Avaliação Geral: Vertigo Crime (2)

Nesta segunda parte escolho qual dos volumes daria o melhor filme policial, qual deles é o título mas apelativo da série, John Constantine e o uso da metalinguagem.

Calafrio
Calafrio

 

 

 

 

 

 

 

 

Sinopse da Editora: É verão em Nova Iorque, mas um “calafrio” assola a cidade – um assassino em série está à solta e está ficando cada vez mais sádico. A polícia de Nova Iorque e o FBI têm uma suspeita: uma linda jovem chamada Arlana. O único problema é que toda testemunha dá uma descrição diferente dela. Como isso é possível? Nada faz o menor sentido a ninguém, a não ser para Martin Cleary, um policial irlandês de Boston, com um grande segredo em seu passado – um passado que remete a um século ou dois…

Comentário: Calafrio é o mais fraco volume da coleção. Talvez pelo que seja o mais apelativo, por isso ganhou todas as estrelas do chocômetro. Como devem saber, não gosto de linguagem de baixo calão nas histórias que leio, a não ser que seja para caracterizar um personagem, mas quando todos eles usam dessa linguagem é porque há uma tentativa por parte do autor de mostrar o quanto ele é “durão”. Calafrio poderia render muitas avaliações psicológicas, mas vamos deixar a viajem pra lá, e vamos se ater à obra. Sexo e morte podem ser bem utilizados, como em Y: O Último Homem, mas em Calafrio, esses elementos combinados resultam numa pornochanchada com temática mística e criminal. Para não dizer que só falei mal, a metodologia dos crimes e a opção de revelar o assassino logo de cara são os pontos positivos desta obra.

O Executor
O Executor

 

 

 

 

 

 

 

 

Sinopse da Editora: Joe Ullen, uma ex-estrela da NHL, foi a melhor coisa que já saiu da cidadezinha de Elohra, Nova Iorque. Mas quando é inesperadamente nomeado executor do testamento de sua namorada de colégio, ele decide voltar para sua cidade natal e ver o que mudou. E o que ele descobre é que a morte de sua ex pode não ter sido acidental e que um segredo sombrio de seu passado voltou para lhe assombrar. Conheça Joe e sua luta contra o passado, seus fantasmas e seus assassinos…?

Comentário: Se eu fosse escolher qual dos volumes da Vertigo Crime daria o melhor filme policial, com certeza escolheria O Executor. Ele se encaixa perfeitamente na categoria de filmes policiais que são feitos hoje em dia, como Medo da Verdade (Gone Baby Gone, 2007), de Ben Affleck. O roteiro, diferente dos outros volumes, contém muitos momentos silenciosos com muita ação. Tempo esse, necessário para o leitor/espectador refletir sobre a trama. Essa não é uma trama noir em si, é mais uma trama contemporânea, sem muitos elementos do consagrado gênero de histórias policiais. Por outro lado, a arte é a mais fraca da coleção, sem personalidade, que precisa ser apoiada numa colorização em tons de cinza computadorizados. Talvez aqui o uso da retícula, tão comum nos mangás, tivesse dado um efeito melhor à arte.

Morte no Bronx
Morte no Bronx

Sinopse da Editora: O Pai de Martin sempre quis que ele fosse um tira. Estava no sangue dos Keane, mas o rapaz tinha outra pretensão. Martin quis ser escritor.  Um dia a esposa de Martin desaparece. Lentamente, a vida dele desmorona, à medida que ele tenta descobrir o que aconteceu. Sua busca desesperada o força a tocar na coisa que passou a maior parte da vida fugindo: o passado sombrio e os segredos dos Keane – o levando à Morte no Bronx, o solitário e esquecido pedaço de terra onde, há muitos anos, seu bisavô foi assassinado brutalmente – o lugar onde ele vai aprender a verdade sobre sua mulher e sua família… uma verdade mais chocante e monstruosa do que ele poderia sequer imaginar.

Comentários: Peter Milligan percorreu um caminho muito perigoso ao se utilizar da metalinguagem, mas conseguiu fazer um bom trabalho, refletindo o que acontece na vida de Martin com o que ele escreve para seu livro. É interessante dizer que Morte no Bronx vem com várias páginas em prosa (partes do livros que Martin escreve), porém ela tem a intervenção do autor, fazendo comentários e rabiscando as páginas para mostrar como elas deveriam ser alteradas. Esse sentimento de rascunhado de algo inacabado, de pontas soltas, que é o clima que percorre a história também casa muito bem com a arte: rabiscada, parecendo apressada, suja com os preenchimentos em carvão e o (bom) uso dos tons de cinza. Morte no Bronx é um dos melhores dos roteiros de Vertigo Crime e acerta em cheio quando usa da metalinguagem.

Passagens Sombrias
Passagens Sombrias

Sinopse da Editora: John Constantine já teve sua quota de coisas bizarras na carreira, mas nada poderia prepará-lo para a maior de todas as bizarrices: participar de um reality show! Passagens Sombrias é o programa de maior sucesso na tevê, mas, quando a casa que serve de cenário para as filmagens começa a assustar de verdade os competidores, independente da vontade da produção do show, John Constantine é chamado para investigar o que há de errado. Trancafiado na casa na companhia de um grupo de subcelebridades, John tem seus movimentos monitorados por câmeras o tempo todo, e também é vigiado de perto por uma figura do passado. Cabe ao encapotado inglês desvendar o mistério antes que ele mesmo acabe morto – seja de um ataque por parte de quem assombra a mansão… ou de tédio.

Comentário: Passagens Sombrias é a exceção que confirma a regra, por isso ela ficou com poucas estrelas em nudez e noirismo. Mas ela é sensacional. Primeiro pela premissa: um reality show sobrenatural, em segundo pela arte de Dell’Edera e por último pela girada de 180 graus que a trama dá um pouco depois da metade da história, transformando as páginas de fundo branco em páginas de fundo sombrio. Fora isso, Rankin faz uma ótima caracterização dos personagens participantes do reality show, apesar de se perder um pouco quando a coisa se torna sobrenatural demais. Mas o carisma (ou a falta dele) que John Constantine tem, ajudam a tornar a história mais saborosa e venenosa com suas belas doses de ironia inglesa.

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