Mês: dezembro 2013

Os melhores Quadrinhos de Super-Heróis que Li em 2013

ANTES DE WATCHMEN: DR. MANHATTAN, J. MICHAEL STRACZYNSKI E ADAM HUGHES A série Antes de Watchmen teve seus altos e baixos. Os altos, até agora – falta sair a minissérie dos Minutemen – , foram os volumes do Dr. Manhattan e da Espectral, ambos resenhados neste blog. Os piores, do Roscharch e do Ozymandias. O que faz das minisséries do Dr. Manhattan e da Espectral tão boas é a ousadia. Através da iniciativa de ir um pouco além da história apresentada por Alan Moore e Dave Gibbons, os autores destes contos do passado, mostram porque – além dos milhares de dólares envolvidos – era possível fazer novas histórias no universo de Watchmen. Por outro lado, histórias como as de Roscharch, que mostra um caso do anti-herói e de Ozymandias, um vergonhoso conto que só faz um apanhado preguiçoso da história do “salvador do mundo” em ordem cronológica, dizem para o leitor que em certos cânones não se deve mexer. Apesar das grandes polêmicas que estes retcons provocaram no mundo dos quadrinhos, como a óbvia e …

Os Melhores Quadrinhos Brasileiros Que Li em 2013

ESTÓRIAS GERAIS, WELLINGTON SRBEK E FLÁVIO COLIN Esperava que essa fosse mais uma daquelas histórias em quadrinhos brasileiras que glorificam o país, mas acabei me deparando com uma história rica. A riqueza de Estórias Gerais fica por conta de seu traço cultural sem cair no exagero ou no ufanismo.  São “estórias” – assim grafada da maneira antiga que diferenciava a narrativa dos acontecimentos humanos – , porque elas têm aquele gostinho de cousas antigas, de causos que nossos avós contavam. Ela permite um paralelo com as novelas fantástico-maravilhosas da Globo, como Saramandaia e Roque Santeiro e tantas outras que seguem nessa tradição de Dias Gomes, mas cuja fonte mesmo é a inovadora literatura moderna de Guimarães Rosa. Estórias Gerais traz vários causos de um interior do Brasil situado numa fronteira entre o nordeste e o sudeste rural,ou  talvez no centro-oeste do país, que se entrelaçam formando um painel único dessa tradição. ENTREQUADROS – CIRANDA DA SOLIDÃO, MÁRIO CÉSAR Esta foi uma das HQs que eu incentivei a produção através do site Catarse, e acabei fazendo …

As Melhores Leituras de 2013

Neste ano, até o Natal, foram 277 leituras. Neste gráfico estão distribuídos os tipos de leitura, não estão contabilizadas as revistas mensais, minisséries e especiais, mas dá pra ter uma ideia. Esse ano, como foram muitas leituras, selecionarei os melhores do ano por categoria, a serem publicados toda terça e quinta-feira a parti da semana que vem. Como esse foi um ano em que aprendi que expectativa não é tudo, vou fazer minirresenhas diferentes, com as respostas às perguntas “O que eu esperava?” e “O que eu achei no final das contas?”, também pra dar uma dinâmica diferente para as resenhinhas. Também vou colocar links aqui para as resenhas feitas ao longo do ano e que tratam destas leituras. Conforme eu for colocando os posts, vou adicionando os links aqui embaixo, para facilitar: Melhores Graphic Novels Americanas Melhores Quadrinhos da Vertigo Melhores HQs de Super-Heróis Melhores Mangás Melhores Graphic Novels Estrangeiras Melhores Quadrinhos Brasileiros Melhores Romances Obrigado por terem acompanhado o blog este ano!

