Análises, quadrinhos
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Superman e a Santíssima Trindade – O Pai, por Alan Moore

Henry Cavill, encarnando o Superman em O Homem de Aço, de Zack Snyder (2013)

Henry Cavill, encarnando o Superman em O Homem de Aço, de Zack Snyder (2013)

Vamos aproveitar a passagem do Papa Francisco pelo Brasil e do Superman, o Homem de Aço, pelos cinemas, e falar da Cristandade com os Quadrinhos? Bem longe de catequizar ou profanar, este artigo serve para estabelecer comparações. Tentei usar cada aspecto da Santíssima Trindade Cristã por um dos autores considerados a própria “Santíssima Trindade” dos quadrinhos de super-heróis: Alan Moore, Frank Miller e Neil Gaiman. O Superman é um personagem muito visado pelos roteiristas de quadrinhos, mas, diferente do que se pensa, também é muito difícil de ser trabalhado, devido, vamos dizer, ao seu aspecto messiânico. É por esse Temor à Deus – e quem fez catequese deve saber a que temor eu estou me referindo – que muitos deles declinam dos convites para produzirem uma história com o Homem de Aço. Quando esses figurões tentam realizar uma história com o Superman, dado seu valor como ícone, como o santo supremo dos super-heróis, preferem contar uma história através do artifício do “personagem ausente”.  São os outros que espalham sua palavra por aí contando seus feitos, sem que o personagem tenha a oportunidade de dar o seu relato. Uma coisa que, se tratando de Santíssima Trindade, soa um tanto bíblico e evangélico. Mas a verdade é que, em suas origens, o Homem de Aço foi criado para ser uma espécie de Jesus Cristo, ou, se você for judeu, como seus criadores, Jerry Siegel e Joe Shuster, uma espécie de Moisés. Todos os elementos estavam lá e nós os reconhecemos facilmente. Mas vamos tratar caso a caso a caso (um post por dia, pra você não se cansar e acompanhar direitinho!)

Superman - O que Aconteceu ao Home de Aço?, de Alan Moore e Curt Swan (Panini, 2013)

Superman – O que Aconteceu ao Home de Aço?, de Alan Moore e Curt Swan (Panini, 2013)

O Evangelho Apócrifo de Maria Madalena – O Pai, por Alan Moore.

Publicada em Action Comics #583 e Superman #423 (setembro/1986), no Brasil, saiu por último em O Que Aconteceu com o Homem de Aço, de 2013.

Esta foi a última história do Superman antes de ser reformulado pela primeira vez após Crise nas Infinitas Terras. Alan Moore praticamente implorou para contar essa história. Ela trata dos últimos dias do Superman. Seria um Apocalipse e não um Evangelho. Não esqueçamos que o Apocalipse foi escrito por São João, um dos quatro evangelistas. Mas não cabe dizer aqui qual desses autores seria cada qual evangelista, porque além de ser um exagero, uma vez que, com exceção de Frank Miller, são praticantes de “artes místicas e pagãs” são praticamente possuídos pelo demônio. Mas não é o demônio que nos faz escrever as histórias mais bonitas sobre Deus? Lembrem-se de São Paulo, de São Thiago e até de São Tomé, por que não? Enfim, a história começa com um repórter batendo à porta de Lois Lane e pedindo que ela conceda uma entrevista sobre os últimos dias do Superman. Seguem-se feitos inacreditáveis do Superman apoiado por seus sempre fiéis amigos do peito super-heróis e contando com a presença de seus grandes inimigos. Até que, por fim, ele morre. Apenas para ressuscitar no terceiro dia. Mas, o filho não se torna o Espírito Santo, ele se torna o Pai, já entregando SPOILERS de uma história consagrada escrita há quase 30 anos. Ao chegar ao fim da história você vai compreender o porquê do título deste item ser O Evangelho Segundo Maria Madalena. Indo além, para o aspecto triúnico do Homem de Aço, em seu filme de 2013, podemos dizer que de Último Filho de Krypton ele se tornou o Pai da Humanidade, protegendo-a das ameaças. Segundo Paulo Gaudêncio, que escreveu o artigo Elementar, meu caro Freud, no clássico Shazam!, de Álvaro de Moya, o super-herói é um elemento fundamental na construção de valores durante o crescimento, enquanto o indivíduo se torna parte da sociedade. O super-herói atua como um Pai Todo-Poderoso, protegendo a humanidade e atendendo aos seus chamados e súplicas. O herói é forte, indestrutível, honesto, altruísta e justo, características mesmas que se esperam do pai, na visão infantil. O super-herói, assim como a figura paterna, encarna o ego idealizado, ou seja, o padrão que o indivíduo pretende seguir pelo resto da vida. Para o autor, “as características dos heróis, que na visão infantil são características paternas, passam a fazer parte do estereótipo de homem que cada ser humano cria para si, e que realiza no herói com o qual se identifica”.

Musiqueta para os haters:

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