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Os Melhores Quadrinhos Brasileiros Que Li em 2013

Estórias Gerais, Wellington Srbek e Flávio Colin

Estórias Gerais, Wellington Srbek e Flávio Colin

ESTÓRIAS GERAIS, WELLINGTON SRBEK E FLÁVIO COLIN

Esperava que essa fosse mais uma daquelas histórias em quadrinhos brasileiras que glorificam o país, mas acabei me deparando com uma história rica. A riqueza de Estórias Gerais fica por conta de seu traço cultural sem cair no exagero ou no ufanismo.  São “estórias” – assim grafada da maneira antiga que diferenciava a narrativa dos acontecimentos humanos – , porque elas têm aquele gostinho de cousas antigas, de causos que nossos avós contavam. Ela permite um paralelo com as novelas fantástico-maravilhosas da Globo, como Saramandaia e Roque Santeiro e tantas outras que seguem nessa tradição de Dias Gomes, mas cuja fonte mesmo é a inovadora literatura moderna de Guimarães Rosa. Estórias Gerais traz vários causos de um interior do Brasil situado numa fronteira entre o nordeste e o sudeste rural,ou  talvez no centro-oeste do país, que se entrelaçam formando um painel único dessa tradição.

Entrequadros – Ciranda Da Solidão, Mário César

Entrequadros – Ciranda Da Solidão, Mário César

ENTREQUADROS – CIRANDA DA SOLIDÃO, MÁRIO CÉSAR

Esta foi uma das HQs que eu incentivei a produção através do site Catarse, e acabei fazendo uma resenha geral da produção da Entrequadros e uma entrevista com o Mário César. Eu realmente esperava que essa seria uma ótima HQ, tendo em vista que havia lido o Entrequadros anterior. Só não esperava que fosse tão abrangente. Poderia se chamar “entrequartos”, já que mostra um pouco da intimidade e dos desejos dos personagens, todos relacionados com a cultura queer. O título Ciranda da Solidão acaba tornando-a um pouco mais melancólica do que realmente é. O resultado: a HQ revela a pluralidade, não apenas na iniciativa de existir uma HQ brasileira voltada a homossexualidade, mas de mostrar essa diversidade dentro dessa parte da sociedade.

Sabor Brasilis, Hector Lima, Pablo Casado, Felipe Cunha e George Schall

Sabor Brasilis, Hector Lima, Pablo Casado, Felipe Cunha e George Schall

SABOR BRASILIS, HECTOR LIMA, PABLO CASADO, FELIPE CUNHA E GEORGE SCHALL

Comprei essa HQ sinceramente porque curti a arte – traço pesado com duotone, lembrando um papel mimeografado pintado de laranja e roxo? azul? bic?, até seria capaz de sentir o cheiro do álcool no papel  -, mas no final das contas o que gostei mais foi o roteiro. Como falei em um outro post, a literatura brasileira contemporânea adora se autorreferenciar, mas em Sabor Brasilis, os autores mostraram um lado das novelas que raramente é revelado, e poucas vezes numa obra de ficção: o dos roteiristas. Novelas, como estamos cansados de saber, é o grande produto da cultura popular brasileira de massa. Elas estão mais ainda em evidência ultimamente com modernização nas tramas e na produção, prêmios internacionais e tendo rendido inclusive um filme que dava umas pinceladas no tema – A Novela das Oito,com Mateus Solano e Cláudia Ohana -, e que tem como pano de fundo a influência de Dancin’ Days. Mas voltando à HQ, os autores trazem para o papel um enredo digno de novela, com reviravoltas, vilões, mocinhos e a dubiedade entre eles, tão normal hoje em dia como atestam A Favorita e Avenida Brasil. A trama gira em torno da velha pergunta “Quem matou (insira o nome aqui)?”, que fez famosas as novelas O Astro, Vale Tudo e A Próxima Vítima (para citar as principais), o negócio é que nem os roteiristas sabem onde é que vai dar tudo isso e, às pressas, precisam terminar os roteiros dos últimos capítulos. Essa graphic novel foi uma das melhores melhores leituras do ano.

Capa de Sequence Shot, de Greg Tocchini

Capa de Sequence Shot, de Greg Tocchini

SEQUENCE SHOT, GREG TOCCHINI

Esta HQ eu havia ouvido falar em sites de notícias e resolvi comprar porque haveria uma sessão de autógrafos com os  autores  da Dead Hamster na loja Monkix, que me enviou a revista assinada. Sempre via os desenhos do Tocchini nas HQs de super-heróis, mas nunca haviam chamado minha atenção, talvez por causa da colorização que não ressaltava seu traço. Em Sequence Shot ele mostra que não é só bom de traço, mas de narrativa e composição, trazendo para a história um quê eisneriano, cinemático, mas ainda assim próprio dos quadrinhos. Uma história que poderia levantar muitas análises e que, inclusive, rendeu uma minha neste post aqui. Eu adoro HQ experimentais que ousam na narrativa e buscam apresentar algo diferente em sua composição. Sequence Shot não decepciona.

Turma Da Mônica: Laços, Vitor e Lu Cafaggi

Turma Da Mônica: Laços, Vitor e Lu Cafaggi

TURMA DA MÔNICA: LAÇOS, DE VITOR E LU CAFAGGI

Desde que vi o traço do Vitor nas tirinhas do Puny Parker eu gostei muito. Depois, li aquela história dele com o Chico Bento no MSP 50 e percebi como ele era bom nessa coisa de emocionar através do casamento do traço e do desenho. Fui atrás de mais material dele no site da Pandemônio e comprei o Valente, o Duotone e o Mix Tape, da irmã dele, a Lu Cafaggi. Então quando vi que eles iriam desenvolver uma HQ no selo Graphic MSP – que é um selo do Mauricio destinado à versões originais dos autores para seus personagens – eu pensei: isso vai dar uma coisa ótima. Aí fiquei sabendo que a história faria referência à década de 80. Puxa, eu sou um cara que viveu mais nos 90, mas 80 tá valendo, eu tenho as referências. E, bah, a HQ tá coalhada de referências. São Easter Eggs para todo o lado. A arte maravilhosa acompanhada de um roteiro que não deve nada para Conta Comigo e Os Goonies, mostra Mônica, Cebolinha, Magali e Cascão numa busca por Floquinho. Palmas para a iniciativa do Estúdio e para o Sidney Gusman que coordenou tudo isso. E para o Mauricio, por permitir que seus personagens tomassem outras formas, traços, caminhos, mas que não mudassem as características que fazem gerações e gerações de leitores amá-los com a mesma emoção e intensidade que os irmão Cafaggi passam com seus Laços.

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