha uma percepção de mundo diferente. Por outro lado, ao ler a história, pode-se pensar: ok, esse final vai ser muito previsível. Mas não é o que acontece. E isso é ótimo. Vale mencionar que os créditos na quarta capa da edição estão trocados.

A Rica Indecente
A Rica Indecente

Sinopse da Editora: Richard Junkin sempre viveu ao limite. Ex-profissional de Futebol Americano que teve a carreira encurtada por um acidente, ele atualmente vende carros em Nova Jersey, sonhando com a filha rica de seu chefe, Victoria. Quando seu chefe pede para que Richard seja o guarda-costas pessoal da garota na boemia da cidade de Nova Iorque, Junk encontra sua chance. Mas sem demora, ele descobre que Victoria quer um cão de ataque e não um acompanhante, alguém que faça todo seu trabalho sujo – todo – alguém em busca de uma riqueza indecente…

Comentários: Em A Rica Indecente fui remetido às clássicas histórias noir de James Ellroy e Raymond Chandler, o roteiro de Azzarello talvez não seja o mais envolvente, mas junto com a arte única de Victor Santos – uma mescla entre as luzes e sombras de Frank Miller e o cartunismo de um Chester Gold – criama o clima da história mais noirista da coleção. Femmes fatales, gâgsteres, um homem em negação tornado detetive, o tráfico, todos clássicos elementos noir. Cabe aqui um parentes para uma coisa que chama muito à atenção na coleção: as capas de Lee Bermejo, como a capa sensacional deste volume e de tantos outros, sempre bem sacadas e um baita atrativo às vendas.

A seguir: Peter Milligan, John Constantine, a HQ que daria o melhor filme policial e a que daria o pior.

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