Ano: 2014

De meninos e de corujas...

Harry Potter e a Magia dos Quadrinistas Ingleses

Quero propor uma reflexão aqui com vocês, caros leitores. Se possível, deixem seus comentários. Há quase vinte anos venho acompanhando quadrinhos com mais atenção e uma coisa que mais gosto é identificar os estilos dos autores, os temas que são caros para eles, a maneira como constroem seus universos e seus personagens, as referências que usam, quem eles inspiram e de onde se inspiraram. Mas a reflexão que quero propor é perguntar e tentar responder é: quando o estilo se torna repetição? E a resposta que eu tenho para dar é: quando o escritor começa a plagiar a si mesmo. Dito isso, vou falar, é claro, dos supracitados escritores da invasão inglesa, pois eles são os mais fáceis de identificar estilo e influências. Como falei nesse link, as influências da maioria deles vem da revista 2000 a. D. e seus criadores, Alan Grant e John Wagner, mas também da literatura inglesa de fantasia, Charles Dickens, George Orwell, Lewis Carrol, P. L. Travers, J. R. R. Tolkien e C. S. Lewis, Roald Dahl. Sem esquecer William …

As 5 Piores HQs que li em 2014 (ECA!)

As Piores Leituras de Quadrinhos de 2014

É, o ano também teve seus baixos, muitos aliás. Aqui vou colocar os quadrinhos que tiveram as piores avaliações, ou seja, uma estrelinha só. Tiveram alguns brasileiros que tiveram essa colocação, mas não vou colocar aqui porque todo mundo pode melhorar. Em vez disso, vou atacar os estabelecidos mesmo que esses não vão se importar se eu – o reles eu – falar qualquer coisa de mal sobre seus quadrinhos. Mas não se preocupem que não vou ser tão mau assim, são só cinco HQs mesmo. 45 Rotações de Rock, de Hervê Bouhris O cara que escreveu o Pequeno Livro do Rock e o Pequeno Livro dos Beatles ataca novamente, dessa vez com a sua seleção de 45 melhores discos da história dos Rock, o que inclui nossos caríssimos brasileiros, Os Mutantes. Fui no livro esperando muita coisa, mas é uma caca. Pra começar, não é quadrinhos como o livro é vendido, de arte sequencial ele não tem é nada. Além disso a tradução e a revisão carecem de muuuitas melhoras. A disposição das informações …

Os números de 2014 do Blog Splash Pages via WordPress.com

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2014 deste blog. Aqui está um resumo: A sala de concertos em Sydney, Opera House tem lugar para 2.700 pessoas. Este blog foi visto por cerca de 44.000 vezes em 2014. Se fosse um show na Opera House, levaria cerca de 16 shows lotados para que muitas pessoas pudessem vê-lo. Clique aqui para ver o relatório completo

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Os Melhores Quadrinhos da Vertigo que li em 2014

Chegou a hora da última lista de melhores do ano, depois dela só vem a lista de 5 piores leituras do ano. Então, antes que acabe o ano, vamos acelerar os trabalhos e dizer quais foram as 10 melhores HQs da Vertigo que li em 2014. 😉 Clube Vampiro: Morra Agora, Viva Para Sempre, de Howard Chaykin, David Tischmann e David Hahn Howard Chaykin é famoso por sua narrativa densa e personagens complexos. E é isso que ele nos entrega em Clube Vampiro: Morra Agora, Viva Para Sempre: uma trama intrincada que revela a competição de uma família mafiosa de vampiros. A arte de David Hahn, leve e colorida parece fazer um contraponto com a história dos nossos sanguessugas, mas casa muito bem com a história. Você pode ler uma resenha completa que escrevi sobre Clube Vampiro: Morra Agora, Viva Para sempre nesse link aqui. Crime e Castigo, de Garth Ennis e John Higgins É, eu realmente não gostava do Ennis até que eu li o Justiceiro dele. Muita gente veio me dizer que começou …

