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Pinturas Inquietas. Moving Pictures, de Kathryn & Stuart Immonen

Moving Pictures, na minha humilde opinião, é uma das graphic novels que melhor trabalha o personagem multifacetado, com uma evolução semelhante à de um romance, mostrando, através de pequenas nuances, suas contradições e seu comprometimento com seus valores. Os personagens em questão são a curadora Ila Gardner e o oficial nazista Rolf Hauptmann, cada um empenhado com os esforços de seus países, respectivamente, a França e a Alemanha, em recuperar, catalogar e armazenar as obras de arte perdidas na França durante a Segunda Guerra Mundial.

O rebuscado x o estilizado. As belas artes encontram a nona arte.

O rebuscado x o estilizado. As belas artes encontram a nona arte.

Em primeiro lugar é preciso dizer, que esta, assim como outras HQs, é uma obra dedicada ao amor à arte. Ela mostra como o amor pela arte pode ser maior que o amor por si mesmo. Mostra que mesmo entre as penúrias da Segunda Guerra, enquanto passam fome, as mesmas pessoas se esforçam para manter a arte viva, e preservar ícones da civilização ocidental para as futuras gerações.

Ila se vê refletida na pintura.

Ila se vê refletida na pintura.

Enquanto composição, a história vem e vai no tempo, entremeada de passagem que poderiam ser elipses de um filme, ou de uma novela, quando é mostrado um cenário para fazer a passagem de tempo. Em Moving Pictures isso é mais bem estudado e estruturado. É por causa dessas passagens que temos um choque ao chegar ao final da história. Vemos o ódio evoluir para atração e, então, para o amor e temos um vislumbre do conceito de amor de cada persoanagem, quando, durante uma conversa, eles devem escolher qual obra de arte seria o seu amante. Da mesma forma, quando Ila se depara com um dos quadros do seu museu e começa a discorrer sobre quem deveria ser aquela mulher retratada naquela pintura ao mesmo tempo em que reflete a sua situação.

Moving Pictures, de Kathryn e Stuart Immonen (2010, Top Shelf Productions, 144 pgs., $14,95)

Moving Pictures, de Kathryn e Stuart Immonen (2010, Top Shelf Productions, 144 pgs., $14,95)

A arte da graphic novel também é um espetáculo. Stuart Immonen pode-se dizer que é um artista camaleônico. Ele começou com um traço pesado e detalhado (como em Superman), passou para uma arte mais sombria e arredondada (como em Superman: Identidade Secreta), e foi se aproximando do cartunesco (como em A Nova Onda: Agentes do Ó.D.I.O). Em Moving Pictures, esse lado cartunesco está mais presente do que nunca, já que seus personagens são bastante estilizados. Isso confere certo estranhamento quando temos as splash pages mostrando as obras de arte: rebuscadas, detalhadas, cheias de hachuras e traços. Parece que na HQ a arte assume uma dimensão maior que a “vida real”. E é exatamente isso que acontece.

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