V de Vingança e Miracleman: Contrastes e Correspondências

Protestos Anônimos (Fonte: Zero Hora)
Protestos Anônimos (Fonte: Zero Hora)

Para quem não sabe, essas máscaras que o povo anda usando nas ruas durante as manifestações, são originadas da graphic novel e do filme V de Vingança. A HQ é de Alan Moore e David Lloyd  e o filme é dos Irmãos Wachowski. A máscar também representa Guy Fawkes, que tentou explodir o parlamento inglês, e é muito usada no dia de Guy Fawkes, na Inglaterra, quando as pessoas costumam enforcá-lo, como na malhação de Judas aqui no Brasil. Acontece que a obra de Moore é levada ao pé da letra. A intenção de Alan Moore, como o mesmo já disse, não foi de apoiar movimentos, mas “a questão é: este cara está certo? Estará ele louco? O que você, leitor, pensa disto? O que para mim é uma pequena e perfeita solução anarquista. Eu não digo às pessoas o que pensarem, eu só quero que dizer às pessoas para que pensem, e reconsiderem estes pequenos elementos e assumidamente extremos, que são bastante regulares na História humana”.

Miracleman Refletindo sobre sua Utopia Autoimposta
Miracleman Refletindo sobre sua Utopia Autoimposta

Alan Moore, junto a Alan Davis, outro mestre inglês dos desenhos, publicou também a série Marvelman, que depois foi publicada como Miracleman nos EUA, devido a direitos autorais.  Marvelman conta a história de um super-herói decalcado no Capitão Marvel que descobre a verdade sobre si mesmo: sempre fora um experimento do governo. Ao descobrir isso e, depois de enfrentar uma versão insana e perversa de seu antigo parceiro de combate, resolve instaurar uma ditadura utópica no mundo.

O irônico é perceber que as duas séries foram publicadas em paralelo na revista Warrior, idealizada por Dez Skinn nos anos 80. Não é que Alan Moore quisesse que fôssemos anarquistas ou fascistas, ou uma combinação bizarra dos dois, mas sim que refletíssemos aonde os extremos dos dois pensamentos poderiam levar a sociedade.

Aqui vão as comparações entre as duas obras, em grande parte inspiradas no livro de Lance Parkin, The Pocket Essentials Alan Moore:

CORRESPONDÊNCIAS:
• As autoridades tentando totalmente em rastrear, controlar ou compreender o herói
•Em ambas as histórias o Parlamento inglês é destruído como principio de uma nova era, mostrando a fragilidade dos símbolos sociais.
• A história transcorre no mesmo ritmo: no primeiro livro, o herói é revelado numa demonstração pública de seus poderes, o que alerta a polícia de sua presença;
• Quando as autoridades se aproximam do herói, se torna claro que ele é o resultado de experimentos que o governo conduziu anos atrás e um segredo sombrio que achavam enterrado volta para ameaça-los e destruí-los
• O paralelo mais interessante é com o personagem do homem-comum, que em ambas as obras é representado por uma mulher: Liz Moran (Marvelman) e Evey Hammond (V de Vingança). Ambas são usadas por Moore para usar a normal, humana e honesta moralidade, constrastando com a amoralidade do herói. Ambas discutem com o herói atentas a mudar seu comportamento, sendo ambas excluídas por isso.
• Ambos os governos procuram manter seu poder, mas suas ações egoístas e sádicas causam a criação do herói que os tomará o poder.
A revista Warrior publicou V de Vingança e  Marvelman em paralelo na década de 80. Ambas acabaram interrompidas. V foi concluída através da "corporação" DC Comics. Marvelman até hoje não foi concluída.
A revista Warrior publicou V de Vingança e Marvelman em paralelo na década de 80. Ambas acabaram interrompidas. V foi concluída através da “corporação” DC Comics. Marvelman até hoje não foi concluída.

CONTRASTES:

• Escritos ao mesmo tempo para a revista Warrior, as duas histórias possuem paralelos em comum:
• Enquanto numa história temos um anarquista lutando contra uma ditadura fascista, na outra temos um superman ariano impondo outra.
• Lendo Warrior, nota-se que Marvelman e V de Vingança são deliberadamente contrastantes.
• V possui visual sombrio, cheio de quadros regulares perfeitamente compostos, enquanto Marvelman é mais fluido, – e quando Alan Davis desenha, quase cartunesco.
• V se passa no nível das ruas, num mundo cotidiano de casas e escritórios, Marvelman logo se trascende, passando-se em locais exóticos, como bunker secretos do governo, selvas ou dentro de uma nave alienígena.
• V é distópico, Marvelman é utópico. Quando publicados na mesma revista, Moore parece questionar se há alguma solução fácil a ser imposta para os problemas da sociedade.
É isso aí. Antes de pôr uma máscara do V, leia a revista e entenda o personagem. Se puder, leia também Marvelman, que é mais difícil de se encontrar, mas é interessante traçar um paralelo para tentar ver o que o movimento pode se tornar.
Em seguida: Por que é hora de deixar a Vingança de lado e partir para a Frequência Global.
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5 Comments

    1. Valeu, Lucas! Se quiser ver mais coisas sobre o Moore,clica ali na tag (na nuvem de tags) sobre o nome dele que tem bastante cloisa sobre o mago barbudão! Abraços e continue acessando o blog. 😉

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