5 HQs, Análises, Avaliações, mangás, Melhores Leituras 2013, quadrinhos
Comentários 2

Os Melhores Mangás que li em 2013

Então, primeiro quero pedir desculpas pelo meu total desconhecimento sobre o universo dos Mangás. Se eu falar alguma besteira, me corrijam. Nunca fui muito desse tipo de leitura, mas não por não curtir o estilo, e sim, porque os títulos errados caíram em minhas mãos. Tentando corrigir esse lapso na minha formação quadrinhística, tentei ler alguns. Os melhores foram estes:

 Adolf, Osamu Tesuka

Adolf, Osamu Tesuka

 ADOLF, OSAMU TESUKA

O Deus do Mangá não poderia ficar de fora da lista de iniciação aos quadrinhos japoneses. Além de Adolf, li A princesa e o cavaleiro, um dos grandes clássicos do mestre. A diferença de teor entre os dois é enorme, seja no traço ou no conteúdo narrativo.  Dizem que Adolf foi o primeiro quadrinho adulto de Tesuka e a história tem coisas para maiores de 18 anos como sexo e muita violência, mas, claro, à maneira Tesuka. Notei nos dois mangás uma influência de Shakespeare, seja nas tragédias, nos encontros e desencontros ou nas trocas de papéis, como já bem diz o título que comporta três Adolfs diferentes. Além disso, há a inegável marca Disneyneana, seja na composição das histórias, que tem um quê de Bambi, Pinóquio e Branca de Neve – longas da primeira geração Disney –, seja no traço que originou toda uma escola. Ainda, quando eu estava lendo Adolf, também lia o 1Q84, de Haruki Murakami. O clima das duas obras, ainda que se passe em tempos diferentes, mas no mesmo local, é muito semelhante. Os dois mostram um Japão que está distante das tradições do país. Não há nenhum sushi, nem origamis ou lutas marciais, mas um país que precisa a todo custo se ocidentalizar e forçar mais ainda para manter suas próprias características, se quiser ficar dentro da ordem mundial.

Eu Mato Gigantes, Joe Kelly e J M Ken Namura

Eu Mato Gigantes, Joe Kelly e J M Ken Namura

EU MATO GIGANTES, JOE KELLY E J M KEN NAMURA

Joe Kelly, parceiro de Steven T. Seagle na Man of Action, empresa criadora de Ben 10, construiu em Eu Mato Gigantes, uma história com o mesmo teor de É um pássaro…, do colega. Explico: as duas histórias fazem um paralelo entre a leve fantasia e a dura realidade, um movimento que vem desde os contos de fadas, desde os mitos, ou seja, desde que o homem adquiriu a capacidade de aludir. Colocar estes dois extremos lado a lado é um esforço que fazemos todos os dias ao comparar nossas expectativas com o que em verdade acontece em nosso cotidiano. Fantasiar também é negar e é isso que a personagem principal desta história faz. Ela nega o mundo, ela nega as pessoas, ela nega tudo o que acontece porque quer viver na fantasia, um lugar muito mais seguro, onde precisa enfrentar gigantes – o que me lembrou do fantástico game Shadow of The Colossus – do que conviver com a efemeridade da vida. Eu Mato Gigantes esconde mistérios: porque a garota precisa matar gigantes e qual o grande segredo reside no andar de cima da casa em que ela vive? Nesta narrativa comovente, em um quadrinho americano que quer ser mangá e rompe com as amarras do gênero, faz muito bem em negar a realidade em prol da fantasia. A nossa.

GON – Come e Dorme, Masashi Tanaka

GON – Come e Dorme, Masashi Tanaka

GON – COME E DORME, MASASHI TANAKA

Qualquer um que tenha jogando a primeira geração de Playstation conhece esse minidinossauro. Ele podia ser escolhido para lutar em Tekken e era um dos melhores personagens. O bichinho, que ninguém daria muito, derrotava fácil fácil ou outros lutadores. E, vamos dizer que o mangá de Tanaka, um dos clássicos do gênero, também é um game de luta. Nas histórias mudas de GON, ele enfrenta animais de diferentes habitats, sempre – ou quase sempre – levando a melhor. Outra definição que poderia se dar para esse mangá é que se trata de um Tom & Jerry para ser “lido”. GON, porém, sem aquelas músicas clássicas que, convenhamos, era o melhor do desenho do gato e do rato.  Não tem como não rir com as inusitadas e sádicas saídas que o brutal pequeno dinossauro laranja apronta. E assim, esse gibi me conquistou.

MANGAKA – LIÇÕES DE AKIRA TORIYAMA, AKIRA TORIYAMA E AKIRA SAKUMA

Mangaka – Lições de Akira Toriyama, Akira Toriyama e Akira Sakuma

Mangaka – Lições de Akira Toriyama, Akira Toriyama e Akira Sakuma

Até um macaco pode desenhar mangá. Assim era o subtítulo em inglês de Mangaka – nome dado aos produtores de quadrinhos japoneses -, de Akira Toriyama (Dragon Ball e Dr. Slump). O humor já está escancarado no subtítulo e é com esse clima que vamos passando as lições de Toriyama. Diferente do Desenhando Quadrinhos, de Scott McCloud, Mangaka é baseado muito mais na parte dos desenhos e lida com criação de personagens, narrativa visual, perspectiva. Em comum com McClou, porém, é a linguagem. O autor se faz personagem e passa a ensinar aos leitores a arte dos quadrinhos e com isso temos uma história educativa nas mãos, mas que não perde os elementos de continuidade em que nos importamos com o persoangem. Há também os comentários do “professor”, pois a série foi publicada periodicamente no Japão. Dessa forma, Toryiama comentava o que seus alunos por correspondência produziam e mostrava como devia ser feito. Se você não está interessado em produzir quadrinhos, deve pelo menos dar uma olhada no mangá para dar boas risadas.

PANORAMA DO INFERNO, HIDESHI HINO

Panorama do Inferno, Hideshi Hino

Panorama do Inferno, Hideshi Hino

Mais uma das minhas preciosidades bizarrês. A história de Panorama do Inferno trata de um home que está preso em um “determinado” lugar e vai contando sua história, a dos irmãos, do pai, da mãe, do avô, dos antepassados. Cada história é independente, mas também funcionam com um “panorama” como diz o próprio título. Um panorama do quê? Do quê? Isso aí. As imagens passam longe de pinturas grotescas de Hieronymus Bosch, elas não são nada sutis e bastante grosseiras em detalhes, mas dá pra passar a sensação. O que impressiona mesmo são as capas e detalhes internos das partes, estas sim poderiam ter surgido de uma digna grota medieval.

Anúncios

2 comentários

  1. Pingback: As Melhores Leituras de 2013 | Splash Pages

  2. Pingback: As Melhores Graphic Novels Americanas que li em 2013 | Splash Pages

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s