quadrinhos, Resenhas
Comentários 3

Mundo: um aparelho que funciona – Antes de Watchmen: Dr. Manhattan, de J. Michael Sctraczynski e Adam Hughes

Um mundo de possiblidades!

Um mundo de possiblidades!

O especial de retcon do Dr. Manhattan é um dos mais interessantes lançados até agora. Como toda aventura espaço-temporal, ele nos faz repensar Watchmen – só que não. A história toda é um grande “What If?”, começa com uma discussão a respeito do que tem dentro de uma caixa e as possibilidades do espectador de vê-la aberta e o conteúdo dela. Muito mais do que a caixa do gato de Schrödinger – história que qualquer um que assistiu The Big Bang Theory conhece – Jonathan Osterman, o Dr. Manhattan, está lidando com uma caixa um pouco mais conhecida: a de Pandora, que não deixa de ser, claro, a caixa do gato de Schrödinger. Assumir que existem múltiplas possibilidades e que cada escolha nossa gera um novo mundo é confinar a caixa de Pandora e a caixa de Schrödinger a um único invólucro: o corpo humano. Essa é a grande caixa da história: o corpo do Dr. Manhattan, capaz de dobrar tempo e espaço.

Chiiiiiiiiiiiinaaaaaa in boooooooooox!

Chiiiiiiiiiiiinaaaaaa in boooooooooox!

A história começa quando Jon visita uma realidade em que acabou não se transformando no maior super-herói do mundo de Watchmen – o único realmente com poderes. Ao invés de trabalhar uma aventura do passado, ou recriar um background, como foram feitas nas minis anteriores de Antes de Watchmen, Straczynski usa o recurso do “What if?”, ou em bom português: “O que aconteceria se?”. Talvez você possa pensar que esse é um recurso exclusivo das histórias em quadrinhos, devido à fama da série da Marvel com o mesmo nome. E apesar e, sobretudo, por Will Eisner apresentar essa artimanha como instrumento de desbloqueio de roteiristas em seu Narrativas Gráficas, ela é utilizada por escritores, roteiristas e contadores de histórias desde o início dos tempos. É através dessa pergunta que são feitas as histórias e, claro, também as realidades paralelas. Quem nunca pensou “O que aconteceria se eu voltasse no tempo e acertasse todos os meus erros?”. Essa é uma maneira de imaginar histórias, de imaginar possibilidades. Contar uma história é uma maneira de controlar o mundo, já que o mundo real não pode ser controlado – a não ser que você seja o Dr. Manhattan (não adianta se pintar de azul e andar pelado por aí). A vida também não tem sentido, mas a existência humana busca um nele. Da mesma forma, nesta sua história de Antes de Watchmen, o Dr. Manhattan tenta buscar um sentido para a sua vida, busca controlar o mundo, imaginar – e vivenciar – possibilidades.

Tem coisas - bam - que só os quadrinhos fazem pra você!

Tem coisas – bam – que só os quadrinhos fazem pra você!

Segundo a física, o mundo é um quebra-cabeça, o mundo é um aparelho que funciona segundo determinadas leis. Assim também pensa o Dr. Manhattan. Assim também são as histórias em quadrinhos. As HQs são uma das poucas – senão a única – mídia em que o mesmo espaço e tempo podem ser representados no mesmo frame, ou seja, na mesma plataforma, a página. Esta história de antes de Watchmen, só poderia ter sido concebida para os quadrinhos. Isso a aproxima da obra original, que também utiliza muitos recursos só existentes nos quadrinhos e que, para uma leitura mais profunda, continua sendo a mídia ideal, por mais que se tenha adaptado para o cinema.

Antes de Watchemen: Dr. Manhattan, de J. Michael Straczynski e Adam Hughes (Panini Comics, 108 páginas, R$ 12,90)

Antes de Watchemen: Dr. Manhattan, de J. Michael Straczynski e Adam Hughes (Panini Comics, 108 páginas, R$ 12,90)

Aí que está a beleza de Antes de Watchmen: Dr. Manhattan, e não estou só falando apenas da bela arte de Adam Hughes e das cores que preenchem seus desenhos de volume, feitas por Laura Martin, mas essa busca por uma linguagem e uma busca por romper suas limitações. Assim como faz o Dr. Manhattan em sua busca por mundos e suas limitações. Além de teorização, física quântica, psicologia, há também filosofia. Ludwig Wittgenstein disse que “Os limites da minha linguagem significam os limites do mundo”. A linguagem é os quadrinhos, o mundo é o de Watchmen. Até então, ele era limitado à visão de Moore e Gibbons. Aqui, ele foi expandido. É o mesmo que faz o ser que outrora foi Jonathan Osterman: expandir seus limites de linguagem, para expandir seus limites de mundo, como bem atesta o filósofo: “A solução do problema da vida é vista no desaparecimento do problema”, lógica fundamental para uma história de super-heróis, ou uma história que recria super heróis recriados para que em seu mundo vivessem como se vivessem no mundo real. Complicado, não? Mas quando você lê a história não parece tanto e você vai entender a mesma coisa sem precisar pensar nas possibilidades.

A música da vez:

Anúncios

3 comentários

  1. Pingback: Os melhores Quadrinhos de Super-Heróis que Li em 2013 | Splash Pages

  2. Pingback: Avaliação Geral: Antes de Watchmen | Splash Pages

  3. Pingback: O Poder da Subjetividade: Soldado Invernal – Enterrando o Passado, de Jason LaTour e Nic Klein | Splash Pages

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s