Mês: maio 2014

Asa Branca, a Pomba de Noé da Caatinga. A arte é legal, o roteiro, Noé.

Arrasado pelo Dilúvio: Noé – Por Causa da Crueldade dos Homens, de Darren Aronofsky, Ari Handel e Nico Henrichon

Sinceramente? Comprei essa HQ por causa da arte. Havia visto o trailer de Noé, com Russel Crowe e me pareceu muito espalhafatoso, pretensioso e grandiloquente. Mas aquela capa de Nico Hernichon (Leões de Bagdá) me fisgou na hora. A arte interna do álbum também não decepciona, mostrando detalhes de pessoas e objetos, grandes cenas de batalha, lindos desertos e animais antediluvianos com a vantagem de serem animais estranhos como a própria acepção da palavra evoca. A HQ de Noé lembra outro quadrinho feito por Aronofsky e Hendel em vias de se aproximar de um filme: A Fonte da Vida. Nessa outra HQ, a arte era de Kent Williams (Sandman), mas os tons de cores e o clima continua o mesmo. A fotografia pesada, carregada, saturada sem usar a saturação, em cores áridas que lembram desolação, crueza, solidão. Enquanto Fonte da Vida lidava com temas mais próximos a ficções científicas, Noé trata de uma grande epopeia. Mas são os filmes de Aronofsky que mais tem ligação entre si. Enquanto vejo que Cisne Negro, O Lutador e …

Estou vestido e armado com as roupas e armas de: São Jorge – Volume I – Soldado do Império, de Danilo Beyruth

Um dos santos com mais devotos no mundo, um dos catorze santos auxiliares, São Jorge, também é muito popular no Brasil, principalmente pelo sincretismo, que o identifica com Oxóssi, mas principalmente com Ogum. São Jorge também é padroeiro de muitas cidades ao redor do mundo. Aqui no Brasil, é o caso de Ilhéus e extra-oficialmente, do Rio de Janeiro. Os últimos posts têm ficado bem santarrões e religiosos, não acham? Mas eu não podia deixar de falar de uma obra imperdível como São Jorge de Danilo Beyruth. Danilo Beyruth começou a se destacar no cenário das HQs nacionais com seu Necronauta, o personagem que ajuda os mortos com seu problemas. Uma espécie de cruza da Morte, de Neil Gaiman e a Dona Morte, de Mauricio de Sousa, abrangendo histórias sérias e bem-humoradas. Do Necronauta saíram dois álbuns aqui no Brasil, pela Zarabatana Books e pela HQM Editora. Mas foi com seu premiado Bando de Dois, que ele ganhou mais leitores e os holofotes da mídia. Isso lhe rendeu o convite para fazer a primeira Graphic …

Todos querem a cabeça do Charles ou por que eu não gosto do Professor Xavier

Líder visionário dos X-Men, o Professor Xavier se tornou um entrave para as histórias dos mutantes. Já diria Kitty Pryde: “O Professor Xavier é um idiota!”. Desde então, muitos roteiristas tem evitado usar Charles Xavier nas histórias dos mutantes, a última vez que o vimos, ele havia sido assassinado por um Ciclope com os poderes de Fênix em Vingadores versus X-Men. O Professor Xavier foi criado por Stan Lee e Jack Kirby em setembro de 1963. Inspirado no visual de Yul Brynner em Sete Homens e um Destino, a grade ideia por trás de Xavier era um homem com grande poder mental reduzido a uma cadeira de rodas. Apesar de impossibilitado de andar, ele podia viajar o mundo através da mente dos outros. Xavier é o arquétipo do Líder Visionário, como já apontei aqui. Xavier também foi inspirado em Martin Luther King, o pastor que sonhava com a igualdade entre negros e brancos. E Xavier tinha um sonho parecido, a igualdade entre mutantes e humanos. PROFESSOR BITCH Porém, Xavier era o líder irretocável, inquestionável, inatingível …

O Show de Jesus: Punk Rock Jesus, de Sean Gordon Murphy

Sabe aquela HQ irretocável, que por mais que tu queira encontrar alguma coisa para descrever, para destacar, não consegue, porque são tantas coisas boas, a coisa foi tão acertada, que não sobra muito pra dizer? Bem, é essa minha relação com Punk Rock Jesus, de Sean Gordon Murphy. A mesma coisa aconteceu comigo e Asterios Polyp, do qual eu só pude mesmo citar algumas frases no post que fiz. Mas vou tentar superar esse bloqueio de maravilhamento que tenho. Punk Rock Jesus se passa em um futuro próximo, em que a empresa Ophis resolve clonar Jesus Cristo a partir do Santo Sudário de Turim. Acontece que a intenção da empresa é envolver o garotinho clonado em um reality show que será exibido no mundo inteiro. Essa é a premissa da série. Porém, logo no início da narrativa, entramos em contato com um outro personagem: Tommy, que teve os pais assassinados na Irlanda. Seus pais eram integrantes do IRA, o Exército revolucionário Irlandês, que luta através do terrorismo, entre muitas coisas para garantir que a Irlanda …

