O mundo e os personagens de Y: O Último Homem

“Na ficção, todas as sociedades formadas apenas por mulheres são geralmente retratadas tanto como reinos perfeitos onde a guerra e a intolerância foram completamente eliminadas, ou como impérios fascistas governado por lésbicas que odeiam homens”, disse Vaughan. “Estes mundos sem homens quase nunca refletem a complexidade e diversidade das mulheres reais”. Duas delas têm uma importância vital na série Y: O Último Homem: a Agente 355 e a Dra. Allison Mann.

A Agente 355 serve como guarda-costas de Yorick. Versada nas mais diferentes formas de combate ela guarda consigo o segredo do Culper Ring e a missão de conduzir o último homem a um destino seguro. Adepta das armas de fogo, sua principal arma é um cacetete. O nome da personagem nunca é revelado na trama, mas o escritor confessou que muitas pistas foram plantadas no sentido do leitor descobri-lo. Na realidade, existiu um agente 355 durante a Revolução Americana, ele era um espião cuja identidade nunca foi revelada.

A Dra. Allison Mann se sente culpada por ter iniciado a praga, devido a suas pesquisas com clonagem humana. Ela quer levar Yorick e seu macaco, Ampersand até seu laboratório em Boston para que possa reiniciar seus experimentos e renovar a população masculina do planeta. Durante a série, 355 e a Dra. Mann têm suas personalidades e destinos desenhados de maneira que fica difícil comparar sua maneira de ser no início e no final da história, mostrando-se personagens complexas e unusuais.

A Dra. Alison Mann e a Agente 355.
A Dra. Alison Mann e a Agente 355.

O nome Yorick vem da peça Hamlet, de William Shakespeare. O personagem era o bobo-da-corte do príncipe da Dinamarca e é dele a caveira que Hamlet segura quando questiona sua situação. Essa cena de Hamlet será, mais tarde, repetida pelo próprio Yorik. Já o nome da irmã do protagonista, Hero, vem de outra peça do bardo inglês, Muito Barulho por Nada. O pai do protagonista era professor de literatura inglesa. Hero, no início da trama, se juntou a um grupo de feministas radicais: as Filhas das Amazonas, que apregoam que a morte dos homens foi determinada pela natureza, devido ao seu comportamento opressor frente às mulheres. Por outro lado, algumas mulheres começam a venerar obeliscos, por causa de seu formato fálico.

O rumo da história se encaixa com a estrutura da Jornada do Herói, de Joseph Campbell em que o personagem principal adentra uma viagem cheia de obstáculos, resultando no seu crescimento e desenvolvimento. Yorick, contudo, tem dois objetivos e ao longo das edições podem se tornar conflitantes: encontrar Beth e ser o redentor da humanidade. Talvez por essa razão Y não possa ser considerado um herói, pois ele foge do estereótipo (Superman, Batman, Wolverine). Yorick está longe de ser uma pessoa segura de si, com objetivos de vida definidos, código de honra e moral inabalável. Ele é só um cara que não sabe ser o último representante masculino no planeta. E talvez por isso muita gente se vê nele. Fantasias à parte, quem realmente gostaria de ser o último homem da Terra? “Quanto mais único e específico você construir um personagem, mas as pessoas se identificarão com ele”, disse Brian K. Vaughan, que já afirmou que Yorick seria uma versão mais jovem e mais estúpida de si mesmo.

A edição 16, de Y: The Last Man
A edição 16, de Y: The Last Man

Nas edições 16 e 17, desenhadas pelo criador de Concreto, Paul Chadwick, a trama apresenta uma trupe de teatro, que acaba se encontrando com o macaco Ampersand. Esse grupo teatral encena uma peça contando a história do último homem na terra, baseada no livro O Último Homem., de Mary Shelley, criadora do Frankenstein (livro saiu no Brasil pela Editora Ladmark em 2007). No livro de Shelley a causa da praga não é evidenciada. A peça acaba sendo interrompida por Yorick, mascarado, a procura de seu animal. O rapaz que saber o final da história, ao que a diretora e autora da peça responde que o derradeiro representante masculino acaba se suicidando para deixar as mulheres viram-se por si mesmas. Essa poderia ser uma pista para o final da série. Mas será que BKV entregaria o final assim de bandeja? A série da Vertigo foi planejada desde o começo para durar cinco anos ou 60 edições. Acabou no início de 2008, após alguns meses de publicação bimestral.

A arte da série é simples, porém expressiva. Pia Guerra é boa em retratar as emoções dos personagens. A artista não apela quando é necessário mostrar cadáveres e cenas de sexo, sem ser explícita ou buscar chocar o leitor. “Nós nos esforçamos por transmitir uma história que fosse visualmente simples. E queríamos produzi-la de modo que alguém pudesse simplesmente pegar a história e mergulhar nela. Queríamos que fosse fácil de acompanhar, tão parecida com um filme quanto possível. Eu acho que isso pode ser notado logo de cara, quando Brian escreveu os painéis em ‘widescreen’ desde o começo. Então era como se, desde o começo, tivesse aquele tipo de transição que você pudesse acompanhar, com um visual cinematográfico e fácil de avançar a partir daí”, disse a desenhista sobre a narrativa da série.

CONTINUA AMANHÃ…

Pia Guerra: uma mulher num mundo dominado por homens.
Pia Guerra: uma mulher num mundo dominado por homens.
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