Série Jonah Hex, de Justin Gray, Jimmy Palmiotti e Diversos Artistas

Os Melhores Quadrinhos de Super-Heróis que Li em 2014

Primeiramente, Feliz Natal! Dingou béu, dingou béu, acabou papel! Não acabou não! Tem muito quadrinho bom pra ler e eu vou estar aqui pra dar umas dicas! Então vamos lá, os quadrinhos nessa seção são só da Marvel e DC Comics, ok?! Então tá! Valendo! Antes de Watchmen: Minutemen, de Darwyn Cooke Ano passado a Panini publicou a iniciativa Antes de Watchmen no Brasil. Mas a Panini que é Panini não cumpre seus prazos e tudo chega no mês seguinte do calculado. Ou seja, esse Antes de Watchmen chegou a mim em 2014, não que isso importe para essa lista. Você pode conferir uma resenha completa dessa edição aqui. E da iniciativa toda de Antes de Watchmen neste link. Foi uma inciativa polêmica que não teve o apoio de seu criador Alan Moore, mas que em geral trouxe histórias muito boas para os leitores. Claro, houveram tropeços, mas essa edição dos Minutemen é um digno exemplar das melhores coisas que essa iniciativa poderia trazer. Batman: O Retorno de Bruce Wayne, de Grant Morrison e Vários …

Cidade-Maquete! Minimundo

10 Razões Por Que GOTHAM Merece Ser Assistida

Eu havia assistido o primeiro episódio de GOTHAM na TV e tinha gostado bastante da pegada, do enfoque e tudo mais, mas acabei me passando nos episódios e fiz uma maratona para assistir aos outros. E gostei muito do que vi em geral. Então se você não tá dando muita bola pra GOTHAM, aqui estão 10 razões para assistí-la: UM BOM COMEÇO: Para quem não conhece nada ou muito pouco sobre super-heróis, Gotham é um bom ponto de partida. Ela mostra a infância de Bruce Wayne, o Batman e o início da carreira de James Gordon no Departamento de Polícia de Gotham City. MOMENTOS SABOROSOS: E como Gotham não é uma série de super-heróis qualquer, ela tem mais tramoias, investigações, e menos soc, tum, pof, o que torna os momentos mais saboreáveis do que uma série de ação qualquer. Com certeza Gotham é mais cerebral, num estilo Law and Order ou The Good Wife. MÁFIA: Aaah, a boa e velha máfia… Quem não gosta de ver ela em ação? Na TV claro, porque de Máfia …

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As Melhores Graphic Novels Estrangeiras que li em 2014

Aqui cabe uma explicação, graphic novels estrangeiras são todas as HQs que eu li que não são feitas nem nos EUA ou Brasil. Para as feitas nos EUA existe a categoria Graphic Novels Americanas. Não se esqueçam que ainda está para sair a lista das melhores HQs de super-heróis (Marvel e DC Comics) e da Vertigo, assim como um pequena lista de revistas para se evitar. Vamos a lista das Graphic Novels Estrangeiras: A Invenção de Morel, adaptado do livro de Adolfo Bioy Casares por JP Mourey (FRANÇA) Eu só costumo gostar de adaptações de quadrinhos se elas realmente são adaptações, ou seja, não apenas uma transcrição das palavras em imagens, mas que saibam usufruir dos recursos do meio quadrinhos. Uma história intrigante como A Invenção de Morel, de um dos grandes amigos de Jorge Luis Borges, Adolfo Bioy Casares, merecia uma adaptação ao seu nível. É o que JP Mourey realiza aqui, com sutileza, usando as cores para pontuar a narrativa de froma sábia e ajudando o leitor a entender a narrativa intrincada do …

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Os Melhores Quadrinhos Brasileiros que Li em 2014

Aos Cuidados de Rafaela, de Marcelo Saravá e Marco Oliveira Quando escrevi a resenha sobre Aos Cuidados de Rafaela disse que seria uma das melhores HQs brasileiras do ano e realmente se manteve assim. Não pelo clima Nelson Rodrigues que a HQs traz, mas pra mim ficou parecendo mais uma HQ sobre uma sociopata ao estilo Janela Indiscreta de Alfred Hitchcock e tantos outros filmes do mestre do suspense. Na verdade a HQ revela a sordidez da alma humana e como as pessoas podem ser interesseiras até as últimas consequências, envolvendo-as numa turbulenta sequência de dominós interpessoais que podem ser derrubados a qualquer estalo.   A Vida de Jonas, de Magno Costa A história de um alcoólatra tentando se recuperar. Até aí tudo bem, mas o que um dos novos gêmeos revelação da cena quadrinística brasileira faz é usar fantoches. Isso aí: fantoches para contar quadrinhos. Não são fotos, mas parece que todos os personagens saíram ou da Vila Sésamo, ou do filme dos Muppets, ou da Exposição de 20 anos do Castelo Rá-Tim-Bum. Isso …

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As Melhores Graphic Novels Americanas que li em 2014

