Espere o inesperado, Capitão América 2 – O Soldado Invernal, de Anthony e Joe Russo

A frase que dá título a este post se refere a filmes e literatura de espionagem. Coisa que o segundo filme do Capitão América cumpre muito bem. Longe de ser ufanista ou patriótica, a história investe nas conspirações, por outro lado não perde o seu sentido de maravilhamento quando leva o espectador  a uma busca a coisas e lugares perdidos, rondados por mistérios como num filme dos Goonies.

Esse sentimento “anos 80” permeia o filme, com toques do cinema de ação daquela época que garantia cenas bombásticas. Em Capitão América 2, tem uma luta dentro de um elevador, perseguições de carros, para não dar muitos spoilers. Além disso, há um clima Jamesbondiano no filme. A despeito dos aparatos de espionagem, que estão mais presentes na série de televisão dos Agentes da S.H.I.E.L.D., o clima tudo-pode-acontecer e de que o-vilão-está-por-trás-de- todas-as-mudanças-mundiais, dos bons filmes e séries de espionagem como Missão Impossível estão ali.

O beijo da Mulher-Aranha... opa, não... da Viúva Negra...
O beijo da Mulher-Aranha… opa, não… da Viúva Negra…

Parceria é outra palavra que define o filme. É uma história que apresenta o valor da amizade e da confiança.  Além do Soldado Invernal, que não é spoiler, e procure ler os quadrinhos, há ainda a parceria de Steve Rogers com a Viúva Negra, que sempre rouba a cena. Há a nova origem do Falcão, outro grande parceiro do Capitão América e um dos primeiros heróis negros dos quadrinhos. Sem falar na parceria dos irmãos Anthony e Joe Russo e dos roteiristas Christopher Markus e Stephen McFeely que permitem que as cenas e os acontecimentos sejam mais bem amarrados do que qualquer filme do Marvel Studios até então.

O Capitão mandou... O marujo "sim, senhor!".
O Capitão mandou… O marujo “sim, senhor!”.

Em minha opinião, Capitão América 2 – O Soldado Invernal é um dos melhores filmes da Marvel. Muito superior à prepotência dos Vingadores, que parece mais um filme ambicioso para crianças, ainda que bem realizado. Capitão 2 tem um tom mais adulto, uma ameaça muito mais séria que os fantasiosos alienígenas Chitauri de Vingadores, e se leva mais a sério do que qualquer outro filme de super-heróis – o que, nesse caso, é um ponto positivo. Além disso, ele tem uma importância estratégica para a Marvel muito maior que a dos Vingadores, preparando uma mudança de terreno em Agentes da S.H.I.E.L.D. que promete alavancar a série.

Quanto aos quadrinhos, além da supracitada O Soldado Invernal, temos influência das sagas Invasão Secreta (Em quem você confia?), Reinado Sombrio (Eles ganharam, ele perdeu.) e Guerra Secreta (Nick Fury recrutando um grupo superpoderoso para debelar uma ameaça secreta). Sem falar na citação de Stephen Strange (o Doutor Estranho), na polêmica lista que envolvia Xuxa e Mamonas Assassinas, e do subaproveitamento de Emily VanCamp como Agente Sharon Carter, a Agente 13 dos quadrinhos e sobrinha de Peggy Carter.

Chris Evans, o mocinho bom, opa, não, o bom mocinho...
Chris Evans, o mocinho bom, opa, não, o bom mocinho…

O personagem do Capitão América foi mais bem trabalhado no cinema do que nos quadrinhos. Mostrando o herói como um paladino altruísta, um cavaleiro puro da justiça, da maneira que vêm sendo apresentado desde o primeiro filme. Steve Roges, apesar de não ser inglês, é um sir. É interessante ver que num tempo de heróis cínicos, arrogantes, destruidores, ainda há espaço para um mantenedor da ordem com ares de inocência.

Ao longo dos anos, nos quadrinhos, Rogers mudou seu perfil bandeiroso do america’s way of life para um homem de princípios, de valoires, coisa cada vez mais escassa no reino dos super-heróis, por mais combatentes da liberdade que eles sejam. Mais que representar uma flâmula, ou uma nação, o Capitão América representa os “velhos e bons tempos”, aquela utopia que alguns de nós costumam defender ao se esquecer das mazelas que persistiam naquela época. O Capitão América não é apenas um herói perdido no tempo, descongelado nos nossos dias. Ele é um herói dos valores e dos costumes perdidos, não que esses valores e costumes sejam uma coisa estanque, mas que apesar da configuração do cotidiano mudar, a defesa dos direitos humanos, das minorias, do fraco sobre o forte ainda precisa de seus campeões, como foi na época da Segunda Guerra Mundial, ou na crise da Criméia.

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3 Comments

  1. sou um grande fã seu e parabenizo pelo excelente trabalho,com textos superinteressantes? sobre essa galáxia chamada nona arte.
    somente discordo da sua afirmação de que o personagem Capitão América foi mais bem tratado no cinema do que nos quadrinhos…
    em 75 anos não-ininterruptos de publicação,penso ser impossível que o tratamento que apenas 3,4 longa-metragens deram ao super- herói possa ser melhor do que o trabalho de grandes escritores que já assumiram o roteiro,gente do nível de J.M. de Matteis,Kurt Busiek,Mark Waid…

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