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Saudades: DC Millenium

DC Millennium #09: O Fim

DC Millennium #09: O Fim

O formatinho ficou famoso com O Pato Donald, da Abril e consistia em dobrar mias uma vez a revista em quadrinhos americana, uma vez que essa já era duas dobras do formato tablóide dos jornais. Muito hoje consideram essa medida de gibis famigerada, por deturpar desenhos, carecer de adaptação de diálogos, entre outras tesouradas editoriais. Mas quando a situação apertou na crise de 1998 (é, tivemos crise naquela época, lembram-se? Foi logo depois do Plano Real quando os prósperos Tigres Asiáticos eram a bola da vez. Isso não é coisa inventada pela Dilma ou pelo Obama), bom quando a crise apertou e a Abril resolveu tornar suas revistas de super-heróis produto de luxo, com a linha Premium, editoras menores correram para abocanhar a oportunidade de vender revistas mais baratas, no velho e bom formatinho.

Dados Gerais:

DC Millennium (Editora Brainstore)

Duração:

09 números  – Fevereiro de 2002 a Agosto de 2003

O Contexto:

Já falei aqui sobre o contexto do mercado editorial brasileiro de quadrinhos daquela época e falei um pouco também na abertura do post. Não custa lembrar quais eram as editoras que resolveram competir com a Abril como um mercado alternativo para bolsos mais econômicos: Mythos, Brainstore, Pandora Books e Conrad, basicamente. Porém, só duas delas tentaram a sorte com revistas mixes regulares, foram a Pandora, que lançou o também saudoso Almanaque Marvel, que durou 3 edições e trazia Deadpool, Geração X e Garota-Aranha, e a Brainstore, que lançou diversa revistas regulares, porém poucas em formatinho. Uma delas foi justamente DC Millennium.

O Mix:

DC Millennium #02: Impulso, o velocista adolescente.

DC Millennium #02: Impulso, o velocista adolescente.

Impulso

Escrita por Mark Waid e Brian Agustyn e desenhada por Humberto Ramos, foi uma das séries mais inovadoras do final dos anos 90. O personagem, neto de Barry Alllen, vindo do século XXX e criado em um ambiente virtual, vinha para nossos dias para aprender a ser um herói. O garoto lido com o choque de realidades e com os problemas da adolescência com muito humor. Como está fazendo em Demolidor hoje em dia, o foco de Mak Waid nesta série era a velocidade retratada de forma gráfica. Os desenhos de Humberto Ramos contribuem para essa dinâmica, juntamente com os balões de pensamente de Bart Allen, que ele mesmo adicionou. Talvez essa seja a série que o traço de Ramos, odiado por muitos e muitos, mais ditava o tom. Pra ter uma ideia do quão desordenadas eram as histórias do velocista adolescente, os próprios autores confessaram que, ao terminar uma história, não sabiam que ruma ela tomaria na próxima edição.

DC Millennium #06: Os Novos Deuses e o Quarto Mundo de Jack Kirby

DC Millennium #06: Os Novos Deuses e o Quarto Mundo de Jack Kirby

Novos Deuses e O Quarto Mundo de Jack Kirby

Criados por Jack Kirby durante sua passagem pela DC, os Novos Deuses são um universo particamente à parte no Universo DC. Trata-se do embate interminável entre dois planetas: Nova Gênese e Apocolyps, de Darkseid. Um representando o lado da luz e outro, o lado sombrio. Muitos tentaram mexer nessa mitologia criada por Kirby, mas poucos conseguiram dar uma direção para as revistas. Aqui nessa publicação foi trazida a fase do prolífico John Byrne com os heróis do Quarto Mundo. A série vai num crescendo, mostrando o olhar do sujeito comum, um garoto se encontra com um Metron desmemoriado, até uma grande guerra interuniversal, com a fusão dos dois mundos rivais. Em meio a tudo isso, Byrne dá conta de contra a Origem Secreta de Darkseid e recontar a histórias dos Novos Deuses a partir do momento em que Jack Kirby parou.

DC Millennium #01: Batman & Robin - O Filho Afortunado

DC Millennium #01: Batman & Robin – O Filho Afortunado

As Minisséries:

1.       Batman e Robin: O Filho Afortunado

Escrita por Gerard Jones e desenhada por Gene Há, a mini conta uma história do passado da dupla dinâmica, em que devem confrontar um roqueiro assassino e suas alucinações com um certo Deus do Rock. Aqui a equipe criativa pretende estabelecer a primeira cisão entre Batman e Robin, enquanto o primeiro condena o Rock, como uma música de arruaceiros, o segundo quer curtir as músicas e acha “que não há nada errado nisso”. A história é rasa e os desenhos são bons, mas planta as sementes para a transformação de Dick Grayson em Asa Noturna.

2.       Supergirl e Batgirl: As Melhores do Mundo

Uma série Elseworlds, que aqui foi batizada como Mundos Paralelos, diferente do nome Túnel do Tempo, cunhado pela Abril. A história é de Barabara Kesel e os desenhos são de Matt Haley. Nenhum dos dois valem a pena. A história traz um Lex Luthor do bem, amante da Supergirl e um Coringa bombado que é fissurado pela Batgirl.

3.       Batman: Cavaleiro das Trevas da Távola Redonda

Outra série Elsewords, mas desta vez muito melhor construída e bem calcada nos mitos arturianos. Escrita por Bob Layton e desenhada por Dick Giordano e Layton  também, a história conta a saga de vingança e descoberta empreendida pelo jovem Bruce de Waynesmoor contra o Rei Arthur, responsável pela morte de seus pais. No caminho ele encontra com muitas das figuras das histórias anglo-saxônicas de cavalaria e é tutorado pelo próprio mago Merlin.

O que deu certo e o que deu errado:

DC Millenium parecia fazer muito sucesso com os leitores, tinha uma comunicação direta, com seções de cartas e vários textos editorias falando sobre os personagens e as séries, alguns deles adaptados das próprias edições americanas. Outros, cunhados pelo editor, Eloyr Pacheco e por convidados da editora. Nas seções de cartas, era prometido que Shazam, Espectro e Starman entrariam no mix da revista. Coisa que acabou não acontecendo. Próximo da época do cancelamento da revista, a Panini Comics comprou o direito de publicação da linha de super-heróis da DC Comics. Para a Brainstore sobraram alguns títulos Vertigo e a linha Anti-Heróis (Lobo, Hitman e Etrigan) e a linha Dark (Desafiador, Starman, Espectro e Esquadrão Suicida), que foram publicados na revista Dark Heroes, de vida curta. O lado bom dessa revista foi a franqueza com que o editor tratava seus leitores. Três meses antes do cancelamento da revista, Eloyr publicou uma nota explicando a situação que ela se encontrava e o porquê do cancelamento.

O que aconteceu com as séries que a compunham:

Impulso foi descontinuada nos EUA e o herói mais tarde foi participar da Justiça Jovem e, mais tarde, dos Novos Titãs, sob a alcunha de Kid Flash. Os Novos Deuses não tiveram mais publicações regulares nos EUA. A última vez que deram as caras por aqui foi durante a série A Morte dos Novos Deuses, publicada em Prelúdio para a Crise Final, a partir do número 4. As séries elesewords continuaram a sair por um bom tempo, rendendo coisas como LJA: O Outro Prego, Superman: Entre a Foice e o Martelo e Superman: Identidade Secreta, foi descontinuada por um tempo, e retornou a pouco tempo com novas minisséries.

No próximo Saudades falaremos dos encadernados em formatinho dos nossos amados “restolhos”.

2 comentários

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