De Super e de Louco Todo Mundo tem um Pouco (I)

Jack Cole, o criador do Homem-Borracha: ele cometeu suicídio.
Jack Cole, o criador do Homem-Borracha: ele cometeu suicídio.

Falar que gênios do mal são doidos e pirados é chover no molhado. Mas e quando a loucura afeta os super-heróis? Quando isso acontece, ou eles acabam morrendo ou se tornam vilões. Ou ambos. Um super-herói nunca pode ter uma doença mental. É raro ver um destes personagens se tratarem com psiquiatras, psicólogos ou até mesmo tomarem remédios contra suas doenças, apesar de haver heróis como o Homem-Hora que toma sua pílula Miraclo e se torna superforte durante uma hora. Mesmo que antidepressivos necessitem de quinze dias para fazer efeito no corpo humano, nos quadrinhos eles parecem funcionar instantaneamente, como o espinafre do Popeye. “Tá triste? Toma um Prozac!”, dizia a cultura pop dos anos 90 e várias das HQs da época.

Ainda por cima há uma grande confusão quanto aos diagnósticos das psicoses dos heróis. O interessante é que a loucura, ou pelo menos, o que é tachado como “loucura”, também acomete os criadores da indústria de super-heróis. Alguns deles acabaram cometendo suicídio, como Jack Cole, criador do hilário Homem-Borracha e Wally Wood, renomado artista da EC Comics e da MAD.

Nos próximos posts, pretendo dar uma olhada de perto em alguns super-heróis cujo poder e história estão associados à sua psicose, sem, necessariamente, precisarem de tratamento.

 

A kryptonita rosa (!) faz o Superman elogiar e flertar com Jimmy Olsen.
A kryptonita rosa (!) faz o Superman elogiar e flertar com Jimmy Olsen.

KRYPTONITA! DE TODAS AS CORES! QUEM VAI QUERER?

Como todo mundo sabe, a kryptonita é o ponto fraco do Superman. Ela representa sua forma de poder se comparar com os humanos, mostrando que ele também possui uma fraqueza, ou, se formos analisar do ponto psicológico, uma fobia. O interessante que a maioria das pessoas  não sabe é que existem vários tipos de kryptonita, de várias cores. Algumas delas foram até utilizadas na série de TV Smallville. Cada uma das pedras de Krypton tinha um efeito sobre o Superman.  A dourada roubava os poderes do herói, funcionando como um depressor. A azul afetava somente as criaturas criadas pelo vilão Bizarro, uma espécie de duplo do Superman, causando um efeito de desordem de múltiplas personalidades. A vermelha poderia dividir o homem de aço em dois seres distintos, transformá-lo numa formiga gigante ou num bebê (que riqueza de sonho para análise do Dr. Freud!), a branca prejudicava a vida vegetal (que politicamente incorreto!), a Anti influenciava kryptonianos sem poderes, a X dava aos superkryptonianos na Terra poderes extras durante um período e a Pérola permitia aos residentes da  Zona Fantasma concentrar energias mentais e provocar explosões em nossa dimensão. Assim como os efeitos das drogas psicoativas e alucinógenas são variados e inesperados, precisando quase sempre de ajustes e testes, as kryptonitas parecem ser esse tipo de substância para o Superman. Para zoar um pouco com essa história de Kryptonitas, Peter David criou em uma história da Supergirl a kryptonita rosa, que trocava a orientação sexual dos kryptonianos, fazendo com que Clark Kent flertasse com Jimmy Olsen. Não por acaso, homossexualidade foi considerada loucura até os anos 60. Ainda bem que os parâmetros de homossexualidade e loucura estão se flexibilizando e as pessoas estão aprendendo que de perto ninguém é normal.

 

CONTINUA…

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