Deixa eu explicar essa categoria: aqui se encaixam HQs produzidas nos EUA que não foram feitas nem por DC Comics, Marvel, Vertigo, mas sim por alternativas a essas editoras. Vamos a elas em nenhuma ordem de qualidade, mas sim, ordem alfabética: ASSASSIN’S CREED: BRÂMAN, de BRENDAN FLETCHER, KARL KERSCHL E CAMERON STEWART Publicação da estreante Alto Astral no Brasil, que tem feito acertos e erros na sua linha editoria. Esse, entretanto é um grande acerto, mas do que uma franquia de videogames bem-sucedida, Karl Kershl e Cameron Stewart têm acertado com as histórias dos descendentes de assassino. Brâman, entretanto é uma história que lida com realidade virtual e  lendas sikh, além de ter um lido visual. Indico essa edição do universo quadrinístico de Assassin’s Creed porque é autocontida e não precisa conhecer o jogo para lê-la. Não por acaso que Brendan Fletcher e Cameron Stewart foram chamados para fazer as histórias da novíssima Batgirl. CARNET DE VOYAGE, de CRAIG THOMPSON Comprei essa HQ na promoção anual que a Top Shelf faz todo ano, mas ela …

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Raio X 2014 Splash Pages

2014 foi um ano intenso: Copa, Eleições e um monte de desastre temperando tudo. Claro, que não podemos deixar de dizer que tanto Copa quanto Eleições foram um desastre então tivemos um ano bem INTENSO mesmo. Da minha parte, de realizações, eu não tenho o que reclamar, ainda que monetariamente muita gente ainda está no meu pé. Em 2014 eu lancei duas HQs, Fratura Exposta, com o Jader Corrêa e o Matias Streb e Mundo dos Feriados, com a Roberta Nunes. Também lancei meu primeiro romance, Loja de Conveniências, pela Não Editora. Também escrevi um texto sobre a obra literária do Neil Gaiman em Por que ler os contemporâneos – Autores que escrevem o século XXI. Embora nenhum tenha sido um estrondoso sucesso, acho que me saí melhor lançando essas obras este ano do que ano passado. Me dediquei muito esse ano ao blog, tanto é que ele teve recordes e recordes de acesso e o número acessado este ano mais que duplicou. E, graças aos nosso bons leitores do Splash Pages, alcançamos a marca estrondosa …

SAGA, Volume Um, de Brian K. Vaughan e Fiona Staples (Devir, R$ 56, Tradução: Marquito Maia)

A Saga da Paternidade: SAGA, Volume Um, de Brian K. Vaughan e Fiona Staples

SAGA é a HQ mais aguardada do ano no Brasil. Ela ganhou três Eisner Awards e seis Harvey Awards em 2013. O primeiro volume recebeu o cobiçado Hugo Award para Melhor História Gráfica e o British Fantasy Award para Melhor Novela Gráfica em 2013. Fora isso, SAGA é uma concepção da mente criativa de Brian K. Vaughan, responsável por sucessos cults e de crítica como Y: O Último Homem, Fugitivos, Leões de Bagdá, Ex Machina e que também foi um dos roteiristas do seriado LOST a partir da terceira temporada. Fiona Staples, a artista, por sua vez vem do mercado independente, tendo feito apenas séries desconhecidas dos brasileiros. Entretanto, a arte de Fiona é de encher os olhos, versada em cores e traços dinâmicos, também tem de se destacar seu design de personagens, que povoam as histórias de saga os mais diferentes seres alienígenas. A história começa com a bebê Hazel narrando seu nascimento. Ela é filha de duas espécies em guerra, os chifrudos, que habitam a Lua e dos alados, que habitam o planeta. …

Concurso Cultural: O Encontro Fortuito

Olá pessoal, uma nova promoção se anuncia no blog! Mas desta vez tem que participar! Não é só curtir o blog e compartilhar com os amigos. Também tem que responder à pergunta do nosso Concurso Cultural! “O que você faria se encontrasse um personagem do folclore brasileiro?” é a pergunta e a resposta mais criativa ganhará um exemplar autografado de A Bandeira do Elefante e da Arara – O Encontro Fortuito, de Chrsitopher Kastensmidt, Carolina Mylius e Ursula Dorada. Você responde aqui mesmo neste post nos comentários do blog colocando, claro, seu e-mail para entrarmos em contato. O seu encontro fortuito pode ser com o Boitatá, a Mula Sem Cabeça, o Saci Pererê, o Curupira, o Negrinho do Pastoreio, ou seja, qualquer personagem comprovado do folclore brasileiro. Fique ligado na criatividade. Essa promoção se encerra em 15/01/15, então não perca tempo e responda! Será válida apenas uma resposta por participante.