Cordeiro de Deus que Tirai os Pecados do Mundo: Trinity of Sin: Phantom Stranger – A Stranger Among Us, de Dan DiDio, J. M. DeMatteis, Brent Anderson e Philip Tan

Com a publicação da Guerra da Trindade aqui no Brasil, uma edição da revista do Vingador Fantasma foi publicada na revista da Liga da Justiça. Achei aquela história muito boa e, assim que vi um encadernado importado do Phantom Stranger, não bobeei e usei meu vale para adquiri-lo. Parte da segunda leva das revistas dos Novos 52 da DC Comics, a Panini optou por não publicar suas histórias. Mais para frente, a revista ganhou o epíteto Trinity of Sin, por ser uma leitura básica para a Guerra da Trindade. E digo mais, uma leitura básica para o universo “mágico” da DC Comics. Diferente da origem contada por Alan Moore e Joe Orlando, em Secret Origins # 10, de 1987, dessa vez o Vingador não é um anjo caído. Na verdade, como um integrante da Trindade do Pecado, ele, Pandora e o Questão são os maiores transgressores do mundo. O pecado do Vingador, no caso, foi ter traído o cordeiro por trinta moedas de prata. Então se você sabe um pouquinho sobre cristianismo já deve entender …

Curso Sobre Quadrinhos no IEL

Curso MESTRES CONTEMPORÂNEOS DOS QUADRINHOS Ministrante: Guilherme Smee Local: Instituto Estadual do Livro O curso MESTRES CONTEMPORÂNEOS DOS QUADRINHOS abordará as obras e a vida de quatro grandes escritores dos quadrinhos: Alan Moore (Watchmen, V de Vingança, A Liga Extraordinária) Frank Miller (Batman – O Cavaleiros das Trevas, 300, Sin City) Neil Gaiman (Sandman, Os Livros da Magia, Orquídea Negra) Grant Morrison (Os Invisíveis, Asilo Arkham, WE3) Alguns dos itens que serão abordados: Vida, Obras, Influências, Estilo, Impacto Cultural e Contexto dentro da História Mundial e da História dos Quadrinhos Americanos. O MINISTRANTE Guilherme “Smee” Sfredo Miorando nasceu em Erechim em 1984. É publicitário, especialista em Imagem Publicitária e faz parte do conselho editorial da Não Editora. Publicou contos e quadrinhos na coletânea Ficção de polpa. Ministrou em 2006 e 2008 o curso “Histórias em Quadrinhos: história, análise e crítica” na FAMECOS/PUCRS, com Samir Machado. Corroteirizou com Frederico Cabral o curta Todos os balões vão para o céu, que foi escolhido Melhor Curta pelo Júri Oficial do Prêmio Histórias Curtas 2011, realizado pela RBS TV. O vídeo também foi escolhido melhor …

Luto: Homem-Animal – Espécie Anormal, de Jeff Lemire, Steve Pugh, Travel Foreman, John Paul Leon, Francis Portela

A morte sempre rondou os quadrinhos, depois da morte do Superman, virou sinônimo de pico de vendas de exemplares. A morte que é retratada em Homem-Animal – Espécie Anormal, entretanto, é a de uma criança. Isso é algo raro nos quadrinhos de super-heróis, principalmente porque crianças não tem muito destaque nesse tipo de aventura. Depois da saga Mundo Podre, em que a Podridão ameaçou os reinos do Verde (Vegetais) e do Vermelho (Animais), Buddy Baker, o Homem-Animal e Alec Holland, o Monstro do Pântano, conseguiram debelar a ameaça. Porém, a vitória cobrou um preço mais caro, levando desse plano a vida de Cliff Baker, o filho de Buddy. Foi assim que nos despedimos da revista Dark, e assim que começamos o primeiro encadernado do Homem-Animal.  A primeira história, O Funeral, mostra as reação de Buddy, de Ellen e Maxine, sua esposa e filha, bem como um busca de Buddy por satisfações dos avatares do Vermelho. Na história seguinte, publicada originalmente no segundo anual do Homem-Animal, temos um vislumbre do passado, do dia em que Maxine …

Vozes do Além: Clube Vampiro – Morra Agora Viva Para Sempre, de Howard Chaykin, David Tischman e David Hahn

