Quadrinhos LGBT para todo o tipo de público (Lá Fora)

Azul é a cor mais quente foi apenas um dos quadrinhos que podem ser considerados “LGBT”, a ganharem notoriedade. Exemplos temos vários. Um dos pioneiros dos quadrinhos undergrounds gays, Howard Cruse conseguiu emplacar com a Paradox Press, um selo da DC Comics, sua graphic novel Stuck Rubber Baby em 1995. A história um pouco inspirada na experiência de Cruse, conta a luta de Toland Polk ao lidar com sua sexualidade e também com o racismo em sua comunidade.

Quadrinhos LGBT para todo o tipo de público (Lá Fora)
Quadrinhos LGBT para todo o tipo de público (Lá Fora)

Já nos quadrinhos europeus, um dos pioneiros é o alemão Ralf König, de quem eu já falei aqui. Seu quadrinho de maior sucesso é O Homem Ideal (Maybe… Maybe not/ Der bewegte Mann). Aqui no Brasil já saíram outros dois álbuns seus: Como Coelhos e E agora os noivos podem se beijar… . Todas as suas obras têm um tom carregado de humor sempre explorando as diferenças e semelhanças entre homo e heterossexuais. König já tem quatro adaptações de suas obras para o cinema, entre elas O Homem Ideal (Der bewegte Mann, 1994) e Como Coelhos (Wie die Karnickel, 2002).

Alison Bechdel, uma discípula de Howard Cruse, bem como de Robert Crumb, não poderia ter vindo de outro lugar senão os comix undergrounds. A cartunista começou com suas tiras Dykes to Watch Out For (que permite duas traduções: Sapatas para Tomar Cuidado e Sapatas para Patrulhar), mas foi com a graphic novel autobiográfica Fun Home – Uma Tragicomédia em Família que ela se tornou um sucesso. Dificilmente poderíamos ver Fun Home nos cinemas. Primeiro devido à temporalidade da história e da maneira como é contada e segundo, devido a sua literariedade, uma vez que a autora coloca na obra excertos de romances consagrados – mas isso não a torna menos quadrinho! Fun Home, inspirada em obras como Maus, de Art Spiegelman e os quadrinhos autobiográficos de Crumb, conta a história da sucessão de eventos que levam Alison sair do armário, confirmar as suspeita sobre a sexualidade enrustida do pai e à morte acidental do mesmo. Bechdel ganhou muitos prêmios e reconhecimentos por sua obra, sendo inclusive escolhida como Livro do Ano pela Time. Em seguida, Bechdel emplacou outra polêmica HQ biográfica, Você é Minha Mãe?,  contando, dessa vez, seu relacionamento com a mãe, pormenorizados com direito a sessões de análise e citações do estudioso da psicologia Donald Winnicott.

Lançada em 1993, Estranhos no Paraíso, de Terry Moore foi uma série que obteve relativo sucesso com o público feminino por retratar o cotidiano de mulheres que poderiam ser encontradas no mundo real, às voltas com questões que afetariam qualquer pessoa comum. A série conta a história da confiante e cínica Katchoo e da romântica e insegura Francine que, apesar de suas diferentes trajetórias, encontraram uma na outra a sustentação parta suas vidas conturbadas. Com o decorrer da trama, vem à tona o passado das duas, despertando dramas e problema. Se junta a elas em um relacionamento confuso, David, que se torna o terceiro vértice do triângulo. Cheia de humor e truques narrativos, a história é entremeada por poemas, músicas — muitas vezes com partituras — e narrativas inseridas pelo escritor e desenhista Terry Moore, que concebeu e desenvolveu a série, conferindo a ela um tom mais experimental e alternativo. A série durou 90 edições nos EUA e é publicada no Brasil pela HQM Editora.

Love & Rockets, a série de quadrinhos dos irmãos Gilbert e Jaime Hernandez foi lançada em 1981, primeiro como série autoral e depois, em 1982, passou a ser publicada pela editora Fantagraphics. A revista traz duas principais narrativas: As Crônicas de Palomar, de Gilbert, história de personagens que vivem numa vila fictícia da América do Sul e que tem  influências do Realismo Mágico Sul-Americano. Porém é Locas (lançada aqui pela Gal Editora), de Jaime, que possui as ligações mais próximas ao universo GLS, além de tratar de personagens femininas vibrantes: Maggie, que se torna mecânica de foguetes e viaja o mundo; Hopey, punk e chicana, nas suas idas e voltas com o relacionamento com Maggie; Izzy, escritora que sempre garante uma boa dose de metalinguagem, e também as sequencias mais surreais e bem boladas da HQ, e Penny Century que é atriz, mas sonha em ser super-heroína. Love & Rockets – Lôcas mistura ficção científica, metalinguagem, super-heróis, tapas e beijos com mulheres que dão um caldo bem grosso temperadas com umas boas pitadas de humor.

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6 Comments

  1. Vou procurar esse Ralf König. Tô querendo ler “Amores minusculos”, de Alfonsos Casas Moreno (não sei se é tão gay quanto a fanpage dele, mas é possível), mas fica muito caro importar.

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      1. Uma amiga minha vai a Paris final do mês. Vou pedir pra ela conferir as livrarias de lá em busca dessas duas. Valeu pela dica. 🙂

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      2. Vou pedir pruma amiga minha, que vai a Paris no fim do me, pra conferir nas livrarias se há algum exemplar de ambos os títulos. Se conseguir, te aviso. 😉

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