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Os Super-Heróis e suas Sombras

Seriam os vilões a maior nêmese dos super-heróis? Não quando se trata de enfrentar a eles mesmos. Existem muitas histórias em que os super-heróis tiveram de enfrentar seu lado sombrio para vencerem uma batalha maior: pelo bairro, pelo lar, pelo mundo ou pelo universo. Essa semana me deparei na banca com um livro diferente, se chamava As 7 Leis Espirituais dos Super-Heróis. Os autores eram Deepak Chopra e Gotham Chopra, seu filho. Não me chamou atenção o nome Gotham, pois é uma versão de Gautama, o nome de Buda, mas sim o nome dos dois. Deepak é um grande teórico da espiritualidade tendo trazido a visão do oriente para o ocidente. Já seu filho, Gotham, foi responsável pela Virgin Comics, um selo em parceria com a renomada gravadora, que trouxe quadrinhos como Mulher-Serpente e Sete Irmãos, dos que foram publicados no Brasil, e trouxe parcerias com Guy Ritchie, John Woo, Shekar Kapur e Wes Craven. Apesar da iniciativa não ter logrado tanto sucesso quanto esperado, o selo se tornou a Liquid Comics, que publica quadrinhos …

Páginas 36 e 37 da HQ A Bandeira do Elefante e da Arara: O Encontro Fortuito.

Entrevista com Christopher Kastensmidt, autor de A Bandeira do Elefante e da Arara

Saci-Pererê, Boitatá, figuras lendárias do folclore brasileiro ganhando um lugar nos quadrinhos de hoje. Para além das aparições em Pererê, do Ziraldo ou das páginas de Chico Bento, de Mauricio de Sousa, esses personagens tomam uma dimensão fantástica e aventuresca nas páginas de A Bandeira do Elefante e da Arara: O Encontro Fortuito, de Christopher Kastensmidt, Carolina Mylius e Ursula Dorada, lançada nesse final do ano pela Editora Devir. Com prefácio do autor de ficção científica Roberto Causo e vários extras mostrando o processo de criação da história em quadrinhos, a obra foi viabilizada pela Lei de Incentivo à Cultura, Ministério da Cultura do Governo Federal do Brasil, e patrocinada pelo Banco De Lage Landen. “O projeto faz parte do mundo ficcional de A Bandeira do Elefante e da Arara, com planos para lançamentos futuros de romance, jogo de tabuleiro, RPG de mesa, game, audiovisual e outros”, comenta Christopher Kastensmidt, que carrega em seu currículo a publicação de diversos contos, poemas, games, artigos e livros didáticos. “A Bandeira do Elefante e da Arara é um hino …

Faça boa arte!

“Faça boa arte”, de Neil Gaiman

Ter recebido em casa um livro com o discurso memorável do Neil Gaiman, num período de cobranças e imposições não poderia ter vindo em melhor hora, para voltar a ter autoconfiança no que eu faço. Se você também anda desiludido com o seu trabalho e se achando um inútil porque não ganha dinheiro suficiente, dêem uma lida, ouvida ou olhada no discurso a seguir e renove sua autoestima, porque as pessoas e o mundo não dão trégua. Quem tem que saber o que é melhor é você mesmo, sem pessoas que te botem pra baixo. Obrigado, Samir Machado de Machado. A tradução abaixo é de Juliana Fajardini. Eu nunca realmente esperei me encontrar dando conselhos para pessoas se graduando em um estabelecimento de ensino superior. Eu nunca me graduei em um desses estabelecimentos. E nunca nem comecei um. Eu escapei da escola assim que pude, quando a perspectiva de mais quatro anos de aprendizados forçados antes que eu pudesse me tornar o escritor que desejava ser era sufocante. Eu saí para o mundo, eu escrevi, …

Seleção de Quadrinhos!!!

Quadrinhos Para Quem Não Curte Quadrinhos

Vem chegando o Natal! Vamos presentear com quadrinhos? Aqui vão algumas sugestões. Você é fã de quadrinhos e não entende como as pessoas podem não gostar do que você gosta. Você não é fã de quadrinhos, mas gostaria de ser, só que é tudo tão complicado e difícil. Você até gosta das séries e dos filmes, mas sei lá… Talvez aqui tenha a solução para os seus problemas, como aprendemos na faculdade é uma questão de adequação, ou é o segredo dos gays: “introduzir devagarzinho”. Aos poucos, as pessoas vão entendendo que quadrinhos é um meio riquíssimo e que existem histórias para todo o tipo de pessoas, assim como os romances literários, basta entender o seu tipo e quando vir, já vai entender tudo sobre quadrinhos. Separei 10 quadrinhos para 10 tipos diferentes de pessoas. Vamos lá? SCOTT PILGRIM CONTRA O MUNDO Para quem: fãs de videogame O que é: Scott Pilgrim Contra o Mundo é um quadrinho que usa a linguagem do videogame para contar a história de… Scott Pilgrim, que se apaixona pela …

É a flecha no alvo, mas o alvo na certa não te espera...

