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Vozes do Além: Clube Vampiro – Morra Agora Viva Para Sempre, de Howard Chaykin, David Tischman e David Hahn

O que é isso na sua mão? Catupiry?

O que é isso na sua mão? Catupiry?

Vampiros estão pipocando na cultura pop. E não é de hoje. Desde Drácula, de Bram Stoker é assim. Nos cinemas, Crepúsculo. Nas séries, True Blood. Nos quadrinhos, temos Vampiro Americano e Eu, o Vampiro, para ficarmos nos mais recentes. Clube Vampiro, vendido com o uma espécie de The Sopranos com dentes afiados, se aproxima mais de True Blood pela violência e sexo contidos em suas páginas. O interessante, porém, neste encadernado lançado pela Panini é que o renomado autor Howard Chaykin (de American Flagg!) e seus comparsas apresentam todo um mundo novo. Eles dão conta de contar o mundo dos vampiros e seus mais minuciosos detalhes através de uma narrativa em off.

Como uma voz vinda do além, da mesma maneira que aquelas histórias do Penadinho contam a vida daqueles personagens com nomes juntos que formam uma terceira interpretação, assim é a narrativa em off de Clube Vampiro. É difícil avaliar se essa é a melhor forma narrativa de apresentar um mundo novo para o leitor. As histórias em quadrinhos sempre tiveram o predicado do diálogo, e de apresentar as coisas assim. A narrativa em off se popularizou muito recentemente nos quadrinhos, principalmente pelas mãos de Frank Miller e do próprio autor Howard Chaykin. Se por um lado oferecer uma narrativa em off ao leitor, emulando a prosa em terceira pessoa, possa parecer um recurso preguiçoso, Chaykin e Tischaman usam de alguns ingredientes mais sofisticados para dar a leitura um pouco mais de ardência. A ironia e o sarcasmo do narrador, essa voz do além misteriosa, esse desconhecido.

Vou pintar um arco-íris de energia...

Vou pintar um arco-íris de energia…

Agora vamos falar da arte. O traço é simples, mas por dizer simples, quero dizer simplificado. Sem as hachuras caraterísticas dos desenhos de super-heróis, e se aproximando, por um lado das ilustrações comerciais e por outro, do estilo mangá. O desenhista David Hahn acrescenta uma dimensão diferente para um visual que, por outro estilo, poderia parecer pesado demais para se sustentar com tanta ironia e sarcasmo.

Clube Vampiro - Morra Agora Viva Para Sempre, de Howard Chaykin, David Tischman, David Hahn. (Panini Comics,  2014, R$ 19,90, Tradução: Mario Luiz C. Barroso)

Clube Vampiro – Morra Agora Viva Para Sempre, de Howard Chaykin, David Tischman, David Hahn. (Panini Comics, 2014, R$ 19,90, Tradução: Mario Luiz C. Barroso)

Mas é importante também falar das cores de Brian Miller. O colorista usa matizes de cores para separar cada momento da história. Porém, algo se perde no caminho. Seria mais esperto usar essa matizes não para separar momentos, mas personagens. Ou então fazer, como a recém-lançada adaptação do romance de Adolfo Bioy Casares, A Invenção de Morel, pelo quadrinista francês JP. Mourey. Na adaptação, por um motivo que você entenderá ao ler a história, JP. usa as cores para marcar o acontecimento de cada dia ao decorrer da trama.

Na história moderninha de Clube Vampiro, temos mafiososos, uma dona de um conglomerado fonográfico, um padre em negação, um garoto-vampiro-gótico-à-la-tiros-em-columbine, muita putaria, imoralidade, entremeados por ironia e sarcasmo. Isso sem falar nas magníficas capas de babar e chorar(sangue) de Frank Quitely. Clube Vampiro não é recomendado para pessoas sensíveis, cardíacas ou moralistas, mas nem F@d&nd@!

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