Mês: novembro 2013

CRYinstead

5 HQs Sobre Arte

Indicamos cinco HQs que falam um pouco sobre diversos tipos de arte e recomendamos!

Thor 2 – O Mundo Sombrio, de Alan Taylor

Não fui com muitas esperanças de encontrar em Thor 2 – O Mundo Sombrio um grande filme de super-heróis. Tive que dar o braço a torcer e perceber que, diferente do primeiro filme, Thor 2 é um dos melhores filmes do Marvel Studios até agora.   DEIXEM O THOR DE LADO Ok, o primeiro filme já passou, então não precisa mais contar a origem do Thor (Chris Hemsworth), quem ele é, o que ele quer, porque ele não é feliz e blá, blá, blá. O fato é que sem a persona de Donald Blake, ou uma das suas múltiplas outras (Erick Masterson, Sigurd Olson, Jake Olsen), temos que dizer que o Thor fica meio sem graça (seria pior se ele falasse com o inglês arcaico). Aquela “voz de trovão”, impostada, querendo ser Batman já é o bastante. Então, os roteiristas – entre eles Chistopher Yost, de X-Men – Evolution, Robin Vermelho e X-Force –, numa sábia decisão, resolveram deixar um pouco Thor de lado e se concentrar em dois fronts: Midgard (a Terra) e Asgard …

O camundongo e o mestre dos magos. Três dedos: um escândalo animado, de Rich Koslowski

O que aconteceria se os desenhos animados vivessem lado a lado com pessoas reais? Você poderia dizer que isso já foi feito em Uma cilada para Roger Rabbit e em vários filmes da Disney bem antigos como Alô, Amigos e Mary Poppins. Pois é, mas é bem deste Walt Disney que trata Três Dedos e, também, de sua maior criação, Mickey Mouse. Porém, nesta HQ, o criador é Dizzy Walters e a criatura é Rickey Rat. A graphic novel, listada como uma das 500 essenciais pela Harper Collins,  começa com depoimentos de várias pessoas e de toons, relatando a vida de Dizzy e Rickey e o envolvimento dos dois. Cada um desses depoimentos tem lugar em uma página do livro e se repetem, conforme necessário. Paralelo a isso, temos uma linguagem documental, em letras de máquina, acompanhada de “fotos” que retratam a história do cinema e dos Estados Unidos. Dessa forma é contada a biografia dos dois, com muito mais to tell e pouquíssimo to show, conferindo a Três Dedos a exceção que confirma a …

Pinturas Inquietas. Moving Pictures, de Kathryn & Stuart Immonen

Moving Pictures, na minha humilde opinião, é uma das graphic novels que melhor trabalha o personagem multifacetado, com uma evolução semelhante à de um romance, mostrando, através de pequenas nuances, suas contradições e seu comprometimento com seus valores. Os personagens em questão são a curadora Ila Gardner e o oficial nazista Rolf Hauptmann, cada um empenhado com os esforços de seus países, respectivamente, a França e a Alemanha, em recuperar, catalogar e armazenar as obras de arte perdidas na França durante a Segunda Guerra Mundial. Em primeiro lugar é preciso dizer, que esta, assim como outras HQs, é uma obra dedicada ao amor à arte. Ela mostra como o amor pela arte pode ser maior que o amor por si mesmo. Mostra que mesmo entre as penúrias da Segunda Guerra, enquanto passam fome, as mesmas pessoas se esforçam para manter a arte viva, e preservar ícones da civilização ocidental para as futuras gerações. Enquanto composição, a história vem e vai no tempo, entremeada de passagem que poderiam ser elipses de um filme, ou de uma …

A Fé (Não) Costuma Falhar: A Matter of Life, de Jeffrey Brown

A Matter of Life, é outra graphic novel autobiográfica. Não poderia deixar de ser, dado o título. A diferença é que esta trata de dois temas que têm e não têm a ver um com o outro: a paternidade e a fé. Já se falou muito sobre assuntos de paternidade nos quadrinhos, desde o Batman até o Invencível, de Maus a Fun Home, no recente One Soul, de Ray Fawkes e nas tirinhas brasileiras de A Vida com Logan, de Flávio Soares. A HQ de Jeffrey Brown – autor dos megassucessos Darth Vader and Son e Vader Little Princess – traz um pouco de todas as anteriores, mas, com o diferencial de abordar a religião que vêm dos nossos pais e que somos encarregados de repassar para nossos filhos. Ela não discute qual religião vale mais, nem tenta criar uma tese sobre a cristandade. A Matter of Life cria um mosaico de momentos que envolvem temas cristãos atuais e o esforço para ser um bom pai. Tudo começa quando Jeff, filho de um dos ministros …