10 Razões Por Que ARROW Merece Ser Assistida

Ontem decidi: vou começar a acompanhar ARROW. E o que aconteceu? Fiquei a madrugada inteira assistido. Oliver Queen, o Arqueiro Verde é um dos meus heróis preferidos da DC e, talvez essa seja a razão da minha resistência em assistir à série. Muitos amigos já haviam falado muito bem da série, principalmente o fã hardcore Pablo Sarmento, mas eu estava resistente. Havia pegado um pedaço da série na programação da Warner, mas não tinha me conquistado. Talvez por ser uma série que precisa ser vista desde o começo. Enfim, se passei todo esse tempo acompanhado Stephen Amell e cia, deve haver uma razão. Então aqui vão 10: AGRADA AO PÚBLICO NOVO: Um trama bem desenvolvida, com intrigas, traições revelações. Não sei qual veio antes, mas entendi que Arrow é um Revenge para o público masculino e vice-versa. Não que ela não possa agradar às damas, pois tem motivos de sobra para tanto. Mas a série de Emily Thorne é um sucesso por uma razão e eu vejo que a estrutura da série e dos episódios, …

O Conflito do Vietnã #19, da série The 'Nam, o que aconteceria se os vingadores vencessem a Guerra do Vietnã?

A intrínseca relação entre os super-heróis e as guerras

Basta reparar: as revistas de super-heróis possuem suas maiores vendas em tempos difíceis. São nessas épocas que o povo se torna mais acanhado, sem esperanças e vão busca forças nas revistas dos super-heróis. Desde o começo, as revistas de super-heróis mostraram os mesmos em suas capas lutando contra os inimigos da guerra. Capitão América dava um soca na cara de Hitler logo em sua primeira edição. Superman, Batman e Robin acertavam bolinhas na cara de Hitler, Mussolini e Hiruito. Mas enquanto na Marvel o confronto era direto, a DC Comics, ao longo dos anos, deletou essa luta da Segunda Guerra Mundial das páginas de Superman. Embora existam histórias do Homem de Aço lutando no front, uma história mostra que Clark Kent burlou o exame oftalmológico para que não servisse na guerra. Anos depois, a DC iria justificar a ausência da Sociedade da Justiça na guerra, afirmando que Adolf Hitler estava de posse de um artefato sobrenatural chamado Bastão do Destino, que criava uma barreira mística na Europa e na Ásia para ficarem à mercê do …

Você bateria em alguém de óculos? E em alguém que ama uma pessoa do mesmo sexo?

Eu Quero Ser a Minoria

Comecei a ler as revistas mutantes por volta dos 11 anos, no início da adolescência. Vocês devem saber que a adolescência deixa as pessoas um tanto confusas e elas buscam uma âncora, um referencial, uma orientação e através dos X-Men eu aprendi várias lições éticas e de humanidade. Mas naquela época, apesar de venerar os X-Men, eu me assemelhava mais à Peter Parker, o Homem-Aranha: magrelo, de óculos, CDF, uma negação na educação física e era aporrinhado pelos meus colegas de colégio. Não me identificava a nenhum ideal, nem de beleza, nem de comportamento. Por me identificar com Peter, tinha tudo para me tornar um fã ardoroso do Homem-Aranha. Mas, o destino quis que eu fosse apresentado antes aos X-Men. Um grupo de pessoas diferentes, excluídas da sociedade por não se ajustarem às condições da maioria e muito menos por se parecerem com elas. Nossa – eu pensava – é bem como eu me sinto: totalmente desajustado com essas pessoas que me rodeiam e odeiam (no caso, meus “adoráveis” coleguinhas). Os X-Men trouxeram à discussão …

Mapas temporais

Painéis em pixels ≠ Painéis no papel: as diferenças entre o quadrinho digital e o analógico

