Os Melhores Romances que Li em 2013

1Q84 – Livro 1, Haruki Murakami

Murakami e sua obra máxima
Murakami e sua obra máxima

Ler esse novo sucesso do autor japonês mais cultuado no mundo de hoje, me fez embarcar na vida dos personagens. Fez com que eu fizesse parte de um Japão moderno, nada tradicional. Fui buscar por mais leituras de obras orientais – estou falando dos mangás – que comportassem aquele clima que o livro me passou. Mas ainda fico na dúvida do que se trata o livro e a que ele veio: um mistério que só vou conseguir entender quando ler os Livros 2 e 3. Ele trata de amor, em primeiro lugar, claro, os dois personagens principais possuem uma relação que só será elucidada no fim da trilogia (espero). O livro é uma homenagem a 1984, de George Orwell – o ano em que nasci – e se passa também no mesmo ano. Entretanto, se você está esperando o Grande Irmão, ministérios, duplipensar, censura, vai demorar um pouco para entender como esses elementos estão presentes. Talvez a maior qualidade de Murakami seja a sutileza, mas não se trata de um texto sutil,  cheio de dedos para certos temas, e sim por saber quando empregar essa qualidade na sua história. O autor cria uma tensão ao cruzar capítulos da protagonista e do protagonista. Assim como um livro policial, ele prende sua atenção, mas é possível ver certas qualidades literárias que um O Código DaVinci não teria. Talvez, e esta é uma suposição, já que ainda não acabei os livros seguintes, é de que a história trata mesmo é da autocensura e dos males que ela pode causar a todos nós.

As Vantagens de Ser Invisível, Stephen Chbosky

As capas do filme e do livro As Vantagens de Ser Invisível
As capas do filme e do livro As Vantagens de Ser Invisível

Não leia o livro, veja o filme. Não, você não leu errado. As vantagens de ser invisível, é um dos poucos filmes que são superiores ao livro. Por um acaso, ou nem tanto, uma vez que o escritor é roteirista e diretor do longa. Mas o estranhamento que a adaptação causa no leitor da obra escrita é porque o livro foi composto como um romance epistolar. Ou seja, as cartas que o protagonista envia para um amigo desconhecido, em tom confessional, é claro, são os capítulos do livro. O filme fica tão sensacional porque ele quebra com essa estrutura, esse tom e esse clima íntimo, fazendo o fruidor apreciar a película como se fosse feita para si e não remetido a um “amigo desconhecido”. E, além disso, tem a trilha sonora. No livro, Charlie, o protagonista, grava uma fita com sucessos dos anos 80 para sua amiga. No filme, nós ouvimos os Smiths, David Bowie, e vários sucessos outros sucessos da época em que a cassete era a rainha. Aqui já recomendo de cara o filme, que tem atuações incríveis do Percy Jackson, da Hermione e do Precisamos-Falar-Sobre-Kevin. Esse é um filme para se ver sozinho e chorar, chorar, chorar.  E o livro? Tem o mérito de ter gerado esse filme impecável. Fiquem com o trailer:

Laranja Mecânica – Edição Especial de 50 Anos, Anthony Burgess

Laranja Mecânica ilustrado por Dave McKean
Laranja Mecânica ilustrado por Dave McKean

1984 gerou essa vontade de ler mais livros nesse estilo neologista e de futuros apocalípticos, então a escolha óbvia era o Laranja Mecânica. Esse livro também não tem como desassociar com o filme de Stanley Kubrick, mas, desculpe os veneradores do diretor, nesse caso, o livro supera o filme. Tanto pelas liberdades que o diretor tomou quanto pela linguagem totalmente nova que Burgess cria. A edição de 50 anos da Aleph – que ganhei de aniversário dos meus amigos – é realmente especial e recheada de extras, o que tornou a leitura ainda mais saborosa. Outra coisa que enriquece o livro e dão um ambiente ainda mais poderoso para a obra são as ilustrações de gente do escalão de Dave McKean e de Angeli. Um bom presente no fim das contas e que foi bastante apreciado.

Os Filhos de Anansi, Neil Gaiman
Os Filhos de Anansi, Neil Gaiman

Os Filhos de Anansi, Neil Gaiman

Não há o que se discutir quando se diz que a obra máxima de prosa de Gaiman é Deuses Americanos. Mesmo seu livro mais recente, lançado ano passado, O Oceano no fim do caminho, não tem o mesmo poder canônico do que sua estreia como autor solo, pois lembra mais seu universo de contos e se afasta um pouco do que foi concebido anteriormente. Os Filhos de Anansi, por outro lado, serve como uma espécie de continuação de Deuses Americanos, porém o tom sério é deixado de lado. É o humor que impera neste livro. Não é um humor daqueles que você dá gargalhada, mas podemos reparar que desta vez o autor está mais solto e descompromissado com as lendas e mitologias. Nem por isso elas deixam de marcar o terreno. Anansi morreu. O deus africano das histórias e das trapaças deixou o mundo. Agora seu poder migrou para seu filho. Mas então, ele descobre que não é o único filho. Os Filhos de Anansi é, em certa dose, semelhante a Lugar Nenhum. Tem um protagonista parecido e um desfecho com o mesmo formato. Na outra mão, mistura tantas culturas, histórias, gêneros, presta tantas homenagens a uns e referencia outros, que muita coisa é capaz de passar despercebida enquanto você tenta entender o que está acontecendo na vida do protagonista. Claro que não podia faltar um gostinho da comédia shakespeareana neste livro também. E pra encerrar uma música que está no livro: Under the Boardwalk, pelos Rolling Stones.

Uma Casa no Fim do Mundo, Michael Cunningham
Uma Casa no Fim do Mundo, Michael Cunningham

Uma Casa no Fim do Mundo, Michael Cunningham

Encerro com o melhor livro que li este ano. Michael Cunnigham, o que o autor de As Horas tem que encanta tanta gente? Sensibilidade. E Razão. Razão e Sensibilidade. Sim, ele é um homem, mas sua literatura tem uma pitada de feminilidade. Se trata da tão polêmica literatura feminina escrita por um homem. Ou seja, ele consegue conjugar o melhor de dois mundos, nem tanto ao céu nem tanto à terra. Ele constrói cenas lindíssimas, de fazer chorar mesmo, mas sem aquela prolixidade tão típica das “femininas”. Ele consegue nos acertar socos na cara, mas sem a rudeza e a aspereza insensível de uma crua literatura “masculina”. Ele vence rótulos, porque mesmo sendo gay, ele desenvolve um texto que de longe não seria considerado “queer”. E a história trata mesmo disso aí: pertencimento. Por isso, talvez que apele a tantos gêneros e a tantos públicos. Muito mais que sexualidade, opção sexual, posicionamento, os personagens estão numa corrida atrás de aconchego. Coisa que só podemos encontrar uns nos outros e não dentro de nós.

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