Um Road Comic pela Magia. Os Livros da Magia, de Neil Gaiman, Scott Hampton, Charles Vess, John Bolton e Paul Johnson

O que têm em comum os três maiores escritores britânicos de super-heróis? Alan Moore, Neil Gaiman e Grant Morrison: todos eles acreditam em magia. E as praticam. A magia é um tema muito comum em suas histórias em quadrinhos e eles dizem praticá-la não apenas em performances místicas, mas nas suas próprias histórias. Magia, segundo dizem suas histórias, é transformação. Mas não é tirar um coelho da cartola ou serrar uma mulher ao meio, embora compreenda isso também. Segundo os autores, magia é acreditar em você, é ser um veículo transformador para agir no mundo. É o pensamento positivo – (mode ironic on) ou você não leu O Segredo? (mode ironic off). Engraçado como a minissérie, agora graphic novel, Os Livros da Magia percorre todos os aspectos da magia sem dar uma definição precisa do que ela é. A trama é básica: Tim Hunter, um garoto destinado a se tornar o maior mago de nosso tempo é levado a conhecer a magia por quatro desconhecidos: o Vingador Fantasma, John Constantine, o Dr. Oculto e Mister …

O Planetary dos Vingadores. Vingadores: Guerra Sem Fim, de Warren Ellis, Mike McKone e Jason Keith

Vingadores: Guerra Sem fim é primeira Marvel Original Graphic Novel a sair simultaneamente em todo o mundo (com a ressalva de que no Brasil saiu um mês depois, sendo que na Argentina chegou no dia correto – eu estava lá). Escrita por Warren Ellis e desenhada por Mike McKone, a publicação aproveita o sucesso mundial do filme dos Vingadores e prepara terreno para as vindouras continuações dos filmes do Thor – agora já estreada – e do Capitão América, focando em acontecimento do passado destes personagens. Não pretendo entrar no mérito da trama da Graphic Novel, mas dar uma olhada em seus principais aspectos, sem revelar spoilers. Como é uma HQ de Warren Ellis e se trata de uma equipe, a sensação que tem é que está lendo uma história de Planetary. Existem vários elementos que levam a comparar com os arqueólogos do desconhecido da Wildstorm: as idas e voltas no tempo e espaço, seja por todo o mundo, seja durante o século XX e XXI e a presença de elementos de ficção científica e …

Um Bangue-Bangue de Palavras: Descaracterizando Bendis

Esta semana acabei de ler a fase de Brian Michael Bendis em Os Vingadores. Foram quase dez anos à frente dos Maiores Heróis da Terra, uma run que começou polêmica – a Queda dos Vingadores – e morte de alguns dos seus mais queridos personagens, como o Visão e o Gavião Arqueiro. A fase terminou com a megassaga Vingadores versus X-Men. A última equipe é a nova casa de Bendis na Marvel. À despeito de suas grandes maquinações para revolucionar a Casa das Ideias, suas sequências bombásticas, suas experimentações narrativas e seus diálogos velozes, Bendis, um dos grandes representantes dos roteiristas de super-heróis do início do século XXI não sabe escrever uma revista de grupo. Mas cooomooo? Você diz, afirmando que ele revolucionou os Vingadores e que eles só são um sucesso no cinema por causa do que o Sr. Careca de Cleveland fez com eles. Sim, realmente ele tem esse mérito de transformar os Vingadores numa Liga da Justiça da Marvel, unindo os seus heróis mais populares numa equipe onde deveriam estar os mais …

Entrevista com Mário César Oliveira, autor de EntreQuadros

“Para quem não conhece o meu trabalho, eu já fui colaborador e um dos editores da Front, uma antologia que revelou grandes nomes do quadrinho brasileiro e sou um dos desenhistas e coeditor de Pequenos Heróis, um projeto criado pelo Estevão Ribeiro que homenageia diversos super-heróis e que já foi publicado nos EUA. Eu também sou o criador de EntreQuadros, uma série de quadrinhos em que eu busco retratar, com a devida licença poética, essa coisa complicada chamada vida”. – Mário César se apresentando no site de apoio do Ciranda da Solidão no Catarse.me. Depois de ter resenhado os quatro álbuns que Mário lançou sob o título Entrequadros (aqui), agora é a vez de conversar um pouco com o autor para conhecermos mais o que ele pensa sobre seus trabalhos, suas influência e refênrecnias e também seu relacionamento com o mundo LGBT, tem de sua última HQ. Splash Pages: Lendo um volume do EntreQuadros atrás do outro podemos perceber uma evolução. Tanto no texto, quanto nos desenhos, na experimentação e na forma narrativa. Por que você decidiu fazer o EntreQuadros …