Hoje em dia os quadrinhos digitais vêm se proliferando de maneira incrível, principalmente aqueles em aplicativos para dispositivos móveis. O que ainda não chegou a um consenso foi a maneira como esses quadrinhos devem ser apresentados. Não existe um padrão e provavelmente nunca existirá. Erik Loyer, um criador de quadrinhos digitais, responsável pelas séries Upgrade Soul e Ruben & Lullaby acabou de lançar um vídeo sensacional sobre quadrinhos digitais chamado Timeframing: The Art of Comics on Screens, uma análise profunda de como as telas e os quadrinhos podem trabalhar em conjunto. O vídeo, você pode assistir abaixo, mas eu vou fazer aqui um apanhado geral para você acompanhar se não entende inglês. PARA ALÉM DA DEFINIÇÃO Em seu revolucionário livro Desvendando os Quadrinhos, Scott McCloud cunhou a seguinte definição para os quadrinhos: “Imagens pictóricas ou outras justapostas em sequência deliberada”, porém, com o advento dos quadrinhos digitais, em seu livro seguinte, Reinventando os Quadrinhos, McCloud resolveu transformar sua definição no seguinte termo, os quadrinhos agora são “um mapa do artista para o próprio tempo”. Segundo …

Kirbynautas!

Por que você deve respeitar mais Jack Kirby do que Stan Lee?

Stan Lee é o Deus da Mídia hoje em dia. Ele é venerado, apoiado, ganha programas, ganha comerciais, ganha pontas em filmes e, o principal, ganha rios de  ricos dinheirinhos. Mas o velho safado deixou no ostracismo seu grande companheiro e criador, Jack Kirby, que sempre ficou relegado ao segundo escalão na hora de creditar as criações de Lee. Não foi assim apenas com Kirby, não. Steve Ditko mal é citado como sendo criador do personagem campeão de licenciamentos mudo afora, o Homem-Aranha. E se você está pensando que Stan Lee teve todo o trabalho de inventar as histórias e os personagens, está redondamente enganado. O maior trabalho foi de Kirby, já que Lee tinha que ser editor de outras publicações da Marvel. Mas não existe um “Jack Kirby apresenta:”, e sim, um “Stan Lee apresenta:”. Trago aqui 10 motivos que mostram como Kirby é muito mais importante que o marqueteiro SatanStan Lee: CAPITÃO AMÉRICA: Ao lado de Joe Simon, Kirby criou aquele que é hoje chamado O Primeiro Vingador, Steve Rogers, o Capitão América. …

Será que a culpa é dos pints de Guiness

O Círculo das Influências, de Will Eisner a Kelly Sue DeConnick

É inegável que autores influenciam e são influenciados. Dentro dos quadrinhos não podia deixar de ser o mesmo. Muitos deles, é claro, tiveram influência de outros tipos de arte, como a pintura, o teatro, o cinema. Esse é um blog que enfoca mais o roteiro, porque dos princípios da arte eu entendo é muito pouco. Então gostaria de mostrar para vocês o que podemos chamar de o Círculo da Influência dos Quadrinhos. Essa foi uma ideia que o Érico Assis explanou comigo uma vez enquanto comentávamos o livro Super Graphics, de Tim Leong. Na época cheguei a fazer um gráfico parecido para explicar as influências do rock’n’roll, que vocês podem conferir nesta primeira imagem. Nos quadrinhos, parti do ponto inicial que seria Will Einser, o cara que modificou o jeito moderno de fazer quadrinhos e influenciou, bem… todo mundo, de Alan Moore a Frank Miller, a Bendis e Ellis. Frank Miller, um confesso fã de Eisner, chegou a fazer um livro de entrevistas com o mestre, chamado Eisner/Miller, – uma provocação dos quadrinhos ao clássico …

Ellen Forney

A vida na gangorra: Parafusos – mania, depressão, Michelangelo e eu, de Ellen Forney

Depressão é coisa feia. Beijinho no ombro daqueles que dizem que se resolve com uma pia de louça suja para lavar. Se lessem a graphic novel de Ellen Forney, publicada esse ano no Brasil pela WMF Martins Fontes, com certeza se arrependeriam amargamente de suas palavras insensatas. No livro de Ellen, Parafusos – mania, depressão, Michelangelo e eu, ela tenta associar o pensamento criativo com “loucura”, ou seja, a necessidade de usar medicamentos para o transtorno mental. Enquanto isso, vai explicando como “funciona” sua bipolaridade e os gestos que vem fazendo para mudar esse quadro. Ellen sempre passou por fases. Uma delas é a mania, quando está eufórica, cheia de pensamentos. A outra, a depressão, quando se sente inútil e embotada para a vida. Ellen sempre aprendeu a dar significado às coisas. Mas não o significado aparente, ela buscava encontrar ali algo mais. Nas árvores, nas pessoas, nas gotículas do box do banheiro em que visualizava pessoas numa festa na floresta. Ela diz que esse é o trabalho do artista: encontrar mais significados nas coisas …

Tungstênio, de Marcello Quintanilha e Cumbe, de MArcelo D' Salete, ambos pela editora Veneta.