Os super-heróis na ficção popular, por Neil Gaiman

“Na minha opinião há duas maneiras principais de utilizar os super-heróis na ficção popular. Na primeira, o significado deles é pura e simplesmente o que se vê na superfície. Na segunda eles são o que significam na superfície: verdade. E não só isso. Por um lado, significam a cultura pop e por outro, esperanças e sonhos. Ou melhor, a interação das esperanças e sonhos, uma perda da inocência. A linhagem dos super-heróis é bem antiga. Começa, obviamente, na década de 1930. Então, volta aos primórdios das tiras de jornais e também à literatura, assimilando Sherlock Holmes, Beowulf e vários deuses e heróis pelo caminho. Superfolks, o livro de Robert Mayer, usa os super-heróis como uma metáfora para tudo aquilo que os Estados Unidos se tornaram nos anos 70: a perda do sonho americano significava a perda dos sonhos americanos, e vice-versa. Joseph Torchia pegou a iconografia do Superman e escreveu The Kryptonite Kid, um poderoso e belo romance epistolar sobre um garoto que acredita, literalmente no herói e que, num livro construído como uma série …

Os Zeróis de Ziraldo, por Maria Gessy

“O ridículo existente por trás do mito americano da força, do podere da invencibilidade, evidenciado pela bem-humorada síntese visual do artista, permanece como uma leitura possível no momento presente, além, é claro, de demonstrar que a História e seu ator, o ser humano, se repetem indefinidamente. Mudam apenas os intérpretes e os cenários”. “”Sou filho dos comics americanos’ costuma dizer o artista, com razão. Sua estética original e inovadora segue os caminhos abertos pelos mestres da HQ, com o uso de cores primárias e da retícula, além do sentido narrativo presente em seus trabalhos, mesmo nos cartuns e nas charges”. Maria Gessy de Sales, em Os Zeróis de Ziraldo, São Paulo, Editora Globo, 2012.

BRUquadrin

A Grade Hierárquica, por Ivan Brunetti

“Podemos comparar o ato de desenhar uma história em quadrinhos ao de criar uma realidade em miniatura numa página, ou, como disse Chris Ware, ‘sonhar no papel’. O sonho, por exemplo, é autobiografia ou ficção? Por um lado, os sonhos são saltos da imaginação, sinais da plasticidade das informações armazenadas no cérebro, as quais se recombinam de formas às vezes fantásticas, às vezes assustadoras, formas eu jamais poderiam ser imaginadas no estado de vigília – formas de ficção, portanto. Ao mesmo tempo, essa ficção específica só pode ter sido produzida por determinado cérebro, pelos estímulos que ele processou e armazenou. Num sonho seu, todas as personagens são essencialmente… você. Ou uma extensão devocê, seu autor inconsciente. No fim, autobiografia e ficção não constituem uma dicotomia, mas uma polaridade, um perpétuo cabo de guerra que não pode jamais ser definido e medido com precisão. A página de quadrinhos reflete o modo pelo qual o autor se lembra da sua própria existência da realidade, do fluxo de tempo, da importância das pessoas, lugares e coisas. Nas HQs, …

Séries de TV x Séries de Quadrinhos

O que as séries de TV e de quadrinhos têm em comum? E o que as torna diferentes? Por que uma série de TV é capaz de fidelizar mais a audiência? É o que pretendo tratar aqui. Não pretendo discutir aspectos estrutura e de criação. O primeiro deles é a quantidade de roteiristas envolvidos em uma série de quadrinhos e em uma série de TV. As de quadrinhos geralmente contam com um roteirista, que é coordenado por um editor. As de TV são escritas por um time de roteiristas escalados conforme a necessidade e coordenados por um roteirista-chefe. Sendo assim, as passagens de um episódio para outro, nas séries de TV é atenuada com essa mistura de artífices. Enquanto os quadrinhos são divididos em “runs” ou em “arcos de histórias”, as séries de TV são divididas em temporadas. E é através do artifício das temporadas que as séries de TV angariam mais público para suas exibições e geram “buzz” para fidelizar seus espectadores. Tanto os quadrinhos quanto as séries de TV dependem dos ganchos, ou …