5 HQs, Análises, Melhores Leituras 2013, quadrinhos
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As Melhores HQs Estrangeiras que li em 2013

* Por Estrangeiras quero dizer não Brasileiras e não Americanas. Já que ambas têm categorias próprias.

A Arte de Voar, Antonio Altarriba e Kim

A Arte de Voar, Antonio Altarriba e Kim

A ARTE DE VOAR, ANTONIO ALTARRIBA E KIM

ESPANHA Como eu falei em algum lugar, eu havia ouvido falar dessa HQ lendo no site espanhol Zona Negativa. Tenho um fraco (ou um forte?) para essas histórias que abordam relações familiares. Achei muito atraente a proposta, principalmente porque começa com o pai do autor – cuja história, e que história, será contada ao longo da graphic novel – se suicidando. Antonio Pai torna-se anarquista (pô, já tava na moda naquela época? ¬¬’), luta contra o franquismo, é obrigado a lutar na Segunda Guerra Mundial e em meio a tudo isso conhece lugares e participa de situações que nunca um humilde camponês sonharia em realizar. Torna-se um homem de “negócios”, constitui família e acaba depressivo, num abrigo para idosos. Para mim, a melhor parte é essa mesma: o final. Nem todas as grandiloquentes aventuras de Antonio Altarriba nas guerras ou seus negócios mafiosos são tão orquestrados quanto o final da sua vida. Nenhuma das alusões à Arte de Voar é tão linda quanto aquela que mostra como ele se libertou de uma sucessão de sofrimentos: mais uma vez, ele abriu asas e saiu pela janela. Mais sobre: aqui e aqui.

A ARTE – CONVERSAS IMAGINÁRIAS COM MINHA MÃE, JUANJO SÁEZ

ESPANHA Bom, desse vocês já cansaram de me ver escrever sobre aqui e aqui.

El Síndrome Guastavino, Carlos Trillo e Lucas Varella

El Síndrome Guastavino, Carlos Trillo e Lucas Varella

EL SÍNDROME GUASTAVINO, CARLOS TRILLO E LUCAS VARELLA

ARGENTINA. Sórdido? Sim. Polêmico? Com Certeza. Doente? Pode crer. Incrivelmente delicioso de ler? Sem dúvida! Essa HQ tão polêmica foi um dos últimos trabalhos de Carlos Trillo,um dos maiores roteiristas de quadrinhos argentinos contemporâneos. Cheguei à primeira comiqueria de Buenos Aires e pedi: quero um comic argentino recente, e o vendedor, que não me parecia lá muito bem encarado me indicou essa. A capa era o tal Guastavino do título sentado ao lado de uma boneca. Publicada anteriormente na revista Fierro, e, explicado na apresentação que a publicação da história gerou muita discussão, a HQ conta a história de um escrivão apaixonado por uma boneca que viu numa vitrine e que está disposto a tudo para comprá-la e torná-la sua amante. A premissa pode parecer um pouco bizarra, mas eu garanto: a HQ é mais. Mas sejamos francos: não são as histórias bizarras que mais provocam sensações de espanto na gente? El Síndrome Guastavino é assim e é mais, pois existe uma explicação para tudo, e ela envolve – como tudo na Argentina – a ditadura.

Juiz Dredd - Origens, John Wagner, Carlos Ezquerra e Kev Walker

Juiz Dredd – Origens, John Wagner, Carlos Ezquerra e Kev Walker

JUIZ DREDD – ORIGENS, JOHN WAGNER, CARLOS EZQUERRA E KEV WALKER

INGLATERRA. Foi uma sacada ótima da Mythos em trazer mais material do Juiz para cá. Nunca havia me interessado muito pelas histórias dele porque o que saiu por aqui foram poucos crossovers e a maioria deles, MUITO ruins. Ainda bem que a editora paulista veio redimir o personagem em Terras Tupiniquins. Pra quem não está familiriarizado com o mundo futurista de Dredd e para aqueles que curtem os filmes, Origens é um bom ponto de partida. Escrita por um de seus criadores, John Wagner e pelo criador do seus visual, Carlos Ezquerra, a sequência de histórias desfaz um pouco a regras das histórias do personagem. A regra é clara, Galvão, Dredd vai servir apenas como catalisador da história, o personagem principal nunca será ele. Dredd será apenas uma coincidência na história, apenas a desculpa para nomear ela. E Origens é e não é assim. Pois o desenvolvimento contado aqui não é só o nascimento do clone Dredd, mas também do seu mundo, Megacity I e o juiz que originou tudo isso e do qual nosso personagem principal foi clonado. É tipo um Tudo o que você queria saber sobre o Juiz Dredd, mas tinha medo de perguntar (pra ele).

O Homem Ideal, Ralf König

O Homem Ideal, Ralf König

O HOMEM IDEAL, RALF KÖNIG

ALEMANHA Das minhas leituras até agora, nenhum autor de HQs trata as diferenças entre hetero e homossexuais com mais categoria do que Ralf König. Porque ele usa ironia, sarcasmo, um humor involuntário e também alguns atos falhos. Ele mostra que heteros são heteros, gays são gays, menino é menino, político é político, e alguns se encontram em um limbo. Seja porque ainda não se decidiram, ou porque não se encontraram. Ralf König, apesar de gay assumido, não toma partido, criticando com inteligência a “classe” à qual pertence. Mas é claro que as farpas também sobram para seus opositores. Na verdade, ninguém está a salvo, nem mesmo as suas – é, de você mesmo que está lendo – convicções.

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