Consciência Negra: Cumbe, de Marcelo D’ Salete e Tungstênio, de Marcello Quintanilha

No mês da consciência negra no Brasil, quero apresentar para vocês duas HQs que retratam essa representativa parcela da população nacional. A primeira delas é Cumbe, de Marcelo D’ Salete, que traz histórias sobre os escravos bentos no Brasil. A segunda, é Tungstênio, de Marcello Quintanilha, essa, contemporânea, trazendo um recorte do cotidiano brasileiro das grandes cidades. Além de retratarem o povo negro brasileiro, pode-se dizer que as duas HQs se passam no mesmo espaço, porém em tempos diferentes. As duas, entretanto confirmam que as mazelas sobre o povo da pele escura continuam a segregar a nação. O REBUSCADO NO POPULAR Ambas obras trabalham em profundo a alma da população brasileira, porém, o fazem ao retratar cenas cotidianas, que se encontram na cultura e nos costumes e que já estão imiscuídas no Brasil. Como em Tungstênio, quando Keira traz à tona sua definição de “necessidade do amor”. Esse mesmo amor fugidio também está em Cumbe e é mostrado de vários jeitos, mostrando expressões e costumes que ficaram arraigados no povo brasileiro. Da mesma forma, ficamos …

Chris Ware e Building Stories: uma mídia dentro da mesma mídia ad abismum

A Era dos Quadrinhos de Forma

Estamos vivendo uma era em que os quadrinhos precisam se fortalecer em seu suporte mais antigo: o papel. A concorrência está aí. São os webcomics, os motioncomics, os quadrinhos em app, os quadrinhos em PDF e digitais pirateados. Mas o papel continua forte. A razão é que, por mais arcaico que seja, a leitura em papel permite uma experiência única no caso dos quadrinhos. Através dele, o conhecimento está nas mãos do leitor, que controla o ritmo da história e da leitura. Hoje muitos quadrinhos brincam com a forma como são produzidos, seja no layout de página, seja no design gráfico, nas onomatopeias, enfim, os quadrinhos de hoje abusam dos recursos gráficos para tornar essa mídia plena. Mas como foi que chegamos a esse patamar? Vou explicar em alguns itens. INFLUÊNCIA DAS GRAPHIC NOVELS Na metade da primeira década do século XXI, as graphic novels começaram a se proliferar nos EUA e no Brasil da mesma forma que os álbuns fazem na Europa. Porém, a diferença é que as graphic novels vindas dos Estados Unidos …

Olha! À sua direita! É o Luciano Huck? É o Rei do Camarote? Não! É o SUPERCOXINHA!

Seria o Superman uma alegoria ao Fascismo? (ou ele só é um coxinha?)

Em sua HQ Superman: Entre a Foice e o Martelo, Mark Millar imaginava o que aconteceria se o foguete que trouxe Superman de Krypton tivesse caído na URSS e não nos EUA. Durante a Guerra Fria, a “posse” de um super-homem não só beneficiaria a guerra para o lado dos soviéticos, como também garantiria o controle de todo o poder do mundo nas mãos do Superman. Kal-El havia se tornado um fascista tão horrível quanto Hitler, Mussolini ou Stalin. Por outro lado, crescendo nos EUA, o Superman se tornou o símbolo da liberdade. Mas será isso mesmo? Em Gargantua, Rabelais criticava àqueles que colocavam um sentido cristão nas obras de Homero, uma vez que as obras haviam sido compostas séculos antes do cristianismo. O mesmo é feito com o Superman, de Siegel e Shuster que, dizem ter uma interpretação messiânica. O herói kriptoniano seria uma alegoria de Moisés, uma vez que seus criadores eram judeus. Mas como saber se esta foi realmente a intenção dos autores? Continuando com o homem de aço, sabe-se que sua primeira versão foi criada poucos anos depois da quebra …

Capitã Marvel nos cinemas em 2018!

Quem é essa tal Capitã Marvel?