Vampiros estão pipocando na cultura pop. E não é de hoje. Desde Drácula, de Bram Stoker é assim. Nos cinemas, Crepúsculo. Nas séries, True Blood. Nos quadrinhos, temos Vampiro Americano e Eu, o Vampiro, para ficarmos nos mais recentes. Clube Vampiro, vendido com o uma espécie de The Sopranos com dentes afiados, se aproxima mais de True Blood pela violência e sexo contidos em suas páginas. O interessante, porém, neste encadernado lançado pela Panini é que o renomado autor Howard Chaykin (de American Flagg!) e seus comparsas apresentam todo um mundo novo. Eles dão conta de contar o mundo dos vampiros e seus mais minuciosos detalhes através de uma narrativa em off. Como uma voz vinda do além, da mesma maneira que aquelas histórias do Penadinho contam a vida daqueles personagens com nomes juntos que formam uma terceira interpretação, assim é a narrativa em off de Clube Vampiro. É difícil avaliar se essa é a melhor forma narrativa de apresentar um mundo novo para o leitor. As histórias em quadrinhos sempre tiveram o predicado do …

A Lei de Talião ou Por Que eu Não Gosto do Justiceiro

Linchamentos como os de Fabiana Maria de Jesus, no Guarujá, por uma turba raivosa, afirmando que ela era uma bruxa matadora de crianças, ocorrida no início deste mês chocam a população. Um meliante que foi amarrado a um poste por ter roubado um celular, não choca. Pelo contrário, incita o apoio a práticas como essa, de pessoas autointituladas “do bem”, justiceiros da internet, sagazes e com palavras ácidas sempre preparadas para acusar o próximo, sempre a postos para substituir o Estado na manutenção da justiça. Da mesma forma funciona o cérebro do Justiceiro, esse anti-herói dos quadrinhos da Marvel Comics que usa o símbolo de uma caveira. Essa caveira é muito utilizada por fãs de quadrinhos em camisetas pelo mundo. O Justiceiro é Frank Castle, um ex-fuzileiro naval que viu sua família ser baleada na sua frente por gângsteres. Desde então, vestindo o uniforme do Justiceiro, Frank Castle jurou punir todos os culpados. Segundo sua lei, é claro. Criado em 1968, por Gil Kane e Ross Andru, o Justiceiro faz parte de um movimento de …

Injustiça é não ler: Injustiça – Deuses Entre Nós, de Tom Taylor, Jheremy Raapack e Mike S. Miller

HQs baseadas em games geralmente não caem nas graças dos fãs. Nem dos fãs de games, nem dos fãs de quadrinhos. Mas Injustiça é um caso à parte. É uma história em quadrinhos que não deve nada ao jogo. Uma vez que o jogo não tem muito enredo, é apenas uma disputa de força e poder, a HQ preenche muitas brechas que poderiam ser exploradas de maneira mais detalhada. Depois de ter produzido o jogo Mortal Kombat x DC Universe e ter falhado fragorosamente, a casa de Superman, Batman e cia, resolveu encarregar Ed Boon, dono do NetherRealm Studios e um dos criadores do Mortal Kombat para criar um novo jogo. Ed Boon é aquele carinha que aparecia no canto da tela gritando alguma palavra que você não conhecia quando criança. Isso acontecia quando se usava o ninja das sombras, Noob Saibot – que não por acaso é um anagrama do nome de Ed. Concedendo aos heróis um visual mais moderno, Ed criou uma realidade em que o Superman enlouquece, após matar acidentalmente Lois Lane …

A coreografia dos Jovens Vingadores, de Kieron Gillen e Jamie McKelvie

Um Loki criança. Um casal gay filhos de notórios vingadores. Um alienígena vindo de outra dimensão. Uma latina vinda de uma realidade alternativa. A garota normal que gosta de atirar flechas. Um grupo bastante improvável, mas que estrela a nova encarnação dos Jovens Vingadores, publicada no Brasil na revista Homem de Ferro & Thor. Criados pelos superstars Allan Heinberg (de Grey’s Anatomy e Looking) e Jim Cheung (Infinity), o anúncio dos Jovens Vingadores sugeria que seus integrantes seriam versões jovens do Capitão América, Homem de Ferro, Hulk e Thor. Os fãs estavam redondamente enganados, revelando personagens multifacetados e com histórias próprias e originais. As histórias destes personagens tiveram mais twists and turns em poucas edições do que qualquer outra revista de super-heróis. Ao lado dos Fugitivos, de Brian K. Vaughan e Aldrian Alphona, estes heróis representam o melhor que a Marvel tinha a oferecer, como um sopro de novidade em sua linha de heróis nos anos 2000. Pórem, após um grande tempo com o direito exclusivo de ditar os rumos destes personagens, Heinberg e Cheung …