Análises, quadrinhos
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Superman e a Santíssima Trindade – O Espírito Santo, por Neil Gaiman.

O Evangelho Segundo Jesus Cristo. O Espírito Santo, por Neil Gaiman.

Publicado em Superman/Green Lantern: The Legend of Green Flame (2000). No Brasil, em Wizard Brasil #3 (dezembro de 2003).

Legend Of The Green Flame (200), um Elseword da DC Comics que não é Elseword.

Legend Of The Green Flame (200), um Elseword da DC Comics que não é Elseword.

Esta história foi imaginada para ser publicada em pequenas partes na revista Action Comics Weekly, logo que John Byrne assumiu as histórias Pós-Crise do Superman. A história, entretanto, não pôde ser publicada à época, pois na trama, Hal Jordan e Clark Kent conheciam as identidades secretas um do outro. Coisa que, para Superman, que seria um herói iniciante, não faria sentido. Muitos anos depois, a HQ foi concluída com ajuda de diversos e renomados artistas e incluída na série Elsewords (Túnel do Tempo/ Realidades Alternativas) da DC Comics. A história conta a origem da bateria do Lanterna Verde Original, Alan Scott (sim, o que é gay agora!), mostra a história do Coração Estelar e revela suas ligações com a criação da Tropa dos Lanternas Verdes. Porque essa história representa o Espírito Santo? Por causa dos apóstolos da Chama Verde, a Tropa dos Lanternas Verdes? Por causa da Chama Verde que é uma força que depende da fé para concretizar feitos? Não. Mas pelos chamados Dons do Espírito Santo. Esses mesmos, que nos fazem decorar na catequese, como se decorar coisas nos tornasse melhores ou piores cristãos. Superman, não apenas nessa história, encarna todos os dons da chama divina, principalmente a Fortaleza e a Temperança, dons estes que são essenciais na hora de ajudar o amigo Lanterna Verde, Hal Jordan, a passar por uma crise existencial e fazer os dois atravessarem os nove círculos do Inferno e voltarem incólumes.

A Onisciência do Superman, por Neil Gaiman. Ele guarda o Espírito da Homanidade. Ele é o Cordeiro de Deus.

A Onisciência do Superman, por Neil Gaiman. Ele guarda o Espírito da Humanidade. Ele é o Cordeiro de Deus.

Segundo Gaiman: “[A Lenda da Chama Verde] acabou se tornando a história de dois velhos amigos – um com problemas e outro sem – e de todos os lugares que eu poderia levá-los. Eu a escrevi em uma semana. Eu amei escrevê-la. Eu adorei ‘brincar’ com esses personagens, como uma criança com um novo brinquedo ou um roteirista ensaiando uma peça com todos os atores veteranos que ele sempre admirou”. Outro elemento levemente “divino”, na história é o personagem Vingador Fantasma, que também funciona como uma espécie de “personagem/protagonista ausente”, já que ele nunca é personagem principal em suas histórias e sim, o catalisador das histórias dos outros, assim como podem ser a fé, o Espírito Santo, Jesus Cristo e o próprio Javé. No filme de 2013, o Espírito Santo do Superman é a sua fé na humanidade. Como quando é aliciado pelo General Zod a abandoná-la e acolher sua origem e missão kriptoniana, ele lembra de sua criação terrestre e que, de certa forma, com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades. Esse é o Espírito dos super-heróis.

Sacrifícios pela Humanidade: estamos falando do  Antigo ou do Novo Testamento?

Sacrifícios pela Humanidade: estamos falando do Antigo ou do Novo Testamento?

Para finalizar, uma citação de Will Eisner, outra lenda dos quadrinhos, que merece ser ouvida. Citação esta, extraída Eisner/Miller, que explica em muito os aspectos messiânicos do Superman em sua origem como criatura:

“Os Judeus cresceram lendo a Bíblia, assim como Cristãos e Fundamentalistas. Mas os Judeus, por séculos tiveram de lidar com a sobrevivência das perseguições, e eles procuravam pela força física que eles não tinham. Acho que você levantou uma questão importante do por quê há tantos judeus nesse meio (para Miller). Existem tantos judeus nessa mídia porque é uma porcaria de mídia. E, um mercado que ainda possui conotações raciais, é fácil de ingressar. Existem apenas três ou quatro judeu trabalhando nas tiras de jornais, todo o resto são irlandeses ou alguma coisa do tipo. Então existem duas forças paralelas. Primeiro, você têm uma mídia que foi estigmatizada e mantida no status de lixo de tal forma, que ninguém mais quer fazer parte dela. Ninguém que aspira ser um grande ilustrador rotula os quadrinhos como algo mais que uma porcaria. A segunda coisa é que há um grupo de pessoas que poderia facilmente entrar para esse negócio, e o que eles trazem consigo é mais de dois mil anos de narrativa. Essas pessoas são narradores naturais, porque a única forma pela qual eles transmitiram as técnicas de sobrevivência foi contando histórias. ELES escreveram a Bíblia”.

Musiqueta para os haters:

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