Quem é essa tal Capitã Marvel que vai ganhar filme pela Marvel Studios / Disney dentro do universo cinemático da Marvel? Quem é essa mulher que vem ganhando títulos da Marvel nos EUA e encadernados da Panini Comics no Brasil? O que é a Tropa Carol? Descubra aqui. Descubra agora! A ORIGEM DA MISS MARVEL O título Ms. Marvel, lançado em 1977, trazia uma história de superação feminina. O alter-ego de Miss Marvel é Carol Susan Jane Danvers, a filha mais velha e única garota de uma família muito grande, que passou a infância competindo com seus irmãos mais jovens. Desde muito cedo, Carol teve uma natureza independente e grandes aspirações para o futuro. Estes desejos, contudo, eram repreendidos pelo pai da moça, que preferia investir o seu dinheiro na educação de seus filhos homens e acalentava a crença que um marido seria a solução para os problemas da jovem, pois este a sustentaria pelo resto de sua vida. Desobedecendo a seu pai e seguindo sua admiração pela aviação e seu sonho de voar, Carol …

Da esquerda para a direita: Phellip Willian, Melissa Garabellis, Theodore Guilherme, Larissa Clausen e Aliás Alisson

O dinossauro da perna de pau, do olho de vidro, da cara de querido

Velociraptor Pirata. Um nome bastante peculiar. E essa peculiaridade você pode encontrar nas histórias em quadrinhos desse coletivo. Pra começar, South-Fi, uma HQ que trabalha a caipirice num mundo sci-fi de animais falantes e animais falantes do caipirês à la Chico Bento. Depois, a HQ-Poema Quando tudo é monótono, num formatinho pequeno de grande fofura como a Mix Tape de Lu Cafaggi. Mas a HQ do grupo que mais chamou minha atenção foi HUG, uma das melhores leituras que tive esse ano, serinho gente. Ela brinca com a narrativa dos quadrinhos, rompendo quadros, rompendo a narrativa comum dos quadrinhos e ainda assim não se mostra pedante, porque nos envolve no bom humor e no carinho entre os personagens. Sabe aquela pessoa que você ama tanto que só pensa em abraçar o tempo todo? É mais ou menos esse o mote do HUG. Isso de nos envolver no bom humor e no carinho é uma marca registrada da Velociraptor Pirata. Foi assim que eles me recepcionaram na Gibicon deste ano, mesmo nunca tendo me visto mais …

O Crime e o Castigo de Garth Ennis

Uma coisa que sempre me irritou na carreira de Garth Ennis, para além das escatologias que ele insiste em colocar nas suas histórias, é aquela história de todo quadrinho que ele publica ter a tal da “parceria masculina”. Homens unidos fazendo escrotices e adorando. Isso está nas histórias do Constantine, que estão saindo aqui pela Panini Vertigo  e também no seu adorado idolatrado salve salve Preacher, que também sai esse mês em novos encadernados pela editora italiana. Mas desde seu início Ennis já dava sinais dessa temática já nas revistas da 2000 A.D. lá na Inglaterra, onde começou. Outro ponto do Garth Ennis que não gosto é sua ojeriza aos super-heróis, tentando transformá-los sempre em fatores de comédia, como na série The Boys, que iniciou na Wildstorm e terminou na Dynamite Comics. Apesar de um aficionado pela Segunda Guerra Mundial, Ennis afirma que escrever uma história do Capitão América seria “extremamente ofensivo, porque para mim a realidade da Segunda Guerra era muito humana, caras comuns de carne e sangue chafurdando em miseráveis trincheiras inundadas. Então adicionar …

O Estranho Mundo de David

10 Motivos para ler Estranhos no Paraíso, de Terry Moore

Essa foi uma das primeiras séries de quadrinhos fora do eixo Marvel e DC que li, claro excetuando-se as infantis, e foi um sopro de vida na minha adolescência nos anos 90. Apesar de uma publicação atribulada no Brasil, passando por quatro editora e mais um escândalo de pirataria e o não-pagamento dos direitos de publicação por uma das editoras, a série é um must-read para qualquer leitor de quadrinhos ou para qualquer “pessoa como eu e você”. TRIÂNGULO AMOROSO: David ama Katchoo, que ama Francine, que não ama ninguém. Essa era a chamada que a Editora Abril fez na época de lançamento da primeira minissérie de SiP, ou Strangers in Paradise, como a série é apelidada carinhosamente pelos fãs. Talvez inspirada no poema “Quadrilha”, de Carlos Drummond de Andrade (clique aqui), a chamada mostrava o quão complicada seria a vida romântica de nossos protagonistas, mas havia muitas surpresas além do aspecto romântico da vida de nossos heróis. INSERÇÕES DO AUTOR: Desde o começo, a história trazia poemas, cifras de músicas, referências a séries, filmes, …